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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A onisciência e o livre-arbítrio

Será a onisciência divina realmente incompatível com o livre-arbítrio?
Rafael Alberto S. d'Aversa
Universidade Federal de Ouro Preto
Neste ensaio discute-se o problema de saber como pode Deus ser onisciente e os seres humanos terem livre-arbítrio. A posição defendida é a de que se Deus existe, então não sabe nem influencia previamente que escolhas faremos e que, portanto, a sua onisciência não é incompatível com o livre-arbítrio (que neste trabalho é usado como sinônimo de liberdade de escolha). Após esclarecer os conceitos de Deus, presciência, livre-arbítrio e eternidade, apresentarei duas concepções mais fracas de onisciência a fim de mostrar que o fato de Deus saber tudo não afeta nossa liberdade de escolha.

Leia o texto completo em [crítica].

Enéias Teles Borges
Postagem original: 17/07/2009

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Deus está morto?


A revista Galileu, num texto de Cássio Starling, chama a atenção do leitor para o surgimento de um novo “kit” ateu, que vem sob o título de neoateísmo. A argumentação é escudada numa lógica simples e de difícil refutação. Os ataques são fulminantes (isso não quer dizer que estão repletos de razão), conforme texto exemplificativo:

"Sugiro que 1 bilhão de cristãos se juntem para rezar por um, apenas um, amputado. Peçam para que o membro perdido volte a crescer. Impossível? Isso ocorre diariamente com as salamandras, sem que, presumivelmente, nenhum pastor reze para que aconteça." Essa ideia é uma amostra do terreno lógico sobre o qual se alicerça o mais recente ataque a Deus. Seu autor, o ensaísta norte-americano Sam Harris, estudou filosofia em Stanford e conclui um doutorado em neurociência sobre como o cérebro lida com a crença. Isso deu a ele a base necessária para que escrevesse A Morte da Fé - Religião, Terror e o Futuro da Razão, livro que chega agora ao Brasil pela Companhia das Letras (Revista Galileu).

Nota: É mais uma batalha que leva na direção do nada! Os argumentos utilizados pelos neoateus têm o mesmo efeito dos argumentos dos criacionistas, pois são argumentos surrados contra argumentos igualmente surrados. Os ateus divertem-se sugerindo que os criacionistas são bobos e os criacionistas cristãos, citando a Bíblia, repetem o milenar discurso que afirma: “disse o louco no seu coração, não há Deus”. Neste embate, cujo troféu será o nada, todos perdem. O que emerge? A intolerância, que antes era exclusividade quase total dos criacionistas, conseguiu novo aliado: os neoateus! É lamentável!

Quem ganha mais com isso? Aquele que investe neste tipo de aventura! Imaginem quantos livros e revistas são comprados por partidários dos dois lados! Aquele que escreve ganha! Aquele que refuta, não o faz de graça! Na guerra entre teístas e ateístas a massa perde, mas sempre existe a minoria que aufere resultados: a que vê em tudo isso uma fonte de comércio eterno! Querem ter uma idéia do que acabei de digitar? Basta seguir o link abaixo. Convém ler todo o conteúdo. Depois eu sugiro que você, leitor amigo, pare e pense: quem ganha? Quem perde? Vale mesmo seguir por essa trilha?



Enéias Teles Borges
Postagem original: 17/11/2009

domingo, 31 de julho de 2011

O homem e o sentido da vida

Existe um sentido para a vida humana ou tal sentido é uma busca desesperada feita pelo homem? A grande questão é: existe um propósito para a humanidade ou a humanidade busca um propósito por não aceitar a ausência de sentido (propósito)?

O ateu entende, de forma pura e simples, que a vida tem começo, meio e fim. (lembram-se daquela definição pueril de árvore: “a árvore é um ser vivo que nasce, cresce e morre...”?) Simplesmente assim! Como a vida surgiu? Ele acredita que não é resultante de um propósito, afinal divindades não existem. Não há que se falar em criador e criatura. Para o ateu a vida tem algum sentido? O que seria sentido neste caso?

É confusão permanente acreditar que a vida só tem sentido quando ligada ao dueto criador e criatura. Sentido só existiria (para muitos) no caso de haver algo para além do túmulo. É claro que existem criacionistas que acalentam convicção de que o criador parou por aí mesmo: apenas criou...

Não é certo pensar que para o ateu não existe sentido para a vida humana. Existe um sentido diferente daquele advogado pelos criacionistas. A própria preservação da vida, até o ponto possível, é motivo para lhe dar um sentido (seria mesmo “sentido”?). O senso de fraternidade em favor da raça humana, por si só, é um nobre sentido. Mesmo o ateu acreditando que não houve criação específica como creem, em especial, os cristãos, ele (o ateu) não busca sentido para a vida. Bem diferente disso: ele, quem sabe, tenta dar sentido à vida...

Não estaria aí um esplêndido diferencial? Enquanto os criacionistas buscam sentido para a vida, o ateu não estaria tentando, simplesmente, outorgar sentido à vida que lhe veio, sabe-se lá de qual forma?

Deixarei o assunto, como sempre,  “em aberto”, pois pretendo (sempre) refletir mais um pouco. Concentrar-me-ei no parágrafo acima.

Enéias Teles Borges 
Postagem original: 19/10/2009

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ateísmo e teísmo: lucro ou prejuízo?

Existe uma diferença significativa entre “perder” e “deixar de ganhar”. Perdedor é aquele que, tendo a propriedade de algo, por qualquer motivo deixa de ser o dono. Deixar de ganhar é diferente pois ainda não existe a propriedade, que poderia ser conseguida ou não.

Partindo desta premissa volto ao assunto ateísmo e teísmo. O teísta que crê num deus pessoal entende que possui a salvação em mãos, pois o mérito foi alcançado pelo salvador pessoal que morreu por ele na cruz. O que pode ocorrer a este religioso? Perder aquilo que possui de forma graciosa.

E no que diz respeito ao ateu? Ele não acredita na possibilidade de existência de um deus pessoal e, logo, não acredita na possibilidade de salvação pelos méritos de um ser que deu a vida em seu lugar.

