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segunda-feira, 25 de abril de 2011

O que é bacalhau?

O bacalhau tem sua origem em um peixe nobre que vive nos mares limpos e frios do Atlântico Norte cuja carne, seca e salgada, é muito apreciada na culinária internacional, há centenas de anos. O peixe se transforma em bacalhau após passar por um processo de salga e cura, onde é retirada em média 50% da sua umidade. O nome científico do peixe é Gadus Morhua. Também é conhecido internacionalmente como Cod. Com o passar do tempo, outros peixes salgados e secos também passaram a ser comercializados como o Saithe, o Ling, o Zarbo e, mais recentemente, o Cod Gadus Macrocephalus, mas atenção! apenas o Cod - Gadus Morhua é o Legítimo.

Nota: Para quem nunca viu cabeça de bacalhau vale mais esta dica. Não existe um peixe chamado bacalhau e sim a utilização de peixe (ou peixes) que é transformado em bacalhau. Seria, então, certo dizer que não existe cabeça de bacalhau?

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Religiosidade: conquista ou herança?

A atividade ou esforço de fazer prosélitos (que é a catequese ou apostolado), tem sido uma nota destacada no mundo hodierno. Tal procedimento é confundido com a essência da religiosidade. A verdadeira religião não está adstrita a um segmento religioso, sabemos disso, e sim a um povo contrito espalhado pelos rincões. Estamos falando de um povo (igreja) invisível.

A frase acima será aplaudida por muitos e vaiada por outros. Por quê?

Para aquele que se acha porta-voz da verdade esta assertiva será tida como absurda, afinal ele tem a verdade, seu grupo é o remanescente e a salvação passa (necessariamente) pela porta institucional na qual ele se congrega.

Há quem pense diferente. Entende que a verdade é patrimônio de todos. Logo a salvação será extensiva aos que militam em congregações diferentes, com base na sinceridade, méritos de um sacrifício vicário etc.

Eu confesso que não me preocupo, a priori, com isso. Penso primeiro no meu contexto cultural (religioso). A fé que julgo professar não é minha. Tenho uma cultura religiosa que me foi transmitida.

Sou fruto do proselitismo de uma instituição. Não sou único. A maioria é assim. O proselitismo é como um país. Quem nasce no Brasil é brasileiro. Quem nasce numa igreja é membro daquela instituição.

É possível mudar de cidadania? Um brasileiro poderá se naturalizar em outro país? Sim, claro. Basta seguir os preceitos exigidos por aquela nação. De igual forma um prosélito migrará para outra instituição – desde que aceite as normas de lá.

Existe, naturalmente, uma questão a ser analisada: religião é algo que se herda ou algo que se adquire? Não é interessante?

A minha reflexão para hoje é esta: como a religião chegou até você? Por escolha ou por imposição cultural?

Enéias Teles Borges - Teólogo

Postagem original: 12/02/2008
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Religião ou cultura religiosa?

Nota do Editor: inaugurei um outro blog, voltado especificamente para temas ligados à religião e/ou cultura religiosa. O blog também pinçará pontos atinentes ao ateímo. Eu diria que esse novo blog é decorrência direta dos efeitos duradouros que a faculdade de Teologia "cravou" em minha mente.

Eis o novo blog: CULTURA E RELIGIOSIDADE.

Enéias Teles Borges - Teólogo e Advogado

Postagem original: 22/09/2008

domingo, 21 de novembro de 2010

Fé, amor, religião e casamento...

Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento. (Machado de Assis)

Sempre tive Machado de Assis em alta conta. Desde que li Dom Casmurro, passei a observar o que é óbvio: Machado de Assis foi um gênio. A frase acima é prova cabal de sua genialidade. As relações que ele faz de fé com religião e amor com casamento provocam reflexões profundas. Desconsiderando deus e o diabo e pensando apenas no ser humano: não é bem assim mesmo? No lugar da fé existem os centros de difusão de crendices mil e no lugar do amor, casamentos fadados ao fracasso. É evidente que existem religiões e casamentos sérios. É claro, também que isso é a minoria. As religiões e os casamentos, na maioria das vezes, substanciam a essência do pensamento do fabuloso escritor brasileiro.

