sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Dona Flor - Jorge Amado

Sigo lendo vários livros ao mesmo tempo. Entre eles o segundo livro que leio do fabuloso Jorge Amado. Continuo perseguindo várias “leituras” e depois de praticamente ter lido tudo de Érico Veríssimo estou migrando para este escritor baiano. Machado de Assis é outro, cujas obras principais li com gosto. Pelo menos uma obra de grandes mestres brasileiros eu procurei ler.

No que tange a Jorge Amado: depois de “Tocaia Grande” estou lendo “Dona Flor e seus dois maridos”. Mais adiante trarei minhas impressões pessoais sobre o livro.

Considero importante separar tempo para leituras amenas e ao mesmo tempo produtivas. Leituras densas (filosóficas e teológicas) como as que eu vinha tendo tiravam-me a leitura, pelo simples prazer de ler. Como exemplo de leitura “suave” eu cito um livro adquirido num sebo na cidade de Vitória da Conquista (BA): “O espião que saiu do frio” de John Le Carré. Leitura para apenas uma “sentada”.

Ler faz bem e leio de tudo, procurando reter o que há de bom.

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Desemprego em massa

A crise mundial, que completa dois anos este ano, poderá deixar sem emprego mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo até o final de 2009, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo a agência das Nações Unidas, no cenário mais otimista, este ano terminaria com 18 milhões de desempregados a mais do que no final de 2007, com uma taxa global de desemprego em 6,1%.

A entidade aponta, no entanto, que um cenário mais realista aponta para a perda de 30 milhões de empregos – número que pode chegar a mais de 50 milhões no pior cenário imaginado, com uma taxa de desemprego global de 7,1%.

Nesse cenário, cerca de 200 milhões de trabalhadores, a maioria em países em desenvolvimento, podem ser levados à pobreza extrema. De acordo com o levantamento, a crise pode fazer com que 45% dos trabalhadores do mundo sejam incapazes de ter uma renda familiar superior a US$ 2 diários por pessoa.

"A mensagem da OIT é realista, não alarmista", afirmou em nota o diretor-geral do órgão, Juan Somavia. "Nós estamos enfrentando uma crise global de emprego. Muitos governos estão conscientes e ativos, mas uma ação internacional mais decisiva é coordenada é necessária para evitar uma recessão social global", apontou.

[G1]

Nota do Editor: Eis uma estatística alarmante. Desaquecimento provocando desemprego em massa é o grande tormento no céu escuro da economia mundial. O reflexo disso no Brasil certamente será péssimo e de proporção impossível de ser calculada. O mundo caminha para o caos, independentemente de profecias, até porque isso é óbvio! O mundo para criacionistas e ateus é o mesmo: rumo ao brejo....

Enéias Teles Borges
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Aquecimento global

Aquecimento global pode ser irreversível, mostra estudo

Uma equipe de cientistas especializados em ambiente nos Estados Unidos fez um alerta de que muitos dos efeitos das mudanças climáticas podem ser irreversíveis.

Em artigo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", os cientistas afirmam que as temperaturas na Terra podem se manter altas por até mil anos, mesmo se as emissões de gás carbônico (CO2) fossem eliminadas hoje.

Segundo os pesquisadores, se o nível de CO2 na atmosfera continuar a subir, vai chover menos em áreas que já são secas no sul da Europa, na América do Norte e em partes da Ásia e da Austrália.

Eles também afirmam que, atualmente, os oceanos estão desacelerando o aquecimento global ao absorver calor, mas que em algum momento vão liberar este calor de volta à atmosfera.

Mudanças nos EUA

A divulgação das conclusões dos ambientalistas coincide com o pedido feito pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para que a Agência Americana de Proteção Ambiental reveja as regras de emissão de gás carbônico por veículos de passageiros.

Vários Estados americanos, liderados pela Califórnia, querem introduzir leis para obrigar as montadoras a melhorar drasticamente a eficiência do uso de combustíveis.

A medida encontrou oposição de vários setores, que argumentam que essa decisão poderia derrubar a demanda por novos carros neste período de recessão.

