terça-feira, 30 de novembro de 2010

Qual a essência do casamento?

Estaríamos errados ao afirmar que na essência do casamento estão contidos: a promessa de amar o outro para sempre? Continuar junto do cônjuge até que a morte promova a separação? Viver para fazer o outro feliz?

Neste mês de maio eu tive o privilégio de fazer a apresentação de um casal. Em outras palavras: fazer a cerimônia de casamento de duas pessoas cristãs, mas que não são da mesma agremiação religiosa. Não é a primeira vez que exerço esse maravilhoso ofício e certamente não será a última. Acontece que as organizações cristãs têm a característica de só oficiar casamento quando os pretendentes são da mesma “fé”, isto é: do mesmo ente proselitista.

No caso em voga não importa o amor entre os noivos, o caráter de cada um, do histórico irrepreensível dos futuros esposos ao longo da vida. Mais importante para as igrejas e seitas é que se esteja sob a mesma praxe doutrinária. E a essência do casamento é menos importante?

Tenho ouvido de algumas pessoas, ao longo dos meus 45 anos de vida, frases mais ou menos assim: “prefiro que meu (minha) filho (filha) fique solteiro (solteira) a casar com alguém que não seja da minha igreja...” Notem que a preferência principal não é pela felicidade, pela consolidação do amor, mas pela junção de pessoas que pertençam ao mesmo ente dogmático.

Não condeno tal atitude, mas faço ressalvas. Até ouso perguntar: o que você prefere para um querido seu, um casamento com alguém da sua igreja, num primeiro plano, ou que esse seu amado se case com alguém de boa índole? É lógico que a resposta não pode ser: “prefiro as duas coisas”! E quem não prefere?

Ocorre, meus amigos, que a estatística está aí para comprovar que nas igrejas cristãs o número de mulheres está superando ao de homens. De sorte que será impossível que todas as excelentes donzelas se casem com pessoas da mesma profissão de fé.

É hora de preparar instrutores para curso de “descasados” (solteirões, viúvos e similares). Curso para casados (nesse contexto) é moleza!

Outro curso fundamental: “como ser solteirona no século XXI”?

Adianta essa conversa de que Deus proverá? Proverá forças para que a donzela consiga viver só? Convém esperar que o mesmo Deus que multiplicou os pães e peixes multiplique homens bons para todas as mulheres solteiras?

Outro detalhe que tem sido deixado ao largo: como uma mãe que está casada, teve lua-de-mel e uma boa vida conjugal, terá experiência (e coerência) para dizer para a filha: “é melhor ficar solteira do que casar com alguém de outra igreja?”

E se a filha perguntar: “mãe, como é ser solteirona?”. É fácil preferir algo para uma filha sem se colocar no lugar dela...

Faço um convite à reflexão: qual a essência do casamento para você? O casamento com pessoas da mesma instituição é garantia de sucesso? Casamento entre pessoas cristãs, mas de grupos diferentes, é certeza de infelicidade?

Tenho a convicção de que o casal que apresentei, numa linda cerimônia de casamento, tem todos os ingredientes para ser feliz. Especialmente porque o amor foi colocado acima do “instituto proselitista da fé ortodoxa”.

Quando o amor mútuo se põe em evidência, coisas de menor importância saem de cena. Pessoas que se amam com certeza caminharão juntas rumo à convergência, inclusive a da fé. Essa convergência não significa que um passará a adotar a fé do outro. Poderá ser que essa convergência seja a aceitação e respeito às concepções religiosas que cada um tenha...

Por hora eu continuarei exercendo esse privilégio, caso seja convidado, de fazer outros cerimoniais. É fundamental que os noivos tenham em mente a essência do casamento e estejam dispostos a amar um ao outro, a despeito das diferentes formas de exercer o livre arbítrio religioso.

Nota: importante que não pairem dúvidas! Notem que o texto está preso a casamento de cristão com cristão. Exemplificando: batista com metodista, adventista com presbiteriano, etc. As igrejas, em geral, só fazem o casamento se os dois forem rigorosamente da mesma denominação.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 26/05/2008
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Omissão: comportamento asqueroso

A mulher voltou mais cedo, entrou no quarto e viu, para a sua decepção, seu marido aos beijos e abraços com outra. Era uma conhecida sua e de longa data. Desesperou-se e pensou em agir de forma violenta. Ponderou um pouco e saiu de perto. Em outro ambiente da casa se pôs a pensar. O quanto ganharia e o quanto perderia no episódio denunciando-o ou ignorando-o? Afinal seu companheiro era muito respeitado no meio e ela, como esposa dele, também era tida como referência social.

Depois de longa reflexão concluiu que o melhor seria ignorar. Romper com o relacionamento significaria perder a forma de vida que levava. E os filhos, como fazer? Como tirá-los daquele modo de viver que tanto gostavam? Precisava fazer uma opção. Pesou na balança e resolveu se omitir.

Retirou-se sem fazer barulho. Esperou a amante do esposo sair e voltou para casa. Ele estava tomando banho. Aguardou e quando ele saiu do banheiro beijou-o como se nada tivesse acontecido e perguntou: “o que quer para o jantar”? Ele respondeu: “qualquer coisa, gosto do que você faz”.

Conveniência, a palavra do momento. Engolir sapo, a expressão da hora. Sorrir para não chorar. Fingir que não vê, para não ter que agir...

Essa falta de ação, inércia ou passividade está campeando a sociedade. Invadiu a família, insurgiu-se contra a moral. Omissão, quem gosta dela e quem a detesta? Quem a repudia e quem a pratica?

Costumo dizer que o omisso é mais deletério do que o ativo. Aquele que age, que pratica, que atua, pelo menos se torna visível. O omisso é invisível e enganador. É sutil. O omisso esconde-se atrás de atos bons e deixa de agir, quando se sente em perigo. É comum a frase do omisso: “eu nunca fiz isso ou aquilo, vejam minha vida...”. A questão não é essa! O problema não está naquilo que o omisso fez, mas naquilo que deixou de fazer, levando outros ao descaminho ou ao prejuízo.

O omisso age com inteligência, quando convém é claro. Diz que não gosta de se meter na vida dos outros. Não é a isso que me refiro. Reporto-me aos atos, que se evitados, corroborariam para o bem da coletividade. O omisso desconsidera essa possibilidade e pensa em si. A pergunta que faz é: “o que ganho ou o que perco?” Em caso de certeza de ganho ele age. Em caso de dúvida ele recua, sem medir as conseqüências promovidas por sua inércia.

Considero o omisso um câncer social.

A omissão, por fim, chegou ao suposto reduto da moralidade: a religião. As igrejas conseguem ter o maior número de omissos por metro quadrado! São imbatíveis! É interessante observar as pessoas com aquelas “caras de santo de pau oco” nas igrejas, elevando preces e cantando louvores. Ao mesmo tempo, qual aquela mulher traída, fingem não ver a podridão reinante no contexto no qual estão.

A pessoa, numa reflexão maldita põe-se a perguntar: “o que ganho ou perco agindo ou ignorando?” “E minha condição social e minha família?” “O que pode acontecer?” “Colocar em risco isso aqui? Nem pensar!”

Por fim conclui: “vou ficar no meu canto, afinal tenho sido um bom exemplo e não faço essas coisas”. “Comporto-me bem...”

As leis humanas dizem, em palavras coloquiais, o seguinte: “aquele que por ação ou omissão... será julgado conforme legislação...” Notem que a ação e omissão têm o mesmo peso!

E perante Deus? Será que aquele que deixa de tomar atitudes que poderiam inibir o mal não é tão culpado quanto aquele que pratica o delito?

São situações como essa que fazem a pessoa migrar da decepção para a revolta. É decepcionante ver alguém errar uma vez. É revoltante ver a repetição sistemática do erro. Principalmente esse erro maldito! A omissão asquerosa!

O que podemos fazer? Simples: basta apenas não fazer parte do grupo dos omissos. Primeiro buscar fazer o que é certo – simplesmente porque é certo. Não ser omisso faz parte dessa virtuosidade.

Enéias Teles Borges
Publicação original: 09/06/2008
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Um poema para o omisso

A vida fica menos tensa quando embalada por poesia. Fiz um poema e o dediquei ao omisso. Não me preocupei com a métrica, não me atentei para a rima. Pensei apenas no sentido.

SEI QUE NÃO VI...

