domingo, 28 de novembro de 2010

O que Jesus disse? O que Jesus não disse?

QUEM MUDOU A BÍBLIA E POR QUÊ? (É minha dica de leitura para os amigos. Sabemos que uma maneira correta de avaliação do conteúdo de uma obra é via leitura (estudo) sem paixão. É propósito deste blog o permanente convite à reflexão e sendo assim devo indicar a leitura deste trabalho de BART D. EHRMAN, tido como a maior autoridade em Bíblia no mundo. É claro que muitas pessoas não concordam com esta assertiva nem com seu produto final. Pergunto: quem mais, além de você mesmo, poderá fazer uma análise justa? Tal análise só será possível com um estudo diligente e sem preconceito. Considero a obra uma leitura imperdível).

Pontos importantes em destaque: (1) o que foi mudado ao longo do tempo na Bíblia, (2) os erros das adaptações e traduções e (3) os interesses da Igreja nas diversas épocas.

A sinopse: ao ler o Novo Testamento, as pessoas pensam estar lendo uma cópia exata das palavras de Jesus ou dos escritos de seus apóstolos. Contudo, por quase mil e quinhentos anos, esses manuscritos foram reproduzidos por copistas profundamente influenciados pelas controvérsias políticas, teológicas e culturais de seu tempo. Tanto os erros quanto as mudanças intencionais são muitos nos manuscritos subsistentes, dificultando a reconstituição das palavras originais. Este livro mostra a história que está por trás das alterações que eclesiásticos, políticos e copistas ignaros fizeram no Novo Testamento, causando um impacto enorme na compreensão e interpretação da Bíblia que temos hoje.

Um livro para leigos, teólogos, historiadores...

Fonte: (Causa Sonora)

Enéias Teles Borges

Publicado anteriormente: 17/03/2008
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Conhecimentos e crenças

“É muito difícil possuir conhecimentos e muito fácil adquirir crenças”. (Gustavo Le Bon).

Alguém poderá dizer que é contra a complicação e adepto da simplificação. Essa mesma pessoa poderá afirmar que a beleza da crença está justamente em sua simplicidade, questionando quem procura se cercar de conhecimentos para fortalecer ou negar a mesma fé.

É natural que a massa opte pelo que é mais fácil, assim como é natural que o rio corra para o mar. Parece bem mais lógico. Mas no “campo” das idéias o que parece correto: optar pelo conhecimento ou pela crença? Podemos afirmar que tal crença, sem o efetivo conhecimento, tem valor? Podemos asseverar que partir do conhecimento para a crença é o caminho a ser trilhado?

A opção da maioria para o que é mais simples tem criado legiões imensas de prosélitos. Pessoas que crêem conforme a necessidade ou conveniência. O conhecimento pode trazer uma decepção. Há quem opte pela ilusão, para fugir do desapontamento. Há quem busque o conhecimento para que não tenha decepção. Há quem prefere o amargor da decepção ao doce amparo da ilusão.

Isso quer dizer que crença é ilusão? Não é bem assim. De igual modo não podemos dizer que crença é a verdade.

Como chegar à verdade ou aproximar dela? Ao que me parece o único caminho é aquele que conduz ao conhecimento.

Adquirir conhecimento é difícil. Requer quebra de preconceitos. Requer coragem. Requer rompimento com a tradição. Requer disposição para ser solitário. Requer reflexão. Requer força para suportar eventuais dores. Requer muito mais...

A crença é fácil. Basta querer acreditar. Basta não questionar o que é apresentado. Basta seguir o caminho apontado por outros. Basta apenas permitir que alguém conduza os passos. Bastam mais posturas de aceitação...

Adquirir conhecimento requer rompimento com a alienação? A crença faz da alienação uma arma poderosa?

No final pode acontecer uma grata surpresa: o palmilhar do conhecimento nos conduzir ao mesmo lugar no qual se encontra aquele que simplesmente optou por crer. Pode ser que não exista uma grata surpresa. Pode ser que haja, apenas, a verdade, nua e crua.

Quem, no fim, estará preparado para conviver com possível verdade desagradável: o que busca conhecimento ou aquele que se sustenta nessa crença?

No que tange à verdade não adianta fugir. “Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”. A verdade não faz pacto com as pessoas (nem com o crente) ela simplesmente é!

Enéias Teles Borges
Publicação original: 04/06/2008
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A pomba como símbolo da paz

A alegoria da pomba branca como mensageira da paz está em passagens da Bíblia. Um desses episódios é narrado no capítulo 8 do Gênesis, primeiro livro do Velho Testamento. Noé, que esperava na arca o fim do dilúvio, mandou um animal mensageiro para ver se as águas haviam baixado.

O primeiro escolhido foi o corvo, que ficou voando para lá e para cá – e perdeu a oportunidade de ganhar a simpatia da humanidade. Então Noé enviou uma pomba. Na primeira viagem, ela não encontrou nenhum lugar para pousar. Sete dias depois, foi novamente solta e retornou com um ramo de oliveira no bico. Isso, de acordo com a narrativa bíblica, simbolizava a paz entre Deus e os homens. "Além disso, o ramo de oliveira significava também garantia de alimento, de remédio e da bênção divina", diz o teólogo Tércio Machado Siqueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Há também citações à pomba nos Evangelhos. Assim que Jesus foi batizado, o espírito de Deus desceu sobre ele em forma de uma pomba. Desde então, a pomba é associada ao Espírito Santo. Apesar de não haver menção da cor dessas pombas na Bíblia, os costumes da época explicam por que, nas representações, elas sempre são brancas.

"A pomba era muito usada por judeus pobres em sacrifícios. O animal não poderia ser pintado ou doente, deveria ser branco", afirma Siqueira.

[Superinteressante]

Nota do Editor: Não é exatamente de símbolos que a humanidade precisa agora. Não basta a existência de um símbolo da paz, aceito de forma unânime pelos povos ou não. Importa mesmo é a paz efetiva, pelo menos a paz de espírito. A paz tão desejada afasta-se do homem moderno de forma constante. A guerra em seus nefastos sentidos insta em tomar o seu lugar...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 16/01/2009
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Aeroporto de Congonhas

Tem sido um pesadelo para quem o utiliza e para quem mora nas suas imediações. Agora virou tormento para quem passa de carro pela Avenida Washington Luiz. Eu sou um dos que esporadicamente o utiliza para viagens e constantemente transito por ali. Por volta das sete da manhã passo em direção ao trabalho e à noite, quando retorno para casa. Péssimo roteiro, mas é “menos pior” que as marginais.

Nessa semana tivemos um ingrediente especial. Um pequeno avião derrapou na pista, durante o procedimento de decolagem e ficou ali, no canteiro, à vista dos que passavam pela Washington Luiz. Vítimas? No avião não houve. O trânsito ficou terrivelmente indescritível!

Nenhuma via foi fechada, mas o avião dependurado atiçou a curiosidade dos transeuntes e o gargalo ficou horroroso! Dirigi-me de volta à minha casa pelas marginais e fui um felizardo naquele dia: gastei “apenas” duas horas e meia para chegar em casa.

Temo que Congonhas terá sempre uma história trágica para contar. Infelizmente o que digito está longe de ser inverdade. Parece tudo uma questão de tempo.

É época de eleição e andei pensando em algo: aquele que demonstrar algo mais consistente para a solução do caos no trânsito paulistano merecerá meu voto. E mais: Congonhas precisa estar centralizado nesse tal projeto.

Enquanto isso vamos aguardar. Que o famoso e sobrecarregado aeroporto não nos cause mais episódios desagradáveis.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 05/09/2008
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sábado, 27 de novembro de 2010

Professor aloprado? Alienado?

O professor falava aos alunos do ensino médio e também os aconselhava. Não deveriam ler determinado livro. A obra em questão era a sensação do momento. Muitos alunos daquela classe já a tinham lido e outros pretendiam lê-la.

Por razões que diziam respeito ao proselitismo naquela instituição confessional, de tradição milenar, o professor insistia em dizer que aquela publicação só traria malefícios ao eventual leitor.