Os cientistas envolvidos na nova pesquisa dizem que políticos precisam agir imediatamente para contrabalançar os danos já provocados ao meio ambiente.

Fonte: [UOL]

Nota: Esse assunto é prato cheio para ambientalistas e religiosos. O caos está cada dia mais perto da porta e opiniões científicas e profecias apocalípticas estão na crista da onda. Até que ponto tudo isso é de fato como admoestado? Há exagero?

Enéias Teles Borges-

sábado, 24 de janeiro de 2009

Profetas de plantão - I

Muitos profetas de plantão imaginam e, portanto, profetizam que Barack Hussein Obama estenderá as mãos em direção ao Vaticano num ato que promoverá a junção do Estado com a Igreja Católica. Tal ato será o cumprimento da profecia diversas vezes reiterado pelas “extensões dos braços divinos na terra”.

Ocorre que Obama não parece estar muito “antenado” nas profecias que “precisam” cumprir. Obama tem que ser imediatamente lembrado disso, pois os profetas de plantão não podem errar.

Quem sabe não passa de um ato momentâneo e logo mais Obama mudará de idéia e se curvará a algo que fatalmente acontecerá? Enquanto isso não ocorre ele, Obama, irritou o vaticano.

Qual o assunto? O aborto...

Vejam na reportagem abaixo:
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Vaticano acusa Obama de arrogância por derrubar cláusula antiaborto

Da France Press

O arcebispo Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida do Vaticano, qualificou neste sábado de arrogância a autorização do presidente Barack Obama de financiar organizações americanas a praticar o aborto no exterior.

"É a arrogância de quem acredita que faz o que é justo ao assinar um decreto que apoia o aborto e, portanto, a destruição de seres humanos", criticou Fisichella em uma entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera".

O novo presidente dos Estados Unidos derrubou ontem um dispositivo que proibia a todas as organizações não governamentais o financiamento do Estado americano para a prática de abortos ou o fornecimento de serviços relacionados à interrupção da gravidez fora dos Estados Unidos.'

"Se este é um dos primeiros atos do presidente Obama, com todo meu respeito, penso que o caminho para a decepção foi curto", afirmou o arcebispo. "Não acredito que os que votaram nele tenham levado em consideração as questões que deixou de lado de maneira tão astuta durante o debate eleitoral. A maioria da população americana não tem a mesma postura que o presidente e sua equipe."

O arcebispo também criticou a autorização do governo americano para o primeiro experimento em seres humanos com células-tronco embrionárias humanas, o que pode abrir o caminho para o tratamento de doenças até agora incuráveis.

"Minha primeira impressão é que cedeu à pressão das multinacionais do setor. O problema não é científico, e sim ideológico e econômico", afirmou o arcebispo.

Fonte: (UOL).

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O QUE FARÁ OBAMA?

O que fará Obama?
Enéias Teles Borges


Não apenas o que fará, mas o que poderá fazer? E se puder fazer ele fará? Eis questões que precisam ser respondidas. Duas já se fizeram notar: (a) suspensão dos julgamentos em Guantánamo e (b) revisão de pendências, cerca de vinte e uma, referentes ao governo Bush.

Os religiosos perguntam, muitos povos de diversos países insistem: o que fará Obama? Ele certamente não será o pai de todos os povos, nem mesmo tentará. Precisa olhar (primeiro) para o seu quintal, as roupas do varal, a grama que cresce de forma desordenada...

Chegou a hora da verdade, de cumprir metas e promessas, de atender aos anseios de muitos daquela nação que nele depositaram esperança. Valeria à pena estar no lugar dele?

O que fará Obama?
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Desígnio celeste ou tragédia?

Bispos oram nos hospitais atrás de um milagre para os feridos graves. Pastores amparam familiares e monitoram o número de altas. Com uma tarja preta no alto da tela, programas da Rede Gospel clamavam ao Senhor para que transforme a provação em bênção.


A Renascer em Cristo tenta superar o desabamento que vitimou nove pessoas em sua sede na avenida Lins de Vasconcelos, no bairro do Cambuci, com o discurso bíblico com o qual está habituada.