Eu não quero ver, virarei o rosto.
Virei o rosto, não vi, mas sei que há.
Sei que há, mas ninguém me culpará!
Direi que não sei, direi que não vi.

Como não vi, não sou obrigado a saber.
Não sei, como alguém me intimará?
Sendo intimado eu direi que não sei.
Não sei! Sei que não sei! Nem olhei...

Não olhei e fico tranqüilo.
Ninguém poderá dizer que eu vi.
Ninguém poderá me culpar.
Ninguém dirá que me omiti.

Como posso ter me omitido? Eu não vi!
Se não vi, como posso saber?
Se não sei quem me culpará?
Eu não sei, pois sei que não vi.

Eu não quis ver, virei o rosto.
Virei o rosto, não vi, mas aconteceu...
Sei que houve, mas ninguém me culpará!
Pois eu não vi, virei o rosto, não vi.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 10/06/2008
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Pergunte ao ateu

O criacionista chegou perto do ateu e perguntou: "por que não acredita em deus?" O ateu prontamente respondeu: "como posso acreditar, sabendo que ele não existe?"

Notaram como perguntas e afirmações podem vir formuladas de forma equivocada? Muitos insistem em dizer que o ateu não acredita em deus. Mas como ele poderia acreditar em deus se não acredita em sua existência? É possível acreditar em algo quando se tem convicção de que "esse algo" não existe? Como o ateu poderia acreditar em deus tendo convicção da sua inexistência?

A pergunta correta seria: "por que você não acredita na existência de deus"? Se ele não crê na existência de um ser, como ele poderia crer nele?

Pergunte ao ateu, quem sabe ele responderá, mas faça a pergunta corretamente. Afirme algo ao ateu, quem sabe ele ouvirá, mas afirme de forma correta.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 22/08/2009
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Faxina na própria casa...

Mais uma vez eu me sirvo de uma postagem do blog “leite com manga faz mal”, do erudito Carlos H. Barth. Ao ler o texto (link a seguir) eu notei, mais uma vez, que não estamos sozinhos nessa (nossa) vida de investigação, julgamento e condenação, tudo promovido pelos muitos moradores das caixinhas de porcelana. Quero alinhavar pouco e deixar o texto para deleite dos amigos leitores. Recomendo a leitura de forma reflexiva. Convido à análise do caminho percorrido até chegar à conclusão de que existe uma necessidade de fazer a faxina na própria casa. Notem que estamos num campo ideológico interessante...

Basta seguir: “Pequena mensagem aos cristãos do Brasil (alguns)”.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 03/04/2009
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Refletindo na madrugada...




Há momentos na vida da pessoa que o convívio com a verdade é real. Quando se está só, quando não há necessidade de usar máscara, quando existe a realidade que se mostra clara e exigente, não deixando outra alternativa a não ser a de abrir os olhos e ver...

Ver o que de fato existe e insta em se mostrar. Não é possível fugir! Encarar o inevitável é caminho único e nele o ideal desaparece, o sonho se esvai e a realidade se mostra por inteiro...

É quando finalmente o óbvio se torna presente. A conclusão é bem simples: é possível mentir para alguns, é possível mentir para muitos, mas não é possível mentir para si mesmo...

Exatamente no momento em que não é possível fugir dos tentáculos da realidade o homem se vê nu, pobre e solitário. Neste momento ele sente que é miserável. Tem uma contrapartida: saber que sua única riqueza é a verdade...

Riqueza? Mas quem disse que a verdade é como no mundo dos sonhos? Quem disse que a verdade é  aquela que se mostra suave dentro da caixinha de porcelana?

A verdade é o tesouro do solitário. É um tesouro, mas não é riqueza... Pode?

Parece não ter sentido, mas refletindo na madrugada é possível enxergar o mundo real, gostando ou não gostando...

Para quem não quiser ver a realidade que espreita na madrugada resta um caminho: dormir...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 11/06/2009

O importante é ser amigo

“Há dois gêneros de inimigos: os que perseguem e os que adulam. Mais para temer é, porém, a língua do lisonjeiro que as mãos do perseguidor.” (Santo Agostinho).

O que parece pior: um inimigo declarado ou um falso amigo? Sem dúvida que conhecendo a origem do perigo iminente será possível buscar a cautela. Mas como se prevenir contra aquele que apenas parece ser amigo?

O grande dilema é identificar o falso amigo e fugir dele ou, pelo menos, ficar em estado de alerta permanente.

Que tal dilema existe, não há dúvida.

Uma das formas existentes para detectar o falso amigo é via revés pessoal. Existem aqueles que ficam e compartilham dores e recuperações. Há os que se afastam. Existem os que estão dispostos a velar até o fim. Há os que passam a enxergar no sofredor a imagem de um cão sarnento.

É da vida, não é?

Independentemente das desventuras que possam vir à pessoa “do bem” é importante que ela tenha em mente que se é ruim descobrir a existência, e próxima, de um falso amigo, bem pior é ser, para os que a cercam, um inimigo disfarçado de amigo.

Sempre há a possibilidade para ser um bom amigo, ainda que não se tenha uma reciprocidade de quem está nas cercanias.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 28/05/2008
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Adágio consistente?

Há um curioso adágio popular (do mundo dos crentes) que reza assim: "o diabo só tenta quem está perto de deus". Não é que faz sentido? Por que a perda de tempo tentando quem já está do lado do mal? Por que queimar vela em funeral de defunto ruim? Chutar cachorro morto? Nem pensar!

Seria, então, correto dizer que a pessoa, por estar sendo tentada, é "do bem" e por esse motivo ocorre o seu aliciadamento pelo grupo "do mal"?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 29/11/2009
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A onipresença e a reverência

Por onipresença entende-se que seja estar de forma concomitante em todos os lugares. Tem como sinônima a palavra ubiqüidade que sugere ser uma faculdade divina e, logo, fora do exercício do ser humano.

A reverência é um substantivo feminino que designa veneração pelo que se considera sagrado, respeito profundo por alguém ou algo em função das virtudes e mais: consideração e/ou deferência.

Essas duas palavras fazem parte do vocabulário zeloso das organizações religiosas. Deus é onipresente e a reverência deve ser virtuosamente praticada em ambientes destinados à adoração ao Deus poderoso.

Exortações existem quando as palavras são consideradas em ambientes freqüentados ou não pelos devotos. É comum ouvir as pessoas perguntando a si mesmas ou aos outros: “Deus está aqui? Aqui é um lugar para um devoto permanecer?” Pois é: quando o lugar não é de bom conceito moral ou em desconformidade com os “princípios” religiosos deve ser evitado.

A questão: Deus estaria naquele lugar? Ao que nos parece estaria sim, pois é atributo da Divindade estar em todos os lugares ao mesmo tempo. O que deveria ser perguntado: “Deus se alegra ao ver as pessoas naqueles locais?” Notem: o que está em pauta não é presença divina (inquestionável), mas a presença humana num contexto inapropriado.

Os religiosos quando condenam ou não recomendam shows ou ida às casas de espetáculos o fazem por convicção. Entendem que em praças de eventos barulhentos e desrespeitosos o fiel não deve ir e que Deus a despeito do exercício da onipresença não fica satisfeito com a atitude da sua criatura.

Eis porque muitos religiosos se insurgem contra a ida das pessoas a certos lugares como estádios de futebol, cinemas, teatros, espetáculos de músicas populares e afins. O argumento: Deus não fica satisfeito com a presença dos seus filhos em locais no qual não existe respeito ou que seja freqüentado por pessoas “do mundo”. O ambiente não é bom e ponto final!

Analisando pelo ponto de vista da reverência e da onipresença emerge a realidade que fica transparente, tendo como pressuposto o raciocínio do religioso. Deus está presente, não porque o lugar é bom, mas simplesmente porque ele é onipresente. Logo a presença de Deus nem sempre é a justificativa principal para se estar ou não num determinado ambiente.

Vejamos:

Deus estaria em estádios de futebol, casas de shows, cinemas, bordéis e afins? Ao que nos parece sim, pois ele é onipresente. Ele ficaria satisfeito com a presença dos fiéis em lugares assim? Pelo raciocínio do religioso certamente que não.

Deus estaria presente num local que mesmo tendo sido elaborado com fito religioso a irreverência campeia? Claro, afinal Deus é onipresente. Estaria satisfeito com a presença dos fiéis ali?