Os alunos notaram, pela forma como professor defendia seu ponto de vista, que ele não tinha separado um tempo para a leitura daquele material. Seu arrazoado era fundado em opiniões de terceiros.

Um aluno, educadamente, perguntou: “professor, o senhor leu o livro?”. Resposta: “não”. De novo o aluno: “como então pode dizer que é ruim?”

Notem que esse tipo de questionamento é natural entre os adolescentes.

O professor, para finalizar o assunto, respondeu: “não preciso usar drogas, para saber que fazem mal...”.

Frase dita com firmeza, cara feia, para que não houvesse mais questionamento!

O que fazer nessa situação? Nem entro no mérito para dizer qual era o livro: seria “O Código da Vinci”? Ou “Senhor dos Anéis”? Ou “Harry Potter”? Qualquer outro?

Atenho-me (apenas) a esse tipo de resposta. Cômica ou trágica?

Os alunos, por inexperiência, propõem questões de forma contundente, mas sem eficácia. A maneira como a pergunta é formalizada permite a esse tipo de educador a oportunidade de mostrar sua face – que precisa ser repudiada. Às vezes é a fisionomia da truculência, mesmo que com aparente respeito.

Imaginem se a pergunta fosse mais ou menos assim: “professor, com todo o respeito, quero lhe fazer uma pergunta, sabendo que não receberei uma resposta do tipo não preciso fumar, para saber que provoca câncer; e sim que terei uma resposta edificante, à altura de sua condição de professor: o senhor leu o livro”?

Tudo no bom humor, certo? Mas existiria outra maneira de formalizar essa pergunta ao “professor aloprado”? Vamos esclarecer o termo aloprado? “Amalucado”, “adoidado” ou “desatinado”.

Professor aloprado? Ou seria um alienado apesar de se julgar convicto?

É preciso entender os adjetivos citados: convicto é aquele que tem certeza de algo, que foi convencido, que foi persuadido. Tal convicção requer fundamento para que seja fixada na mente e adotada na vida. Alienado é aquele que voluntariamente ou não se mantém distante das realidades que o cercam.

A questão é: por que muitos educadores disseminam idéias que não lhes pertencem? Por que não fazem uma crítica de conteúdo? Como conseguem ter a coragem de repassar para seus alunos algo que não conhecem, com base na opinião de terceiros?

Um dia (faz tempo) eu ouvi de um professor uma frase que me causou imensa decepção. Eu esperava mais daquele professor. Ele tinha envergadura suficiente para apresentar uma resposta de mestre. Era uma questão técnica. O que eu ouvi? “Assim recebi, assim transmito”. Algo como “vender o peixe” pelo mesmo preço que pagou.

Uma resposta assim fica como “a sombra da decepção” na vida de um aluno.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 12/03/2008
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Eu quero crer

Hoje eu li duas postagens interessantes. Uma saiu do blogue do Michelson Borges e tem um título sugestivo: "Precisamos ver com os olhos e com o coração". Ele fala, com razão, que ateus, agnósticos e céticos leem as mensagens publicadas em sua página. É verdade. Sou agnóstico e as leio com frequência. Chamo especial atenção para um parágrafo que foi postado por ele:

"Sei que muitos ateus, agnósticos e céticos leem este blog, por isso apelo para que você (caso seja um deles) abra não apenas a mente (olhos e ouvidos), mas o coração também, e dê uma chance para Deus. Sei também de incrédulos que pedem sinais e milagres, a fim de que possam crer. Mas será que creriam mesmo, caso lhes fosse concedido o que dizem querer, ou racionalizariam até mesmo o maior dos milagres? Por que realizar milagres específicos na vida de quem não confia, já que este não atribuiria isso a Deus? Por isso se diz, numa inversão do dito popular, que é preciso crer para ver."

Sugiro a leitura completa do texto, teclando [aqui].

Eu quero crer!

Eu quero milagres e diante deles abrirei meus olhos para ver e o meu coração (mente) para receber...

O segundo texto que li hoje foi escrito pelo blogueiro Ebenézer Teles Borges, que trouxe um título objetivo, que é "Haiti - Sem piso e sem teto" e ele, Ebenézer, postou um parágrafo interessante que reproduzo aqui:

"E já que falei em religião e igrejas, lembro-me que Deus é, na Bíblia, apresentado como o protetor dos pobres, das viúvas e dos órfãos. O Haiti é hoje, por excelência, a terra dos pobres, das viúvas e dos órfãos, um "prato cheio" para Deus. A imprensa está lá, fazendo o trabalho dela e buscando audiência; as igrejas estão por aí, aproveitando-se igualmente da crise para incrementar suas fileiras de adeptos. E Deus, onde está? O que anda fazendo? Sei alguma coisa sobre as instituições humanas, sobre como o mundo funciona, mas admito desconhecer os caminhos, interesses e intenções divinos. Penso, contudo, que se Ele quisesse, poderia se aproveitar também desse momento de luto para revelar ao mundo sua velada face de amor. Os pobres, as viúvas e os orfãos do Haiti certamente ficariam muito agradecidos se Deus fosse hoje, para eles, "socorro bem presente nas tribulações", como afirma o salmo bíblico."

Sugiro a leitura completa do texto, teclando [aqui].

Eu quero crer. Quero abrir olhos e coração.

Acredito que esse momento, em que os olhos e coração do mundo, estão voltados para o Haiti, é o momento certo, uma "plenitude dos tempos" ideal para o milagre com 100% de acompanhamento pelo mundo composto pelos que creem, por ateus, agnósticos e céticos. Que milagres sejam operados em favor dos pobres, órfãos e viúvas do Haiti! Que os milhares de mortos voltem à vida e se maravilhem com o grande milagre! Que o mundo veja e aceite! É o momento! É a hora!

Eu quero crer! Eu quero acreditar!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 17/01/2010
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Criando deuses e ideias

O livre-pensador, aquele que forma as suas opiniões independentemente de autoridade ou tradição, especialmente em questões de religião, leva imensa vantagem, se assim podemos dizer, em relação aos que preservam um mínimo de ortodoxia, notadamente no que tange à interpretação e à exegese de livros religiosos antigos. O livre-pensador sente-se à vontade para criar e imaginar divindades.

Fato significativo é que o livre-pensador tem duas vertentes a seguir e essas duas "infimas" vertentes fecham de tal mandeira o cerco, que ninguém consegue vencer um livre-pensador no contexto das regras que ele reserva para si.

A primeira vertente é dizer que o homem criou deus. Isso porque existem "n" variações de divindades que são apresentadas dentro das inúmeras regras dos muitos credos. Todas as variações são criaturas humanas.

A segunda vertente é dizer que o homem criou a ideia de deus. Parece jogo de palavras, mas são vertentes que levam a caminhos diferentes. Podem até se iniciar no mesmo ponto, mas seguem em rumos diferentes e jamais se reencontrarão. Uma coisa é criar um ser que possa ser dimencionado e imaginado e outra e criar uma ideia subjetiva ao extremo.

Fecha com "chave de ouro" ao dizer que mesmo deus sendo criado pelo homem, ou a ideia de deus ter origem igualmente humana, deus sempre existirá, de alguma dessas duas formas ou de mais uma, ainda não captada pelo homem.

Não é bom ser livre-pensador? Existe maneira melhor de criar deuses e ideias?

Que o livre-pensador não seja confundido com o agnóstico. Aí seria demais...

Enéias Teles Borges - Autor
Postagem original: 13/06/2010
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O ideal e o real

Eu quero o ideal, mas ao meu alcance só existe o real. Muitos dizem que a realidade não é o que parece. Eu creio que a realidade sempre será a realidade. O problema é que as pessoas se recusam a vê-la e depois dizem que ela não é o que parece. Para os que querem o ideal, e tentam transformá-lo no real, sempre haverá o problema de não se enxergar o real e ainda assim dizer que o real não é o que parece.

O mundo real está aqui e agora. O mundo ideal faz parte do universo dos desejos. O ideal só se transforma em real nos olhos dos que possuem a fé no futuro místico. Para quem aceita o mundo real basta abrir os olhos para realidade. Para o que só quer o mundo ideal basta abrir os olhos da fé.

