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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Racismo velado?


Você já deve ter ouvido frases assim: “esse é um preto da alma branca”, “ele é pretinho, mas é gente boa”, “é pretinho, mas é inteligente...”, “é um senhor de pele escura, mas de confiança” e muitas outras. Já ouviu? Já disse?

A questão é: seria isso uma forma velada de racismo? Outro dia eu ouvi uma frase: “que negra bonita!” Eu perguntei à pessoa que assim se expressara: “você diria: que branca bonita?” Como se tratava de uma senhora honesta e sincera ela me respondeu: “tem razão. Muitas vezes não nos damos conta de que usamos palavras e frases preconceituosas”.

Imagine a seguinte situação: você chega num condomínio e na portaria estão duas pessoas conversando. Uma é “de cor” e a outra não. Você não consegue identificar quem é o porteiro. Você precisa se dirigir a um deles. Qual é a sua escolha? Quem, em sua opinião, é o porteiro? Já notou que a tendência é sempre considerar o negro como empregado e o branco como patrão? Racismo velado ou força da tradição?

Aqui no Sul do Brasil o quadro vai se acomodando e para o bem. É natural em campanhas publicitárias a inserção das pessoas negras em comerciais de alto gabarito e em funções socialmente mais elevadas. Existe um público consumidor que era desconhecido e, além disso, o Brasil está assumindo a sua “brasilidade”.

Não faz muito tempo eu estive numa cidade do Nordeste e lá estão tentando inserir pessoas negras nas campanhas publicitárias locais. O ranço ali ainda permanece. A figura do cidadão negro aparece sempre em funções hierárquicas inferiores... Mas eles também chegarão lá. Por que chegarão? Porque é inevitável. O Brasil está cada dia mais mestiço. Alguém pode dizer que caminhamos em passos largos na direção de um “republiqueta” de vira-latas. E quem disse que um vira-latas é degradante? Você já teve um cão que não seja puro sangue em casa? Ele não sabe amar? É imprevisível? Deixou de ser um cão? Não podemos aceitar essa historieta de becos e porões dizendo que temos complexo de vira-latas. Afinal não temos a virtude de um vira-latas? Ele sobrevive sempre. O faz porque é uma praga ou erva daninha? Sobrevive porque é bom?

Meu convite à reflexão: será que ainda, no último recanto da alma de alguns, existe o racismo velado? Aquele que se manifesta em frases soltas em atitudes aparentemente bem intencionadas? Você não enxerga? Será que não existe? Será que você é racista e nem se deu conta?

O que somos neste País gigantesco?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 04/08/2008

sábado, 19 de junho de 2010

Igualdade racial

Trata-se de mais uma tentativa, via legal, de redução das desigualdades. Há certas coisas que só funcionam sob a pressão da Lei, não se pode afirmar que estamos diante de um caso que trará os resultados almejados. Ocorre que a igualdade racial ou igualdade no tratamento, independentemente da raça, é sonho dourado. Será possível aplicação do novo Estatuto da igualdade Racial? O tempo dirá. O que podemos afirmar, hoje, é que algo precisava ser feito e está sendo efetivado.

Detalhe: é igualdade racial no que tange aos negros. É certo que existem outras raças no Brasil. Outro ponto polêmico: usar o termo "raça" não seria um equívoco? Todos não fazemos parte da Raça Humana?

"Aprovado nesta semana no Senado, o Estatuto da Igualdade Racial deve seguir para sanção presidencial nos próximos dias, mas ainda tem diversos artigos que precisam ser regulamentados para que possam garantir direitos à população negra."

Veja as mudanças imediatas e outros fatos no Globo Online.

Enéias Teles Borges
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Cautela quanto à questão da cor...

Cautela quanto à questão da cor...
Enéias Teles Borges


O mês de novembro de 2008 será lembrado por dois motivos de alcance mundial: a conquista do Campeonato Mundial de Fórmula 1 e pela vitória democrata nos Estados Unidos da América. Os vitoriosos são Lewis Hamilton e Barak Obama. Duas pessoas que têm no sangue os traços da raça negra.

Na cidade de São Paulo há uma data especial: 20 de novembro: “consciência negra”. Feriado municipal. Alguns o chamam de feriado da “Marta” numa alusão à ex-prefeita.

Podemos observar que esse mês de novembro está trazendo novidades que envolvem a questão da cor num momento histórico. Houve conquista especial? Sim, houve, mas a cautela deve ser o prato principal a ser servido no mundo.

Não houve vitória da raça negra! Houve conquista de dois homens que são negros, mas que poderiam ser brancos. É algo interessante, estimulante e que tende à integração humana. Não houve choque de raças. Quem sabe houve vitória de talentos que poderiam advir de qualquer raça?

Movimentos surgirão em prol da política. Pessoas entendendo que o Brasil precisa de um Presidente negro. O Brasil precisa de um bom governante, independentemente da cor da pele. Ponto final!

Eu tenho em minhas veias sangue de índio, negro e branco. Vale dizer que sou a favor da cidadania e do equilíbrio entre os humanos. A busca ao equilíbrio é a minha bandeira e isso é Justiça! Não luto por uma raça e sim pela humanidade!

O que espero?

Que a vitória de Lewis Hamilton abra portas para os menos favorecidos sendo pretos, brancos e outros...

Que a conquista de Barak Obama denote, especialmente no final do seu mandato, que os seres humanos, não importando a cor da pele, podem fazer o melhor para o mundo. Que seu governo seja para o povo americano e não para um grupo específico de pele negra...