Quem perde e quem deixa de ganhar? Há mesmo o que perder? Existe o “deixar de ganhar”?

Mais uma vez a situação do ateu nos parece mais confortável. Vejamos: no caso da existência de um deus pessoal o que o ateu perde? Nada! Ele apenas deixaria de ganhar o que sequer acreditava existir. Ainda lhe restaria um consolo: sendo esse deus pessoal um ser de extrema justiça poderia, inclusive, levá-lo para o lar eterno. Afinal o ateu cresceu sob o julgo de uma lei moral que ele desconhecia ou cria não existir, correto?

O religioso, porém, vive uma situação complicada. Vejamos: existindo o deus pessoal ele, o religioso, teria que viver à altura da expectativa do deus pessoal, aceitando-o e permitindo que ele realize o “querer e o efetuar” na sua vida de crente. Por outro lado existe a possibilidade de tudo não passar de uma ficção, isto é, não existindo um deus pessoal, certo? O religioso teria imensa decepção ou, caso tenha morrido, jamais ressuscitaria...

Em resumo:

O ateu tem a chance de conviver com o lucro pois nada tem a perder e se ele, o ateu, não for detentor da verdade ainda poderá contar com a justiça e amor do deus que ele não conheceu ou reconheceu. Caso o deus de amor não lhe dê o paraíso o que mudaria para ele, que sempre acreditou na impossibilidade de salvação?

O mesmo não ocorre com o teísta que acredita na existência de um ser pessoal. Ele pode ser salvo ou se perder, junto com muitos, no caso da existência desse ser. E ainda conta com uma agravante: no caso da inexistência desse ser ele morreria e seria “fim” eterno, conforme hoje acredita o ateu.

O ateu está preparado para o fim e aceitará de bom grado o que lhe vier de graça. E o religioso? Está preparado para a decepção? Quem hoje pode dizer que convive com o lucro ou com o prejuízo? O ateu ou o teísta?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 02/09/2009

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Colônia de férias para ateus

Uma colônia de férias de verão britânica está oferecendo uma experiência pouco comum para jovens de sete a 17 anos. A iniciativa promove uma "alternativa sem Deus", em oposição a acampamentos de verão mais tradicionais administrados por grupos religiosos.

Algumas das 24 crianças que chegaram ao acampamento Camp Quest, na cidade de Bruton, sudoeste da Inglaterra, pareciam jovens demais para lidar com conceitos tão amplos e complexos como religião e Deus.

A colônia de férias tem uma missão ambiciosa. Ela é "dedicada a melhorar a condição humana através de questionamento racional, pensamentos críticos e criativos, e método científico [...] e pela separação entre religião e governo".

O objetivo mais imediato, segundo os diretores, é ensinar cooperação, tolerância e empatia, através de atividades esportivas e brincadeiras. Mas são as visões sobre algumas questões mais complexas da vida que a distingue das demais, sobretudo o tratamento da religião.

"Se as crianças se depararem com uma questão como criacionismo, por exemplo, nós discutiríamos às evidências. Nós não diríamos 'Criacionismo é bobagem', se elas pesarem os fatos e pensarem que isso não é verdade."

"Os participantes aprendem que o comportamento ético não depende de crença religiosa e doutrinas, que essas são às vezes um obstáculo para o comportamento moral e ético, que pessoas sem religião também são boas e totalmente capazes de viver uma vida feliz e cheia de significado", afirma o site do acampamento na internet.

A diretora da colônia de férias, Samantha Stein, afirma que as crianças são estimuladas a pensarem de forma independente.

"Se as crianças se depararem com uma questão como criacionismo, por exemplo, nós discutiríamos as evidências. Nós não diríamos 'Criacionismo é bobagem', diz a diretora.

O pai de uma das participantes do acampamento ateu disse que já levou sua filha a outros acampamentos cristãos e que estava em busca de uma experiência mais ampla para a criança.

Leeroy Murray, pai de três meninos em Camp Quest, disse que não descartaria mandá-los a um acampamento religioso.

"A coisa mais importante para mim aqui é dar para eles uma variedade de experiências e estimular que eles entendam o máximo possível de religiões e de ciências, e dar a eles as ferramentas para que decidam por conta própria o rumo que querem seguir", disse Murray.

Os filhos de Leeroy parecem mais preocupados com os aspectos menos filosóficos do acampamento.

"Eu quero fazer novos amigos, encontrar novas pessoas e fazer todas as atividades preparadas para nós", disse um dos filhos, de 9 anos.

"Eu gosto das atividades porque elas melhoram a sua saúde e fazem com que você esteja em forma", disse outro filho, de 8 anos.

'Unicórnio invisível'

Além das atividades esportivas, algumas brincadeiras procuram tratar de questões mais profundas.

A principal atividade "científica" do acampamento consiste em uma busca a dois unicórnios invisíveis.

Os instrutores dizem aos jovens que os unicórnios não podem ser vistos, provados, cheirados ou tocados. Eles também não conseguem fugir do acampamento e não se alimentam de nada.

A única prova da sua existência, segundo os instrutores, está contida em um livro muito antigo repassado por "inúmeras gerações".

Um prêmio de 10 libras (cerca de R$ 30) é oferecido a qualquer criança que conseguir provar que os unicórnios não existem.

Fora do acampamento, no portão de entrada, um solitário manifestante protesta contra o acampamento. Paul Arblaster, membro de uma igreja local, segura cartazes com mensagens críticas ao Camp Quest. Ele protesta também contra o exercício dos unicórnios.

"É claro que eu acho que existe uma pegadinha aí. Eles podem dizer que o exercício dos unicórnios não tem nada a ver com Deus. Mas eu acho que é uma representação razoavelmente velada deste tipo de doutrina", disse o manifestante.

A diretora do acampamento rebate o argumento.

"O objetivo é fazer com que as crianças pensem sobre coisas como ônus da prova", diz Samantha Stein.

"Quem precisa provar que os unicórnios estão lá... é a pessoa que diz que eles estão ou é a pessoa que diz 'Não, eu acho que você não está certo'?"