Só com fé é possível acreditar na existência de um mundo ideal e futuro. Só com fé. A questão é que a fé é simplesmente isso: fé. Fé não é certeza.

Certeza só existe no mundo real. O mundo real pode não parecer o que aparenta, mas o é, mesmo sem aparentar.

Enéias Teles Borges - Autor
Postagem original: 18/02/2010
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Existem erros na Bíblia?

Os cristãos, ao longo dos séculos, têm aceitado a Bíblia Sagrada como a Palavra da verdade. Porém, especialmente desde o Iluminismo no século 17, muitos estudiosos afirmam que a Bíblia contém uma variedade de erros – equívocos doutrinários, erros científicos, contradições, discrepâncias relacionadas a nomes e números, bem como linguagem imprecisa. Antes de analisar essa ideia, precisamos compreender qual é a origem da Bíblia. De acordo com o próprio testemunho das Escrituras, “toda a Escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3:16). Pedro afirmou que “nenhuma mensagem profética veio da vontade humana” (2Pe 1:21, Nova Tradução na Linguagem de Hoje). Essa verdade não se limita ao Antigo Testamento, porque os apóstolos consideravam sua mensagem como possuindo autoridade divina. Paulo, por exemplo, escreveu: “Ao receberem de nossa parte a palavra de Deus, vocês a aceitaram, não como palavra de homens, mas conforme ela verdadeiramente é, como palavra de Deus” (1Ts 2:13, Nova Versão Internacional).

A Bíblia foi dada por inspiração de Deus, mas os escritores bíblicos não foram meramente a pena ou caneta (instrumento de escrita) de Deus, e sim verdadeiros autores. Em outras palavras, eles escreveram os 66 livros da Bíblia usando seu próprio estilo pessoal, linguagem e forma de pensar – mas tudo sob a direção do Espírito Santo. Todos os livros da Bíblia, portanto, carregam as marcas da autoria humana. Podemos considerar isso como “o rosto humano da Bíblia”.

Texto completo em Michelson Perguntas.

Nota: Muitos creem que a Bíblia é a palavra de Deus. Neste caso ela, necessariamente, tem que ser infalível e muitos interpretam de um jeito a mostrar que ela não falha. Para outros ela contém a palavra de Deus. A maneira de interpretar muda, lógico...
 
Enéias Teles Borges
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Deus e o sofrimento

Depois de um acidente de mergulho, como uma pessoa lida com um dano na coluna vertebral, com sentimentos de tristeza e desespero e encontra esperança.

Por Stacy James

Quando estava no último ano da faculdade, sofri um acidente de mergulho que me deixou paralítica do pescoço para baixo. Em um piscar de olhos, meu mundo mudou para sempre. Eu deixei de ser uma aluna extremamente ativa na faculdade e passei a ser alguém que nunca mais faria as coisas que eu adorava: correr, dançar, girar o baton, e tocar piano e guitarra. Eu planejava ser uma missionária e dedicar a minha vida a serviço de Deus. Como Ele pôde deixar que isso acontecesse comigo?

Freqüentemente, estava deitada na cama e chorava, chorava porque estava presa num corpo que não podia mais controlar, chorava porque estava alienada e afastada dos meus amigos, chorava porque achava que os médicos eram obrigados a solucionar o meu problema. Eu ficava irada quando alguns médicos pareciam tão penalizados e preocupados com a minha situação, e envergonhada com os olhares dos outros alunos da faculdade quando eu passava de cadeira de rodas pelo corredor.

Eu havia lido na Bíblia que Deus diz que nunca nos abandonaria, se nos voltássemos para Ele. Mesmo estando desesperada, eu sabia que ainda havia esperança porque Deus me amava e continuava tendo planos para minha vida. Era minha escolha acreditar naquilo e deixar que Ele passasse por aquela situação difícil comigo, ou ficar amargurada e com raiva Dele. Eu escolhi segui-lo, mesmo que os meus sentimentos não concordassem necessariamente com a minha decisão naquele momento.

Geralmente, quando coisas ruins acontecem conosco, ficamos tentados a duvidar do amor de Deus por nós: "Deus, se você me amasse, não me deixaria sofrer assim". Eu aprendi que não podemos deixar que as situações determinem o amor de Deus por nós. "Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele" (1 João 4; 9). É para isso que devemos olhar quando formos determinar o amor de Deus. Não para nossas bênçãos ou para a ausência delas.

Eu aprendi que o amor não significa ausência de dor ou problemas. Deus freqüentemente usa essas muitas coisas para nos ajudar a amadurecer e crescer. A vida é e continuará a ser difícil. Eu ainda experimento as complicações do meu acidente, e muitas pessoas que amava já partiram. A natureza da vida é uma mistura de coisas boas e ruins. Estou aprendendo a aceitar isso mais e mais enquanto vou vivendo.

Deus também nos dá a liberdade de ficarmos magoados e de chorarmos. Não expressar nossos sentimentos é o mesmo que acumular dor, o que eventualmente resultará em caminhos possivelmente destrutivos. Quando sofremos, precisamos de tempo para passar através da perda ou da crise, para expressar nosso sofrimento da maneira correta. Não temos que fingir que está tudo bem e nem usar máscaras, principalmente com Deus. Ele nos criou e sabe exatamente o que sentimos. Eu ainda levo meus questionamentos e sentimentos a Deus em oração, e para amigos íntimos, quando preciso de alguém com pele.

Deus também promete uma esperança para o futuro. Quanto mais convivo com os problemas da lesão na minha coluna, mais sonho com o dia em que voltarei a andar, quando estiver no céu. Ele criou para nós um lugar onde não haverá mais choro, dor, doença nem morte.

No dia de hoje, não estou amarga por causa as circunstâncias da minha vida. Eu vi a bondade de Deus, me tornei uma pessoa mais forte e, particularmente, eu prefiro estar numa cadeira de rodas, mas conhecer a Deus, do que ser uma atleta profissional multi-milionária, mas ter que passar uma eternidade longe dEle.


Nota: Como sabem, sou agnóstico teísta. Faço questão, porém, de trazer as mais variadas formas de pensar para este espaço que cultivo aqui. Podem ser teístas, ateístas, agnósticas... Como meu fito é um convite permanente à reflexão, nada melhor do que propor múltiplas formas de ver a vida...

Enéias Teles Borges - Editor do Blogue
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Os dois papagaios...

Imaginem a seguinte ilustração:

Existiam dois homens que gostavam do mar. Um se tornou almirante e o outro um pirata. Os dois ficaram ricos. O almirante tinha o comportamento de um lorde e o pirata comportava-se de forma a contrariar os padrões estabelecidos pela sociedade.

Um dia o almirante resolveu comprar um papagaio e tinha que ser novo (um filhote). Ele queria ensinar-lhe a falar e a se comportar. Seria seu companheiro de viagem.

Por coincidência o pirata pensou da mesma forma e se dirigiu ao mesmo local onde existiam pássaros à venda.

O pirata chegou primeiro e vendo que existiam dois (à disposição) comprou um. Perguntado qual deles queria ele respondeu: “tanto faz”. O vendedor lhe entregou o que estava mais perto da mão.

O almirante, que já tinha chegado, comprou o papagaio que restou.

Os anos passaram e os papagaios cresceram ensinados pelos respectivos donos.

Quando estavam em terra o almirante e o pirata andavam com seus respectivos pássaros nos ombros.

O papagaio do almirante sabia “falar” e o fazia com classe. Palavras bonitas. Treinado, que foi, ao avistar uma mulher dizia logo: “oi madame”! As pessoas ficavam maravilhadas. O papagaio do almirante era um amor. As pessoas diziam: “que belo papagaio!” E mais: “que educação!”.

O papagaio do pirata também sabia “falar” e o fazia igual seu dono. Palavras grosseiras. Treinado, que foi, ao avistar uma mulher emendava um palavrão. As pessoas ficavam indignadas. O papagaio do pirata era um horror. As pessoas exclamavam: “que papagaio nojento!” E mais: “que falta de educação!”.