Breve relato:

Desde 1979 eu freqüento, no final de semana, um templo religioso. De muita tradição e respeito, mas que de alguns anos para cá passou por um processo de degeneração no que tange à reverência. Esse templo está (palavras não apenas minhas) entre os mais irreverentes, quando comparado com muitos outros.

O apogeu da irreverência se manifesta no final do culto, depois do sermão e durante o hino de conclusão e a bênção final. As pessoas começam a sair do templo, promovendo uma algaravia sem fim e perturbadora. É como se o local estivesse prestes a pegar fogo e todos quisessem sair logo. Correm para outra atividade (fora do templo). A pressa justificaria o desrespeito?

Pergunta-se: Deus estaria naquele lugar? Sim, claro. Ele é onipresente. Mais: diante da irreverência clara e indiscutível ele fica satisfeito com a presença dos seus filhos naquele lugar? Perguntem aos fiéis. Aos mesmos que mensuram outros ambientes “do mundo”...

Alguém, quem sabe, poderia dizer que a comparação do templo com locais mundanos é injusta. Será? Qual lugar entristeceria mais o Criador: (1) o lugar criado pelo homem para diversão, loucuras e afins ou (2) um templo construído para a adoração, mas que convive com a irreverência visível?

Injusto para qual dos lados?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 30/11/2010
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pastores e bispos gays

Igrejas evangélicas da Alemanha permitem que pastores e bispos gays morem com parceiros

Depois de uma reunião realizada na semana passada, a maioria do sínodo da Igreja Evangélica local passou a permitir que os sacerdotes homossexuais do Estado alemão da Baviera poderão conviver nas casas paroquiais com os parceiros.

A reunião aprovou a medida com 98 votos a favor, cinco contra e cinco abstenções, seguindo assim a recomendação prévia emitida pelo Conselho Evangélico do Estado da Baviera.

Assim, a partir de agora, os pastores homossexuais e as pastoras lésbicas poderão solicitar permissão à Igreja evangélica para compartilhar as dependências paroquiais com seus respectivos companheiros ou companheiras.

A hierarquia eclesiástica vai decidir cada caso individualmente, analisando se a convivência comum não afetará o trabalho pastoral do sacerdote.

A Igreja Evangélica Alemã deixa nas mãos das Igrejas regionais a decisão sobre a convivência dos casais homossexuais, por isso a regra varia entre os estados da Alemanha.

O caso da Baviera é especialmente chamativo, porque é considerado a região mais tradicionalista da Alemanha. Atualmente, o país conta com mais de 24 milhões fiéis evangélicos.


Nota: É apenas o começo, queiram ou não queiram. O mundo caminha para a plena liberdade no exercício da fé, especialmente a fé cristã. Não é o contexto do ateísmo, não é do islã, não é do judaísmo. Trata-se de procedimento no seio do cristianismo. Aguardemos as reações em cadeia...

Enéias Teles Borges
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Reavaliando conceitos

O homem estava acostumado a viajar pelo Brasil e já tinha percorrido quase todo território nacional. Resolveu visitar lugares que tinha conhecido há muitos anos. Dirigiu-se ao baú e pegou alguns mapas antigos, usados em viagens anteriores e programou o seu roteiro.

Ao longo da viagem observou que o caminho era diferente daquele que percorrera e olhando o mapa antigo não se sentiu seguro. Parou na beira da estrada e comprou um mapa atual. Logo notou que quase tudo tinha mudado e para chegar ao local pretendido deveria mudar de roteiro.

Fez uma análise para ver o quanto se desviara do objetivo e concluiu que deveria pegar a primeira estrada à direita. Assim, pensava, chegaria à rodovia correta.

Fez dessa forma e ainda assim não se sentiu tranqüilo. Será que agora estava no caminho certo? Deveria ter entrado naquela pista? Deveria ter retornado para entrar na anterior? Quem sabe avançado mais um pouco e entrado na posterior?

Em meio às dúvidas ele tinha uma certeza: o caminho anterior, baseado no mapa velho, estava errado. A cidade, objeto do seu destino continuava no mesmo lugar, mas as pistas que conduziam a ela tinham sido transformadas no correr dos muitos anos.

Não seria assim, muitas vezes, na vida?

Quantas vezes no nosso viver temos tentado alcançar um alvo utilizando um roteiro que se tornou inadequado na atualidade? Como temos nos postado em relação à família, sociedade e religião? Como temos educado nossos filhos, convivido com as pessoas?

Não sugiro uma mudança de objetivo, mas uma adequação à realidade. Quem sabe não é o momento de reavaliar conceitos?

Dúvidas: existirão sempre. Certeza: a de que o caminho adotado anteriormente não é mais o ideal para conseguir chegar ao grande objetivo. Funcionou para nós e nossos pais, não quer dizer que sirva para nossos filhos.

O princípio deve ser sempre mantido. O mesmo não se aplica à forma como conduzir (ou chegar) a ele. Você pensa assim ou de forma diferente?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 21/04/2008.
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Ensinando a usar a razão?

Num ponto os criacionistas e ateus concordam: o ser humano é racional e essa característica o diferencia dos demais seres vivos terrestres. Para o ateu o uso da razão é uma constante (o que mais lhe restaria, a não ser raciocinar?). E para os criacionistas?

Entre os criacionistas existem aqueles que notadamente confundem “ensinar a usar a razão” com “condicionar comportamentos”. Já tratamos desses tópicos muitas vezes. A grande questão é que a herança contida no bojo dos pais e professores criacionistas tende a ser transmitida da mesma forma que foi recebida.

Já historiei um fato, ocorrido comigo, durante a faculdade de teologia em que um professor, não tendo argumentos para responder a uma pergunta simplesmente disse: “Assim aprendi, assim ensino...”.

Muitos pais e professores se julgam aptos para ensinar e não se dão conta de que simplesmente estão repassando adiante o que receberam e não questionaram. Estão com a “cabeça feita” e treinada para “fazer outras cabeças”.

O expediente, via frases padronizadas, é absurdo: “a especulação é o terreno encantado do diabo”, “quem pensa muito sofre demais”, “quem estuda demais começa a ter idéias bobas na cabeça”, “filosofia deixa as pessoas malucas”, “o aluno não tem competência para questionar professor” e por aí vai...

É fenomenal como as pessoas se julgam grandes educadoras, sem saber, pelo menos, a essência do que julgam estar ensinando. Algo como cego que se julga com visão telescópica...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 13/01/2009
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Ensinando ou fazendo a cabeça?

Transmitir as convicções e temores é ensinamento? Seria uma forma perseverante de fazer a cabeça? Desde cedo (tenra idade) mostrar aos educandos que são “felizardos” (nasceram no lugar certo e no contexto certo) é um ensino efetivo ou uma transmissão sistematizada de conceitos próprios? Poderíamos usar a expressão “conceitos próprios” para os ensinos oriundos da tradição ou da não contestação?

Como diferenciar ensinamento de indução (fazer a cabeça)? É possível sugerir que pais e educadores, em nome do ensinamento, estão contribuindo para alienação em massa, tanto no campo efetivamente social quanto no religioso?

Ensinando ou fazendo a cabeça? Eis uma pergunta que não quer calar...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 12/01/2009
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Não! Deus que me livre!

Ele andava despreocupadamente pela rua, quando uma mulher feia e suja lhe pediu um beijo. Ele respondeu: “Não! Deus que me livre”!

Mais adiante um repórter lhe perguntou se aceitaria participar de uma “pegadinha” que seria apresentada na TV no domingo seguinte. Ele respondeu: “Não! Deus que me livre!”

Muitas situações surgiram naquela rua, e para todas ele deu sempre a mesma resposta até que finalmente um religioso, cumprindo seu trabalho “missionário” lhe perguntou: amigo, você crê na existência de Deus? Ele respondeu: “Não! Deus que me livre!”.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 18/01/2009
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Viva com esperança

Retornando ao tema... Nesse momento o faço em virtude de uma campanha evangelística implementada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). A circunscrição contempla toda a América do Sul. Projeto interessante que se propõe levar esperança aos corações humanos.

O que é viver com esperança? No exemplo em tela a esperança é a do retorno de Jesus, que segundo crêem os cristãos em geral, ocorrerá brevemente. Entenda-se o breve como sendo perspectiva que se vem tendo desde os tempos apostólicos.

