domingo, 17 de junho de 2012

Você quer ir para o Céu?

Fui criado num lar cristão. Formei-me em Teologia. Fui pastor durante alguns anos. Hoje sou advogado civilista e tributarista em São Paulo.

Muitas noites me vejo morando no Céu. Sim, no Céu que me ensinaram a desejar desde cedo. Que lugar maravilhoso! Lugar de indescritível beleza. Vida eterna na Terra renovada. Possibilidade de visitar milhares de outros mundos perfeitos. Passei grande parte de minha vida desejando logo a chegada do momento em que todos nós partiríamos do dessa Terra desolada, para passar mil anos no Céu. Depois desse milênio retornaríamos para nosso planeta renovado.

Como era bom viver acreditando em tudo isso.

Sinto saudades...

Você quer passar mil anos no Céu? Quer viver eternamente na Terra renovada?

Quem não quer?

Todos querem. Eu também. Eu quero que o sonho seja real. Quem não quer?

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobre a adaptação às mudanças...

"Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se apta às mudanças." (Charles Darvin)

domingo, 3 de junho de 2012

Eu também quero o paraíso...

Somente um louco não quereria. Quem deixaria de ir para o paraíso, caso houvesse uma chance? Quem não optaria pelo céu no lugar do inferno? Quem não quer viver eternamente num lugar no qual a paz e alegria se estenderão pela eternidade? Somente um louco não haveria de querer.

A questão é: não é porque queremos algo maravilhoso que tal maravilha passa a existir, exista ou tenha existido...

Eu também quero o paraíso, desde que ele exista. 

Desejar que ele exista, crer que ele exista... Tudo isso é bonito, mas efetivamente nada fica comprovado. Esperança não é verdade, desejo não é realidade.

Eu quero, mas existe?


Enéias Teles Borges

sábado, 2 de junho de 2012

Dois mundos: o real e o ideal...

Existem dois mundos: o real e o ideal. No mundo real nascemos, vivemos e morremos. No mundo ideal nós nascemos, vivemos e morremos com esperança de um dia voltar à vida. Qual o seu mundo? O real ou o ideal?

Enéias Teles Borges

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre o pacto com a solidão...

O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão. (Gabriel García Marquez)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Como evitar o envelhecer?

Muitas vezes eu me debruço, nos apoios da vida e fico observando. Assisto ao desdenhar constante de jovens, que pensam deter a fonte da eterna juventude, que olham para os idosos como se eles fossem de outro mundo. Como evitar o envelhecer? É possível? Sim é possível. Muitos sequer chegam à velhice, por escolha ou não.

Como evitar o envelhecer? Basta morrer antes que o avançar dos dias chegue. 

Simples assim...

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Seguindo uma multidão...


Seguindo uma multidão. Isso mesmo! Não é seguindo a multidão. São várias multidões. Poderíamos dizer que quase todas as pessoas que seguem, o fazem porque foram doutrinadas para seguir sem questionar. Seguir uma multidão é, quase sempre, seguir a orientação de familiares, amigos e afins. Não é um jornadear motivado pela escolha. Não existe exercício da racionalidade. Segue-se a multidão porque os conhecidos também seguem.

É triste saber que se é apenas um seguindo uma multidão. Se pelo menos fosse aquela multidão escolhida, analisada, tudo bem. Mas não é assim. Admito: ninguém é uma ilha, todos estarão ligados a uma multidão. A questão é: ligados por escolha ou por indução?

Daí ser razoável dizer: nada sou. Sou apenas um na multidão. Sou apenas um na multidão que não escolhi. Sou apenas um que segue porque fui doutrinado a seguir. Sou apenas mais um que acredita estar seguindo na direção certa, sem ao menos ter escolhido observar pela bússola da verdade...

 Enéias Teles Borges

sábado, 5 de maio de 2012

Dica de filme: Os Vingadores

Acabamos de assitir ao filme Os Vingadores. Em 3D e legendado. Quer diversão e até mesmo rir um pouco? Eis uma dica boa. Muita ação, efeitos especiais e aquele tempero ligado à ficção científica e à tecnologia que tanto agradam. Não posso falar muito aqui, pois muita gente ainda não o viu. Melhor deixar que curtam como fizemos. Com pipoca, refrigerante e afins.

Bom filme!

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Semelhanças entre infância e velhice

"Infância e a velhice são fases de passagem de mudanças e transformações. A criança é um vir a ser e o velho é o que foi, mas na verdade infância e velhice se cruzam"

 É impressionante que quanto mais idade nós adquirimos mais agimos como se não tivéssemos tal idade. Parece que quanto mais maduro achamos que estamos, não sabemos o que é maturidade. É que a vida não é uma questão de tempo e relógio, as vidas são mais que o tempo. 

Parafraseando Carlos Drummond de Andrade em seu poema Idade Madura: “Dentro de mim, bem no fundo, há reservas colossais de tempo, futuro, pós-futuro, pretérito...” E o que seria esse tempo? É o tempo do relógio? Um tempo de sucessão de momentos? Ou é o tempo imaginário? 