O Camp Quest surgiu há 13 anos nos Estados Unidos, onde escoteiros e grupos religiosos são a maioria no mercado de acampamentos de verão – muito populares entre famílias americanas nas férias escolares. A versão britânica dura cinco dias e custa 275 libras (cerca de R$ 900).

Fonte: [BBC Brasil].

Nota: Eu já tinha lido esta reportagem e também alguns comentários de criacionistas. Um comentário me chamou a atenção: alguns criacionistas questionam esta atividade sob o argumento de que seria uma forma de "lavagem cerebral". Eu me pergunto: o que é lavagem cerebral? O que é feito nos contextos criacionistas o que seria? Não estou me postando ao lado de uma ou outra atitude, mas fico indignado com a falta de coerência, quando não se aceita que seja feito no lado ateu o mesmo que é feito no lado criacionista. 

Enéias Teles Borges
Publicação original:  23/08/2009

terça-feira, 31 de maio de 2011

Jesus Cristo - Super Estrela

O mundo carece de um Jesus Cristo. Alguém que, sendo onipotente, ofereça o que todo ser humano aceitaria com prazer: um deus pessoal. Um ser supremo que zele pelo jornadear do homem neste mundo de sofrimento. Quem não deixaria imediatamente de ser ateu ou agnóstico se tivesse certeza plena que esse ser existe? Somente o néscio - o tolo. Quem quereria ser ateu ou agnóstico apenas para ser do contra? Quem não aceitaria uma vida eterna repleta de realizações e desenvolvimento permanente da razão? Acredita-se que ninguém em sã consciência deixaria de aceitar, sendo de graça, imenso dom.

O grande problema reside no fato de que é praticamente impossível saber da existência desse ser supremo. Para tentar localizá-lo, caso exista, é muito difícil. É um ser que se esconde. Que só pode ser imaginado através da subjetividade da fé. Mas a fé não é certeza. Sendo algo concreto e facilmente palpável não seria objeto da fé. Exercitar a fé não é para qualquer um. O racionalista, dentro de sua sinceridade, carece de fatos concretos. Ele não é teimoso! Não é um rebelde sem causa! Observem: não é porque existe uma pregação permanente nos muitos centros de fé que ele, o racionalista, acredite que pelo muito falar e pelo bastante ouvir o ser supremo se materialize. O mundo, portanto, carece de um Jesus Cristo palpável, que não se esconda e que se manifeste de forma simples e objetiva. Ele, segundo os crentes, existe e tem amor de sobra para dar. Mas por que ele não se manifesta de forma inequívoca para os racionalistas sinceros? Sendo ele um ser de pleno amor, por que não demonstrar essa caridade mostrando-se e tornando desnecessária a fé? Por que esse ser não liquida de vez com a necessidade crescente de teólogos que inventam, anos após anos, formas de ver e sentir esse Jesus Cristo?

Seria Jesus Cristo um ser concreto ou uma superprodução? Não seria esse Jesus Cristo uma Super Estrela que é apresentada de múltiplas formas pelos múltiplos centros de fé e de esperança? Uma pergunta que insta em não se calar: Jesus Cristo se de fato o senhor existe por que não se mostra de forma simples e cristalina - sem a necessidade dos olhos da fé? Uma afirmação que não quer se calar: Jesus Cristo: caso o senhor se manifeste de forma concreta e esplendorosa (como os teólogos dizem que o senhor é), o mundo o aceitará! É tão simples aceitar a verdade! É impossível recusar os fatos! Sendo Jesus Cristo um ser de pleno amor, por que não simplifica a vida das criaturas carentes de vida (...)? E que tal vida seja eterna! O mundo aceita – é certeza absoluta!

Não queremos um Jesus Cristo Super Estrela e sim aquele Jesus que os teólogos dizem existir. Basta que ele não se esconda - tornando-se visível apenas para os olhos da fé. A fé é um instrumento que muitos não possuem. São muitos os aleijados - por não possuírem esse membro (a fé). Seria justo não se mostrar de forma concreta para os cegos - aqueles que não possuem os olhos da fé?

É para se pensar: ou apenas existe um Jesus Cristo - Super Estrela ou apenas existe um Jesus Cristo que não quer se mostrar para os que não têm os olhos da fé ou ele simplesmente não existe! Não existe? Não como ser concreto - e sim como uma superprodução dos teólogos - aqueles que possuem olhos da fé ou que usam a fé alheia, de forma espúria, para sobreviver neste mundo vil e tenebroso – usando os centros de fé como um pasto inesgotável.

O mundo real não carece de um Jesus Cristo – Super Estrela. O mundo real clama por esse ser supremo e pessoal. O mundo dos aleijados – que não possuem os olhos da fé, necessita de uma manifestação concreta deste ser que os teólogos dizem que é de infinito amor. Sendo de tão grande caridade por que simplesmente não aparece e diz: estou aqui, venham todos os humanos vivos e os ressuscitados. Sigamos para o paraíso! Venham viver eternamente comigo!

O mundo, sem dúvida, aceitará...

Fonte: [Cultura e Religiosidade].

Enéias Teles Borges
Postagem original: 31/08/2009

terça-feira, 3 de maio de 2011

Cobertor de anão...

O cobertor de anão, quando usado por pessoa de estatura normal, num dia de frio, pode trazer três tipos de transtornos: (1) quando se cobre a cabeça os pés ficam descobertos, (2) quando ele cobre os pés deixa a cabeça descoberta e (3) quando o usuário se contorce, para que o corpo fique sob o cobertor, emerge um problema grave, pois o indivíduo fica com o corpo dolorido - em razão de tentar dormir todo enrolado, como uma cobra, debaixo do minúsculo cobertor de anão.

O cobertor de anão é uma maneira figurativa, bem aplicada por pessoas de boa índole, para tentar mostrar, aos que são verdadeiramente compromissados com a verdade, que a falácia está espalhada nos centros habitados pelos criacionistas de meia tigela. Sim, aqueles plantonistas da fé cega e da faca amolada, que instam em disseminar a “teoria da terra nova”, numa tentativa insana de impor interpretação literal à Bíblia, notadamente no que tange ao livro de Gênesis.