A reportagem do UOL acompanhou nesta segunda o culto noturno na unidade de Santo Amaro. O bispo Gabriel Correia comandou a cerimônia em que lembrou o desabamento em um discurso. "Temos que viver todos os dias como se fosse o último. Eu não estou falando isso porque pessoas faleceram ou porque a Lins está lá destruída", proclamou em sua fala.

"Eu tenho que pregar pela última vez. Vocês têm que orar como se fosse a última. Vamos orar como se fosse o último dia. E se esse teto caísse na sua cabeça agora? E se ele caísse? Irmãos, se eu pudesse escolher um lugar para morrer, eu escolheria a Lins de Vasconcelos", afirmou no trecho mais forte de sua mensagem a cerca de uma centena de pessoas presentes no antigo galpão transformado em templo.

Ele contou ainda para os presentes que passou a tarde no velório de mãe e filha mortas com a queda do telhado do templo. O ritual continuou com o palco lotado, com dançarinas, uma banda e um coro de voz. O bispo andava de um lado para o outro, segurando a cabeça das pessoas.

O culto parece um show sob o comando do religioso, que pede para os músicos reduzirem o volume para ele começar a pregação. Novo comando de voz, e a canção embala em altos brados com direito a final apoteótico, sonoridade hipnótica e várias garotas da platéia chorando.

O bispo Correia elogiou o esforço no resgate das vítimas: "Vi lá na Lins verdadeiros valentes de Davi. Vi caras de leão."

Na programação da Rede Gospel, canal ligado à Renascer, o máximo líder no país após a detenção do casal Hernandes nos EUA, o bispo Geraldo Tenuta Filho (deputado federal pelo DEM) lembrou que os pastores viraram à noite no amparo às famílias e pediram uma oração para salvar os quatro feridos que estavam em estado grave. Também participando do programa, o bispo José Bruno falou em desígnio divino para classificar a queda da cobertura na noite de domingo.

A hierarquia da Renascer pede união entre fiéis nesse momento que seus bispos chamam de "hora da provação". E isso se reflete nas celebrações diárias. "Todo mundo vem aqui na frente que agora precisamos união", clamou o bispo Correia no início da cerimônia de Santo Amaro.

(UOL)

Nota: Sobre isso eu postei ontem. Não há milagre e não há punição divina. Há negligência humana. Tentar inverter o sentido atribuindo à tragédia um sinal divino (desígnio celestial) é temerário. Algo como zombar da simplicidade e sinceridade de muitos fiéis.

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O céu desabando...


Eu tive um professor, na Faculdade de Teologia, que nos dizia uma frase interessante: “Não adianta orar a Deus, pedindo a bênção numa viagem e não revisar o carro antes. Não adianta orar e viajar com os pneus carecas...”

São palavras simples e oportunas para um momento como esse. É notícia mundial a tragédia ocorrida na sede da igreja Renascer em Cristo neste último domingo. O teto desabou e houve mortes e uma centena de feridos.

Muitos, quem sabe, estejam chorando e se perguntando: por quê? Como é possível numa sede de uma igreja? Numa igreja que prega a prosperidade e a proteção permanente de Deus? O mesmo Deus que derrama bênçãos sem fim permitiria tal tragédia?

Qual a reflexão que faço? Não é complexa. Não adianta buscar bênçãos do alto e não operar o necessário aqui embaixo. A resposta será sempre a mesma: algo deveria ter sido feito e não o foi.

Da mesma forma que não creio nessas bênçãos sem fim propagadas pelas igrejas carismáticas eu não atribuo à tragédia uma ação sobrenatural. Houve falha humana, simplesmente isso. Caso se pretenda (ainda) falar em bênção a conversa é outra. Quem sabe se o templo estivesse mais cheio a desgraça não teria sido maior? Seria uma desgraça menor uma forma de bênção? Não acredito nisso!

O que devemos fazer agora sendo crentes ou incrédulos, criacionistas ou ateus é agir como seres humanos. Nada de criticar e nada de ironizar. É momento de solidarizar.