Memória é importantíssima para integridade pessoal 

Estamos invadindo o tempo vivido. Nós conseguimos construir nossa identidade quando construímos um futuro para dentro do passado. E sem perspectiva de futuro nosso presente se torna despedaçado. A imaginação e a experiência de vida tem um papel importante nesse processo. A experiência importa não tanto o que aconteceu na infância, no passado, mas como o futuro poderá ser reconstruído a partir da experiência desse passado. Estamos sempre reconstruindo nossas trajetórias alternativas de vida. Estamos constantemente preenchendo lacunas do passado. É assim que constantemente buscamos o significado da existência no aqui e agora da vida. Para tanto a memória é importantíssima para nossa integridade enquanto pessoa.

Semelhanças entre infância e velhice 

As fases da vida do ser humano que transita da infância à velhice, que são fases em que entra em questão a fragilidade da condição humana, nos faz enxergar o velho e a criança como seres entre “duas águas marginais”, entre um futuro e um passado que fazem de seu presente um enigma em si mesmos e para a sociedade em que vivem. Diante do enigma, todos se perguntam sobre quem são e como é o mundo onde estão e no qual se encontram. 

A infância e a velhice são fases de passagem de mudanças e transformações. A criança é um vir a ser e o velho é o que foi, mas na verdade infância e velhice se cruzam. Porém, crianças e velhos são sujeitos categorizados socialmente que colocam como exigência um olhar devagar para observar as diferenças e particularidades. Crianças e velhos são sujeitos de vivências individuais e coletivas ao mesmo tempo, que fazem parte de um patrimônio cultural e social, a um só tempo. São eles também que evidenciam a natureza das sociedades modernas classificadas de coisas, de pessoas e de tudo o mais. Para muitos grupos sociais a criança é aquilo que ainda não é, e o velho, aquilo que consiste uma ameaça em termos de futuro. Assim, ambos tornam-se vitimas de algo que está fora deles, fora de um ideal de sociedade. A criança e o velho são assim vistos como seres sem independência, sem desejos, sem autonomia, sem vontades, sem capacidades para gerenciar-se.

A modernidade sucateia as vidas humanas. Então o ideal fica sendo a eterna juventude congelada no tempo. E as pessoas esquecem que o que importa são as experiências de vida sejam vividas em qualquer fase, na infância, na adolescência, na juventude, na maturidade, na vida adulta e na velhice. Diz o poeta Fernando Pessoa “Minha vida tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra cousa todos os dias são meus”. É preciso ver o envelhecimento numa perspectiva de desenvolvimento. Estamos sempre nos desenvolvendo”.

Uma reconstrução imaginativa é criada por nossas atitudes diante das nossas experiências. Por que exploramos potencialidades do passado. O que importa é como nós refletimos sobre as experiências vividas. É assim que amadurecemos nossas habilidades. Os valores são reconstruídos no presente. Fazemos constantemente contrastes de experiências de eventos. Isso tem implicação de como nós pensamos o tempo. O tempo de vida não é uma duração com ritmos pautados para viver. É a experiência do tempo que passa. Nós somos o tempo. Infância e velhice se desdobram, se transformam, se reelaboram, possuem força e fragilidade ao mesmo tempo. Nossa experiência pessoal, nossa história de vida é um valioso memorial.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ingênuos, sortudos ou arrogantes?

Já ouviram a frase, proferida por difusores de cultura religiosa, que diz respeito ao lugar no qual se encontra a verdade? Algo mais ou menos assim: "venha para cá, a verdade está aqui." Ou "somos os remanescentes de Deus na terra. Aqui é o seu lugar, com os que possuem a verdade..."

Quando ouço frases assim, que partem de todas as agremiações de fé, eu me pergunto: as pessoas que pensam e divulgam essa maneira de acreditar são ingênuas ou sortudas? São ingênuas ao ponto de se firmarem na "certeza" de que possuem a verdade e que bilhões estão no erro? Ou são sortudas ao ponto de terem nascido na hora certa, no lugar certo, na igreja certa?

Não seria tudo isso uma arrogância velada, de tal forma inserida no ser, que tira da pessoa toda a capacidade crítica e a lança na vala comum dos que acreditam sem qualquer fundamento?

Confesso que não sei se são arrogantes, sortudos ou ingênuos...

Enéias Teles Borges

sábado, 28 de abril de 2012

A crença velha e a crença nova...


Um homem, que passou quase toda a vida na selva, aprendeu a adorar o Sol, como o criador de tudo. Um dia um missionário o encontrou e pensou em evangelizá-lo. Compensaria? Talvez não. O homem estava com quase 100 anos e dali a pouco haveria de morrer. Era um homem feliz. Tinha convicção de que o Sol, seu criador e criador de tudo, haveria de transportá-lo para um mundo no qual a morte não mais existiria. Viveria eternamente adorando o Sol, seu deus.

O missionário entendeu que de nada adiantaria tirar aquele homem de fé, do seu mundo de crença solar. Mesmo porque o homem viveu feliz e morreria feliz, tendo plena convicção de que acreditava no que era verdadeiro. Trocaria a sua fé pela outra, com quase 100 anos de idade? Possivelmente não. Eis que o missionário chegou à conclusão que o melhor seria deixar tudo como estava. Que esperança tão eficaz teria, para oferecer para aquele homem, quase centenário?