Como muitos blogueiros têm observado, o conceito de terra nova é aquele que tenta “provar” que a vida no planeta terra originou-se há seis mil anos. Quem sabe um pouco mais do que isso – refiro-me aos literalistas bíblicos.

Os agentes complicadores para essa turma têm sido, efetivamente, as análises feitas nos sítios arqueológicos encontrados. Insurge-se, o grupelho da fé, contra os testes científicos que datam ossadas de animais para além do ponto inicial que advogam. Não aceitam os milhões de anos asseverados pelos cientistas e tentam mostrar que todo tipo de vida existente (ou que se extinguiu) na terra originou-se na semana da criação tal qual narram os capítulos iniciais do livro do Gênesis.

O dilúvio universal passa a ter papel importante nesse contexto de análise (terra nova) para solidificar o ponto de vista dos agentes da fé cega e da faca amolada.

Acontece que nos sítios arqueológicos estudados até hoje não foi possível provar que as ossadas de humanos, mamíferos e outros animais do nosso tempo, tenham a mesma idade das outras ossadas – dinossauros e afins.

A idade, de todos os ossos de todas as espécies de animais encontrados em valas comuns, não deveria ser a mesma? As ossadas não deveriam possuir o mesmo estado de conservação (ou deteriorização)? Não deveriam ser encontradas sobrepostas e/ou misturadas nas mesmas valas?

Eis um exemplo de cobertor de anão. Não cobre todos os pontos e quando é forçado a cobrir, arrebenta com o corpo de quem o utiliza...

Enéias Teles Borges
Postagem original:  16/10/2009

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre os textos "fé cega e faca amolada"...

Eu pretendia, pelo menos por enquanto, parar com esses textos. Acontece que recebi algumas mensagens, via correio eletrônico, que motivam algumas notas explicativas.

São elas:

1. Entendo que antes de questionar a arrumação da casa dos outros é mister arrumar a própria casa. Refiro-me aos criacionistas de uma forma geral. São vários segmentos criacionistas entre eles o judaísmo, o cristianismo e o islamismo - não podemos nos esquecer das religiões orientais, indígenas e incluir outras variantes do criacionismo. Até mesmo o darwinismo pode ser encaixado por aqui. Sabemos que Darwin se ateve à origem das espécies e não à origem da vida. Digito tudo isso para perguntar: qual a vertente do criacionismo é a correta? Existe alguma que seja? Como discutir o ateísmo sem primeiro arrumar a casa do criacionismo?

2. Como o meu foco foi o “criacionismo cristão” eu nem vou para os outros segmentos. Afinal qual o criacionismo cristão é tido como válido? O católico romano? O ortodoxo? O anglicano? O luterano? Aquele dos protestantes conservadores? Seria aquele dos cristãos carismáticos? Notem que as fórmulas apresentadas pelas correntes cristãs são diferentes em maior ou menor grau. A defesa do criacionismo por diversas agremiações cristãs tem sido feita de forma ponderada ou é na forma de um “proselitismo” disfarçado? Os criacionistas cristãos podem se insurgir contra o darwinismo e ateísmo sem primeiro arrumar a própria casa?

3. Recebi algumas perguntas por e-mail e uma me chamou particular atenção: “Seriam os criacionistas cristãos bitolados e sem capacidade de discernimento?” Notem que em nenhum momento do texto eu sugeri que o criacionismo seja algo “sem pé nem cabeça”, mas que a maneira como tem sido defendido é contraditória, superficial e irritante. Asseverei, inclusive, que determinadas pessoas “se investiram” de autoridade e falam como se fossem representantes do criacionismo cristão! Essas pessoas têm contribuído negativamente! A elas eu me dirigi em determinadas ocasiões solicitando que parassem com essas defesas obtusas, que só servem para pessoas muito simples e despidas de senso crítico...

4. Por fim eu deixo bem claro: as teses ateias não têm atraído adeptos. Criacionistas estão se tornando agnósticos e ateus por outro motivo: a fragilidade dos arrazoados dos criacionistas que defendem seus postulados de forma dúbia! Postulados que são repletos de contrafações e eivados de superficialidade asquerosa!

Meu compromisso é com a verdade e enquanto não a vislumbro, de forma segura, não me sirvo da “fé cega e da faca amolada” para me guarnecer.

Enquanto isso a guerra segue de forma desigual. As armas usadas são desproporcionais. Esse embate não trará qualquer resultado proveitoso...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 26/02/2009

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fé cega e faca amolada - V

Por que destinei os textos da semana para esse tema “fé cega e faca amolada”? Possivelmente para ratificar o que venho dizendo sempre: essa peleja entre criacionistas e ateus é muito chata! Num primeiro momento parece ser algo captador de conhecimento e difusão de idéias. Logo adiante fica claro que é um embate inócuo em que armas de calibres diferentes são usadas. Não é possível mensurar resultados! Não se mede o alcance de cada um! O criacionista não apenas defende essa teoria e sim vê nela, sobretudo, a possibilidade de eternização da vida humana. Busca não apenas um criador. Busca, depois disso e principalmente, um ser pessoal, carinhoso, preocupado... O ateu não nutre esperança similar. Quer apenas o que chama de verdade, não se preocupando com vida eterna, simplesmente porque não crê nisso. É como se batalhasse contra uma alienação humana implementada pelos “preenchedores de lacunas”, via “fé cega e faca amolada”.

Não tenho a pretensão de sugerir o fim do debate. Mesmo porque essa voz, tão ínfima que é, jamais seria ouvida e, se fosse ouvida, seria desconsiderada. Ressalto que a defesa criacionista que abomino é essa dos “criacionistas cristãos”. Parecem “xiitas da fé”. Querem de todo modo que o mundo inteiro se curve diante dessa mistura que chamam de ciência criacionista.

Por hora paro, não sem antes sugerir a você que separou esse tempo para essa leitura: façamos parte de um grupo mais respeitador! Criacionistas, ateus ou agnósticos - não importa! Precisamos aceitar pontos de vista divergentes e analisá-los sempre! A verdade está lá, no lugar de costume. Tal verdade não mudará em função das análises humanas!