Que o mês de novembro seja visto como o da valorização do ser humano, sem preconceitos e sem racismo!
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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma sombra: a intolerância...

“Eles não achavam que conseguiriam fazer, mas morreriam na tentativa”. Esta frase é um trecho de uma reportagem a respeito de dois homens que pretendiam matar o candidato à presidência dos EUA, Barak Obama. Segundo o mesmo relato havia planos para a morte de mil pessoas da cor negra, além de outro plano de homicídios em massa que previa a morte de 88 pessoas negras de forma violenta e mais 14 que seriam decapitadas – tudo dentro de uma macabra estratégia com simbolismo numérico. Seria uma demonstração da “supremacia branca”.

Uma sombra que se chama intolerância seguirá pelo mundo por muito tempo. A influência nazista perdura. O ranço de intolerância entre os povos recrudesce. No momento a minoria negra da América do Norte é tida como “invasora” de um reino eminentemente branco. É a história que traz à baila os resquícios de uma página escura que o mundo quer esquecer.

A dúvida que paira é se o presidente eleito, caso seja Obama, conseguirá dirigir aquela Nação. Chegará vivo ao final do mandato? Não é possível imaginar o quanto será investido em segurança para proteger um presidente negro. Certamente será bem mais do que o montante que seria alocado no caso de vitória de um branco.

Em meio à crise global bem que teria sido bom que um assunto como esse não tivesse emergido, mas como aconteceu é momento de refletir.

Nota: Sugiro a leitura do artigo no Portal Terra e em outros similares.

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cotas para afro-brasileiros?

CDH aprova proposta que garante vagas para afro-brasileiros nos setores público e privado
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Enéias Teles Borges
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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou, nesta quarta-feira (27), parecer favorável a projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) que tem a finalidade de evitar a discriminação por raça, ascendência ou origem étnica ou racial nas relações empregatícias e de promover a inclusão de afro-brasileiros no mercado de trabalho. O texto reserva para esse segmento da população 20% dos cargos em comissão do grupo de Direção e Assessoramento Superiores (DAS) da Administração Pública e 46% das vagas em empresas com mais de 200 empregados. A proposta ainda será examinada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), na qual receberá decisão terminativa.
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A proposta (PLS 235/08) - destinada a alterar a lei que proíbe práticas discriminatórias para efeitos de admissão ou de permanência da relação jurídica de trabalho (Lei nº 9.025/95) - define discriminação por raça, cor ou origem qualquer "distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica que tenha por efeito restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de quaisquer direitos nas relações de trabalho". O projeto trata tanto das manifestações discriminatórias explícitas como das implícitas.
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De acordo com a proposta de Paim, os governos federal, estaduais, distrital e municipais serão responsáveis pela implementação de políticas voltadas para a inclusão de afro-brasileiros no mercado de trabalho e estarão autorizados a promover medidas que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para essa parcela da população. Afro-brasileiros são, pelo projeto, as pessoas que assim se classificam bem como as que se denominam negros, pretos, pardos ou de categorias análogas.
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A proposta determina ainda que 20% dos cargos em comissão do grupo de Direção e Assessoramento Superiores (DAS) da Administração Pública deverão ser preenchidos por afro-brasileiros. Essa é uma meta inicial. Tal percentual, prevê a proposição, será aumentado gradativamente até que esses cargos sejam ocupados por afro-brasileiros na mesma proporção que essas pessoas ocupam na população brasileira.
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Emenda apresentada pelo relator, senador Papaléo Paes (PSDB-AP), determina o prazo de cinco anos após a promulgação da lei para que as empresas com mais de 200 empregados tenham 46% de afro-brasileiros em seus quadros. O senador explicou que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 46% da população brasileira é composta por negros. A proposta original de Paim prevê que o percentual de empregados seja de 70% da proporção de afro-brasileiros na população economicamente ativa do estado em que a empresa esteja instalada. O texto ressalva os casos em que requisitos educacionais e de qualificação profissional sejam indispensáveis ao desempenho da função.
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A CDH também aprovou, em turno suplementar, substitutivo do senador Flávio Arns (PT-PR) a projeto do então senador Rodolpho Tourinho que define percentuais e critérios para a reserva de cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência.
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De acordo com o projeto (PLS 382/03), entre 5% a 20% das vagas de concursos públicos devem ser reservadas para pessoas com deficiência. A proposta também determina que todos os órgãos da administração pública reservem pelo menos 5% de seus cargos e empregos para portadores de deficiência. O substitutivo do senador Flávio Arns incluiu a visão monocular e a perda auditiva unilateral total entre as deficiências legalmente consideradas.
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Denúncia
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A CDH acolheu parecer do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) pelo arquivamento da petição nº 01/07, que informa e pede providências do Senado quanto ao conflito agrário no município de Lábrea, no estado do Amazonas. A denúncia foi encaminhada pela Assembléia Legislativa do Estado do Acre e, segundo notícias do jornal O Rio Branco, tal conflito gera danos aos direitos humanos dos sem-terra do Acampamento Nova Esperança, localizado naquela cidade.
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Segundo o parecer de Arthur Virgílio, a petição também foi enviada, em correspondência circular, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. O senador argumentou que o Regimento Interno do Senado veda à CDH a remessa, a qualquer outro órgão do Poder Público, de documento que lhe tenha sido enviado. Sustentou ainda que não cabe à comissão outra providência senão mandar arquivar a petição, comunicando o fato à Mesa do Senado Federal".
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Fonte: (Senado)
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Nota: o tema é mais um que trará muita discussão. Precisamos ouvir a sociedade e ponderar. Afinal isso é correto? Aguardemos...
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