A lição do missionário segue ecoando. Que os idosos, que passaram a vida acreditando de uma forma, que são felizes assim, continuem crendo dessa maneira. Que esperança tão eficaz existe que permita extirpar a fé antiga, introduzindo uma nova? Até porque a fé nova, na qual muitos acreditam, é desacreditada por outros, que também possuem uma fé nova...

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não confundir fé extrema com verdade absoluta

Algumas pessoas dizem possuir a verdade e argumentam de forma simplória: "tenho certeza de que Deus me deu a luz verdadeira. Tenho fé extrema e sou capaz de morrer por isso".

Possuir tal fé seria, também, deter a verdade absoluta? Morrer pelo que se crê é prova de que se tinha a "verdade verdadeira"? Caso esse raciocínio faça sentido, os muçulmanos radicais são os atuais detentores da verdade. Matam e morrem pelo que creem. Têm fé tão extrema, que se dispõem a morrer pela verdade que professam. Acreditam piamente que a divindade que os protege lhes concedeu a luz verdadeira.

Fica, portanto, o alerta: não se deve confundir a tal fé extrema com a verdade absoluta...

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Entendendo a ilusão religiosa

Não há evidência científica indicando que Deus exista. Nós todos sabemos disso.  

Por exemplo: 

• Deus nunca deixou qualquer evidência de sua existência na terra.

• Nenhum dos “milagres” de Jesus deixou qualquer evidência física também.

• Deus nunca falou com o homem moderno, por exemplo aparecendo em cadeia nacional de televisão e passando uma mensagem racional para todo mundo.

• O Jesus ressucitado nunca apareceu para ninguém.

• A Bíblia é constatadamente contraditória e obviamente um trabalho feito por homens primitivos ao invés de Deus.

• Quando analisamos as preces estatisticamente, não encontramos nenhuma evidência de Deus atendendo-a.

• Atrocidades gritantes como o Holocausto e a AIDS ocorreram sem nenhuma resposta de Deus.

E assim prossegue… 

Devemos concordar que não há nenhuma evidência empírica de que Deus exista.

Se pensar sobre isso como uma pessoa racional, esta falta de evidências é surpreendente. Não há nenhum pouquinho de evidência empírica indicando que o “Deus” de hoje, não mais do que qualquer outro deus contemporâneo, não mais do que qualquer deus do passado, exista.  

Além disso, sabemos que: 

1. Se tivéssemos provas científicas da existência de Deus, falaríamos sobre a “ciência de Deus” ao invés da “fé em Deus”.

2. Se tivéssemos provas científicas da existência de Deus, o estudo de Deus seria um empenho científico, e não um teológico.

3. Se tivéssemos provas científicas da existência de Deus, todas as pessoas religiosas estariam acreditando no Deus que foi provado cientificamente que existe ao invés de haver milhares de deuses e religiões.

O motivo dessa falta de evidências é fácil para qualquer pessoa imparcial observar. A razão pela qual não há evidências empíricas sobre Deus é porque ele não existe.

Fonte: Gospel Brasil. 

Nota: Não é tão simples assim. Não é porque algo não possa ser visto ou provado que inexiste. Simples demais, eu diria que simplório. Razão pela qual o agnóstico não radicaliza desse jeito. Nem tanto terra, nem tanto ao mar... 

Enéias Teles Borges

domingo, 15 de abril de 2012

Refletindo num domingo à noite...

Domingo à noite, momentos antes de dormir, eu me pergundo como será mais uma semana em minha vida. Segunda-feira, início da segunda quinzena de abril. Duas semanas para quem ainda não entregou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoas Física. Metade do semestre letivo? Caminhando para os meses finais do semestre? O que já fiz em 2012? O que conseguirei fazer? Como será a análise final dos produtos, frutos deste ano?

Estou prestes a completar 50 anos (setembro). Como será minha vida depois dos cinquenta? Terei a mesma motivação, saúde, coragem?

Hoje cedo fui à feira do Masp. Lá na Avenida Paulista eu me encontrei com um amigo, também apreciador de relógios mecânicos antigos. Ele me disse algo interessante: preciso começar a vender minhas coisas, afinal não sou mais nenhum garoto e minha esposa e filhos não gostam das mesmas coisas que gosto. Por que manter algo que para eles não terá serventia?

Interessante como somos capazes de amontoar coisas até descobrirmos que está na hora de acabar com o monte de coisas que só a nós interessam. Meus livros de Teologia e Filosofia, devo me desfazer deles, ou no caso de livros não é bem assim? E meus ajuntamentos de antiguidades, preciosos para o meu gosto, mas que pouco significam para quem não gosta e entende?

Pois é: hora de começar a frear o bonde. Mas nem tanto. Há muita vida lá fora. Vida que não é nossa, mas que depende de nós...

Minha vida, portanto, deve seguir, ainda um pouco agitada...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre o fanatismo...

"Muitos são aqueles que vivem com os olhos cegos de esperança e fanatismo, pelo que sabidamente é incerto.  Mas sempre há tempo de se libertar da escuridão e buscar luz, questionando o mundo a nossa volta. Pois tudo é e sempre será incerto neste mistério que é a vida." (Cristine Finkler)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Em busca de PAZ

Fonte: em busca de paz.
 