Vamos refletir? Antes...

Eram dois homens da mesma idade e que resolveram se casar (cada um com uma mulher, claro). Um tornou-se um empresário cujo norte era a ética. O outro não estava preocupado com ética ou qualquer outro preceito moral. Queria viver cada dia do jeito que fosse possível.

Aquele que era ético criou o filho que teve dentro deste padrão de respeito e moral. O outro criou o filho que teve a seu modo, isto é, não estava preocupado com qualquer padrão civilizado.

O filho do pai ético cresceu e se formou médico. Um exemplo. Bom casamento, boas amizades, dinheiro, paz...

O filho do desvairado cresceu e virou bandido. Péssimo exemplo. Não se casou. Juntou-se com várias mulheres e às vezes com mais de uma ao mesmo tempo. Amizades oriundas do crime, dinheiro conseguido com violência. Não tinha paz...

Todos diziam que o médico era um homem de verdade. Todos diziam que o bandido deveria morrer. Bandido bom é bandido morto!

Vamos refletir?

Como é na vida? Pensemos no que ocorre na maioria das vezes. Reflitamos à luz da regra geral. O que acontece menos não é o objeto deste texto. Fiquemos com a massa, com a “esmagadora” maioria.

Por que alguns são bons e tidos como exemplo para a sociedade? Por que muitos são ruins e considerados como uma maldição social?

Já paramos para pensar que o que nos tornou bons ou ruins foram as circunstâncias? Eu estaria tomando o caminho do absurdo ao refletir assim? É mesmo?

Será que as pessoas boas seriam exemplares se tivessem nascido sem alguns favorecimentos da vida? Será que sem as oportunidades que tiveram teriam um comportamento ético salutar?

E os desventurados? Caso tivessem tido uma vida dentro do regramento e possibilidades sociais seriam “maus”?

Somos frutos do contexto?

Penso muito nisso tudo. Por que sou o que sou? Por que sou religioso? Por que sou cristão? Por que não sou ateu? Por que não sou de outra fé não cristã? Por quê?

E se meus pais tivessem se enveredado por outro caminho o que eu seria?

Voltando aos papagaios:

Uma coisa eles tinham em comum, mesmo sendo um do almirante e o outro de um pirata: os dois eram papagaios!

Não é? Imaginem se o pirata tivesse criado o outro e o almirante aquele que era do pirata...

Eram aves condicionadas por seus donos. Elegantes ou grosseiros, uma coisa é real: ambos eram papagaios!

E na vida? Papagaios humanos? Podemos nos orgulhar ou nos envergonhar dos filhos que temos? Eles não seriam frutos do que lhes oferecemos? Podemos nos julgar bons ou maus? Podemos julgar as pessoas tendo como base as oportunidades que tivemos e sem considerar aquelas que elas não tiveram?

Idealizei essa ilustração com o propósito de fazer mais um convite à reflexão. Afinal somos convictos ou aliendados?

Enéias Teles Borges

Postagem original: 26/02/2008
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A ignorância é atrevida...

Meu saudoso professor de grego, Pedro Apolinário, costumava dizer, para os alunos de Teologia, que "a ignorância é atrevida". Ele queria dizer que o ignorante, no exercício pleno da ignorância é atrevido. O ignorante está errado e ainda assim se posta como correto. Atua, inclusive, com imensa arrogância.

Recentemente recebi uma mensagem eletrônica de um indivíduo que se dizia meu contemporâneo, nos idos tempos da faculdade de Teologia. Disse, inclusive, que eu o lembrava de Lúcifer, que outrora fora um anjo de luz e hoje é o que é. Quer dizer: ele estava me julgando, sem ao menos saber de minhas particularidades. De fato um ignorante, no que tange à minha vida atual. Efetivamente a ignorância é atrevida! No caso em tela além de atrevida é covarde. Tal contemporâneo me enviou mensagem como anônimo, via caixa postal que indicava algo parecido com iniciais, não era um nome...

Sigo por aqui e comentários como esse servem como motivação para seguir meu caminho.

Em tempo: recebi aquele e-mail logo que postei mensagem acerca do filme Chico Xavier. Parece-me que o "anônimo" se incomoda mais com o espiritismo do que com o ateísmo.

Como dizia João Saldanha: "vida que segue..."

Enéias Teles Borges - Autor
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Da decepção para a revolta

Na minha maneira de ver um mesmo fato pode nos conduzir a um dos dois tipos de sentimento que agora cito: decepção ou revolta. Quero destacar que um pode ser excludente do outro.

Decepciona-se quem é levado a ter uma frustração quanto a uma expectativa de resultado ou até mesmo de comportamento.

A revolta é decorrente da constatação de que a prática indecorosa ou que conspire contra a expectativa foi engenhosamente elaborada ou repetida de forma insistente.

Por que sigo nessa linha? Na realidade estou me prendendo a um fato concreto e que, naturalmente, não exporei aqui. Meu propósito é mostrar como é possível ter sentimentos em relação a um acontecimento e que um sentimento, essencialmente, exclui o outro.

Na minha vivência (advogado e bacharel em teologia) eu me defrontei com situações frustrantes. Até costumo dizer para conhecidos que os casamentos que deixei de fazer estão sendo compensados com as muitas separações que hoje faço. Mas não me refiro a essa circunstância ao falar de um sentimento (decepção ou revolta).

Imagine ficar sabendo que determinado líder, sempre visto como um paradigma de comportamento, seja flagrado num erro de imensa magnitude moral. A primeira sensação é patente e latente: decepção!

Imagine que mais adiante se descubra que aquele erro era constante (delito continuado). Qual a sensação? De revolta!

Um sentimento exclui o outro e conseqüentemente a reação que se tem com respeito ao assunto é diferente. Na decepção é possível cogitar o perdão e até conceder uma nova oportunidade. Quando se tem o sentimento de revolta é quase impossível perdoar e sequer presumir uma nova chance.

A decepção é um sentimento que nos faz sentir vontade de chorar ao passo que a revolta nos faz sentir vontade de agredir. Isso tudo é do ser humano.

Ultimamente tenho passado da decepção para a revolta. Chega-se a um ponto que fica impossível conviver em certo contexto, no qual a dissimulação é praticada de forma sistemática. A indução ao erro é uma constante. Tripudiar da confiança dos pares é reiteração eterna. Uma pena! Precisamos de mais um lugar no mundo, fora o lar, para o exercício da confiança.

Mais uma vez fecho o texto sugerindo que bem pior do que se decepcionar ou se revoltar é ser o motivo para que alguém se decepcione ou se revolte...

Enéias Teles Borges - Autor
Postagem original: 31/05/2008.
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Eu sou eu e alicuri é coco

Há uma frase que ouvi muito quando criança: “eu sou eu e alicuri é coco”. Essa consistia numa maneira de deixar bem claro o que se era. Assim como alicuri é uma palmeira (coco) eu sou eu. Essa afirmativa remonta aos tempos do “fio do bigode”. A palavra bastava e era clara, não deixava qualquer tipo de dúvida.

A sociedade hodierna carece de clareza. Necessita enxergar e precisa oferecer transparência. Não se consegue vislumbrar o que reside no interlocutor. Parece existir uma vontade imensa de esconder o que habita a mente. Por quê?

“Eu sou eu e alicuri é coco”. Ouvi meu avô materno dizer isso, meus tios e meus amigos de infância. Lembro-me que quando jogávamos bolinha de gude a palavra tinha valor. Perdeu? Pagava-se! Não tinha como pagar? Pegava uma bolinha emprestada de algum amigo e honrava. Era um tempo interessante e de saudosa lembrança.

Outro dia eu ouvi de uma pessoa a seguinte frase: “eu cumpro meus compromissos, sou uma pessoa cristã”. E precisa ser cristão para cumprir compromisso? A frase bem que poderia ser outra: “eu cumpro meus compromissos, sou uma pessoa de palavra”!