Pensemos nisso...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 20/02/2009

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fé cega e faca amolada - IV

Vencida a etapa do convencimento de que existe um criador vem, indubitavelmente, aquela que traz alento ao criacionista cristão: um deus pessoal e, portanto, cuidadoso e atento ao extremo. O criacionista cristão não defende o criacionismo simplesmente porque ele é o espelho da verdade. Defende porque quer vida em abundância. As teses criacionistas cristãs seriam ardorosamente defendidas sem essa bendita esperança? É possível enxergar um criacionista cristão que defenda suas teses apenas pelo compromisso com a verdade?

É bom considerar que a defesa do criacionismo sem objetivar qualquer recompensa seria ato de extraordinário altruísmo. Por outro lado a defesa de uma tese e em seguida o almejar constante pela “vida eterna” não seria expressão máxima de egocentrismo conjugado com egoísmo?

Sempre fico com uma dúvida imensa: a defesa do criacionismo é feita pelos comprometidos com a verdade ou por aqueles que não admitem a possibilidade do fim dessa miserável vida? Chamo a atenção para os criacionistas cristãos que se irmanam em torno dessa “verdade” e que fazem de sua vida uma rotina de supostas boas ações. Há algo de errado em tentar ser bom? Evidentemente que não! Mas qual é o objetivo primordial na busca incessante pelas boas maneiras? A recompensa que vem do cristianismo - uma das vias do criacionismo.

O problema que surge: no afã de desejar defender a própria pele muitos criacionistas cristãos se entregam numa luta insana contra aqueles que são ateus e os chamam de tolos e loucos! Os ateus instam em chamar, em contrapartida, tais criacionistas de medrosos, egoístas, egocêntricos e superficiais. Sim, superficiais! As teses criacionistas não descartam a fé como complemento das muitas lacunas. O uso da fé nessas lacunas causa incômodo imenso nos pensadores descompromissados com eternidade da vida pessoal. O confronto dos que têm fé com os que se escudam permanentemente e exclusivamente na ciência é embate sem nexo e com uso de “armas” diferentes e explosivamente desproporcionais...

Por outro lado os criacionistas cristãos não podem dispensar a fé. Tal fé preenche as muitas lacunas. Sem esse preenchimento não existirá um deus pessoal. E a existência desse ser cuidadoso é, sem dúvida, o grande agente motivador das teses das centenas de agremiações que se servem da “fé cega e da faca amolada”.

Continua...

Enéias Teles Borges
Postagem anterior: 19/02/2009

terça-feira, 5 de abril de 2011

Fé cega e faca amolada - III

Uma pergunta precisa ser feita: quem tem autoridade para defender o criacionismo? Parece uma pergunta óbvia, mas há que se notar os diferentes tipos de defesa dessa teoria. Aqui no Brasil tal postulação é feita pelos “criacionistas cristãos”. Para o cristão o criacionismo é conforme a Bíblia. O sagrado livro cristão tem dois testamentos: o velho e o novo. Aqui, por exemplo, já existe divergência com outro militante criacionista que é o Judaísmo. Os problemas, como podem notar são imensos! Os cristãos, que são ortodoxos por natureza, não advogam simplesmente o criacionismo. Protestam por uma adequação à interpretação de um livro que eles consideram sagrado e único. E os demais livros de outros criacionistas igualmente ortodoxos?

O que dizer de outros criacionistas atuais e do passado? É justo atribuir, aos criacionistas cristãos, o martelo do julgamento? Há respeito às demais interpretações? A defesa feita por aqui não é “bairrista”?

Quero exemplificar o efeito do meu arrazoado. É claro que os criacionistas cristãos, num exercício de honestidade, deveriam ser claros em dizer que defendem o criacionismo à luz dos dois testamentos bíblicos. Não podem deixar de transparecer que essa forma de teorizar o criacionismo é exclusiva e não coaduna em cem por cento com as outras correntes.

Isso tem acontecido? Essa honestidade tem ficado clara?

Quero deixar aqui três links de textos criacionistas publicados no sítio Observatório da Imprensa. Atentem para a forma de defesa de cada texto e os comentários em cada um. Eu diria que ler os textos sem os comentários seria um exercício incompleto.

Os textos são: "Rivalidade ou mal entendido?" - "A Darwin o que é de Deus" - "Endeusando Darwin em clima de guerra".

Sugiro a leitura dos bons artigos e dos comentários. Tirem suas conclusões e perguntem a si mesmos: quem tem autoridade para defender o “criacionismo único”?

Continua...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 18/02/2009

sábado, 2 de abril de 2011

Fé cega e faca amolada - I

Devo confessar que ando meio constrangido com a ação dos criacionistas em defesa de suas teses. Por que estou constrangido? Porque faço parte deste grupo que vê mais sentido na existência de um ser criador do que nas teorias contrárias a essa existência. De certa forma o criacionismo cego acaba empurrando as pessoas sérias na direção contrária ou no mínimo para as rédeas do agnosticismo.

A defesa do criacionismo tem sido feita por pessoas que não conseguem o revestimento da coerência em suas teses. No afã de defender seus pontos de vista acabam se escudando em fontes dúbias. Além disso é notório o uso de autores e textos longe dos propósitos originais. É lamentável!

Algumas instituições confessionais não têm “defensores” oficiais e uns e outros se postam como se fossem os baluartes da “sã doutrina”. Fazem a defesa em forma de “fé cega” e se servem de argumentos como se esses fossem “faca amolada”. As contradições soam gritantes! É possível ver uma pessoa defendendo o criacionismo cristão e ao mesmo tempo sendo admiradora do (DI) design inteligente.

O criacionista cristão é somente isso: criacionista cristão! Ele não pode se arvorar a fazer misturas como se um químico fosse! As correntes interpretativas não se misturam! São diferentes por natureza!

Tentar pinçar pontos de diferentes teorias para fundamentar a que foi eleita é, no mínimo, um ato leviano. Eis porque eu me sinto envergonhado de estar, ainda, nas fileiras do criacionismo. Cada ato insano afasta mais um, pois a insegurança quanto a uma teoria força o cidadão sério à busca da verdade. Não a achando só lhe resta o amplo manto agnóstico.