HÁ MOMENTOS EM NOSSAS VIDAS EM QUE NOS SENTIMOS PROFUNDAMENTE TRISTES. OUTRAS VEZES, DESESPERADOS, SEM SABER QUAL RUMO TOMAR:
 
"MEU DEUS, E AGORA?"
      
 HÁ MOMENTOS EM QUE ESTAMOS PRESTES A REALIZAR UMA GRANDE FAÇANHA, É QUANDO PODEMOS PEDIR:
 
"DEUS, DAI-ME FORÇAS!"

paz-1

Deus existe?
    Contemplando a imensidão do mar, o infinito céu todo estrelado,tantas variedades de plantas e animais, a beleza das crianças brincando, o incessante pulsar do seu coração, a "máquina" maravilhosa que é o seu organismo...  podemos nos perguntar: tudo isso é obra do acaso?

Sortes ou azares?     O mundo à nossa volta está sempre em movimento e de alguma forma as pessoas e os acontecimentos acabam nos influenciando, até interferem em nossa maneira de viver, causando transtornos ou trazendo felicidade.   Corremos o risco de confundir estas situações como sendo sorte ou azar.   Quando estamos otimistas as coisas tendem a fluir naturalmente.  Mas, quando nos sentimos desanimados tudo parece dar errado.  O que acontece é o reflexo do nosso sentimento.
    Porém, em algum momento, por algum motivo sentimos uma necessidade interior de crer numa força, numa energia que está além e acima de nós.   Esta força, esta energia podemos chamá-la de "DEUS".

Somos uma parte DELE!
    Muitas vezes acreditamos ser os donos da nossa vida esquecendo que as funções vitais do nosso organismo, como os batimentos cardíacos e a respiração, não dependem de nós.   Apesar dos estudos, até o momento, não se conseguiu descobrir cientificamente de onde surgiu a vida.   Compreendemos que DEUS é a "Fonte", a "Força" que rege o UNIVERSO e que a fonte da vida está nessa força.   Vivemos pois, como parte deste UNIVERSO e, portanto, como parte de DEUS e dependente de sua obra.   Sua vida é de grande valor a você, ao mundo e a DEUS.

Deus é justo?
paz-2   DEUS nos dá a vida, a capacidade de pensar e agir livremente e de tomarmos nossas decisões.   Não interfere em nossas escolhas, não nos abandona em nossos erros e sempre nos dá uma nova oportunidade.   O que às vezes interpretamos como algo negativo pode ser o início de um benefício futuro.   O amor de DEUS é incondicional.   O seu desejo é que sejamos felizes.

Para que oramos?
    Oramos para pedir e agradecer.
    Oramos para perdoar e sermos perdoados.
    Oramos por nós e nossos semelhantes.
    Oramos para nos proteger.
    Orando podemos ser úteis às pessoas levando alento aos doentes, felicidade aos que sofrem, amor aos desamparados.
    O hábito de orar antes de iniciarmos alguma atividade permite receber a bênção divina.
    Essa sadia convivência com o criador faz nascer em nosso íntimo fé e pode nos levar a um caminho de paz a partir do nosso interior.
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Importância do agradecimento
paz-4     Muitas vezes lembramos de DEUS nas horas tristes ou nas grandes perdas mas nos esquecemos que diariamente recebemos muito mais, a começar pela nossa vida.   Inclusive as coisas negativas, que na realidade são oportunidades para refletirmos e crescermos muito mais.  
É importante sermos gratos a Ele.

Quem está ao seu lado?
    Quando, no meio da agonia encontramos uma saída, um pensamento bom, um desejo sincero de fazer alguém feliz... é o momento em que se pode sentir, no fundo da alma, a presença divina.   Então, você pode certificar-se de que DEUS está ao seu lado, olhando e torcendo por você.   Nunca se esqueça!
    Procure meditar silenciosamente para ouvir a voz de DEUS que te guia, sem jamais abandonálo.   Através da prece podemos nos comunicar com DEUS.  
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Quando você quiser algo para si, lembre-se também do outro ou de quem esté nas mesmas condições.   A prece é tamém uma maneira de demonstrarmos nosso amor.  

sábado, 7 de abril de 2012

A rotina da fé

Existe uma rotina que precisa ser mantida. É a rotina da fé. Quem não mantiver tal rotina haverá de entrar em estado de vazio, desespero ou algo que o valha... A rotina da fé consiste naquele círculo semanal, que começa no dia seguinte ao do culto congregacional, no domingo ou sábado, conforme a fé professada. Já no primeiro dia a mente começa  vislumbar o sétimo dia. Para alguns o sábado, para outros o domingo. Refiro-me ao sétimo dia, contado a partir do primeiro dia, depois do culto semanal.

Culto semanal? Isso mesmo. Os membros igrejeiros já não se deslocam três vezes por semana, na direção do templo. São os sabatistas ou domingueiros. Nos cultos congregacionais ensinam que eles (membros) devem fazer a comunhão diária pessoal, a comunhão diária com a família e que devem estar prontos, ao final do ciclo semanal, para mais um banquete da fé: o culto, a comunhão com os demais fiéis que se congregam, ávidos de mensagens otimistas...