Enéias Teles Borges
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Saramago e a ficcção de Deus

“Disse o insensato no seu coração: não há Deus.” Naturalmente, esta pouco misericordiosa denegação do homem como ser de razão, ou esta terrível ironia divina – como se tivesse adivinhado, como é do seu ofício, a futura ironia do meu amigo Saramago –, é posta no livro sagrado nos lábios mesmo de Deus. Apesar deste sarcasmo divino, os homens, na sua peripécia histórica, sempre disseram no seu coração – ou tiveram a tentação de o pensar –: “Não há Deus.”

Os mais peremptórios, em épocas que o permitiam, como no século XVIII e nos seguintes, assumiam essa negação de Deus chamando-se a si mesmos “ateus”. Na verdade, foram “os homens de Deus”, ou o mesmo Deus, como o texto bíblico o testemunha [Salmo 14 (13), 1; Salmo 53 (52), 1], que primeiro se separaram dos outros homens. Ou registaram a separação, marcando-a para séculos com um sinal de fogo.

O que designamos por “ateísmo”, na sua literal acepção, significa, geralmente, mais do que o seu conteúdo dialecticamente negativo. Denota um relacionamento de grau nulo com o referente Deus. É tão impensável ou inacessível na sua ordem como a pura transcendência, que é conteúdo real ou imaginário de Deus. Ser ateu é só ser e estar “sem Deus”. Perspectiva tão vertiginosa como a que a referência a Deus assinala, sob o modo de uma “ausência” tão impensável como a de Deus e não menos “abscôndita”, só que mais dolorosa, que a da presença das presenças. Ou, em termos de mera lógica humana, alguém que abdicou ou não encontra na ordem da existência, cósmica ou humana, qualquer razão ou motivo para lhe atribuir, na plenitude do termo, o que chamamos sentido e, muito menos, o Sentido de todos os sentidos.

Considerou-se ateu Espinoza porque, de maneira clara, assimilou Deus à Natureza, mas para outros, entre os quais Unamuno, passou por um “ébrio de Deus”. Tanto na tradição como na óptica moderna, considerou-se ateu e deve assim ser considerado o sujeito para quem “o nome” e, sob ele, a mesma ideia de Deus – não o seu conceito – não tem sentido algum. Embora, não sem pertinência, houvesse mais motivos para designar como “ateu” quem, precisamente, tivesse a pretensão de objectivar, ou de conceber claramente, o que ele mesmo chama Deus.

Nesse sentido, não haveria ateus mais perfeitos que os chamados teólogos, pelo menos os clássicos – anteriores a Karl Barth –, que sabiam tudo de Deus, ou que sabem tudo de Deus. José Saramago, autor de “Memorial do Convento” e do tão discutido – embora a meu ver não suficientemente discutido – “O Evangelho segundo Jesus Cristo”; proclamou-se simples e naturalmente ateu. Já veremos que, como Espinoza, é também unamunescamente, e à sua maneira, um “ébrio de Deus”. Quer dizer, uma das poucas criaturas que ainda se passeiam pelas ruas desertas deste mundo, que está solicitando de novo os anjos, como num filme de Wim Wenders, atento à interpretação que o estado do mundo, a memória do seu percurso, os enigmas da vida e os labirintos do desejo lhe provocam, decidido a converter toda a sua experiência em construções fabulosas para uso de uma Humanidade sem deuses nem Deus mas que só através delas se pode redimir.

O singular propósito de Saramago, o de inventar uma máquina de sonhos – de que o “Memorial...” pode ser o símbolo –, é a sua resposta a um mundo onde a imemorial utopia do Bem, nas suas versões antigas ou modernas, produziu frutos envenenados, o que deve ser refeito por uma espécie de nova Criação sem mais criador que a vontade humana, ou antes, a constelação mágica dessas vontades diversas actuando como se fossem uma só.