A despeito do que muitos pensam e anelam a esperança está baseada em algo que se deseja e espera. Algo bom. Naturalmente os esperançosos consideram o objeto da esperança como algo real. O real ainda não atingido.

Dentro da sinceridade que a vida requer, há que se pensar, também, de uma forma racional. Viver com esperança não é a mesma coisa que viver com a verdade. Mesmo porque a esperança, qualquer que seja, poderá redundar em frustração. A esperança escuda-se em expectativa e desejo e a verdade sempre será verdade. Havendo coincidência entre o que se espera e o que no futuro ocorrerá tem-se a bendita esperança. Pode acontecer que a esperança seja a última a morrer o que implicaria em afirmar que ela fatalmente desvanecerá. É a esperança que não coadunará com a verdade por vir. Como existem esperanças diferentes baseadas no mesmo ideal muitos se frustrarão e poucos (ou nenhum) terão a maravilhosa esperança. Imaginemos as esperanças dos cristãos, muçulmanos, orientais e muitos outros que têm esperanças que se divergem. É natural que viver com esperança não trará o mesmo resultado para todos...

Desta forma há que se reiterar aqui no blogue: viva com esperança, mas adicione a realidade a tudo isso. A verdade foi, é e será imutável. Ela não se adaptará à esperança. A esperança é que deve “torcer”, para que coincida com a verdade anelada...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 08/09/2008

Sobre as minhas crenças...

Não dá para falar sobre minhas crenças sem recuar no tempo e regressar a minha infância. Então, vamos lá! Lembro-me muito bem do dia em que meu irmão me surpreendeu com a seguinte pergunta: "Quem é seu maior inimigo?". Hesitei um pouco antes de lhe responder que era o Diabo. "Não!", retrucou, ele, com firmeza e aparente convicção: "seu maior inimigo é o Ego". E eu, que até então desconhecia a existência dessa palavra, não tive outra alternativa senão lhe perguntar quem era esse tal de Ego. A resposta me pareceu sem nexo: "O Ego é você mesmo!". Fiquei pensativo, confuso e resolvi "consultar os universitários", isto é, o meu pai, que confirmou a história: Eu era, de fato, meu maior inimigo!

Para ler todo o artigo basta teclar em [de texto em texto].

Enéias Teles Borges
Postagem original: 08/08/2009
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O pequeno e o grande

“Julgar que um inimigo fraco não possa nos prejudicar é julgar que uma faísca não possa causar um incêndio” (SADI)

Existe a possibilidade de que o grande problema resida no pequeno detalhe? Notem quantas circunstâncias ruins existem em decorrência de detalhes mínimos desconsiderados. Em qualquer meio e em qualquer hora é possível perceber quem dá importância aos pequenos incidentes. É natural que a atenção deverá ser concedida na proporção da importância do fato em questão.

Estamos acostumados à frase que chama a atenção para quem peneira um mosquito, mas deixa passar um elefante. Interessante observar que a negligência em não considerar o elefante não obstrui a obrigação de peneirar o mosquito. Certamente aquele que se cuida quanto ao elefante, mas deixa de lado o mosquito, também está sendo negligente e na justa medida.

É importante atentar para a somatória dos pequenos problemas. Algo como “de grão em grão o galo enche o papo”. De pequena negligência em pequena negligência chegar-se-á a um enorme resultado na proporção da semeadura.

Na vida é assim. As pequenas coisas nos treinam e capacitam para as maiores. Vale para qualquer ocasião e momento. Em casa e no trabalho, ao deitar e ao levantar. Sempre!

Conclamo à reflexão: é mister olhar em volta e observar até que ponto estamos considerando ou deixando de considerar o pequeno detalhe, que se observado, nos capacita para o grande triunfo e que, se não cuidado, poderá nos trazer dissabores mil.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 29/05/2008
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O sujo e o mal lavado


É fato: as pessoas realçam o que é conveniente e jogam sob o tapete o lixo da vergonha e do constrangimento. Quero ressaltar uma notícia que colocou em histérica alegria alguns criacionistas. Sim, aqueles porta-vozes de deus na terra. Os famosos paladinos da fé ou, quem sabe, profetas de plantão.

Serviram-se de um escorregão dos evolucionistas (que de fato se precipitaram) para alardear vitória. É que o "elo perdido" está sob forte suspeita, conforme reportagem da Folha Online (link aqui).

Concordo que os evolucionistas têm dado muitos tiros no próprio pé, mas tal "viruosidade" não é apenas deles. O que se dizer, por exemplo, do escorregão secular dos criacionistas cristãos que afirmavam que o Universo girava em torno da terra? Pelo menos os ateus e evolucionistas expõem suas mazelas mais rápido, sem uso da força. Nada de ameaçar os contrários. Nada de mandar para a fogueira...

Hum... Pelo jeito a briga está nivelada por baixo. Não existe busca por acertos e correção de rumo. Os lados digladiam expondo erros bizarros de ambos.

Eu suma podemos dizer, sem medo, que o sujo está criticando o mal lavado. O que precisam é de um bom banho e renovação permanente da humildade. Vale para evolucionistas, ateus e criacionistas.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 23/10/2009
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O trigo e o joio

Quantas vezes ouvimos a alegoria do joio e do trigo, que crescem juntos mas que devem ser separados no momento oportuno? Quantas vezes ouvimos dizer que tentar arrancar o joio fora de hora poderá trazer prejuízo ao trigo, que seria arrancado junto?

Com o passar dos anos e observando diariamente que os cabelos estão ficando brancos, vamos notando certos detalhes que passam desapercebidos dos mais jovens e também das pessoas menos observadoras.

Afinal, o que é mais importante, a sobrevivência do trigo ou a destruição do joio? A teoria diz que o trigo é mais importante que o joio. Acredito que nesse ponto não há tanta controvérsia.

Quais as aplicações possíveis originárias dessa comparação joio x trigo?

Várias, mas destaco apenas uma.

Já notaram que a despeito das pessoas dizerem que priorizam o bem, dão muita ênfase ao mal? Notaram que os religiosos, em especial os carismáticos, para destacarem a obra de Deus enfatizam (muito) o poder do maligno? Notaram que apesar do amor ser considerado o mais sublime dom divino as pessoas destacam (demais) o julgamento (punição) de Deus?

Parece que todos consideram importante separar o joio do trigo e ao final colocam o joio em destaque, desconsiderando a importância do trigo.

Dizem isso da imprensa: “separam o joio do trigo e colocam o joio na primeira página...”

As pessoas que se dizem do bem não fazem igual? Não separam as virtudes das pessoas e salientam, veementemente, os defeitos?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 28/04/2008
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É possível confiar?

Creio que voltarei algumas vezes ao tema vinculado à confiança.

Eu assistia ao filme Os Infiltrados e ouvi com atenção a frase do mafioso mais importante perguntando, ao seu principal subalterno, se seria possível confiar em determinado agente do crime, recém incluído no grupo.

O ponto chave era o seguinte: o novo componente do bando não possuía parente ou amigos próximos. Era um solitário! Curiosamente este se tornou o “x” da questão. A pergunta a seguir, dirigida ao subordinado: “é possível confiar numa pessoa que nada tem a perder?”

Como se pode inferir, a vinculação de confiança de um indivíduo noutro pede e ao mesmo tempo parece necessitar de uma amarra. Isto é, só se pode confiar em quem oferece um penhor que deve ser algo precioso e aí poderemos incluir bens, valores morais e intelectuais.

A confiança advém do convívio com a outra parte. Não se confia num estranho. O relacionamento entre pessoas se dá do desconhecido para o conhecido. Da desconfiança para a confiança.

Não é de se estranhar que as pessoas confiam noutras dos contextos sociais nos quais elas próprias estão situadas. A vivência diária as leva a confiar nas pessoas da confiança de outras – que são de sua confiança. Como um círculo, que pode ser virtuoso ou vicioso. Qual o diferencial?

1. A confiança séria e sem preconceitos tem no seu cerne a observação e até mais: a investigação. Se todos forem assim instala-se o círculo virtuoso.

2. A confiança pode ser cega. Não há questionamento. Não há uso da razão. Se todos forem assim instala-se o círculo vicioso.

A pergunta que não quer se calar: é possível confiar numa pessoa que nada tem a perder?

Nesse contexto eu diria que não. As pessoas que não se aprofundam no convívio e na análise permanente não merecem confiança. Afinal elas nada têm a perder. Nada possuem. Seus conceitos são de segunda mão. Não conviveram e não questionaram.