Sem essa rotina semanal a membresia se queda. A rotina da fé mantém todos acreditando naquilo que os líderes querem que as ovelhas acreditem. A rotina da fé funciona como uma roda. Alguns até dizem que funciona como roda da fortuna. Para os membros a fortuna é a manutenção da fé. Para os líderes é a fortuna secular mesmo...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 3 de abril de 2012

Crianças realmente veem espíritos?

Ontem, durante uma conversa que tive com minha amiga Krika, surgiu um assunto sobre fantasmas e espíritos. Ela me perguntou se acredito e eu respondi que não, maaaass que não duvidava.

Sou meio São Tomé, preciso ver pra crer, embora não duvide de nada nesse mundo. Afinal, como já dizia Shakespeare em Hamlet:

“há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia“. 

Relatos de coisas sinistras nós encontramos a rodo por aí. Eu particularmente nunca tive nenhuma experiência sobrenatural. Nunca vi nenhum tipo de manifestação espiritual. Às vezes enquanto estou ao computador, tenho a impressão de que algo passa rapidamente pelo corredor à esquerda da minha mesa.  Mas eu seguramente acredito que não passam de ilusões captadas ou produzidas pelo rabo do olho. Nada além disso. Acho que é comum para todo mundo. Enfim, normal.Mas e quanto as crianças? Dizem que crianças menores possuem uma sensibilidade espiritual muito grande e que poderiam ver coisas ou espíritos. Será? Talvez…Só sei que um fato envolvendo meu filho caçula há quase três anos atrás, colocou meu cetecismo em xeque.

Nicholas tinha no máximo um ano e meio. Era início de noite e ele estava sentado no tapete da sala, brincando bem ao lado da minha cadeira enquanto eu usava o computador. Ele vibrava com seus cubos coloridos balbuciando um monólogo típico de bebês. Eu estava totalmente distraída quando num certo momento, o silêncio dele me chamou a atenção. Olhei pra ele. Permanecia sentado no mesmo lugar, porém imóvel com um olhar estático para o canto superior da parede à sua frente. Nem piscava. Eu o chamei pelo nome uma, duas, três vezes mas ele não se moveu e tampouco virou a cabeça para atender meu chamado. Nada. Olhar fixo e espantado, boquiaberto.  

Levantei da cadeira e me sentei ao seu lado chamando-o novamente. Nenhuma reação. O seu olhar parecia fitar alguma coisa no canto da parede. Nesse instante percebi que havia algo de anormal com ele. Um comportamento totalmente atípico para uma criança daquela idade. Bebês de um ano e meio só ficam quietos quando dormem e definitivamente ele não estava meditando e nem pensando na vida. 

Pus a mão em seu ombro e o sacudi chamando-o novamente. Para o meu espanto ele continuou com o corpo e a cabeça inertes. Foi aí que ele movimentou apenas seus olhos em minha direção e tornou voltar cautelosamente o olhar para o bendito canto na parede como se  quisesse dizer  – olhe aquilo!! Algo definitivamente prendera a sua atenção. Não havia nenhuma sombra, reflexo ou mancha que justificasse tamanha imersão de sentidos. Seus brinquedos prediletos preteridos por um canto de parede vazio. 

Só sei que naquele momento assim do nada, me arrepiei até o cabelo do dente! Eu não via nada, mas meu filho certamente estava vendo. Foi como se alguém estivesse lá olhando pra ele e de alguma forma atraindo sua atenção. A reação ou a falta de reação dele me assustou. Repito, foi atípico. 

Ainda arrepiada peguei meu filho no colo e desci as escadas o mais rápido que eu pude. Horas depois isso ainda era assunto na família. Nicholas já estava novamente interagindo e eu me sentia uma insana por me deixar influenciar, afinal eu, a cética, senti arrepios que não se explicaram…

Mas e aí? Nicholas teria mesmo visto algum espírito? Nunca saberei… Só posso dizer que até então, eu nunca tinha visto uma criança se comportar assim. Podem apostar, foi sinistro…

Eventos isolados aconteceram nos meses seguintes como por exemplo citar o avô, já falecido e que conhece só por foto, ao olhar as escadas que levam à referida sala; conversar sozinho ao brincar como se falasse à alguém… enfim, coisas assim.

Mas hoje com quase quatro anos isso não mais acontece, no entanto ele sonha e tem pesadelos além do normal e sente medo por qualquer coisa. Se isso tem alguma relação com aquele fato ou outros fatos que poderiam ter acontecido sem a minha presença, não há como saber…

A mente de uma criança é um mistério… Como ter certeza se por exemplo os amigos imaginários na infância não são na realidade espíritos? Está aí uma grande incógnita… 

Quanto a mim? Continuo como São Tomé, mas respeito profundamente o que não consigo ver e compreender…


Nota: Não creio nem descreio. Ressalvo, contudo, que acredito no que vejo, depois de ter certeza de que realmente vi...

Enéias Teles Borges

domingo, 1 de abril de 2012

A fé faz bem à saúde

A capacidade inata de procurar a explicação de um fenômeno é uma das diferenças entre o ser humano e outros animais. O homem primitivo não tinha como entender eventos mais complexos, como a erupção de um vulcão, um eclipse ou um raio. A busca de explicações sobrenaturais pode ser considerada natural. Mas por que ela desembocou na fé e no surgimento das religiões? Cientistas de diferentes áreas se debruçaram sobre a questão nos últimos anos e chegaram a conclusões surpreendentes. Não só a fé parece estar programada em nosso cérebro, como teria benefícios para a saúde.

