segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A religião e a felicidade

Dois garotos da mesma idade, mas de famílias diferentes, portavam doença mortal. Não viveriam muito tempo. Como não sabiam da gravidade da doença brincavam e eram felizes. Uma família resolveu contar a verdade para um dos garotos. A criança ficou muito triste, não brincava mais, não sorria. A outra família resolveu esconder a verdade e a criança seguiu alegre e brincando.

É patente que o estado de ignorância de uma das crianças foi o ingrediente principal para que ela não experimentasse a tristeza - aquela sentida pelo outro garoto.

Sirvo-me desta ficção apenas para ilustrar o que tenho observado. Muitas pessoas confundem o estado de felicidade com a verdade e que essa felicidade é oriunda essencialmente da religiosidade. É claro que uma pessoa que vive neste mundo com esperança centrada num mundo futuro, eterno e perfeito se sinta feliz - a despeito das mazelas do cotidiano.

O que precisa ser observado é bem simples: a felicidade não está, obrigatoriamente, de mãos dadas com a verdade. Muitas vezes a esperança, ainda que escudada em falsas promessas traz legria e paz, mas não significa que esta esperança seja sinônimo da verdade.

Talvez por esse motivo os religiosos costumam alardear que sem religiosidade não há alegria. Será assim mesmo? Existem ateus felizes e que aceitam a teoria na qual acreditam. O problema do religioso é confundir a sua crença, que lhe traz refrigério, com verdade absoluta.

A religião e a felicidade não são a síntese da verdade. Viver assim, sendo verdade ou não, propicia ao que crê a paz neste mundo de aflição. Afinal ele, o religioso, precisa de esperança, pois sem ela a vida é dura e sem sentido.

Bem diferente do que entende o ateu, que a despeito de viver esta vida dura não se prende a um sentido específico para buscar a felicidade.

Recentemente li algo, no mínimo curioso, concernente à religião e a felicidade. Algo mais ou menos assim: "dizer que o religioso é mais feliz que o ateu é equivalente a dizer que o bêbado é mais feliz que o sóbrio". A bebida traz sorriso fácil ao bêbado e a religião traz sorriso fácil ao que crê. É óbvio que comparar o religioso com o bêbado não faria sentido, a não ser para buscar a essência da verdade e a sua relação com a religião e a suposta felicidade.

Poderíamos, afinal, dizer que o bêbado é feliz? E o religioso? Sim o religioso pode ser feliz. O que não se deve afirmar é que a religião traz a felicidade porque ela, a religião, é a expressão máxima da verdade...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 08/09/2009
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5 comentários:

Altamirando Macedo disse...

Enéias,
Claro que todos tem direito à felicidade, tanto o criacionista quanto o evolucionista. Tanto o cristão quanto o bêbado. O que causa indignação é o fundamentalista religioso achar que só ele tem direito à felicidade por ser crente em algo que lhe oferece um pedacinho do céu ao lado de...Quem?

Altamirando Macedo disse...

Enéias,
Claro que todos tem direito à felicidade, tanto o criacionista quanto o evolucionista. Tanto o cristão quanto o bêbado. O que causa indignação é o fundamentalista religioso achar que só ele tem direito à felicidade por ser crente em algo que lhe oferece um pedacinho do céu ao lado de...Quem?

Micha disse...

"Muitas vezes a esperança, ainda que escudada em falsas promessas traz alegria e paz, mas não significa que esta esperança seja sinônimo da verdade."

Gostei dessa parte. E mais uma vez, me lembrei de Matrix (rs.)

Pai,
gostei do post!

Beijo

Cleiton Heredia disse...

Poderíamos concluir que, se a verdade for dura e cruel, os ALIENADOS tendem a serem mais felizes que os CONVICTOS?

Ensino,religião e política. criticas. disse...

Manifestação religiosa.

A manifestação religiosa, ou seja, a busca de um Deus exercida pelos seres humanos, dizem os entendidos que esta manifestação se dá porque existe dentro de nós uma chama flamejante e divina a qual nos impulsiona a crer em um ser superior e criador do universo como um todo.
Eu particularmente não acredito em nenhuma chama flamejante interna nos levando para esta manifestação.
Em primeiro lugar se o ser humano fosse eterno não houvesse a morte, ou seja, o fim da vida, esta manifestação, esta chama flamejante nem faria parte do nosso vocabulário, também não faria parte do nosso intimo. O que acontece na verdade é que o ser humano morre de medo só de pensar na morte, e como será alem dela. Todos nós sabemos que ela é impossível de ser evitada. Diante desta preocupação com o alem túmulo e que leva os seres humanos a buscarem alguma coisa na sua imaginação, ou ainda nos ensinamentos vindo de pessoas que professam religiões, mesmo que estes ensinamentos não sejam verdadeiramente provados, eles acreditam para aliviar um pouco as suas preocupações com o futuro incerto. Sendo assim eles se contentam com uma fantasia qualquer para aliviar suas duvidas e amenizar o medo mórbido da morte.
A maioria das pessoas irão se arrepiar com esta crônica, irão dizer que é uma escabrosa heresia, mas estou tranqüilo porque, ela está baseada em raciocínio lógico e coerente, é só analisá-lo friamente sem a interferência de dogmas religiosos.
O que leva a maioria dos seres humanos a buscarem as religiões não é nada mais do que buscar ajuda para problemas de saúde, de dificuldades financeiras, ou por problemas de foro intimo. Observem buscar ajuda: Ninguém se preocupa em levar ajuda para ninguém, pensam somente em angariar vantagens, isso é próprio do nosso egoísmo
Pessoas, sem os problemas relacionados acima, dificilmente são freqüentadoras assíduas de templos religiosos. Elas freqüentam bem moderadamente sem muito fanatismo, muitas vezes, somente para fazerem se passar por pessoas cheias de moral, para mostrarem que são tementes a Deus, mas o egoísmo, maledicência, orgulho, arrogância e o individualismo continuam intactos na consciência sem nenhum progresso.
O progresso tecnológico executada pela mente humana caminha rapidamente para um futuro promissor, continua avançando a passos largos, mas infelizmente a moral humana continua caminhando para traz, sempre retrocedendo. Continuando assim a moral humana que dizem ser a essência de Deus estará voltando lá para a idade da pedra.
Paulo Luiz Mendonça, autor do livro Crônicas Indagações e Teorias. Editora Scortecci.

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