Paira no ar a impressão de que para se fazer o que é correto é preciso vinculação: “faço o que é certo com quem é certo comigo”. Não seria bom dizer simplesmente que “eu sou eu e alicuri é coco”? Não seria mais estimulante ouvir e dizer: “eu faço o que é certo e ponto final”? Tão certo como o alicuri é coco eu sou uma pessoa correta!

Sabem o que é mais interessante? É que ser correto é algo possível em qualquer ano, mês, dia e hora... Ser correto custa muito ou pouco? Está em discussão o custo ou o caráter?

Sabem o que há melhor e também interessante? É que não precisamos esperar por ajuda ou interesse de outros para agir corretamente. Eis algo que mesmo sendo feito de forma individualizada não será tido como ato egoísta...

Não devemos nos constranger em fazer sempre o que é correto, ainda que sejamos poucos neste mundão.

Alguém, quem sabe, poderá questionar: qual o critério para se saber o que é correto? Repondo: pelo menos atentar para o critério da civilidade e respeito ao próximo. Isso independe de norma. Está arraigado no contexto do bom senso.

Enéias Teles Borges

Postagem original: 06/05/2008
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Religiosidade e superstição

Isabel Martínez Pita
EFE-Reportagens

São consideradas superstições as crenças que perduraram no tempo apesar de sua falta de rigor científico. Todos nós temos superstições e, às vezes, elas se reduzem a pequenos costumes que adotamos e que consideramos que podem influenciar no nosso destino. No fundo, sempre há o temor pelo intangível e pelas forças sobrenaturais, aquelas que guiaram o comportamento de nossos antepassados.

A origem das superstições encontra-se na necessidade inata do ser humano de acreditar em um destino e em forças superiores que controlam sua vida. Diante da surpresa do homem em relação aos fenômenos naturais foram criados os primeiros mitos e crenças

A vida do homem primitivo dependia da natureza e de seus caprichos, e nossos ancestrais também se encontravam mais perto de compreender o verdadeiro valor de tudo que lhes cercavam, embora ignorassem o que dizia respeito à ciência que, mais tarde, foi esclarecendo o sentido das regras do mundo.

Ritos, a linguagem para falar com a natureza

O comportamento do ser humano estava submetido aos fenômenos da natureza, que lhe permitia sobreviver ou podia causar o desastre e sua morte. Os ritos nasceram para estimular a generosidade da terra ou para evitar a ira, tipicamente humana, do céu ou daqueles seres sobrenaturais que controlavam o destino dos homens.

Os ritos consistiam na repetição de uma expressão humana, como sons, danças, gestos ou oferendas, com a qual se tentava gerar condições favoráveis, evitar o mal, exaltar um mito ou agradecer pelos benefícios conquistados. Na Antiguidade, o mundo que cercava o homem era um cosmos no qual tudo estava relacionado e a magia compreendia todos os seus elementos.

A convicção nas repercussões que exerciam determinados atos formulados, repetidos e mantidos por uma comunidade, exerciam sobre o inconsciente coletivo a força suficiente para fortalecer as bases de um costume que diferenciava um povo de outro e se conservavam no tempo.

Daqueles ritos e costumes restaram as superstições, que são pequenos atos nos quais uma força mantida pelo tempo, a da repetição, nos leva inconscientemente a considerar de forma irracional que, se nos encontrarmos em determinadas situações e não fizermos determinados gestos, podemos provocar a má ou a boa sorte.

Superstições universais

Há algumas superstições que são universais e podem provocar sensações distintas no ser humano.

Um gato preto que cruza seu caminho costuma gerar pânico. A tradição do gato preto procede do Egito, onde se considerava que este animal era a reencarnação dos deuses. No entanto, posteriormente a Igreja Católica considerou que o diabo estava reencarnado no gato preto, por isso todos eles eram queimados.

Derrubar sal sobre a mesa também é encarado como um sinal de azar. Esta crença é muito antiga, quando o sal era considerado incorruptível e, por seu alto valor, em algumas regiões era até mesmo trocado por ouro. Por esta razão, derrubá-lo sobre a mesa era menosprezar seu caráter sagrado e um sinal de azar.

Para evitar sua maldição deve-se jogar uma pitada desse sal derramado sobre o ombro esquerdo.

Dizer "saúde" quando alguém espirra evita o azar. Quando se desconhecia a procedência da maior parte das doenças o espirro era considerado o começo de uma delas e que podia causar a morte e, muitas vezes, isso era uma verdade. Dizer "saúde" no momento em que alguém espirra é um apelo a Deus para curar a doença.

Quebrar um espelho é considerado como uma maldição por um período de sete anos. Os espelhos eram ferramentas dos profetas, que os utilizavam para ver o futuro, por isso eram considerados sagrados. Os sete anos de maldição se referem ao tempo em que um corpo demora a se regenerar completamente.

O trevo de quatro folhas oferece boa sorte para quem for capaz de encontrá-lo, porque para os druidas das Ilhas Britânicas era um símbolo sagrado, já que através dele era possível enxergar os demônios. No cristianismo se mantinha a lenda de que Eva deixou o Paraíso com um trevo de quatro folhas em suas mãos.

Quem não tem medo de passar entre os vãos de uma escada? Esta superstição também procede de tempos remotos, quando o triângulo era considerado uma figura sagrada, assim como as pirâmides do Egito ou, no mundo cristão, a Santíssima Trindade.

O azar da escada também é relacionado com o patíbulo, já que esta era necessária para pendurar a corda e para descer o enforcado. Além disso, no mundo cristão, o diabo aparece debaixo de uma escada enquanto Jesus morria na cruz.

Bater três vezes na madeira é considerado um rito de boa sorte, já que as árvores eram veneradas pelos druidas e ajudavam em aspectos simbólicos de fertilidade. No mundo cristão se relaciona com os pedaços que foram conservados da Santa Cruz.

Estas são algumas das milhares de superstições que permaneceram presas no inconsciente coletivo e se mantêm vivas, apesar dos avanços científicos e da era da tecnologia.


Enéias Teles Borges - Editor

Postagem original: 20/12/2007
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Fé ou cegueira?

Tenho ido e voltado ao tema. Impossível não fazer assim. A internet nos proporciona leituras novas e atuais. Textos e mais textos são publicados diariamente. Estamos num país livre e num mundo globalizado. Escrever e ler são opções e, claro, atos livres - não obrigatórios.

Não podemos confundir as coisas. Liberdade para ler e escrever são exercício do direito comum a todos. Exigir que as pessoas aceitem certas demandas é o uso indevido das próprias razões, num extrapolar violentíssimo! Refiro-me aos pseudo-sábios! Indivíduos que conseguem enxergar lógica em fatos de fé e ausência de lógica em fatos embasados pela ciência, mas que se mostram contrários ao que tais sábios querem que sejam. Notem: aquilo que querem que sejam! Querer é algo razoável, mas o querer não transforma ato de fé em ato sólido/ato de verdade! Quanto a isto eu digo: ponto final!

Não venham, portanto, impor “esta lógica” no grito!

Alguns indivíduos ficaram tão acostumados a “enxergar” loucura nas pessoas que ousam pensar de forma diferente, que estão indo além do permitido. Querem, a fórceps, impor uma maneira de pensar. Esquecem-se, muitas vezes, que os anos de chumbo ficaram no passado histórico. Instam em querer que a sociedade pensante viva como se tivesse sido induzida, desde nova, a acreditar num caminho, como se este fosse o único.

Isto é fé ou imposição da cegueira? Tratam os demais como cegos e como se (eles) fossem os únicos possuidores de visão microscópica e/ou telescópica. Pousam até de cientistas da fé, como se fosse possível coadunar ciência com crendices. As convicções bitoladas são tão absurdas que os conduzem a um estado de cegueira brutal! Não se quer aqui dizer que a outra vertente é a correta, não é isto! Precisamos criar condições para o debate e principalmente para a aceitação de pontos de vista divergentes. Teístas e ateístas não precisam digladiar continuamente. Caso seja este o fito, que pelo menos seja com respeito. Importante: respeitar não é tolerar. Respeitar é admitir que do outro lado existem seres pensantes e éticos.