Do mesmo jeito que não concordo com as bênçãos que são prometidas nos templos eu não concordo com o arrazoado que tenho ouvido, a saber: que o casal que preside a Igreja em tela trouxe sobre sua membresia um castigo...

Nada disso! Houve, veremos mais adiante, ausência de cuidados essenciais. O que ali aconteceu poderia acontecer em qualquer outro lugar que estivesse nas mesmas condições...

Enéias Teles Borges
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Madrugada no hospital

Eis um lugar que incomoda e que vai se tornando uma constante na nossa vida à medida que a idade vai avançando. No meu caso não é em decorrência dos anos idos, mas por algo que certamente nos acompanhará dia após dia...

Minha esposa teve uma trombose nos "seios cavernosos" (cérebro), ficou na UTI, tratou-se bem, ficou sem sequelas, mas carregará na vida uma enxaqueca absurda! Na noite que findou ela sofreu e usou os medicamentos fortes e de emergência, mas não foram suficientes.

Aqui estamos para mais uma repetição dos procedimentos: triagem, clínico geral e medicação na veia...

Por essas e outras eu gosto casa vez menos do ambiente hospitalar. Ironicamente minha esposa é enfermeira, mas hoje está, mais uma vez, na condição de paciente.

A vida nos proporciona momentos particulares de reflexão, como esse de agora e outros também (...) Estar, como estou, usando um micro do hospital Santa Paula, em São Paulo, para postar esse texto é algo inusitado. Enquanto espero vou meditando e digitando. Estou me acostumando a ser paciente, no sentido ligado à calma. Faz sentido: afinal são três mulheres em minha vida: esposa e duas filhas. Paciência e observação: ingredientes que uso para aprender com elas ou, pelo menos, tentar endender o comportamento do sexo oposto...

Amigos: a vida nos reserva momentos similares! Os hospitais da vida e uma vida em hospitais. Somos doentes de uma forma ou de outra. Tratamo-nos fisicamente e também espiritualmente. Para alguns existe o hospital igreja e para outros o hospital mesmo em seu tenebroso sentido. Local adstrito a doentes e aos que tratam de doenças, ainda que tenham doenças físicas e/ou espirituais. Não é irônico?

De alguns pontos não posso reclamar: os hospitais estão se modernizando. Internet sem fio, cantinas de primeira linha, atendimento mais humanizado. Lógico que é preciso pagar um preço alto: os custos de um "plano de saúde"...

É isso mesmo: para frequentar esse ambiente triste é preciso pagar...

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Os últimos presidentes americanos

Os últimos presidentes americanosEnéias Teles Borges


Dos últimos seis presidentes americanos, contando com o que foi eleito recentemente, cinco ainda estão vivos. Na sequência foram Carter, Reagan, Bush (pai), Clinton, Bush (filho) e Obama. Ronald Reagan não faz parte do mundo dos vivos.

Como poderíamos avaliar o comportamento dos últimos cinco presidentes para projetar a era Obama? Nem me centro no diferencial que muito se destaca, que é o fato de que pela primeira vez o país terá um presidente de pele negra.

O mundo muda velozmente e de forma atroz nos atrai para uma realidade dura e quase sem esperanças. Os últimos presidentes conviveram com um mundo que ia numa escala de mal a pior no que tange à moralidade, o respeito e afins. O recém empossado, Barak Obama, tem dura missão a cumprir.

Sabem qual o cartão de visita oferecido a Barak Obama? A guerra que está sendo travada na faixa de Gaza. Isto no que diz respeito exclusivamente às relações internacionais. No que se refere à questão interna existe, a ser vencida, a guerra contra a crise mundial que tem como berço a superpotência americana.

Hoje houve um almoço em que os quatro últimos presidentes (vivos) deram sugestões ao eleito e suposto salvador da pátria (Portal G1).