Conclui-se que são merecedores de confiança os escrutinadores, pois têm algo de valor e não quererão perder: a capacidade de pensar e de decidir. Não permitem que pensem nem decidam por eles.

É possível confiar, sem dúvida. Mas é necessário fazer uso da razão, para conviver com iguais: aqueles que também utilizam o intelecto para enxergar os que lhes são similares.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 20/12/2007
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Do famigerado sonho para a realidade podre

Ele estava numa festa e não acreditava. Ele ali? Pois é, era ele mesmo naquela festança tão almejada e antes tão inacessível. Estava entre nobres. Fazia parte da roda dos favorecidos. Finalmente!

A festa acabou e quando se deu conta disso ele acordou. Olhou de lado, manhã fria, vida a enfrentar. E que vida miserável!

A festa acabou o sonho acabou. Era uma festa dentro de um sonho. Mesmo dentro do sonho a festa acabou. Era o resumo em essência da desgraça. Festa no sonho. Final de festa no sonho. Do famigerado sonho para a realidade podre.

Lembram-se do poema “José” de Carlos Drummond de Andrade? Há situação pior do que aquela? Existe sim! É acabar a festa no sonho, ir para a amargura no sonho e do sonho sair para a realidade amara desse cotidiano louco. Basta ler o poema abaixo para se ter uma idéia de certos aspectos da vida, para concluir, ao final, que pode ainda ser pior...

José
(Carlos Drummond de Andrade)

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 19/06/2008
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A felicidade e a realização

A felicidade e a realização pessoal são a mesma coisa? Uma pessoa realizada pode dizer que é feliz?

(1) Imagino que uma pessoa realizada é aquela que, dentro de suas possibilidades, tenha conseguido concretizar tudo o que pretendeu fazer.

(2) Uma pessoa feliz parece-me estar em outro universo.

Vejamos:

(1) É possível ser feliz vendo as mazelas do mundo, tudo de triste que há para ser visto e vivido?

(2) Não seria a realização pessoal um dos poucos momentos de felicidade experimentado pela pessoa?

Acredito piamente que é possível um ser humano se considerar realizado, mas descreio que alguém possa dizer, nesse mundo miserável, que é feliz.

É claro que existem momentos felizes e a realização é um deles.

Você concorda?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 29/01/2009
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A volta dos que não foram...

“Ficamos felizes com o seu retorno!” Já ouviram frase assim? Ela geralmente é dita às pessoas que depois de algum tempo aparecem lá na comunidade dos fiéis. É como se uma ovelha desgarrada voltasse ao redil. O redil é um meio impregnado de tradição e julgamento baseado em comportamentos padronizados.

Normalmente a resposta que deve ser dada, por aquele ser que se ausentou conscientemente, deveria ser: “Não retornei porque nunca fui. Nunca fui porque jamais estive...” É claro que estou me referindo ao engajado racional. O engajamento racional é aquele vivido por indivíduo que admite ter nascido num contexto, gostar dele, mas que não atribui a este modo de viver o título de ser o único. Único no sentido de que os demais carecem de legitimidade. É lógico concluir, portanto, que se os demais carecem de legitimidade resta apenas o único. O único é justamente o tal redil.

É preciso exercitar a coragem antes de afirmar: “Não retornei porque nunca fui. Nunca fui porque jamais estive...” Reagir assim é assumir racionalmente que existe a possibilidade de simplesmente (e ideologicamente) ter nascido no lugar errado, se é que existe tal lugar. Reagir desta forma é ter disposição para conceder aos outros a possibilidade da legitimidade. O engajado racional, observando que o contexto no qual cresceu é bom (socialmente), que nele cresceu e que a ele se acostumou, faz da frequência a tal contexto um ato de prazer. Não havendo prazer ele se afasta e um dia reaparecerá com uma esperança: a de que aquele meio tenha voltado a ser agradável.

O que torna um contexto agradável? O lugar, as pessoas, os objetivos comuns, o respeito e quetais... Viver num contexto bom não significa, necessariamente, abraçar sua ideologia religiosa. É admitir que em geral os ambientes vividos por famílias religiosas são bons, assim como são bons os ambientes habitados por pessoas não religiosas e respeitadoras das regras do bom viver social. É algo cultural! A religião sem engajamento racional é apenas uma cultura de cunho religioso sistematizado. Nada mais que isso! É óbvio que para concordar com a esta assertiva é preciso enxergar além dos muros do castelinho dourado...

Isto posto concluo: aquele que reaparece num contexto político-social-religioso não retornou ideologicamente pelo simples fato de que nunca dele se foi. Quem não foi jamais poderia retornar. E porque não foi? Porque ideologicamente jamais esteve.

É algo como “estar de corpo presente, mas com a alma distante...”

Enéias Teles Borges
Postagem original: 26/03/2009
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Confiança no Poder Judiciário

Não é uma boa notícia. O povo brasileiro não confia no Poder Judiciário. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa recente.

De 0 a 10, brasileiro dá nota 4,55 para Justiça, diz Ipea

A honestidade dos integrantes no Judiciário e a punição aos que se envolvem em casos de corrupção é o quesito pior avaliado pelos brasileiros neste Poder, segundo o Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), criado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para mostrar como a população enxerga os serviços de utilidade pública e seu grau de importância para a sociedade. Os números divulgados nesta quarta-feira (17) são sobre justiça e cultura.

“De zero a dez, que nota você daria para a justiça brasileira?”, questionou o Ipea aos entrevistados. A avaliação geral foi de 4,55. Foram levados em conta fatores como honestidade, imparcialidade, rapidez, custo, facilidade no acesso e capacidade de produzir “decisões boas” que “ajudem a resolver os casos de forma justa”.

De acordo com a pesquisa, a dimensão da honestidade dos integrantes da justiça e punição para casos de corrupção é a que apresenta a pior avaliação, juntamente com a imparcialidade no tratamento dos cidadãos e da rapidez na decisão dos casos. Melhores avaliados, mas não com a nota máxima, estão a capacidade de produzir decisões boas, que ajudem a resolver os casos de forma justa, e a facilidade de acesso à Justiça.

A pior avaliação está no Sudeste, que possui a maior carga do processos do país, seguido das regiões Sul, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Ainda conforme o estudo, autores de ação na justiça fazem uma avaliação pior do serviço do que aqueles que nunca tiveram a experiência de um processo.

Segundo o Ipea, o objetivo do novo sistema é permitir ao setor público estruturar as suas ações para uma atuação mais eficaz, de acordo com as demandas da população brasileira. Além dos indicadores de justiça e cultura, haverá, nas próximas edições, percepções sobre segurança pública; serviços para mulheres e de cuidados das crianças; bancos; mobilidade urbana; saúde; educação; e qualificação para o trabalho.

A pesquisa foi feita presencialmente, com visitas aos domicílios. Foram ouvidos 2.770 brasileiros em todos os Estados do país.


Nota: É notícia que entristece, especialmente para quem opera o Direito no Brasil - no meu caso como advogado. Acredito que uma reforma no Judiciário e a adição de mecanismos mais avançados em informática trarão a confiança de volta. O povo precisa acreditar nos poderes instituídos e em especial no Poder Judiciário.

Enéias Teles Borges
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A auto-estima e a pedofilia

“Aquele que não deseja a estima de seus contemporâneos é indigno dela”. (O Grande Frederico).

O que, efetivamente, nos leva a valorizar o que outras pessoas pensam, positivamente, a nosso respeito? Ser estimado ainda é anelo do cidadão do século XXI? O que, de fato, é estima? Seria a admiração e respeito que se sente por alguém, advindos do reconhecimento do seu valor moral, profissional etc.?

E quando a pessoa perde a auto-estima? Isso é possível? Acredito que sim. Quando o ser humano deixa de se respeitar ele é capaz de fazer “coisas que até mesmo Deus duvida”.

Seria a falta de estima a grande responsável pela onda de pedofilia que, pútrida, invade o seio da sociedade? O que tem levado pessoas de alto conceito moral (na sociedade) a externar tamanha bizarrice? Perda da auto-estima?

Confesso, amigo leitor, que ando abismado com as notícias que circulam, dando conta da forma como a lei (moral e legal) tem sido infringida, nessa escalada de maldade contra indefesas crianças. São barbaridades indescritíveis! Impossível aceitar! Impossível não vomitar! Não há que se cogitar da decepção, há que se falar da revolta que invade o peito!