Lamentável que o radicalismo venha justamente de quem tem a fé como único fator válido e conclusivo. A ciência só tem valor quando substancia as idéias pré-concebidas. E, em caso de divergência, a fé sempre prevalecerá! É assim mesmo que deve ser?

Caso assim seja só resta uma interrogação: fé ou cegueira?

Enéias Teles Borges

Postagem original: 16/04/2009
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A lógica da fé

A lógica da fé é justamente não se preocupar com a lógica, certo? Havendo lógica deixa de existir a necessidade da fé. A fé existe para suprir lacunas não ocupadas pela racionalidade, certo? Havendo justa razão, a fé se torna desnecessária. Deveria ser mais ou menos assim, mas não é. Por quê? Porque a lógica dos que exercitam a fé é diferente. Além de diferente não permite discussão. Para os partidários do exclusivismo da fé, não existe lógica “consistente” no ateísmo, ao contrário do que afirmam quanto à fé.

O que mais incomoda naqueles que têm como armas de guerra “a fé cega e a faca amolada” é justamente isso: ver grande lógica na fé e loucura nas pessoas que pensam de forma diferente. Um absurdo irritante!

Impossível dormir com um barulho assim...

Enéias Teles Borges

Postagem original: 14/04/2009
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Religiosidade: conquista ou herança?

A atividade ou esforço de fazer prosélitos (que é a catequese ou apostolado), tem sido uma nota destacada no mundo hodierno. Tal procedimento é confundido com a essência da religiosidade. A verdadeira religião não está adstrita a um segmento religioso, sabemos disso, e sim a um povo contrito espalhado pelos rincões. Estamos falando de um povo (igreja) invisível.

A frase acima será aplaudida por muitos e vaiada por outros. Por quê?

Para aquele que se acha porta-voz da verdade esta assertiva será tida como absurda, afinal ele tem a verdade, seu grupo é o remanescente e a salvação passa (necessariamente) pela porta institucional na qual ele se congrega.

Há quem pense diferente. Entende que a verdade é patrimônio de todos. Logo a salvação será extensiva aos que militam em congregações diferentes, com base na sinceridade, méritos de um sacrifício vicário etc.

Eu confesso que não me preocupo, a priori, com isso. Penso primeiro no meu contexto cultural (religioso). A fé que julgo professar não é minha. Tenho uma cultura religiosa que me foi transmitida.

Sou fruto do proselitismo de uma instituição. Não sou único. A maioria é assim. O proselitismo é como um país. Quem nasce no Brasil é brasileiro. Quem nasce numa igreja é membro daquela instituição.

É possível mudar de cidadania? Um brasileiro poderá se naturalizar em outro país? Sim, claro. Basta seguir os preceitos exigidos por aquela nação. De igual forma um prosélito migrará para outra instituição – desde que aceite as normas de lá.

Existe, naturalmente, uma questão a ser analisada: religião é algo que se herda ou algo que se adquire? Não é interessante?

A minha reflexão para hoje é esta: como a religião chegou até você? Por escolha ou por imposição cultural?

Enéias Teles Borges - Teólogo

Postagem original: 12/02/2008
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Religião ou cultura religiosa?

Nota do Editor: inaugurei um outro blog, voltado especificamente para temas ligados à religião e/ou cultura religiosa. O blog também pinçará pontos atinentes ao ateímo. Eu diria que esse novo blog é decorrência direta dos efeitos duradouros que a faculdade de Teologia "cravou" em minha mente.

Eis o novo blog: CULTURA E RELIGIOSIDADE.

Enéias Teles Borges - Teólogo e Advogado

Postagem original: 22/09/2008

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Waldo de Los Rios

Osvaldo Nicolás Ferrara, mais conhecido como Waldo De Los Rios (7 setembro 1934 - 28 de março de 1977) foi um compositor argentino, maestro e arranjador. Nasceu em Buenos Aires e foi morar em 1958 no E.U.A. e, em seguida, na Espanha, em 1962. Ficou famoso pela capacidade de transformar a música clássica europeia em música pop. Isso inclui uma atualização em 1971 de Sinfonia n º 40 de Mozart. Compôs a trilha sonora do filme Pampa Salvaje (1967), para o qual ele recebeu um prestigioso prémio da Associação Argentina Cinematográfica. Nos anos 70, fez um novo arranjo em um estilo comtemporâneo para as peças de Mozart, com uma grande de repercussão. Várias faixas foram usadas como tema de músicas, inclusive para os programas da época, incluindo o tema para a cobertura da BBC, Horse Of The Year Show. Gravou um álbum com "sinfonias para os anos setenta", que incluiu Sinfonia no. 40 de Mozart, e outros grandes compositores, incluindo New World de Dvořák. Casou-se com a jornalista Isabel Pisano, que mais tarde escreveu sobre parte de sua vida em El Amado Fantasma (Plaza y Janes, 2002). Waldo De Los Rios cometeu suicídio em 1977.


Nota: Sou fã da obra de Waldo de Los Rios e impressionou-me o fato de que ele tenha posto fim à própria vida. Segundo se diz, enforcou-se. Ouçam o arranjo que ele fez para a Sinfonia nº 40 de Mozart e depois pense comigo: o que o levou ao suicídio?



Enéias Teles Borges - Teólogo e Advogado
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Corrida maluca

Estamos no final de 2010 e a correria não cessa. Uma das filhas, cursando Jornalismo, está entupida de trabalhos e preparos para as provas semestrais. Enfrenta o trânsito diariamente e convive com nova fase: dirigir em São Paulo. Isso é um tormento extra que precisamos adiar. Melhor "curtir ônibus e metrô" e mais para frente ir mudando. A outra está concluindo o segundo grau, fez o ENEM, prepara-se para a formatura e vestibulares, está em fase preparatória para o recital de piano e, como pianista de um conjunto em vésperas de lançamento de CD, anda numa correria maluca, providenciando a roupa para o evento e roupa para a formatura. Costureiras? Quem disse que se acha, nesse momento de corrida maluca?

Em meio a tudo isso: show do Paul McCartney e da Sandy. Tudo nessa semana. Diversão e ocupação. Quando vêm juntas nem sempre produzem bons frutos. O que resta para os pais? Correria e convívio com nervosismo, stress, impaciência e loucuras mais. Ainda temos que ser pacientes ao extremo. Somos motoristas particulares e em qualquer hora, sem mudar o ritmo de trabalho!

Nem fico discutindo se tudo isso vale à pena. Discutir? Pouco adianta. Precismos fazer e refazer até que o cansaço nos tome de forma insuportável! Espero o momento de parar um pouco. Estou contando com o recesso forense, de 20/12 até 07/01 para esquecer um pouco da loucura paulistana e partir para um lugar bem diferente. Um lugar que seja festivo e de paz.

Enquanto não chega tal momento só nos resta torcer para seguir suportando e suportando...

(Efemérides)

Enéias Teles Borges
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O que é Deus?

O que é Deus? Quem é Deus? Existe? Ou é mera invenção humana? O que significa Deus?

Se algum desconhecido me perguntar diretamente se eu acredito em Deus e exigir apenas Sim ou Não como resposta, eu não saberia o que dizer. Pelo simples fato de que eu não saberia sobre que Deus essa pessoa estaria falando.

Sinceramente não creio que haja uma palavra mais mal compreendida, confusa e multi signficativa do que Deus.

A palavra "deus" deriva da palavra grega "teo", que por si só pode significar não apenas um tipo específico de deus monoteísta, mas também qualquer tipo de divindade ou "princípio" divino.

Quando um brasileiro usa a palavra Deus, não há como saber superficialmente se ele está se referindo a uma concepção de Deus Panteísta como o da maioria das religiões espiritistas, a um específico deus de um panteão qualquer, ao Deus monoteísta ao estilo Judáico-Cristão, ou mesmo a alguma idéia mais abstrata tal como uma simples Consciência Universal, uma Inteligência Oculta ou mesmo as simples leis de causa e efeito da natureza.

Importante a leitura completa do texto. Basta teclar em: (deus).

Nota: Trata-se de uma forma, bem didática, de mostrar o que é (seria) deus.