O mundo espera que tal almoço não tenha sido indigesto e que traga energia ao novo presidente. Ele precisará!
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Vejam no Portal G1.
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domingo, 4 de janeiro de 2009

UMA PONTE NO CAMINHO

Uma ponte no caminho
Enéias Teles Borges


Saímos em direção à cidade de Vitória da Conquista, Bahia. De São Paulo até lá são cerca de mil e quinhentos quilômetros. O caminho que utilizamos foi o seguinte: tomando a Fernão Dias, continuamos pela rodovia 381 até Governador Valadares e lá seguimos, pela Rio-Bahia (BR 116) até nosso destino. Temos por hábito avançar até Teófilo Otoni, ainda em Minas e parar num hotel e no dia seguinte finalizar a viagem.

Começou complicado! Saímos de casa às quatro horas da manhã, pois pretendíamos parar em Teófilo Otoni por volta das 19 horas. Acontece que a implementação do Pedágio na Fernão Dias (obras e cobrança em dois pontos) fez com que a viagem atrasasse duas horas somente para chegar em Belo Horizonte. Sabíamos que chegar a Teófilo Otoni seria por volta das 21 horas. Perdemos mais tempo nas proximidades da cidade mineira chamada de Caeté. Chegamos em Teófilo Otoni às 22 horas com três horas de atraso.

Fomos em busca de hotéis e todos estavam ocupados. Fiquei preocupado. Com minha família dentro do carro, longe do destino e sem ter lugar para pousar. Eu estava cansado! Praticamente não tinha dormido na noite anterior e teria que avançar por um trecho perigoso da BR 116 à noite, com chuva e muitos caminhões. Resolvemos seguir e com calma. Minha esposa e filhas dormiam e eu lutava contra a chuva e as carretas. Por volta de duas e meia da manhã eu estava a apenas cento e dez quilômetros do nosso destino...

Mas havia uma ponte... Uma que passa sobre o Rio Pardo no município de Cândido Sales, na Bahia. A ponte estava com reformas paradas há mais de cinqüenta dias e teríamos que passar por uma única faixa de rolamento. Foram cinco horas e vinte e cinco minutos para transpor a ponte!

Finalmente chegamos à bela Vitória da Conquista! Pelo horário de São Paulo foi um trecho sem descanso que se iniciou às quatro horas de um dia e terminou às nove horas do outro dia. Vinte nove horas na estrada, dentro do carro e sem dormir.

É o tipo de situação que não nos concede outro jeito de agir. Devo admitir que as estradas estão bem conservadas e o trecho da BR 116 ficará bem melhor, agora que foi privatizado. Convenhamos: permanecer cinco horas e meia, no meio do nada, numa fila interminável de carros, sem qualquer estrutura oferecida aos usuários é algo vergonhoso! A ponte sobre o Rio Pardo (foto) será de eterna e enfadonha lembrança...

O retorno foi tranqüilo. Ponte consertada, parada na cidade mineira de João Monlevade, num hotel agradável (Caminhos do Mar) e chegada a São Paulo sem traumas. No retorno só dirigi durante o dia e somando as horas de volante com paradas para lanches e refeições foram cerca de dezoito horas. Viagem agradável e com belíssimas paisagens.

Recomendo aos amigos!
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

PERÍODO DE FÉRIAS

Período de férias
Enéias Teles Borges


Depois de um ano muito corrido resolvemos descansar um pouco. Do dia 20 de dezembro até hoje (29/12) estivemos numa viagem de carro em direção ao Nordeste do Brasil. Especificamente nosso rumo foi a simpática cidade de Vitória da Conquista no Sudoeste da Bahia. Do dia 30 até a primeira dezena de janeiro estaremos em Ubatuba, Litoral Norte de São Paulo (como de costume - algo que quase sempre ocorreu nas “viradas de ano” de 1989 para cá).

Em função deste rápido fugir da rotina as postagens ficaram suspensas. Logo mais serão narrados alguns fatos atinentes a estes últimos dias.

Espero que todos tenham tido um ótimo Natal. Desejo um Feliz 2009 às amigas e aos amigos que me acompanharam aqui neste espaço.

Até mais.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

OLHAR DE INCREDULIDADE

Olhar de incredulidade
Enéias Teles Borges


O garoto tinha cerca de 10 anos. Estava uniformizado. Aquela roupinha padrão das escolas do município de São Paulo. Chorava forte, chorava alto. No primeiro momento eu pensei que fosse brincadeira. Logo notei que era algo sério.