Com sua intuição genial, Charles Darwin, criador da teoria da evolução há 150 anos, já havia registrado ideia semelhante no livro A descendência do homem, em 1871: “Uma crença em agentes espirituais onipresentes parece ser universal”. “Somos predispostos biologicamente a ter crenças, entre elas a religiosa”, diz Jordan Grafman, chefe do departamento de neurociência cognitiva do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame. Grafman é o autor de uma das pesquisas mais recentes sobre o tema, publicada neste mês na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Em seu estudo, Grafman analisou o cérebro de 40 pessoas – religiosas e não religiosas – enquanto liam frases que confirmavam ou confrontavam a crença em Deus. Usando imagens de ressonância magnética funcional – que mede a oxigenação do cérebro –, o neurocientista descobriu que as partes ativadas durante a leitura de frases relacionadas à fé eram quase as mesmas usadas para entender as emoções e as intenções de outras pessoas. Isso quer dizer, segundo Grafman, que a capacidade de crer em um ser ou ordem superior possivelmente surgiu ao mesmo tempo que a habilidade de prever o comportamento de outra pessoa – fundamental para a sobrevivência da espécie e a formação da sociedade. E para estabelecer relações de causa e efeito. A interferência de um ser muito poderoso seria uma explicação eficiente para aplacar a necessidade de entender o que não se consegue explicar com o conhecimento comum.

Mas o que levaria o ser humano, dotado de razão, a acreditar que um velhinho de barba branca, em cima de uma nuvem, atira raios sobre a Terra? Ou que 72 virgens aguardam os fiéis no Paraíso? “Tendemos a atribuir características humanas às coisas, inclusive ao ser divino”, diz Andrew Newberg, neurocientista da Universidade da Pensilvânia, autor de outro importante estudo sobre o poder da meditação e da oração. “A crença religiosa surgiu como um efeito colateral da maneira como nossa mente é organizada, da maneira como ela funciona naturalmente”, diz Justin Barrett, antropólogo e professor da Universidade de Oxford. 

Recomendo que leiam o texto e a entrevista teclando em "Época".

Nota: É um tema que me surpreende sempre. Não abro mão de inúmeras possibilidades de descobertas que a vida nos propicia. Qualquer que seja...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 27 de março de 2012

O idoso e a solidão...

Não faz muito tempo eu fiquei reparando num senhor idoso, depois de uma atividade religiosa, numa igreja muito conceituada em São Paulo. Lembro-me dele de longa data. Quando cheguei a São Paulo, em 1979, já o observava. Ele, naturalmente, tinha 32 anos a menos. Creio que tinha, na época, a idade que hoje eu tenho. Vivia cercado por membros da família. Esposa, filhos, parentes e amigos faziam parte do seu cotidiano. Pois é: quando o vi, recentemente, ele estava sozinho. Lembro-me da cena, no final do ano passado. Sentado sozinho na praça. Aproximei-me. Ele não me reconheceu. Ficou ali, sem ninguém para conversar com ele.

Isso afetou meu dia...

Todos nós haveremos de envelhecer. Só existe um meio de evitar a velhice: morrendo antes dela chegar.

O Mundo tem dessas coisas. Como a velhice faz do ser humano um solitário! Não apenas fisicamente. Sozinho o idoso pensa e sofre. Essa conversa de "melhor idade" existe para meia dúzia. A maioria não vive nesse tipo de mundo...
O idoso tem como companheiros a solidão, a dor e o enfado. Os amigos já se foram ou estão encostados em algum canto deste mundão. Os filhos e netos seguem pela vida, até que a velhice os alcance...
Momento de refletir. Quem já está idoso não tem muito como modificar a rotina. Quem está a caminho da velhice deve pensar como viverá, quando o final da vida estiver chegando. Os novos devem entender que envelhecer é apenas questão de tempo...

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 26 de março de 2012

Novos estudos desafiam teoria atual de formação da Lua

A teoria vigente diz que nosso satélite se formou após o impacto de um grande objeto contra a Terra, mas uma descoberta recente mostra que existe muito mais material terrestre na Lua do que os estudos mostravam, colocando em xeque a teoria do choque cataclísmico.

A corrente de pensamento atual sugere que a Lua foi criada depois que um objeto do tamanho de Marte, chamado Theia, colidiu contra o nosso planeta há 4,5 bilhões de anos e que mais de 40 por cento da Lua é constituída por restos desse corpo impactante.


Os pesquisadores esperavam que este objeto fosse quimicamente diferente da Terra, mas os estudos anteriores mostravam que a Lua e a Terra eram muito mais parecidas do que deviam quando estudados a partir dos isótopos de alguns elementos e isso contrariava o modelo do impacto de Theia, atualmente aceito. 


Para comparar ainda mais a Lua e a Terra, pesquisadores da Universidade de Chicago analisaram isótopos de titânio encontrados nas rochas dos dois objetos e descobriram que a relação dos isótopos de titânio encontrados em 24 amostras lunares retornadas pelas missões Apollo eram diferentes daquelas encontradas na Terra. 