A sociedade precisa reagir. Precisa vigiar! Precisa perseguir até prender pessoas que fazem da sensualidade extremada, podre e má o seu ápice do prazer.

Fica aqui o registro inicial sobre o tema. Voltaremos a ele, sempre que necessário.

Insurgir contra esse tipo de abuso é dar vazão ao pensamento do Grande Frederico. A nossa reação a isso tudo evidencia, de forma magistral, a estima e também a auto-estima.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 06/06/2008
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A religião e a felicidade

Dois garotos da mesma idade, mas de famílias diferentes, portavam doença mortal. Não viveriam muito tempo. Como não sabiam da gravidade da doença brincavam e eram felizes. Uma família resolveu contar a verdade para um dos garotos. A criança ficou muito triste, não brincava mais, não sorria. A outra família resolveu esconder a verdade e a criança seguiu alegre e brincando.

É patente que o estado de ignorância de uma das crianças foi o ingrediente principal para que ela não experimentasse a tristeza - aquela sentida pelo outro garoto.

Sirvo-me desta ficção apenas para ilustrar o que tenho observado. Muitas pessoas confundem o estado de felicidade com a verdade e que essa felicidade é oriunda essencialmente da religiosidade. É claro que uma pessoa que vive neste mundo com esperança centrada num mundo futuro, eterno e perfeito se sinta feliz - a despeito das mazelas do cotidiano.

O que precisa ser observado é bem simples: a felicidade não está, obrigatoriamente, de mãos dadas com a verdade. Muitas vezes a esperança, ainda que escudada em falsas promessas traz legria e paz, mas não significa que esta esperança seja sinônimo da verdade.

Talvez por esse motivo os religiosos costumam alardear que sem religiosidade não há alegria. Será assim mesmo? Existem ateus felizes e que aceitam a teoria na qual acreditam. O problema do religioso é confundir a sua crença, que lhe traz refrigério, com verdade absoluta.

A religião e a felicidade não são a síntese da verdade. Viver assim, sendo verdade ou não, propicia ao que crê a paz neste mundo de aflição. Afinal ele, o religioso, precisa de esperança, pois sem ela a vida é dura e sem sentido.

Bem diferente do que entende o ateu, que a despeito de viver esta vida dura não se prende a um sentido específico para buscar a felicidade.

Recentemente li algo, no mínimo curioso, concernente à religião e a felicidade. Algo mais ou menos assim: "dizer que o religioso é mais feliz que o ateu é equivalente a dizer que o bêbado é mais feliz que o sóbrio". A bebida traz sorriso fácil ao bêbado e a religião traz sorriso fácil ao que crê. É óbvio que comparar o religioso com o bêbado não faria sentido, a não ser para buscar a essência da verdade e a sua relação com a religião e a suposta felicidade.

Poderíamos, afinal, dizer que o bêbado é feliz? E o religioso? Sim o religioso pode ser feliz. O que não se deve afirmar é que a religião traz a felicidade porque ela, a religião, é a expressão máxima da verdade...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 08/09/2009
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O aluno, a cola e a desonestidade

Hábito de colar na escola gera adultos desonestos, diz estudo

Quem trapaceia na escola tem 4 vezes mais chances de enganar o chefe no trabalho.

É muito comum ouvir entre estudantes de ensino médio que "quem não cola, não sai da escola". Porém, um estudo recente feito pelo Josephson Institute of Ethics, nos Estados Unidos, identificou que pessoas que colam nas provas, durante as fases da infância e da adolescência, possuem tendência a serem mais desonestas do que aquelas que não cometem a prática, quando chegam à idade adulta.

O estudo foi baseado na entrevista de 7 mil voluntários, entre jovens que estão em ano de formatura do ensino médio e adultos que negam ter colado no período escolar. Segundo as pesquisas, quem cola tem quatro vezes mais chances de enganar o chefe e, da mesma forma, três vezes mais chances de não devolver um troco que tenha vindo errado na compra de algum produto, além de alterar informações em entrevistas de emprego e também mentir para o parceiro.

Fonte: [Provedor Uol].

Nota: Eu acredito nisso! O aluno desonesto tende a ser profissional desonesto. É a busca por uma titulação sem o pleno merecimento. O péssimo hábito de colar é resultante da negligência de muitos, que são desinteressados pelo estudo, ou, quando muito, da esfarrapada desculpa de que a cola é praticada em razão da falta de tempo para o estudo. Quem cola sai da escola, é verdade, mas certamente é uma saída pelos fundos, ainda que presenciada tão somente pelo aluno que colou...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 12/11/2009
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É cegueira ou é esperteza?

Como sempre deixei claro eu fui criado dentro de um contexto protestante, tendo, inclusive, me bacharelado em teologia. Repito isso para historiar um episódio que gerou em mim uma pergunta: É cegueira (pela ingenuidade) ou é esperteza (pela malandragem)?

Um conhecido meu, também adventista, fez faculdade no estado de São Paulo e logo deparou com um problema. Aulas no sábado. Como sabem os adventistas do Sétimo Dia (ASD) têm o sábado como dia especial e que, portanto, deve ser mantido “santo”.

Ocorre que determinada matéria desse amigo seria ministrada exclusivamente no sábado pela manhã. Um semestre inteiro tendo aquela disciplina! O que fazer? Ele orou, pediu a bênção divina e foi conversar com o professor. Explicou sua situação e o professor permitiu: (a) que ele ficasse sem assistir às aulas e (b) sem necessidade de fazer provas. Em resumo: ele foi aprovado numa matéria sem ter assistido às aulas e sem ter feito as provas de avaliação.

Costuma contar isso a quem quer ouvir como se fosse uma bênção divina!

As perguntas que me ocorreram à época:

(1) O professor tem essa autoridade? É possível conceder presença a um aluno ausente? É possível aprovar um aluno, em determinada disciplina sem que ele tenha assistido às aulas e se submetido à avaliação?

(2) O professor fez isso com aprovação da escola? Se o fez a escola teria essa autoridade?

(3) Caso a escola, tendo sabido do assunto, pediu autorização ao Ministério da Educação e Cultura? Se o fez o MEC teria concordado?

Minha maneira de pensar é bem simples: para “guardar” o sábado esse meu amigo conseguiu induzir um professor a errar e uma faculdade a aprovar um aluno que não merece a graduação que tem.

Não teria sido melhor assistir às aulas no sábado e “errar sozinho?” Quem sabe, como exercício de fé, ele não deveria ter abandonado a disciplina, ainda que a conclusão do curso fosse atrasada?

Por essas e outras pergunto a muitos que transformam a mentira e o engodo em “bênção divina”: É cegueira ou é esperteza?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 04/02/2009
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O ateísmo e a maldade

Pasmem, mas o que está digitado adiante é verdadeiro: Eu estava conversando com alguns conhecidos e o assunto debandou para o tema "maldade no coração do ser humano". De repente uma pessoa, muito convicta, referindo-se a algo como "maldade extrema", disse: "Nem todo ateu é mau, mas todo indivíduo extremamente mau é ateu." Disse mais: "Pessoas de boa índole, ainda que se julguem ateias, são, na realidade pessoas não ateias, só que ainda não se deram conta disso". Mais: "Pessoas más, como Hitler, Bush e afins são ateias, ainda que não concordem com isso..."

Tentei dizer que ética, bondade, maldade estão dissociadas de convicções religiosas ou de ausência de tais convicções. Existem pessoas boas e más, quer sejam criacionistas ou ateias. Não adiantou.

Para a minha surpresa percebi que ele não era o único a pensar assim. Ênfase: refiro-me a pessoas graduadas e bem esclarecidas e de prática religiosa quase que inexistente (eu diria que não praticantes). Imaginemos se fossem integrantes do partido da FCFA (Fé Cega e Faca Amolada)...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 23/04/2010
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Há deus para todos?

Deus existe de uma forma ou de outra! Ou porque é o Todo-Poderoso dos criacionistas ou por ser invenção humana. Que ele existe não há dúvida!

Certamente você já ouviu ou leu uma frase como esta. E pode ser que tenha lhe ocorrido pensar ser, o conhecimento a respeito de Deus (ou deus), oriundo de uma política humana ou como preferem alguns: fruto de uma instituição de poder temporal que se diz representante de uma divindade (poder eterno).