Aproximei-me e perguntei o que se passava. Ele me respondeu dizendo que morava longe e que tinha perdido o dinheiro da condução. Estava inconformado! “Quanto você perdeu?” Ele me respondeu: “Cinco reais”.

Tirei do bolso uma nota desse valor e coloquei nas mãos do garotinho.

Ele olhou para mim, nada disse, pareceu-me um olhar diferente. Não era exatamente de gratidão. Era de incredulidade mesmo! Parecia-lhe impossível receber de um estranho aquele valor. Pequeno para muitos, importante para ele...

Passaram por situações assim? É como se as pessoas, independentemente da idade estivessem perdendo o senso de humanidade, de colaboração... Ninguém pensa em ninguém! O mundo segue pirambeira abaixo e esse sofrimento tem levado muitos indivíduos à desconfiança e à incredulidade.

Crer em quê? Num Deus sob medida que milhares de grupos religiosos sugerem? Nas pessoas que parecem ter na testa o artigo 171 do Código Penal: aquele que trata do estelionato?

Ainda é possível receber algo sem ter que retribuir como se fosse um pagamento?

O Natal se aproxima e as pessoas que vivem nesse mundo “sem eira nem beira” precisam receber, por menor que seja, a chama da esperança.

É momento de nos despirmos um pouco do “eu” e estender a mão às mãos que carecem de afeto.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O PESO DA IDADE - II

O peso da idade - II
Enéias Teles Borges


Ontem eu saí do trabalho às 17:30 horas, da Zona Norte de São Paulo e segui rumo à minha casa, que fica na Zona Sul. Foram três horas e quinze minutos no trânsito! Ouvi noticiários, programas esportivos e um pouco de música. Foi horrível!

Para “escapar” das dores nas costas – tanto tempo dentro do carro – eu pensei, pensei e pensei. Sentindo as dores decorrentes do “peso da idade” eu tomei parte do tempo dentro do veículo para refletir um pouco sobre a minha vida e sobre o ano de 2008.

O ano que está finalizando foi duríssimo! Muito trabalho, muito trânsito, muita notícia ruim. Mas sinto que não devo reclamar. Em alguns pontos (não muitos) o ano foi bom e mister se faz valorizar também seu lado melhor.

Na minha vida, efetivamente, algo precisa ser mudado! O peso da idade não me permite mais o “luxo” de ficar tanto tempo dentro do carro. Uma das metas para 2009 é simples: mudar para um carro com câmbio automático. Sem ter que cambiar e pisar no pedal da embreagem sentirei menos o efeito do peso da idade.

Quem sabe até não terei melhores condições para aproveitar o trânsito para pensar mais na vida, sua origem, seu destino, religião, ateísmo...

Vida de quem vai envelhecendo é assim: nunca deixar de pensar, nunca deixar de ler, nunca deixar de si valorizar e sempre buscar um motivo para minimizar a dor...

Uma forma honesta de assumir o peso da idade...
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vida fora da Terra?

Hubble acha dióxido de carbono em planeta extra-solar

Cientistas anunciaram na terça-feira a descoberta de dióxido de carbono (CO2) em um planeta quente fora do nosso Sistema Solar, em mais uma prova de que pode existir vida além da Terra.

A Nasa (agência espacial dos EUA) disse que o seu Telescópio Espacial Hubble localizou CO2 na atmosfera do planeta HD 189733b, que pertence à categoria chamada "Júpiteres quentes" e orbita uma estrela relativamente próxima, a 63 anos-luz da Terra.

Concepção artística do planeta registrado pelo Hubble; descoberta reforça a idéia de que pode haver vida além da Terra

O planeta em si é quente demais para conter vida - cerca de 1.000 graus Celsius na superfície. Mas os astrônomos disseram que as observações são a demonstração cabal de que a química básica para a vida pode ser mensurada em planetas que orbitam outras estrelas.

Em março, eles já haviam achado ingredientes do metano no planeta, um dos cerca de 300 já localizados em torno de outras estrelas. Também há sinais de vapor d'água nesse lugar.