Para justificar esta nova leitura da aventura humana numa perspectiva ateísta não precisamos sequer de a filiar na longa história ocidental da contestação dos deuses ou de Deus que atravessa essa história como gesta da revelação cristã. E muito menos de a relacionar com a versão nietzschiana dessa contestação, tal como “O Anticristo” do autor de “Zaratrustra” autêntica e brutalmente a assumiu. Há no nosso mundo hispânico, ostensivamente crente, católico a “macha martillho”; como dizia Menéndez Pelayo, uma maneira de ser naturalmente ateia. Vejamos em que sentido.

Assim como Tertuliano dizia que a alma era “naturaliter christiana”, também a do autor do “Memorial...” ou de “A Segunda Vida de Francisco de Assis” e, sobretudo, do controverso “Evangelho...” é superlativamente ateia. Quer dizer, com um tal excesso que não só não esconde a ferida de onde nasce como um exorcismo como vive dela. A sua “cruzada contra Deus”, a espécie de western metafísico implacável em que a converteu, é filha de uma funda vivência, de uma humaníssima vulnerabilidade frente à universal e aterradora presença do Mal. Não tanto do chamado mal metafísico ou ôntico (se tal é possível), do mal como rosto humano. Não seria arriscado pensar que a manifestação desta presença – para além da sua vivência entre os outros – tenha adquirido a seus olhos a figura de um anti-Deus e, em seguida, de um não-Deus diante da ficção comum da Humanidade que chamamos História. Escrevo com maiúscula porque foi – parece-me – nesse espelho monstruoso e sublimado do nosso destino que os avatares do Mal adquiriram para ele esse estatuto mítico. Mas também porque no seu propósito de lutar contra as mais recorrentes formas do Mal – a injustiça, a prepotência, a opressão, a crueldade, o menosprezo da condição humana – foi na História como narrativa dos males, e sobretudo dos Males apresentados como Bens, que a sua imaginação banhou para inventar, através da sua revisitação, uma contra-História ou uma a-História. Aquela que é o palco onírico dos seus sonhos verdadeiros, os de Blimunda, de Bartolomeu, de Lídia, do mesmo Jesus de Nazaré.

José Saramago não foi o primeiro homem que leu esta história com assombro e com horror, como se fosse inventada – por um Hitchcock mais sádico do que o verdadeiro – para tirar o sono à Humanidade para sempre. Mas foi alguém que a leu como se fosse a primeira vez, que é assim que se lêem os livros que nos lêem. E então pensou e sentiu sem fim que Deus não se saía muito bem deste passo, remetendo para a culpa a responsabilidade dos males e do Mal para os sonhos dos homens, do Homem. Stendhal resolvera, em tempos, a questão por sua conta, mais lógica mas talvez menos profundamente, escrevendo que não se podia culpar Deus dos horrores de que a História está feita, porque não havia sujeito de culpa. Segundo ele, o Mal não tem sujeito por trás.

Saramago, mais sensível e português nisso, exigiu com todas as forças do seu coração e da sua vontade um Deus que assumisse os males que a narrativa bíblica imputa à desobediência humana e que um Deus bom devia ter impedido. Não são elucubrações teológicas as de Saramago – embora o autor do “Memorial...” seja um “teólogo” espontâneo –, mas apenas exigência existencial, resposta, se não grito de culpado inocente que inverte e subverte a essência do conto sagrado, substituindo-o por um conto puramente humano. Para isso, paradoxalmente, necessita daquele Deus em que não crê, como utopicamente se diz, mas em que crê superlativamente em termos de ficção, para dar sentido – e mesmo tornar possível – o processo de Deus como referente supremo da História. Quem pode separar o Deus da ficção da ficção de Deus?

Fonte: (snpcultura)

Enéias Teles Borges
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Desespero, revolta e aceitação

Pergunto: você já passou pelo desespero, pela revolta e vive o momento da aceitação? Nem imagina o que seria isso? Consideraria, ao final, esse texto como sendo oriundo de uma mente insegura? Você faz parte do imenso rol daqueles que fogem quando são emparedados pela realidade? Ou crê que essa última pergunta é sem sentido?

Convido-o à leitura do que está contido no blogue “Cultura e Religiosidade”.