Enéias Teles Borges
Editor do blogue "Convictos ou Alienados?"
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Direito: o bem de família

Pela decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o bem de família, suntuoso ou humilde é impenhorável. Não discuto o mérito. A decisão foi importante para por fim numa polêmica de longa data. É claro que os "espertalhões" se aproveitarão dessa decisão. Basta que vendam tudo que possuem e comprem um único imóvel e passem a residir nele. É claro, também, que existem pessoas corretas que moram em bens de alto valor e não os possuem com objetivos escusos. Fato: bem de família é, efetivamente, o bem que garante a tranquilidade para todos, incluindo aí os que devem "na praça".

Imóvel de luxo não justifica penhora se o bem é de família

É irrelevante para efeitos de impenhorabilidade que o imóvel seja considerado luxuoso ou de alto padrão. Com essa decisão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformulou entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e desconstituiu a penhora sobre imóveis residenciais de particulares. Os proprietários haviam apresentado embargos à execução sobre a penhora para pagamento de dívida.

Segundo a decisão da Terceira Turma, o bem de família foi definido pela Lei n. 8.009/1990 em razão da necessidade de aumento da proteção legal aos devedores, em momento de atribulação econômica decorrente do insucesso de planos governamentais. A norma, segundo o relator, ministro Massami Uyeda, é de ordem pública e de cunho social, uma vez que assegura condições dignas de moradia. Ainda que o imóvel seja valioso, esse fato não tira sua condição de servir à habitação de família.

O TJSP havia entendido que era possível o desmembramento do imóvel por se tratar de residência suntuosa. A manutenção das condições de residência causava prejuízo aos credores, em claro favorecimento aos devedores. Bastaria ao devedor, para escapar de seus débitos, concentrar todo o seu patrimônio em uma única residência, a qual estaria protegida pela regra da impenhorabilidade

Os particulares, no caso, assinaram um contrato de arrendamento agrícola para plantar e cultivar café. Ao verificar que a área não era própria para o cultivo, deixaram de efetuar o pagamento das parcelas objeto do arrendamento. Diante do inadimplemento, houve o pedido de penhora de imóveis, considerados bem de família.

O juízo de primeiro grau excluiu da penhora a parte ideal de um imóvel a 20% de sua totalidade, que é de 795 metros, e, quanto à segunda propriedade, em 10% de sua extensão, que é 319 metros. O STJ admite a penhora de parte ideal do imóvel caracterizado como bem de família, quando for possível o desmembramento sem sua descaracterização.

Mas, para o relator, os fundamentos em razão de luxo e suntuosidade dos bens imóveis merecem outro tratamento. Segundo o ministro, não convence que a intenção do legislador, ao editar a Lei n. 8.009/90, não seria a de proteger o luxo e a suntuosidade. “Basta que o imóvel sirva de residência da família, sendo irrelevante o valor do bem”, disse. O Projeto de Lei n. 51, de 2006, foi proposto para estabelecer um valor ao que seria bem de família, mas foi rejeitado, sob o argumento de quebrar o dogma da impenhorabilidade absoluta do bem de família.

Processo: Recurso Especial - REsp 1178469


Enéias Teles Borges - Advogado
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O ateísmo e a injustiça

Muitos criacionistas dizem que a vida terrena é injusta e que a vida eterna corrigirá a injustiça desse existir limitado. Refiro-me aos teístas, que tendem para religiões como o cristianismo (e similares) e que acreditam em outra vida que virá depois dessa. Num caso assim é possível contrapor teísmo e ateísmo? Acredito que não...

Ainda assim existem pessoas que asseveram enxergar injustiça no ateísmo. Motivo? Simples: no ateísmo não há perspectiva para depois dessa vida e, logo, as injustiças desse mundo terrível jamais serão compensadas...

Pensando assim muitos dizem "preferir" o teísmo. Só que há um detalhe: preferir não significa que "assim será". Não adianta muito o acreditar humano, importa, sim, a verdade real e imutável. Qual seria essa verdade?

Enéias Teles Borges

Postagem original: 23/12/2009
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nova cara do blogue

Resolvi mudar por dois motivos: o antigo template começou a me causar problemas. A página abria de forma muito lenta e, a segunda razão, para deixar o blogue com a "cara mais suave". Migrei de um template de três colunas para este, com duas e estou gostando. 

O importante mesmo é seguir merecendo a sua atenção!

Abraços e até mais.

Enéias Teles Borges
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Ênfase: Filosofia e Sociologia

Filosofia e Sociologia: temas que não querem calar. As opiniões favoráveis são muitas e lamentavelmente existem alguns que anelam pela permanência da “cegueira” mental em nossa juventude. O artigo do professor Roberto Andersen nos encaminha para mais reflexões.

Por que precisamos de Filosofia e Sociologia?

Sempre que ouço esta pergunta surge em mim, imediatamente, um sentimento de “pena” para com a pessoa que a profere. Um sentimento que, ao mesmo tempo, me leva a compreender os motivos pelos quais toda uma geração, para não incomodar o sistema dominador, foi impedida de ter acesso às únicas disciplinas capazes de bem desenvolver a capacidade de discernimento, entendimento e compreensão da vida e dos fatos: a Filosofia e a Sociologia.

O sistema as retirou, durante quase vinte anos, dos currículos escolares e perseguiu arduamente os que ainda tentavam, por meio de poesias, peças teatrais, músicas e artes, construir no adolescente e no jovem um pouco do necessário espírito da curiosidade positiva e do questionamento responsável, que são as únicas formas de permitir a criatividade e a evolução intelectual do gênero humano.

Durante todos esse anos calaram-se os jovens. Alguns foram calados “a pulso”... dando muito trabalho aos órgãos repressores, mas a maioria foi calada pelo forte e inteligente sistema de manipulação de massa, levando em consideração os ensinamentos de Maquiavel (O Príncipe) e do Padre Baltasar Gracián (A Arte da Prudência).

Se a filosofia ensina a pensar o mundo, a vida e os fatos de forma profundamente analisadora e questionadora, na procura das razões primeiras de tudo, a sociologia ensina a pensar o grupo social e as razões que os levam a tomar atitudes muitas vezes consideradas como irracionais.

Ambas fazem do Ser Humano mais do que um simples elemento no grupo, já que desenvolvem nele a habilidade necessária ao exercício da verdadeira cidadania, com competência não só para entender o mundo e os fatos, mas também para influenciar e participar ativamente das necessárias reconstruções sociais.

É, então, o correto aprendizado dessas duas disciplinas, que afasta o Ser Humano da alienação social, ou seja, impede sua fácil manipulação o que, infelizmente, ocorre com grande parte da humanidade. Essa manipulação está descrita, com bastante propriedade, nas obras citadas de Maquiavel e Gracián.

Aprender Filosofia é aprender a olhar o mundo e os fatos com mais cuidado e mais responsabilidade, procurando analisar os seus porquês. Aprender Sociologia é aprender a analisar o comportamento social com mais abrangência, procurando compreender as atitudes das pessoas e dos grupos para poder interferir no momento certo e da forma mais acertada, para alcançar os seus objetivos.

Embora as disciplinas estejam de volta o adolescente e o jovem ainda continuam alienados e sem a menor capacidade de exercer um bom questionamento produtivo ou uma verdadeira participação social, já que muitos professores e pais ainda não conseguiram entender a responsabilidade de sua tarefa.

A tarefa agora é dos pais e dos professores, inserindo nas aulas e nas conversas o ensinamento da neutralidade do pensamento, da análise racional e do entendimento da capacidade intuitiva e criativa de cada um, para que, aos poucos, o adolescente e o jovem possam vir a construir a sua identidade própria, evitando a alienação atual evidente nas cópias televisiva dos “Big Brothers, Malhações” e outros elementos “mediocrizadores” de nossa juventude.

Todos precisamos de muito esforço e dedicação para afastar os únicos modelos conhecidos durante o período das trevas, iniciado no governo Médici e com péssimas conseqüências sentidas até os dias de hoje, que eram os modelos ideais de incitação à acomodação social, como bem deseja qualquer sistema dominador mundial.