Intrigado, o geoquímico Junjun Zhang, ligado ao Centro de Chicago para Cosmoquímica suspeitou que alguma coisa estava alterando a relação de isótopos encontrados nas amostras lunares e concluiu que essa alteração era compatível com o bombardeio de raios cósmicos vindos do espaço profundo. Para Zhang, após colidirem com a Lua os raios cósmicos geram nêutrons que são absorvidos pelos átomos de titânio, alterando a relação de isótopos do elemento.


Após fazer as devidas correções em seu modelo, Zhang confirmou que a relação de isótopos encontrados nas rochas lunares e terrestres era quase a mesma, sugerindo que a Terra e Lua são muito mais parecidas do que se acredita.


"Parece improvável que Theia seja quase idêntica isotopicamente à Terra. Por isso, se Theia fosse de fato um maior contribuinte de material, nossa Lua deveria diferir substancialmente da Terra, mas não é isso que encontramos", disse Zhang, que teve seu trabalho publicado na edição 25 da revista Nature Geoscience.


Outros Estudos


No entanto, as semelhanças entre a lua e a Terra também podem ser explicadas pela intensa mistura do material ocorrida após o impacto e que deixou grande parte do material de Theia enterrado sob a lua. Além disso, alguns cientistas especulam que a Lua seja constituída quase que totalmente do material Terra que foi ejetado a partir do movimento de rotação criado depois de um impacto gigante. 


Duas Luas


Outros estudos recentes sobre a Lua podem influenciar na interpretação dos resultados do trabalho de Zhang. "Alguns colegas sugerem, por exemplo, que a Terra teve duas luas que coexistiram por um breve período e que colidiram entre si. Se assim for, talvez a composição isotópica da Lua perdida fosse semelhante à da Terra, o que explicaria as semelhanças encontradas", explicou Zhang.   

Para entender melhor as semelhanças encontradas, Zhang e seus colegas esperam as próximas medições de isótopos de outros elementos, como cálcio, que sem dúvida contribuiria para entender melhor a história da nossa Lua.

(APOLO11)

Nota:
Recomendo que assistam ao vídeo de aproximadamente 100 segundos, teclando no link acima. 

Enéias Teles Borges

Chico Anysio e seus personagens...

A morte de Chico Anysio doeu 1 + 209 vezes. A morte dele e também as dos 209 personagens que ele criou. O insuperável Chico Anysio não mais existe. Foi cremado. De repente virou cinza. Uma grande perda. O mundo do riso está em prantos.

Veja a lista de personagens que ele criou, teclando em Chico Anysio.

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 23 de março de 2012

Chico Anysio não mora mais aqui...

Quando nossa casa recebeu o primeiro aparelho de televisão, em 1977, fiquei impressionado com Chico Anysio. Com 15 anos de idade eu me perguntava: como alguém consegue ser tão genial? O tempo foi passando, minha admiração aumentando. Chico parecia ser eterno. Parecia estar em todo lugar da arte. Na escrita, na pintura, na interpretação, no futebol... Lá estava, como se fosse onipresente.

Chico Anysio não mora mais aqui. Não era, infelizmente, um ser eterno. Ninguém é. Foi e não deixou substituto. Como ele, jamais virá alguém. Até porque os tempos são outros, o humor é outro, a inteligência prática é diferente. Um gênio desta envergadura seria enxergado nos dias de hoje? Tenho dúvidas...

Foi e deixou uma história. Nada de novo virá. Ele não mais poderá produzir. Ele se foi. Não mais é. Não mais está. Não mais estará...

Chora Brasil!

Enéias Teles Borges

domingo, 18 de março de 2012

Milagre: razão ou fé?

Um milagre é "uma transgressão de uma lei da Natureza pela vontade de uma Divindade, ou a interposição de um agente invisivel." (Hume, p. 123n) Teologos das religiões do Antigo e Novo Testamento consideram apenas Deus como capaz de vencer as leis da Natureza e executar verdadeiros milagres. Contudo, admitem que outros possam fazer coisas que desafiam as leis da natureza; tais actos são atribuidos a poderes diabólicos e são chamados "falsos milagres". Muitos fora das religiões baseadas na Biblia acreditam na possibilidade de transgredir as leis da natureza através de actos de vontade em consonância com poderes ocultos ou paranormais. Mas geralmente referem-se a estas transgressões não como milagres mas como mágicas.

Todas as religiões registam milagres. Como Hume notou, as religiões estabeleceram-se sobre os seus milagres. Mas, se é assim, cancelam-se umas às outras. Hume compara o decidir entre religiões com base nos seus milagres com a tarefa de um juiz que deve avaliar testemunhos contraditórios mas igualmente fiáveis. 

Mais esclarecedor é o facto de que quanto mais antigo e barbaro é um povo, maior a tendência para milagres e prodígios florescerem..

Hume era um historiador, bem como filósofo, e não lhe passou despercebido o facto que quanto mais recuamos na história, mais relatos temos de milagres. E, apesar de haver muita gente hoje que acredita em milagres, mas é pouco provável que qualquer historiador do século vinte encha os seus livros de relatos miraculosos. É improvável que um único relato destes encontre lugar em tais livros.

