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domingo, 28 de novembro de 2010

Conhecimentos e crenças

“É muito difícil possuir conhecimentos e muito fácil adquirir crenças”. (Gustavo Le Bon).

Alguém poderá dizer que é contra a complicação e adepto da simplificação. Essa mesma pessoa poderá afirmar que a beleza da crença está justamente em sua simplicidade, questionando quem procura se cercar de conhecimentos para fortalecer ou negar a mesma fé.

É natural que a massa opte pelo que é mais fácil, assim como é natural que o rio corra para o mar. Parece bem mais lógico. Mas no “campo” das idéias o que parece correto: optar pelo conhecimento ou pela crença? Podemos afirmar que tal crença, sem o efetivo conhecimento, tem valor? Podemos asseverar que partir do conhecimento para a crença é o caminho a ser trilhado?

A opção da maioria para o que é mais simples tem criado legiões imensas de prosélitos. Pessoas que crêem conforme a necessidade ou conveniência. O conhecimento pode trazer uma decepção. Há quem opte pela ilusão, para fugir do desapontamento. Há quem busque o conhecimento para que não tenha decepção. Há quem prefere o amargor da decepção ao doce amparo da ilusão.

Isso quer dizer que crença é ilusão? Não é bem assim. De igual modo não podemos dizer que crença é a verdade.

Como chegar à verdade ou aproximar dela? Ao que me parece o único caminho é aquele que conduz ao conhecimento.

Adquirir conhecimento é difícil. Requer quebra de preconceitos. Requer coragem. Requer rompimento com a tradição. Requer disposição para ser solitário. Requer reflexão. Requer força para suportar eventuais dores. Requer muito mais...

A crença é fácil. Basta querer acreditar. Basta não questionar o que é apresentado. Basta seguir o caminho apontado por outros. Basta apenas permitir que alguém conduza os passos. Bastam mais posturas de aceitação...

Adquirir conhecimento requer rompimento com a alienação? A crença faz da alienação uma arma poderosa?

No final pode acontecer uma grata surpresa: o palmilhar do conhecimento nos conduzir ao mesmo lugar no qual se encontra aquele que simplesmente optou por crer. Pode ser que não exista uma grata surpresa. Pode ser que haja, apenas, a verdade, nua e crua.

Quem, no fim, estará preparado para conviver com possível verdade desagradável: o que busca conhecimento ou aquele que se sustenta nessa crença?

No que tange à verdade não adianta fugir. “Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”. A verdade não faz pacto com as pessoas (nem com o crente) ela simplesmente é!

Enéias Teles Borges
Publicação original: 04/06/2008
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ênfase: Filosofia e Sociologia

Filosofia e Sociologia: temas que não querem calar. As opiniões favoráveis são muitas e lamentavelmente existem alguns que anelam pela permanência da “cegueira” mental em nossa juventude. O artigo do professor Roberto Andersen nos encaminha para mais reflexões.

Por que precisamos de Filosofia e Sociologia?

Sempre que ouço esta pergunta surge em mim, imediatamente, um sentimento de “pena” para com a pessoa que a profere. Um sentimento que, ao mesmo tempo, me leva a compreender os motivos pelos quais toda uma geração, para não incomodar o sistema dominador, foi impedida de ter acesso às únicas disciplinas capazes de bem desenvolver a capacidade de discernimento, entendimento e compreensão da vida e dos fatos: a Filosofia e a Sociologia.

O sistema as retirou, durante quase vinte anos, dos currículos escolares e perseguiu arduamente os que ainda tentavam, por meio de poesias, peças teatrais, músicas e artes, construir no adolescente e no jovem um pouco do necessário espírito da curiosidade positiva e do questionamento responsável, que são as únicas formas de permitir a criatividade e a evolução intelectual do gênero humano.

Durante todos esse anos calaram-se os jovens. Alguns foram calados “a pulso”... dando muito trabalho aos órgãos repressores, mas a maioria foi calada pelo forte e inteligente sistema de manipulação de massa, levando em consideração os ensinamentos de Maquiavel (O Príncipe) e do Padre Baltasar Gracián (A Arte da Prudência).

Se a filosofia ensina a pensar o mundo, a vida e os fatos de forma profundamente analisadora e questionadora, na procura das razões primeiras de tudo, a sociologia ensina a pensar o grupo social e as razões que os levam a tomar atitudes muitas vezes consideradas como irracionais.