Enéias Teles Borges
Postagem Original: 29/09/2008
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sábado, 25 de setembro de 2010

Religiosidade e cultura religiosa

Tenho detectado resistência de muitos, quando diferencio religião de cultura religiosa. Produzi um texto com esse tema (Religião ou Cultura Religiosa?). Recomendo a leitura daquela postagem que será incrementada com o que digitarei adiante.

Para entender religião, em especial o Cristianismo, precisaremos nos ater a três verbos: garantir, acreditar e doutrinar.

Uma religião ou segmento religioso precisa GARANTIR a salvação aos fiéis. O objetivo principal da membresia é, de fato, a salvação ou, em outras palavras, a migração desse mundo finito e tenebroso para o mundo eterno e maravilhoso. A religião, portanto, garante aos fiéis a salvação e tal salvação remete ao segundo verbo.

Uma religião ou segmento religioso precisa ACREDITAR naquilo que difunde. Estamos falando de um credo. Cada grupo religioso tem um credo diferenciado e é nessa divergência de credos que encontramos a explicação para o número imenso de segmentos que se arvoram à condição de únicos portadores da “verdade verdadeira”. A religião, evidentemente, GARANTE a salvação, mas é necessário que se ACREDITE no credo proposto. O credo é o caminho para a graça, que no caso do Cristianismo é oriunda de Jesus e dos seus méritos (justiça imputada). Do exercício dos dois verbos, garantir e acreditar, nós somos remetidos ao terceiro verbo.

Uma religião ou segmento religioso, que GARANTE e que ACREDITA, não pode guardar apenas para seus membros as “boas novas de salvação”. Não basta garantir a salvação aos que acreditam. Novos prosélitos precisam ser captados. O verdadeiro fiel religioso GARANTE, ACREDITA e DOUTRINA. A membresia convicta da garantia da salvação, por acreditar no credo, vê-se impelida a doutrinar. Chamam o doutrinamento de obras da fé (frutos do espírito ou o realizar de Cristo nos atos humanos – isso no Cristianismo). É o trabalho incessante do que tem a garantia da salvação, por acreditar na mensagem que abraçou e que se sente no dever de doutrinar aqueles (muitos) que “estão nas trevas”. Todo aquele que não compartilha do credo é ser humano que precisa ser resgatado do “império da maldade”.

Depois do entendimento do que é religião (na prática), entendimento esse que compreende a convicção e o conhecimento do credo e de tudo o mais que a tradição daquele contexto religioso produziu, é possível, facilmente, diferenciar “religião” de “cultura religiosa”. Como? De forma bem simples: acima ficou claro como funciona a prática no mundo da religião. Na cultura religiosa não é possível conjugar de forma eficiente aqueles três verbos. Melhor dizendo: não é possível viver tais verbos. O religioso crê porque conhece e por conhecer é que garante a salvação. Por conhecer e crer no credo difunde, de forma consistente, a história do seu segmento religioso (a começar da criação humana até a glorificação no outro mundo – aquele mundo eterno).

O que possui tão somente a cultura religiosa não garante, porque não conhece o credo e por não conhecer o credo, como seria possível doutrinar? Em resumo o que se pode dizer é cristalino e, portanto, de fácil entendimento. O religioso é um convicto, pois sua crença está sedimentada no conhecimento e na fé que advém de tal conhecimento. Aquele que possui a cultura religiosa é um alienado, que só está ali por circunstâncias da vida. Está ali porque foi colocado. Nunca entrou, pois sempre esteve ou, melhor dizendo, nasceu no contexto. Nada pesquisou, nada sabe. Porta-se como papagaio da fé que segue, a vida inteira, difundindo, de forma fugaz, uma luz que imagina possuir.

É claro que um ferrenho seguidor da cultura religiosa poderá se transformar num ferrenho religioso. Basta que ele entenda (na essência) os verbos garantir, acreditar e doutrinar.

Fonte: [Cultura e Religiosidade]

Enéias Teles Borges
Postagem original: 15/04/2010

segunda-feira, 17 de março de 2008

Culturas afro-brasileira e indígena

Publicado no Diário Oficial da União de 10/03/2008 (colaboração da professora Edleuza Teles - via mensagem eletrônica):

Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.

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