Hume estava consciente de que independentemente de quão cientifica ou racional uma civilização se tornasse, a crença em milagres nunca seria erradicada. A natureza humana curva-se ante o maravilhoso. Vaidade e ilusão levaram a mais de uma fraude piedosa suportando a causa sagrada e meritória com grandes embelezamentos e mentiras acerca de feitos miraculosos. (Hume, p. 136)

O principal argumento de Hume contudo, foi modelado a partir da argumentação feita por John Tillotson, que se tornou Arcebispo de Canterbury. Tillotson e outros como William Chillingworth antes dele e o seu contemporâneo Bispo Edward Stillingfleet argumentaram com o que chamaram uma defesa de "senso comum" do Cristianismo, i.e., Anglicanismo. O argumento de Tillotson contra a doutrina Católica da Transubstanciação ou "a real presença" era simple e directa. A ideia contradiz os sentidos de que o pão e o vinho usados nas cerimónias são mudados em algo que é pão e vinho para os sentidos mas que realmente será o corpo e sangue de Cristo. Se parece pão, cheira a pão, sabe a pão, então é pão. Desistir disto é abdicar de todo o conhecimento baseado na experiência. Qualquer coisa pode ser outra que não o que os sentidos mostram. Este argumento nada tem a ver com o argumento céptico da incerteza do conhecimento dos sentidos. Isto é um argumento acerca da crença razoável. Se os Catóticos tivessem razão acerca da consubstanciação, então um livro podia ser um bispo. Os acidentes de uma coisa não dariam pistas para a sua substância. Tudo o que vemos pode ser completamente não relacionado com o que parece ser. Tal mundo não seria razoável. Se os sentidos não podem ser confiados num caso, não podem sê-lo em caso nenhum. Acreditar na consubstanciação é abandonar a base de todo o conhecimento: a experiência dos sentidos.

Hume começa o seu ensaio sobre milagres elogiando a argumentação de Tillotson como sendo "tão conciso e elegante e forte como qualquer argumento o pode ser contra uma doutrina tão pouco merecedora de uma refutação séria." Continua afirmando que pensa ter "descoberto um argumento de tal natureza que, se certo, pode ser um eterno verificar de todo o tipo de superstições, e consequentemente será util enquanto o mundo durar; até ao fim, presumo, os relatos de milagres e profecias serão encontrados na história, sagrada e profana". [Hume, p. 118]

O seu argumento é um paradigma de simplicidade e elegância: Um milagre é uma violação das leis da natureza; e como uma experiência firme e inalterável estabeleceu essas leis, a prova contra um milagre, da própria natureza do facto, é tão inteira quanto qualquer argumento a partir da experiência pode ser imaginado.[p. 122.]

Ou pondo ainda mais sucintamente: 

Tem de... existir uma experiência uniforme contra qualquer acontecimento miraculoso, pois de outro modo o acontecimento não mereceria aquela apelação.[p. 122]

A implicação lógica deste argumento é que 

nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre a menos que aquele fosse de um tipo tal que a sua falsidade fosse ainda mais miraculosa que o facto que tenta estabelecer. [p. 123]

O que Hume fez foi pegar no argumento anglicano so senso comum contra a doutrina católica da consubstanciação e aplicá-lo aos milagres, base de todas as seitas católicas. As leis da natureza não se estabeleceram por ocasionais ou frequentes experiências similares, mas por uma experiência uniforme. É "mais que provavel," diz Hume, que todos os homens morram, que o chumbo não fique suspenso no ar, que o fogo consuma madeira e a água o extinga. Se alguém afirmar a Hume que um homem consegur manter chumbo suspenso no ar por um acto de vontade, Hume perguntar-se-ia se "a falsidade do testemunho é mais miraculoso que o facto que relata." Se assim fôr, ele acredita no testemunho. Contudo, ele não acredita que um milagre pudesse ser estabelecido com base nesta evidência.

Considere o facto de que a uniformidade da experiência das pessoas em todo o mundo lhe diz que uma vez uma perna amputada, ela não volta a crescer. O que pensaria se um seu amigo, um cientista de elevada integridade, lhe dissesse que quando estava de férias em Espanha encontrou um homem que não tinha pernas mas agora caminha com dois magnificos membros inferiores. Diz-lhe que um homem santo esfregou um óleo nos tocos e as pernas cresceram. O homem vive numa pequena aldeia e todos os aldeões atestam o "milagre." O seu amigo está convencido de que um milagre ocorreu. Em que é que acredita? Acreditar neste milagre seria rejeitar o principio da uniformidade da experiência, em que as leis da natureza se baseiam. Seria rejeitar uma assunção fundamental de toda a ciência, de que as leis da natureza são invioláveis. O milagre não pode ser aceite ser abandonar um principio básico do conhecimento empirico: que coisas iguais em circunstâncias iguais produzem resultados iguais.

Claro que há outra constante que não devemos esquecer: a tendência das pessoas em todos os tempos desejarem algo de maravilhoso, de se iludirem com isso, de o fabricar, de o embelezar, e de acreditarem nas suas invenções com paixão. Quer isto dizer que os milagres acontecem? Claro que não. Significa que quando alguem relata um milagre a probabilidade de estar enganada, iludida ou a enganar é muito superior à do milagre ter realmente acontecido. Acreditar num milagre, como dizia Hume, não é um ato de razão mas de fé.

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