Mas para isso temos que incentivar aos professores para que saiam de um dos “nichos” de proteção, originários desses quase vinte anos de “pão e circo”.

O primeiro é o teórico total e analítico estreito, ou seja, aquele que sugere a seus alunos o envolvimento total com uma linha filosófica ou sociológica, e o ensina a escrever, falar, discursar, elaborar trabalhos, dissertações e teses obrigatoriamente enquadrados em um referencial teórico muito bem definido, sem qualquer ligação com a realidade do dia-a-dia.

O segundo é o teórico revoltado extremista, que não aceita opiniões discordantes das suas insatisfações para com o mundo, a vida e o sistema vigente, incapacitando, da mesma forma que o modelo anterior, qualquer desenvolvimento mental sadio e produtivo.

O caminho é simples e prático. Observe a criança, sua natural curiosidade e sua verdadeira criatividade. Embora ela, além de amor, precise de limites para o entendimento das regras sociais e o despertar do necessário instinto da conquista, ela não deveria ser tolhida em sua curiosidade nem em sua criatividade.

Se adotarmos esse modelo para nós mesmos, veremos que os limites são os éticos, que devemos estar sempre dispostos a adotar, mas curiosidade, exercício do questionamento, análise neutra dos fatos e criatividade devem ser incentivadas a cada instante, já que é a única forma de crescermos intelectual e emocionalmente e afastarmos o fantasma da mediocridade.

Esse é exatamente o modelo básico conseqüente do correto e eficaz estudo da Filosofia e da Sociologia.

Fonte: (professor Roberto Andersen)

Nota: quero enfatizar o tema nesse espaço que tenho na internet. De certa forma eu me julgo filho de um contexto no qual o livre pensar foi cerceado. Não me preocupo aqui em destacar minha opinião, fazendo juízo de valor, e sim em conclamar o povo brasileiro a exercer o nobre direito de pensar. O que precisa ser destacado: a Filosofia e a Sociologia são aliados de altíssima qualidade neste exercício.

Enéias Teles Borges

Postagem original: 05/06/2008
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Mantenho minhas bíblias

Estou aproveitando a pintura geral que estamos fazendo em casa para "limpar" as estantes e guarda-roupas. Na estante do escritório havia livros demais! Separamos muita coisa para doação à biblioteca de uso comum que conhecemos. Dos livros religiosos eu me desfiz de todos. Mantive apenas comentários e afins, entre eles o comentário versículo por versículo da bíblia em grego e português. Mantive as bíblias em diferentes versões. São cerca de vinte. Gosto de comparar os diversos textos, contemplando a maneira como os homens tentaram forçar suas interpretações neste livro milenar.

Passei adiante os últimos livros que eu possuía, do meu tempo de estudante de teologia. O bacharel da velha guarda tem acesso ao mesmo material via internet e é justo que os livros que estavam empoeirados nas estantes seguissem para mãos interessadas em lê-los. Serão mais úteis fora do que dentro de nossa casa...

Não consegui, porém, desfazer-me das versões da bíblia. Foram muitos anos de leitura e estudo e penso que tal livro sempre trará fatos para a humanidade. Ainda que sejam conclusões contrárias às tradições.

Sei que um estudo desapaixonado da bíblia tem benefícios. Não importa quais sejam, mas existem e quero localizá-los. Considero fascinante a possibilidade de rever os escritos bíblicos sem as perniciosas influências de escritores paralelos metidos a profetas...

Enéias Teles Borges

Postagem original: 21/07/2009
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Divórcio: quando a dor bate no peito...

Segunda-feira, 22/11/2010, foi um dia corrido, penoso e, eu diria, triste. Eu que me bacharelei em Teologia e esperava celebrar muitos casamentos, estou, cada dia que passa, fazendo exatamente o oposto, isto é, participando, como advogado, de vários processos de divórcio. Eu diria, até, que estou tendo poucas dificuldades burocráticas. A nova Lei do Divórcio Direto tem facilitado a vida dos operadores do direito. Antes eram meses/anos para concluir um processo de divórcio e hoje, sendo consensual, o divórcio é concluído em apenas um dia. Menos até: poucas horas ou menos que uma hora...

Ontem, mais uma vez, colaborei para o fim de mais um casamento. Refiro-me, óbvio, à questão processual. Tratava-se de um casamento que durou anos (décadas) e de amigos muito queridos. Confesso que esse é um dos momentos em que penso: como é ruim participar de um divórcio de amigos. É quando a dor bate no peito...

Perdi o sono e estou aqui digitando este texto.

Do "nada" senti vontade de ouvir uma música: Terceira Sinfonia Em Fá Maior (3° Movimento) - Brahms. Quer entender o motivo? Sempre que ouço esta música, no arranjo de Waldo de Los Rios, sinto saudades de um tempo no qual nunca vivi e que espero que exista, em algum lugar do Universo...

Eis:



Enéias Teles Borges - Advogado e Teólogo
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Praticando o bem e o mal...

Quando pratico o bem, sinto-me bem; quando pratico o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião. (Abraham Lincoln)

Parece-nos que não há muito mistério aqui. Sentir-se bem ao auxiliar o próximo e sentir-se mal ao fazer o que não é devido, é a essência que deveria permear o ser humano. Tal proceder bem que poderia independer de religião de prêmio e de castigo. Simplesmente fazer o bem porque é bom e não fazer o mal, pois praticá-lo é ruim.

O problema é que a prática do bem tem sido vinculada à ideia de premiação. Quem faz o bem herdará a vida eterna. Quem faz o mal haverá de pagar. Bem e prêmio, mal e castigo. Tem sido assim nos contextos de influência predominante de religiões oriundas do patriarca Abraão. Judeus, cristãos e muçulmanos vinculam o bem ao futuro promissor. Fogem do mal porque seu salário é a morte. "Há um céu a ganhar e um inferno a evitar".

Será que o ser humano conseguiria praticar o bem sem esperar nada, absolutamente nada em troca? Muitos dizem que sim, mas na prática, como seria? Como todos nós agiríamos para preservar a nossa vida, num caso extremo, se tivéssemos que disputar o último pedaço de pão e o último copo de água?

Acredito que entraríamos num estado de guerra. Todos contra todos e ninguém preocupado em diferenciar o que é o "bem" e o que é o "mal".

No momento apenas teorizo, mas tenho quase certeza que nem mesmo as religiões acima citadas evitariam a guerra pela sobrevivência...

Enéias Teles Borges
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O mar morto e a história

Em uma barca flutuando sobre o ponto mais profundo dos continentes da Terra, uma equipe de pesquisadores espera perfurar até meio milhão de anos no passado, para descobrir sinais de mudança climática e desastres naturais.

Perfurando o leito do Mar Morto, o grupo de engenheiros e cientistas começou a extrair camadas das profundezas da Terra no domingo, e continuará por cerca de dois meses até atingir uma profundidade de 1.200 metros abaixo do nível do mar.

"Os sedimentos do Mar Morto são os melhores registros de clima e terremotos de todo o Oriente Médio", disse o chefe do projeto, Zvi Ben-Avraham, da Academia de Ciências de Israel. O litoral do mar Morto já se encontra 4290 metros abaixo do nível do mar.

O Mar Morto, disse Ben-Avraham, recolhe água que escorre do deserto do Sinai e de Golã, uma área de cerca de 42.000 km2.

Ele também fica numa falha entre duas placas continentais que se deslocam em diferentes velocidades, causando muita atividade tectônica.

O leito do mar acumula duas camadas de sedimentos a cada ano. A equipe vai analisar 500.000 anos de história geológica.

Ben-Avraham espera obter informações sobre chuvas, secas e enchentes de tempos antigos, que poderão ser usadas para estudar os prováveis efeitos do aquecimento global.


Nota: A história bíblica agradece. Sabe-se que o Mar Morto tem ligação com relatos bíblicos e seria interessante o surgimento de fatos novos que possam trazer luz sobre a interpretação dos escritos sagrados. Aguardemos...

Enéias Teles Borges
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