quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A morte, a tristeza e o esquecimento

A morte é a maior e mais contundente certeza da vida. Quem está vivo haverá de morrer. É certo que muitos acreditam na possibilidade de nunca passar pela morte. É o caso dos que creem que Jesus Cristo retornará à Terra e levará para o Paraíso os justos vivos e ressuscitará os mortos igualmente corretos. Claro que somente os que estiverem vivos e forem considerados fiéis e justos serão levados em vida e, logo, jamais experimentarão a morte. Existem muitos (muitos mesmo!) que não acreditam dessa maneira. Quer sejam ateus, quer sejam criacionistas que imaginam a continuidade e fim da vida de forma divergente daquela, exposta logo acima. Para esses muitos a morte é a maior e mais contundente certeza da vida.

A tristeza, à qual quero me referir, é decorrente da morte. O sofrimento dos que ficam e assistem à partida dos seus queridos familiares e amigos. A morte tem como companheira a tristeza. Ela, a morte, vem e deixa um rastro de sofrimento e melancolia. Tal tristeza é mais uma certeza que essa vida nos outorga. Como não se entristecer, ainda que poucas vezes na vida? Quem não se consterna diante da morte que espreita a todos?

O esquecimento é o passo derradeiro. A morte vem trazendo a tristeza em seu bojo e a tristeza, massacrada pelo tempo, dá lugar ao esquecimento. O curioso é que podemos enxergar tristeza no esquecimento. Não é triste que nos esqueçamos da dor decorrente da partida dos nossos queridos? Não é fato irônico que o tempo, que minora a dor, por meio do esquecimento, nos traga a tristeza, justamente por nos esquecermos do vigor e da alegria resultante da presença dos que antes eram vivos?

Parece-nos que esse mundo nos deixa sem boas alternativas. A morte certamente virá, a tristeza estará em sua companhia e nos restará, quase ao fim, a ação do tempo, que nos fará esquecer da dor. Tudo isso até que chegue a nossa hora de sair da vida...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 31/03/2010

4 comentários:

Alexandre - Condor disse...

Dependendo da situação, a morte desperta sentimentos bastante distintos: Medo, por causa da incerteza do que virá (se é que virá); Dor, especialmente para aqueles que perdem entes queridos, obrigando-os a conviver com a tristeza e a saudade e Alívio, para os enfermos que sofrem de doenças terminais e irreversíveis que não vê a hora de parar de sofrer.
Hoje, a minha família convive com o Medo de perder uma tia muito querida e ao mesmo tempo anseia por um alívio para ela, pois a mesma, vitimada por um AVC hemorrágico de tronco, sofre todos os dias enquanto viva.
Milagre? Não sabemos mais como e quantas vezes pedir...

Mudando totalmente de assunto. O Ricardo "a arte de ter razão" abandonou a vida de blogueiro?

bethrp disse...

O "esquecimento" da dor da perda do ente querido é, na verdade, a Providência Divina atuando para que a vida aqui no planeta Terra siga seu curso e cumpra-se seu propósito. A dor precisa passar para nós, os que ficam, continuarmos nossa caminhada, já que, acredito, os que se foram não sentem mais dor alguma, pelo contrário, estão em júbilo no mundo espiritual.

Murilo disse...

Foi por mêdo da morte que inventaram Deuses e por mais súplicas que façam, por mais rezas e sacrifícios, nenhum ser alcançou a eternidade. A morte é nossa maior certeza, podemos adiá-la ou antecipá-la mas evitá-la, jamais.

Guedes disse...

Já tive ao longo da vida (41 anos), várias experiências com a morte de entes queridos em tempos diferentes (tios, pai, mãe, sogra, amigos) e em cada época a percepção da morte foi se modificando, no ínicio era medo e revolta com deus e a situação inesperada, nos outros, conforme fui ficando "menos religioso", a aceitação e conformação foi mais fácil, só ficava saudade das pessoas, nenhuma revolta e quase nenhum medo, pois ficou claro que não teria a quem reclamar sobre o ocorrido e também não haveria motivo para medo pelo o que a pessoa poderia estar sentindo estando morto, ou o que eu sentirei quando morrer, pois ficou tudo bem mais natural, acreditar que tudo termina e se por acaso não terminar, não deverá ser ruim, pois antes de nascermos não sentiamos nada, já que não existiamos e quando morremos, deixamos de existir novamente. Quem sabe nosso "eu", consciência não seja como um programa de computador (personalidade) mais os dados (experiências) e quando morremos, seria quando o computador fosse desligado ou trocado e ficamos inertes no HD. Mesmo que este HD nunca mais seja usado, ficamos lá, se o HD for definitivamente destruído, não fará a memor diferença para o estado que estamos (inertes), ou seja, a morte só é importante para quem está vivo, tão logo morremos ela é insignificante. Uma coisa eu tenho certeza: inventamos deus e a religião pelo temor da morte, se esta não existisse e nem o sofrimento, estes conceitos sobrenaturais não existiriam.

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