"Esses estudos atmosféricos vão começar a determinar as composições e processos químicos que operam em mundos distantes", disse Erich Smith, cientista do Hubble na Nasa.

Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena (Califórnia), usou a câmera de infravermelho e um espectrômetro multiobjeto do telescópio orbital para estudar a luz infravermelha do planeta.

Ele conseguiu identificar dióxido de carbono e monóxido de carbono, que absorvem certos comprimentos de onda da radiação sub-infravermelha.

"O CO2 é a principal razão de excitação porque, sob certas circunstâncias, poderia ter uma conexão com a atividade biológica, como tem na Terra", disse Swain em nota.

"O próprio fato de podermos detectá-lo e estimar sua abundância é significativo para o esforço de longo prazo de caracterizar os planetas a fim de descobrir do que são feitos e se poderiam possivelmente abrigar vida."

Fonte: Universo Online.

Nota: a existência de vida fora do nosso sistema solar é busca permanente dos cientistas. Para os religiosos não há duvida. Há vida fora da terra, mas não concebida como querem entender os estudiosos atuais.

Enéias Teles Borges

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

QUEM NÃO TEM COMPETÊNCIA...

Quem não tem competência...
Enéias Teles Borges


“Quem não tem competência não se estabelece...” Frase lapidar que, a exemplo da frase da postagem de ontem, se encaixa até mesmo no futebol que é a grande paixão esportiva do brasileiro.

Para o Botafogo o Vasco sempre foi um terror. Levantamentos feitos dão conta que as vitórias do Vasco sobre o Botafogo são muitas e as derrotas são poucas. Dos times do Rio de Janeiro o Vasco sempre foi grande pedra em nosso sapato. De alguns anos para cá a situação se inverteu. O Botafogo cresceu? Nem tanto... O Vasco é que desceu a pirambeira!

Durante anos a direção do Vasco brincou com o Gigante da Colina e o resultado está aí. Sem competência não se estabelece.

Façamos uma comparação entre a forma de gestão do São Paulo com a do Vasco. O resultado não poderia ser diferente: um ganhou três campeonatos seguidos e o outro flertou com a segunda divisão nos últimos anos até que finalmente para lá se foi...

Os dois exemplos que dei nas postagens de ontem e de hoje são atuais e apaixonantes. Na vida é assim também.

Muitas vezes transformamos a vida numa espécie de jogo. Quem assim quer fazer deve lembrar que sem competência o destino é o brejo!

Tomemos como lição diária esses dois exemplos que estão diante de nós e reflitamos um pouco. A busca pela competência é a chave para a sobrevivência nos tempos atuais. Não há mais espaço para improvisação ou “jeitinho brasileiro” ou teorias que não estejam escudadas na realidade, nem mesmo orações sem fim...

Quem tem competência que se estabeleça! Os demais assistirão e baterão palmas ou arderão na panela da inveja, frustração, desespero...
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

QUEM TEM COMPETÊNCIA...

Quem tem competência...
Enéias Teles Borges

“Quem tem competência se estabelece...” Frase lapidar que se encaixa até mesmo no futebol que é a grande paixão esportiva do brasileiro.

Os que me conhecem sabem que meu time do coração é o Botafogo de Futebol e Regatas. Sou torcedor sofrido, sem muitas glórias recentes e que me contento, por hora, com a sétima colocação no campeonato brasileiro de 2008 – melhor campanha desde o título de 1995.

Não digito este texto para falar do Glorioso de General Severiano, mas para tecer comentários acerca do valor da competência.

O São Paulo é o time no Brasil (talvez único) com padrão de primeiro mundo. Excelente estrutura, diretoria eficiente, elenco fenomenal, técnico inteligente e trabalhador. Com esse tipo de competência é possível se estabelecer. Foram três campeonatos brasileiros seguidos: sempre chegando nas demais competições, sempre vendendo jogadores para o Exterior, sempre comprando os jogadores certos e sempre investindo na base, revelando valores com espírito de equipe.