Parece irônico, mas pensar deus como criação humana é admitir a sua existência, ainda que não seja o Deus todo-poderoso. O deus, criação humana, muitas vezes está revestido de um ideário, que é, de fato, um jogo do poder. Há conveniência na existência de deus (ainda que seja humano). É, na mais simples das hipóteses, um “deus freio social”. No universo humano do poder, este freio social é uma das formas salutares de preservação da paz, aceitação da desigualdade entre os homens e implementação da esperança. O deus humano oferece aos homens o mesmo futuro do Deus todo-poderoso.

O deus humano habita o coração daqueles que são manipulados. Inocentes seres que vivem à mercê dos intelectos mais favorecidos pelas circunstâncias da vida. É um deus de face dúbia. Que permite tudo, anula o ser humano, tem sempre um plano para todos. Este deus dos homens consegue fazer o pobre esperançoso de riqueza e o rico esperançoso de mais riqueza. Riqueza e vida eterna: uma promessa fantástica do deus humano.

O deus humano explica tudo: a origem do mal e a despeito de ser único criador, nega a criação do pecado. O pecado, ensina este deus, nasceu em decorrência da evolução. É resultante do afastamento da fonte do bem. Até nem existe o mal! Ele é simplesmente o afastamento do bem. Como se depreende o deus, criatura humana, explica o que parece inexplicável para os seres pensantes. E este deus humano diz mais: nem todas as coisas podem ser entendidas pelos homens, somente por quem está acima das criaturas. Não é fabuloso que o deus, criação humana, se arvore à condição de minimizar a capacidade do homem (que o criou?)? Eis inebriante característica do deus, invenção humana: a capacidade de superar o seu criador.

Voltando à pergunta: há deus para todos?

Sim, há e nas suas múltiplas formas. Notaram que todo grupamento humano tem o seu deus? E que cada deus é diferente um do outro? Poderia se falar em interpretação humana, mas é assim mesmo? No universo dos criacionistas existe um artífice. Só que cada grupo mostra este deus a seu gosto interpretativo. É deus que manda matar e morrer, perdoar e condenar. Tudo de acordo com o “estatuto” daquele agrupamento, que, como os demais se julga o povo especial, diletante – o remanescente daquele deus...

Não restam dúvidas (em meu refletir) de que há deus para todos. Quem quiser poderá adotar um, entre os já existentes, ou criar o seu deus. Será, sem dúvida, um deus criado à imagem do seu “criador”. O criador deste deus haverá de querer fortuna e glória (mental e espiritual). Quererá, por certo, uma vida eterna e repleta de prazeres. Cada deus criado propiciará uma gama de prazeres que seja adequada ao gosto do seu redimido. Que maravilha! O homem cria um deus, que o redime e lhe traz incomensurável mundo de prazeres...

E o Deus Todo-Poderoso?

O que posso afirmar (em minha reflexão) é que este Deus todo-poderoso não é oriundo de interpretação (criação) humana. A Ele encontram-se ligados os seres pensantes, aqueles que rejeitam a manipulação. É como se fosse um único pastor conduzindo um único rebanho. Não há que se falar em remanescente de Deus – todos são. Aqueles que estão unidos ao Deus todo-poderoso têm uma visão clara na mente e na vida. O verdadeiro Deus é igual para todos. Se for diferente não será o Deus (todo poderoso) e sim o deus (inventividade humana).

Podemos concluir: há deus e há Deus. Qual será o nosso? O que conduz um só rebanho ou é um daqueles que têm resposta ao gosto do crente? Resposta ao gosto de cada credo, cada instituição (...)?

São poucos os que têm o Deus todo-poderoso. Pois este maravilhoso Ser está desvinculado de instituições e movimentos humanos. Está no coração do seu povo. Povo espalhado pelo mundo, participante em diferentes contextos...

Nota: Eu poderia editar o texto acima, mas os comentários postados aqui e recebidos por e-mail, fizeram-me digitar esta nota e trazer mais uma reflexão para o leitor: a forma como apresentei o Todo-Poderoso. Esta interpretação não estando correta provocará um surgimento de um "deus" à minha imagem ou ao meu desejo.

Enéias Teles Borges
Texto original: 26/01/2008
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Conviver com o invejoso é complicado

“A inveja é um sentimento de cobiça à vista da felicidade, da superioridade de outrem”.
Querer o que é de outro? Não apenas isto, mas um sentimento ante a condição melhor de quem está à vista. Difícil conviver com o invejoso, mas temos que admitir: a inveja, em muitos casos, é maior que a própria pessoa. Existem aqueles que lutam contra tal sentimento, mas sucumbem – é mais forte que eles.

Curiosamente ou desgraçadamente o sentimento da inveja é comum nos locais em que menos se esperaria a sua indesejada presença. Justamente nos centros em que o combate aos pecados capitais é pregação constante. Notaram como existem invejosos nos ambientes de cultura religiosa?

A inveja ali se manifesta em forma de inúmeros depreciativos. Basta alguém “evoluir” na vida para que surjam insinuações acerca de sua idoneidade... O invejoso não suporta o sucesso dos outros e como não tem coragem nem capacidade para arrancar à força as conquistas de terceiros, passa a lançar lamas fabricadas sobre a postura dos eventuais bem sucedidos.

Incrível! A inveja parece ser mais forte do que o invejoso. Mas logo ali, no local guarnecido pela comunhão dos fiéis? Bem ali, no lugar no qual só existem aspirantes à celestial vida eterna?

Tese permanente do invejoso: se alguém vai mal, logo diz que o infortunado está longe de Deus e daí seu insucesso. Se esta mesma pessoa começa a se dar bem ele logo sugere que tal conquista é oriunda da desonestidade e, logo, do distanciamento de Deus...

Conviver com o invejoso é complicado...



Enéias Teles Borges
Postagem original: 18/07/2009
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domingo, 28 de novembro de 2010

Os ateus e o Natal

Ateus fazem camapanha para combater o "mito" do Natal

A organização American Atheists, fundada em 1963, está gerando polêmica com uma campanha de Natal este ano. Na entrada do Lincoln Tunnel, que liga o estado de New Jersey com a cidade de Nova York, foi colocado um outdoor com uma imagem de um presépio que diz: “Você sabe que é um mito. Nesse final de ano, celebre a razão”.

Milhares de pessoas passam pelo local todos os dias. Como era esperado, a mensagem causou polêmica. Em uma reportagem da rede Fox fica clara a indignação dos cristãos que consideram a imagem “traiçoeira” pois à primeira vista seria apenas uma das muitas mensagens de Natal espalhadas pelo país.

A organização ateísta pagou 20 mil dólares para exibir essa mensagem no outdoor durante um mês. Os representantes da American Atheists dizem que seu objetivo não é “converter” cristãos, mas sim estimular aqueles que não creem a admitirem isso publicamente. Os motoristas entrevistados divergem. Alguns encaram com naturalidade, enquanto outros mostram descontentamento. Um dos entrevistados declarou: ”Natal é um tempo para a família, a união e a esperança. O que eles [ateus] estão fazendo está errado. Errado”.

A rede Fox News afirma que a empresa que aluga o espaço dos outdoors ofereceu um outdoor do outro lado da rua para que organizações cristãs divulgassem uma mensagem contrária, mas não encontrou interessados.

 
Nota: Nada contra, nada a favor. Tudo o que for feito com respeito e em defesa de ideias livres, merece minha consideração. Os teístas e ateístas podem e devem "digladiar" nos campo das ideias. Mais do que isso é tolice.
 
Enéias Teles Borges
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Perdendo a fé na fé

Quem acompanha este blogue deve ter lido referência que fiz ao livro "não tenho fé suficiente para ser ateu". Por dever de consciência devo mostrar vertente diferente neste espaço. Questão de equilíbrio. Ou se mostra de tudo ou nada se deve mostrar. Pessoas que saem do ateísmo para o teísmo existem. Existe também quem faça o caminho inverso, vejam:

Acabo de Perder a Fé na Fé
Por Dan Barker

A religião é uma coisa poderosa. Poucos conseguem resistir a seus encantos e poucos verdadeiramente se livram do seu abraço. Ela é a sereia que excita o viajante errante com canções de amor e, uma vez que obtenha sucesso, transforma uma mente em pedra. É uma armadilha Venusiana. Sua atração é como aquela de drogas ao viciado que, esperando ficar livre e feliz, torna-se preso e miserável.