Será que esses de “fé cega e faca amolada” não percebem o quanto estão sendo inócuos, inúteis e blasfemos? Acreditam mesmo estar prestando algum bem ao advogar o criacionismo dessa maneira torpe?

Continua...

Nota: Minha postura hoje é a de agnósitco teísta.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 16/02/2009

sábado, 19 de março de 2011

Falácias no ateísmo e no teísmo


Partindo da premissa agnóstica de que é impossível provar ou negar a existência de deus faz-se necessário observar postulados de alguns ateístas e teístas. Ressalto que essas asseverações não vêm de todos os ateus e criacionistas, mas de uma minoria ruidosa que tem captado adeptos mundo afora.

Falácia atéia

Ela surge quando o ônus da prova da existência de deus é exigido dos criacionistas. É claro que por mais que um teísta se esforce é impossível provar, pelos meios conhecidos, que deus existe e que tudo o que há originou-se de um projeto divino. Partindo deste argumento os ateus afirmam: “se não é possível provar a existência de deus, logo ele não existe”.

Falácia criacionista

O arrazoado emerge da mesma linha de raciocínio, mas com propósito diferente. O criacionista transfere para o ateu o ônus da prova. Que o ateu demonstre que deus não existe! Obviamente que usando os mesmos recursos humanos existentes para teístas e ateístas é impossível negar a existência de deus. Partindo deste argumento os criacionistas afirmam: “se não é possível provar a inexistência de deus, logo ele existe”.

Provas por exclusão?

Esse tipo de postura, de ambos, conduz-nos ao esperado resultado desta batalha (que acabará se tornando campal!) entre teístas e ateístas, isto é, ao nada. Ao nada mesmo! Não é esse tipo de raciocínio (negação?) que prova a existência ou inexistência desse ser divino. Não se prova a existência ou inexistência de deus por exclusão!

Alternativa agnóstica?

Por motivos como esses o agnosticismo (sou agnóstico teísta) surge como alternativa, no mínimo, honesta. O agnóstico acredita ser impossível provar ou negar a existência de deus. Tal convicção não obsta sua opção em ser teísta ou ateísta, mas deixa bem claro que escolher pela existência ou inexistência do ser superior é tão somente uma questão de escolha, mesmo sem que haja qualquer tipo de prova concreta.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 20/11/2009

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dilúvio universal e suas implicações

Quero recomendar, no início de 2011, a postagem a seguir, extraída do blogue do Michelson Borges. Trata-se de uma visão acerca do Dilúvio em resposta a questionamentos de um leitor daquele blogue.


Nota: Neste ano que se inicia eu pretendo retomar alguns estudos adormecidos. Entre eles o confronto entre visão bíblica e visão contrária. Seguirei em busca da verdade, "custe o que custar"...

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mais: o agnóstico é um desnorteado?

Em acréscimo ao texto [o agnóstico é um desnorteado], é necessário enfatizar um ponto primordial: o agnóstico não é um meio termo entre o teísmo e o ateísmo e sim um meio termo entre os que afirmam ser possível provar a existência de deus pela razão ou provar a inexistência de deus pela razão.

Sendo assim, o agnóstico pode ser ateu, teísta e dentro do teísmo ser um deísta. Mesmo não aceitando a prova da existência ou da inexistência de um ser divino, pelo uso da razão, o agnóstico, por motivos que lhe são pertinentes, poderá se "escorar" em alguma corrente. Seria um desnorteado? Não, pois postula o que foi asseverado acima. Alinha-se com alguma corrente (teísta ou ateísta)? Sim, claro que sim. Mas sem atribuir a esse alinhamento o argumento usado por criacionistas e ateus de afirmar ou negar a existência de um ser superior (via uso da razão).

Acrescento um texto da wikipédia:

"Muitas pessoas usam, erroneamente, a palavra agnosticismo com o sentido de um meio-termo entre teísmo e ateísmo. Isso é estritamente incorreto pois teísmo e ateísmo separam aqueles que acreditam num Deus daqueles que não acreditam. O agnosticismo separa aqueles que acreditam que a razão não pode penetrar o reino do sobrenatural daqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teística."

"Um agnóstico pode ser tanto ateu quanto teísta ou deísta. Alguém que admita ser impossível ter o conhecimento objetivo sobre a questão — portanto agnóstico — pode com base nisso não ver motivos para crer em qualquer deus (ateísmo fraco), ou pode, apesar disso, ainda crer em algum deus por fé (fideísmo). Nesse caso pode ser ainda um teísta, caso acredite em conceitos sobrenaturais como propostos por alguma religião ou revelação, ou um deísta, caso acredite na existência de algo consideravelmente mais vago."

Enéias Teles Borges
Postagem anterior: 21/10/2009
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O agnóstico é um desnorteado?

Segundo a análise de muitos, os teístas e os ateístas são indivíduos que, a despeito do contraste de suas convicções, podem ser considerados entes de norte definido. Por norte definido entende-se o oposto de desnorteado, que é o que perdeu o rumo ou sentido de direção que é confuso ou embaraçado. Tal entendimento, no que diz respeito a crer ou não crer na existência de divindades, faz do cidadão um ser convicto ou não, desnorteado ou não. Em suma diríamos que tanto o teísta quanto o ateísta são pessoas com seu rumo bem delineado, mesmo tendo convicções contrastantes.

O que dizer, então, de um agnóstico? Seria, portanto, um desnorteado por não partilhar rigorosamente de uma convicção (teísta ou ateísta)? Somente serão considerados com sentido de direção aqueles que se alinham com o teísmo ou ateísmo? Haveria uma terceira via? Essa outra via seria o agnosticismo?

É bom entender que para o agnóstico, assim como não é possível provar, de forma racional, a existência de divindades e do sobrenatural, é de igual maneira impossível provar que não existem. É claro que o agnóstico não considera isso um problema, já que ele não enxerga necessidade que o force a se enveredar por essa tarefa investigativa e estéril (divindades existem ou não existem?).