Ambas fazem do Ser Humano mais do que um simples elemento no grupo, já que desenvolvem nele a habilidade necessária ao exercício da verdadeira cidadania, com competência não só para entender o mundo e os fatos, mas também para influenciar e participar ativamente das necessárias reconstruções sociais.

É, então, o correto aprendizado dessas duas disciplinas, que afasta o Ser Humano da alienação social, ou seja, impede sua fácil manipulação o que, infelizmente, ocorre com grande parte da humanidade. Essa manipulação está descrita, com bastante propriedade, nas obras citadas de Maquiavel e Gracián.

Aprender Filosofia é aprender a olhar o mundo e os fatos com mais cuidado e mais responsabilidade, procurando analisar os seus porquês. Aprender Sociologia é aprender a analisar o comportamento social com mais abrangência, procurando compreender as atitudes das pessoas e dos grupos para poder interferir no momento certo e da forma mais acertada, para alcançar os seus objetivos.

Embora as disciplinas estejam de volta o adolescente e o jovem ainda continuam alienados e sem a menor capacidade de exercer um bom questionamento produtivo ou uma verdadeira participação social, já que muitos professores e pais ainda não conseguiram entender a responsabilidade de sua tarefa.

A tarefa agora é dos pais e dos professores, inserindo nas aulas e nas conversas o ensinamento da neutralidade do pensamento, da análise racional e do entendimento da capacidade intuitiva e criativa de cada um, para que, aos poucos, o adolescente e o jovem possam vir a construir a sua identidade própria, evitando a alienação atual evidente nas cópias televisiva dos “Big Brothers, Malhações” e outros elementos “mediocrizadores” de nossa juventude.

Todos precisamos de muito esforço e dedicação para afastar os únicos modelos conhecidos durante o período das trevas, iniciado no governo Médici e com péssimas conseqüências sentidas até os dias de hoje, que eram os modelos ideais de incitação à acomodação social, como bem deseja qualquer sistema dominador mundial.

Mas para isso temos que incentivar aos professores para que saiam de um dos “nichos” de proteção, originários desses quase vinte anos de “pão e circo”.

O primeiro é o teórico total e analítico estreito, ou seja, aquele que sugere a seus alunos o envolvimento total com uma linha filosófica ou sociológica, e o ensina a escrever, falar, discursar, elaborar trabalhos, dissertações e teses obrigatoriamente enquadrados em um referencial teórico muito bem definido, sem qualquer ligação com a realidade do dia-a-dia.

O segundo é o teórico revoltado extremista, que não aceita opiniões discordantes das suas insatisfações para com o mundo, a vida e o sistema vigente, incapacitando, da mesma forma que o modelo anterior, qualquer desenvolvimento mental sadio e produtivo.

O caminho é simples e prático. Observe a criança, sua natural curiosidade e sua verdadeira criatividade. Embora ela, além de amor, precise de limites para o entendimento das regras sociais e o despertar do necessário instinto da conquista, ela não deveria ser tolhida em sua curiosidade nem em sua criatividade.

Se adotarmos esse modelo para nós mesmos, veremos que os limites são os éticos, que devemos estar sempre dispostos a adotar, mas curiosidade, exercício do questionamento, análise neutra dos fatos e criatividade devem ser incentivadas a cada instante, já que é a única forma de crescermos intelectual e emocionalmente e afastarmos o fantasma da mediocridade.

Esse é exatamente o modelo básico conseqüente do correto e eficaz estudo da Filosofia e da Sociologia.

Fonte: (professor Roberto Andersen)

Nota: quero enfatizar o tema nesse espaço que tenho na internet. De certa forma eu me julgo filho de um contexto no qual o livre pensar foi cerceado. Não me preocupo aqui em destacar minha opinião, fazendo juízo de valor, e sim em conclamar o povo brasileiro a exercer o nobre direito de pensar. O que precisa ser destacado: a Filosofia e a Sociologia são aliados de altíssima qualidade neste exercício.

Enéias Teles Borges

Postagem original: 05/06/2008
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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Filosofia e Sociologia - mais...

O tema está repercutindo em suas variadas formas. Não posso deixar de indicar dois comentários para ponderações dos amigos leitores:

1. Comentário de João Carlos Salles: "Um brinde à filosofia".


2. Ponto de vista de José Arthur Giannotti: "triste bobagem".


Fonte: >>Terra Magazine<<

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