Muitas
pessoas não entendem porque não gosto de festejar o meu aniversário. Lembra-se
de alguma ocasião em que convidei alguém ou que minha família tenha feito algum
convite para o meu aniversário? Não estranhem meus amigos. Sou assim mesmo.
Mas existe um motivo para este meu comportamento introvertido, que declinarei
logo adiante. Só para que façam ideia de como sou, no que tange ao meu
aniversário, ontem cheguei à minha casa depois das 23 horas, após trazer
minha filha mais nova da PUC (nas terças ela tem aula à noite, para fugir da
aula de sábado pela manhã). Minha esposa e minha filha mais velha nos esperavam
e cantaram parabéns. Um bolo com uma vela. E um presente infalível: duas
gravatas (coisa boa para um advogado, não é?). Depois disso guardamos o bolo.
Ninguém estava disposto, o cansaço era imenso. Mais foi do jeito que gosto: de
coração e de forma bem discreta.
Por que não gosto de comemorações no
meu aniversário?
No ano de
1971, quando completei nove anos, minha professora, Maria Célia Mascarenhas Ferraz,
esposa do ex-prefeito e ex-deputado Raul Ferraz, fez uma festa surpresa na
nossa escola “Centro Integrado de Educação Professor Luiz Navarro de Brito”, em
Vitória da Conquista, Bahia. Foi algo muito especial para mim e para outra
coleguinha aniversariante.
Sou de
família humilde e aquilo foi demais! Ganhei de presente uma bola de marca “chutebol”
que eu pouco usava, para que não estragasse. Foi o presente dos meus sonhos. Algo
inimaginável no meu contexto de criança simples.
Ocorre que
um dia, brincando no quintal de casa, chutei a bola e esta bateu num varal de
roupa com pontas (coisa que não se usa mais hoje) e a bola foi furada. Entrei
em desespero, não havia solução. Perdi a bola e tive a certeza, naquele
instante, que eu tinha perdido algo preciosíssimo e que jamais se repetiria:
festa de aniversário com um presente. O que de fato se confirmou, pois daquela
data até hoje eu nunca mais tive festa de aniversário, a não ser uma, de surpresa,
que minha esposa, na época minha namorada, fez para mim, no quarto do internato
do Instituto Adventista de Ensino, São Paulo, quando eu estava no último ano da
Faculdade de Teologia, no ano de 1985 (ela não sabia do meu trauma).
A realidade é bem
assim! Fiquei traumatizado! Por isso nunca gostei de festas e
surpresas no meu aniversário. Quem me conhece sabe disso e compreende. Nada de
festas, apenas cumprimentos. Assim é melhor.
Portanto: feliz aniversário para mim, neste dia 21 de setembro de 2011, quando
completei 49 anos de idade. Sirvo-me do especial momento para agradecer a
todos vocês que me desejaram felicidades.
Enéias Teles Borges