“Muitas pessoas usam, erroneamente, a palavra agnosticismo com o sentido de um meio-termo entre teísmo e ateísmo. Isso é estritamente incorreto pois teísmo e ateísmo separam aqueles que acreditam num Deus daqueles que não acreditam. O agnosticismo separa aqueles que acreditam que a razão não pode penetrar o reino do sobrenatural daqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teística”. (Wikipedia).

Ao definir que a razão não pode penetrar o reino sobrenatural o agnóstico mostra o seu norte e não se perturba com isso. Quem poderia, com o pleno uso da razão, afirmar que ele (agnóstico) está errado por assim proceder?

A maneira como o agnostismo pode melhor ser enxergado encontra guarida no seguinte: agnosticismo é uma forma mais intelectualmente honesta de ver a questão da existência ou não de um ser superior. Enquanto o ateísmo afirma que Deus não existe, numa posição que não pode ser provada, o agnosticismo argumenta que a existência de Deus não pode ser provada ou deixar de ser provada; que é impossível saber se Deus existe ou não. Neste conceito, o agnosticismo está certo. A existência de Deus não pode ser provada ou deixar de ser provada empiricamente.

O assim pensar é típico de um desnorteado ou de quem é honesto, compromissado e pronto para aceitar evidências de um lado ou de outro (caso existam)?

Fonte: [Cultura e Religiosidade].

Enéias Teles Borges
Postagem original: 20/10/2009

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pergunte ao ateu

O criacionista chegou perto do ateu e perguntou: "por que não acredita em deus?" O ateu prontamente respondeu: "como posso acreditar, sabendo que ele não existe?"

Notaram como perguntas e afirmações podem vir formuladas de forma equivocada? Muitos insistem em dizer que o ateu não acredita em deus. Mas como ele poderia acreditar em deus se não acredita em sua existência? É possível acreditar em algo quando se tem convicção de que "esse algo" não existe? Como o ateu poderia acreditar em deus tendo convicção da sua inexistência?

A pergunta correta seria: "por que você não acredita na existência de deus"? Se ele não crê na existência de um ser, como ele poderia crer nele?

Pergunte ao ateu, quem sabe ele responderá, mas faça a pergunta corretamente. Afirme algo ao ateu, quem sabe ele ouvirá, mas afirme de forma correta.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 22/08/2009
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O sujo e o mal lavado


É fato: as pessoas realçam o que é conveniente e jogam sob o tapete o lixo da vergonha e do constrangimento. Quero ressaltar uma notícia que colocou em histérica alegria alguns criacionistas. Sim, aqueles porta-vozes de deus na terra. Os famosos paladinos da fé ou, quem sabe, profetas de plantão.

Serviram-se de um escorregão dos evolucionistas (que de fato se precipitaram) para alardear vitória. É que o "elo perdido" está sob forte suspeita, conforme reportagem da Folha Online (link aqui).

Concordo que os evolucionistas têm dado muitos tiros no próprio pé, mas tal "viruosidade" não é apenas deles. O que se dizer, por exemplo, do escorregão secular dos criacionistas cristãos que afirmavam que o Universo girava em torno da terra? Pelo menos os ateus e evolucionistas expõem suas mazelas mais rápido, sem uso da força. Nada de ameaçar os contrários. Nada de mandar para a fogueira...

Hum... Pelo jeito a briga está nivelada por baixo. Não existe busca por acertos e correção de rumo. Os lados digladiam expondo erros bizarros de ambos.

Eu suma podemos dizer, sem medo, que o sujo está criticando o mal lavado. O que precisam é de um bom banho e renovação permanente da humildade. Vale para evolucionistas, ateus e criacionistas.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 23/10/2009
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Deus: por onde começar?

Deus: por onde começar?
João Carlos Silva

Por onde começar a investigar filosoficamente o problema de Deus? Que questão deve ter prioridade sobre as outras? Saber se existe? Saber o que é? Ou saber se é possível conhecer alguma coisa a seu respeito?

À primeira vista, qualquer uma parece igualmente boa para começar, mas uma análise mais cuidadosa revela que não é assim. Rapidamente se descobrem prós e contras em todas e o optimismo inicial corre o risco de se converter em pessimismo céptico e paralisar a investigação. Analisemos cada uma com algum detalhe e vejamos onde isso nos conduz.

Admitamos, por hipótese, que é a primeira a melhor para iniciar: "Deus existe ou não?" Não é lógico que é esta a questão das questões, a primeira de todas, a que deve ser colocada e respondida antes de qualquer outra? Pois, se Deus não existir, que sentido faz continuar a colocar as outras questões? Nenhum, não é verdade?! Se não existir, a questão da sua identidade ou essência, bem como do nosso conhecimento dele, são questões vazias e absurdas; por isso, devemos decidir primeiro se Deus existe ou não e só depois perguntar o que é e o que podemos saber sobre ele, certo?

Errado! Pois, por outro lado, que sentido faz perguntar se Deus existe, sem sabermos o que ele é? Sem sabermos do que estamos a falar quando usamos a palavra "Deus", qual o seu significado? Nenhum, como é evidente! Não é absurdo perguntar se algo existe, sem que façamos a mínima ideia do que é esse algo? Portanto, talvez a segunda questão deva ter prioridade lógica e metodológica sobre as outras duas! Definir primeiro o objecto que se quer conhecer e só depois determinar se ele existe e pode ser conhecido ou não.

Mas também aqui podemos encontrar uma objecção a esta tese: como é possível determinar a identidade essencial de algo que se desconhece se existe ou sequer se pode ser conhecido? Determinar a essência de uma coisa ou ser não implicará um duplo compromisso ontológico e epistémico com a sua existência real e com a possibilidade de o conhecer? Dizer que X é igual a Y ou que pode ser caracterizado pelas propriedades A, B e C, não pressupõe a existência de X e o nosso conhecimento do mesmo? E como podemos nós afirmar a essência ou existência de algo sem que isso pressuponha ou implique o nosso conhecimento desse algo, precisamente da sua essência e/ou existência? Não será então mais acertado, e porventura a única via possível, começar com a terceira e última das questões, isto é, saber se podemos ou não conhecer algo sobre o objecto em causa?