Mas a parte mais triste da dependência é o fato de que a maioria dos participantes é de vítimas voluntárias. Eles acreditam estar felizes. Acreditam que a religião manteve suas promessas e não têm o desejo de procurar em outro lugar. Estão profundamente apaixonados pela sua fé e foram cegados por aquele amor - cegados a ponto de estarem preparados para o sacrifício sem fazer perguntas.
 
Recomendo a leitura completa do texto em [Saúde, Saber e Virtude].

Enéias Teles Borges
Postagem original: 13/05/2010
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Não tenho fé suficiente para ser ateu - I

Idéias com o objetivo de destruir a fé cristã sempre bombardeiam os alunos do ensino médio e das universidades. Este livro serve como um antídoto excepcionalmente bom para refutar tais premissas falsas. Ele traz informações consistentes para combater os ataques violentos das ideologias seculares que afirmam que a ciência, a filosofia e os estudos bíblicos são inimigos da fé cristã.

Antes de tocar a questão da verdade do cristianismo, essa obra aborda a questão da própria verdade, provando a existência da verdade absoluta. Os autores desmontam as afirmações do relativismo moral e da pós-modernidade, resultando em uma valiosa contribuição aos escritos contemporâneos da apologética cristã.

Geisler e Turek prepararam uma grande matriz de perguntas difíceis e responderam a todas com habilidade. Uma defesa lógica, racional e intelectual da fé cristã.
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Nota do Editor: Comecei a leitura desse livro na semana passada. Ganhei-o de presente do amigo e intelectual Cleiton Heredia do blogue Saber, Saúde e Virtude. Não posso tecer comentários iniciais e também não posso afirmar que as ponderações acima, do blogue Apologia, são eficazes. Voltarei ao tema mais adiante. Estou desenvolvendo um projeto pessoal que passará pela leitura de livros que entram em rota de colisão. Além desse não deixarei de opinar a respeito de outro: Deus, um delírio...

Nota do dia 05/01/2010: Já terminei a leitura do livro (faz tempo) e também li Deus, um delírio. Não quero aqui fazer juízo de valor no que tange ao lado que está com a verdade. Prendo-me à consistência dos argumentos e no caso o livro Deus, um delírio trouxe reflexões mais abrangentes e contundentes. Recomendo a leitura de ambos.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 03/10/2008
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O que Jesus disse? O que Jesus não disse?

QUEM MUDOU A BÍBLIA E POR QUÊ? (É minha dica de leitura para os amigos. Sabemos que uma maneira correta de avaliação do conteúdo de uma obra é via leitura (estudo) sem paixão. É propósito deste blog o permanente convite à reflexão e sendo assim devo indicar a leitura deste trabalho de BART D. EHRMAN, tido como a maior autoridade em Bíblia no mundo. É claro que muitas pessoas não concordam com esta assertiva nem com seu produto final. Pergunto: quem mais, além de você mesmo, poderá fazer uma análise justa? Tal análise só será possível com um estudo diligente e sem preconceito. Considero a obra uma leitura imperdível).

Pontos importantes em destaque: (1) o que foi mudado ao longo do tempo na Bíblia, (2) os erros das adaptações e traduções e (3) os interesses da Igreja nas diversas épocas.

A sinopse: ao ler o Novo Testamento, as pessoas pensam estar lendo uma cópia exata das palavras de Jesus ou dos escritos de seus apóstolos. Contudo, por quase mil e quinhentos anos, esses manuscritos foram reproduzidos por copistas profundamente influenciados pelas controvérsias políticas, teológicas e culturais de seu tempo. Tanto os erros quanto as mudanças intencionais são muitos nos manuscritos subsistentes, dificultando a reconstituição das palavras originais. Este livro mostra a história que está por trás das alterações que eclesiásticos, políticos e copistas ignaros fizeram no Novo Testamento, causando um impacto enorme na compreensão e interpretação da Bíblia que temos hoje.

Um livro para leigos, teólogos, historiadores...

Fonte: (Causa Sonora)

Enéias Teles Borges

Publicado anteriormente: 17/03/2008
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Conhecimentos e crenças

“É muito difícil possuir conhecimentos e muito fácil adquirir crenças”. (Gustavo Le Bon).

Alguém poderá dizer que é contra a complicação e adepto da simplificação. Essa mesma pessoa poderá afirmar que a beleza da crença está justamente em sua simplicidade, questionando quem procura se cercar de conhecimentos para fortalecer ou negar a mesma fé.

É natural que a massa opte pelo que é mais fácil, assim como é natural que o rio corra para o mar. Parece bem mais lógico. Mas no “campo” das idéias o que parece correto: optar pelo conhecimento ou pela crença? Podemos afirmar que tal crença, sem o efetivo conhecimento, tem valor? Podemos asseverar que partir do conhecimento para a crença é o caminho a ser trilhado?

A opção da maioria para o que é mais simples tem criado legiões imensas de prosélitos. Pessoas que crêem conforme a necessidade ou conveniência. O conhecimento pode trazer uma decepção. Há quem opte pela ilusão, para fugir do desapontamento. Há quem busque o conhecimento para que não tenha decepção. Há quem prefere o amargor da decepção ao doce amparo da ilusão.

Isso quer dizer que crença é ilusão? Não é bem assim. De igual modo não podemos dizer que crença é a verdade.

Como chegar à verdade ou aproximar dela? Ao que me parece o único caminho é aquele que conduz ao conhecimento.

Adquirir conhecimento é difícil. Requer quebra de preconceitos. Requer coragem. Requer rompimento com a tradição. Requer disposição para ser solitário. Requer reflexão. Requer força para suportar eventuais dores. Requer muito mais...

A crença é fácil. Basta querer acreditar. Basta não questionar o que é apresentado. Basta seguir o caminho apontado por outros. Basta apenas permitir que alguém conduza os passos. Bastam mais posturas de aceitação...

Adquirir conhecimento requer rompimento com a alienação? A crença faz da alienação uma arma poderosa?

No final pode acontecer uma grata surpresa: o palmilhar do conhecimento nos conduzir ao mesmo lugar no qual se encontra aquele que simplesmente optou por crer. Pode ser que não exista uma grata surpresa. Pode ser que haja, apenas, a verdade, nua e crua.

Quem, no fim, estará preparado para conviver com possível verdade desagradável: o que busca conhecimento ou aquele que se sustenta nessa crença?

No que tange à verdade não adianta fugir. “Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”. A verdade não faz pacto com as pessoas (nem com o crente) ela simplesmente é!

Enéias Teles Borges
Publicação original: 04/06/2008
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A pomba como símbolo da paz

A alegoria da pomba branca como mensageira da paz está em passagens da Bíblia. Um desses episódios é narrado no capítulo 8 do Gênesis, primeiro livro do Velho Testamento. Noé, que esperava na arca o fim do dilúvio, mandou um animal mensageiro para ver se as águas haviam baixado.

O primeiro escolhido foi o corvo, que ficou voando para lá e para cá – e perdeu a oportunidade de ganhar a simpatia da humanidade. Então Noé enviou uma pomba. Na primeira viagem, ela não encontrou nenhum lugar para pousar. Sete dias depois, foi novamente solta e retornou com um ramo de oliveira no bico. Isso, de acordo com a narrativa bíblica, simbolizava a paz entre Deus e os homens. "Além disso, o ramo de oliveira significava também garantia de alimento, de remédio e da bênção divina", diz o teólogo Tércio Machado Siqueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Há também citações à pomba nos Evangelhos. Assim que Jesus foi batizado, o espírito de Deus desceu sobre ele em forma de uma pomba. Desde então, a pomba é associada ao Espírito Santo. Apesar de não haver menção da cor dessas pombas na Bíblia, os costumes da época explicam por que, nas representações, elas sempre são brancas.

"A pomba era muito usada por judeus pobres em sacrifícios. O animal não poderia ser pintado ou doente, deveria ser branco", afirma Siqueira.

[Superinteressante]

Nota do Editor: Não é exatamente de símbolos que a humanidade precisa agora. Não basta a existência de um símbolo da paz, aceito de forma unânime pelos povos ou não. Importa mesmo é a paz efetiva, pelo menos a paz de espírito. A paz tão desejada afasta-se do homem moderno de forma constante. A guerra em seus nefastos sentidos insta em tomar o seu lugar...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 16/01/2009
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