Afinal é possível saber algo sobre Deus ou não? Só resolvendo isto, podemos e devemos avançar para as outras, já que uma resposta negativa a esta questão esvazia e impossibilita qualquer uma das outras; se nada podemos saber em relação a Deus, nem o que é nem se existe, resta-nos acatar humildemente a conhecida máxima lógico-filosófica segundo a qual devemos calar aquilo de que não podemos falar — mas aqui sem qualquer saída mística, simplesmente suspendendo todo o juízo sobre o objecto, por impossibilidade cognitiva radical!

Mas, uma vez mais, também aqui se pode descobrir um argumento contra tal tese: como podemos decidir que nada se pode saber sobre algo que desconhecemos? Não é isto absurdo? Afirmar que não podemos conhecer um objecto qualquer, real ou imaginário, concreto ou abstracto, possível ou actual, não implica saber ou acreditar que isso existe e o que isso é? Caso contrário, que legitimidade racional temos para defender tal ideia?

Mas então, se cada uma das questões parece reenviar para as outras, pressupondo-as e/ou implicando-as reciprocamente numa rede de interdependências, como desatar este nó lógico, como sair deste beco aparentemente sem saída da investigação filosófica sobre Deus? Haverá uma saída? Ou estamos condenados a mais uma aporia do começo, sem solução racional possível, a não ser o agnosticismo radical face a qualquer uma dessas questões e ao problema de Deus como um todo? Será que existe uma quarta questão que resolve o problema? Será a escolha arbitrária e o ponto de partida indiferente? Será a questão do começo uma falsa questão? Será possível atacá-las a todas ao mesmo tempo? Será a aporia real ou aparente? Como resolver este dilema, ou melhor, este trilema, uma vez que são três questões?

A solução existe e pode ser inspirada no engenho mítico de dois personagens históricos:

Alexandre e a história clássica do nó górdio e Colombo e o lendário problema do ovo! Analogamente ao corte do nó com a espada e à quebra da base do ovo, a solução da nossa perplexidade teológico-filosófica consiste na sua dissolução, isto é, em perceber que, na realidade, uma das questões pode e deve ser preferida às outras, porque uma das objecções que enfrenta não é, pura e simplesmente, correcta e assenta num equívoco que pode ser desfeito.

De facto, não só é possível, como é mesmo requisito prévio, indispensável a qualquer investigação, que se defina previamente, conceptualmente, o objecto a investigar, pois, caso contrário, não só não se saberia o que procurar, como, caso se descobrisse a resposta, nunca se saberia se era verdadeira ou falsa, dada a indefinição original quanto às condições necessárias ou suficientes que a mesma deveria satisfazer. Assim, a definição conceptual de Deus, a sua caracterização prévia como um ser com determinadas propriedades essenciais específicas (reconhecidas, aliás, salvo pequenas diferenças, por todas as religiões monoteístas e tanto por crentes como por ateus e agnósticos), é condição necessária para se inquirir quer a sua existência, quer a sua cognoscibilidade, e não implica qualquer compromisso ontológico ou epistémico, uma vez que se trata tão só de definir o significado de um termo, a forma como é usado, ou aquilo que queremos dizer quando falamos disso — em suma, o conceito de Deus.

"De que falamos quando falamos de Deus?" — eis a questão prioritária, que é, no fundo, outra maneira de perguntar o que é Deus, ou seja, a que tipo de ser corresponde o termo "Deus". Tal como inquirir se existem o Pai Natal, o rato Mickey, o super-homem ou o conde Drácula pressupõe tão só que saibamos do que estamos a falar — isto é, que conheçamos o significado desses termos — não implicando qualquer compromisso ontológico — isto é, não implica qualquer crença prévia na sua existência — também no caso de Deus isso acontece e fica assim claro qual deve ser a questão que deve iniciar a investigação.

Fonte: [Crítica na Rede].

Enéias Teles Borges - Editor
Postagem Original: 07/10/2009
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domingo, 14 de novembro de 2010

A questão da certeza no agnosticismo


Partindo duma premissa interessante do agnosticismo, que se finca na convicção de que é impossível provar ou negar a existência de deus, servindo-se dos meios humanos, eu me pergunto: Como se faz, então, a opção pelo teísmo ou pelo ateísmo? Claro que proponho a questão olhando pela perspectiva de um agnóstico...

Questão de escolha, sim, meramente de escolha. Um agnóstico pode, mesmo afirmando ser impossível provar ou negar a existência de deus, escolher ser criacionista ou ateu. Quando perguntado sobre o motivo de uma escolha ou outra, a resposta seria simples: “mesmo tendo a convicção de que é impossível provar ou negar a existência de tal divindade, por questão pessoal (e afins), escolhi ser assim ou assado...”

Muitos, quem sabe, surpreender-se-ão com isso. Imaginam que se um indivíduo não é ateu ou criacionista ele, por exclusão, é agnóstico. Já tratamos por aqui esse ponto. O agnosticismo não é o meio termo entre teístas e ateístas. Ponto final!

É possível, portanto, existir agnóstico ateu e agnóstico teísta e mais, dentro do teísmo é possível encontrar um agnóstico deísta.

Qual é, então, a diferença entre um agnóstico criacionista e um criacionista “normal”? Tomando como exemplo apenas o cristianismo, podemos afirmar que um criacionista “normal” aceita os fatos bíblicos como sendo verdadeiros. Exemplificando: o dilúvio. O agnóstico criacionista, por acreditar ser impossível provar ou negar a existência de deus, tende a não aceitar o dilúvio da forma como exarada na bíblia. Como seria possível acreditar nas informações dadas no livro milenar, como sendo a palavra expressa de deus, se ele, agnóstico, não vê prova de existência do poderoso ser?

Não é tão simples assim a questão da certeza em face do agnosticismo criacionista. E não poderia ser diferente. O criacionista “normal” não tem semelhança prática com o agnóstico criacionista, assim como não há similaridade prática entre o ateu convicto e o agnóstico ateu.

Voltaremos ao tema.

Fonte: (Cultura e Religiosidade)

Enéias Teles Borges
Postagem original: 03/11/2009
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