A torcida deste time não pára de crescer. Minhas duas filhas, ainda crianças, aderiram. Acredito que pelo menos metade da geração que surge torce ou torcerá para o time do São Paulo. Por quê? Porque é fácil torcer pelo tricolor paulista...

Meus parabéns a esta “empresa” de primeira linha e aos seus torcedores!

Digo, para finalizar: os demais times que se cuidem. Caso contrário o futebol no Brasil será um tédio. Não terá graça ver o São Paulo ganhando tudo...
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O genoma do mamute

O genoma do mamute
Enéias Teles Borges


04/12/2008 - Universo Online (assinantes).

O genoma do mamute abre as portas para reavivar espécies extintas. As dificuldades técnicas não são insolúveis, mas existem dilemas éticos

Por: Javier Sampedro

O genoma recuperado dos gelos siberianos é um avanço enorme que nem mesmo o recém-falecido Michael Crichton ousou imaginar em seu livro Jurassic Park. Mas daí a ressuscitar o mamute, existem obstáculos gigantescos que a genética atual não é capaz de contornar. Mas todos esses problemas são puramente técnicos, e serão solucionados mais cedo ou mais tarde. Será que veremos um parque safári na Sibéria com mamutes devolvidos à vida pela graça do homem? E principalmente, o que acontecerá com o homem de Neandertal, o segundo genoma fóssil previsto?

Um óvulo fecundado humano é muito parecido com o de um mamute. Se o primeiro produz uma pessoa e o segundo, um mamute, isso se deve ao genoma, o conjunto de genes, que dirige o desenvolvimento da evolução.

O genoma do mamute consiste em 4 bilhões de bases, ou letras químicas do DNA (aggcttcaa...), e seqüenciá-lo é determinar a ordem exata dessas letras. Isso é o que os cientistas russos e norte-americanos (quase) conseguiram fazer recentemente.

O genoma do mamute atual é como se fosse uma cópia imperfeita de um livro (tecnicamente, sua cobertura é de 0,7 vezes um genoma). Segundo estima o caçador de genomas fósseis Svante Pääbo, diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, uma seqüência de "qualidade razoável" precisaria de uma cobertura de 12 vezes, ou 12 livros imperfeitos.

Ainda assim, uma "qualidade razoável" significa um erro a cada 10 mil bases (as letras a, g, c, t do DNA). Como o genoma dessa espécie tem uns 4 bilhões de bases, isso dá um total de 400 mil erros. Esses "erros" no genoma de papel se transformariam em "mutações" reais num mamute reconstruído.

"Ainda não podemos devolver o mamute à vida", diz o subdiretor do centro de DNA antigo da Universidade de Adelaide, Jeremy Austin. "Uma seqüência genômica não faz um ser vivo. Tudo o que temos agora é um genoma parcial, com um número considerável de erros. Seria como tentar fabricar um carro com apenas 80% das peças, e sabendo que algumas estão quebradas".

Entretanto, nenhum desses obstáculos é insuperável. Contorná-los é apenas uma questão de mais mamutes e mais dinheiro. E a solução de muitos outros problemas aparentemente mais graves pode ser mais simples ainda: a trapaça. Ou seja, abandonar a obsessão de reproduzir fielmente um mamute, e conformar-se com algo que apenas se pareça com o animal. A evolução biológica, afinal de contas, também é oportunista.

Por exemplo, os genes do mamute são agora entidades virtuais: textos(aagattcct...) escritos em um papel, ou gravados na memória de um computador, e será preciso transformá-los em coisas, DNA real dentro de cromossomos palpáveis, para que sirvam para algo. "Mesmo que tenhamos um genoma completo e bastante preciso", diz Jeremy Austin, "resta a questão de como construir os cromossomos". Não sabemos nem sequer quantos cromossomos tinha o mamute.

Mas é provável que isso não seja necessário. Duas espécies de moscas indistinguíveis à vista humana podem diferir enormemente em sua estrutura cromossômica. Até duas pessoas tem algumas diferenças na estrutura. Os elementos essenciais de cada cromossomo são os que iniciam sua duplicação em cada ciclo de divisão celular - origens de replicação - e os que garantem a distribuição das duas cópias às células filhas - centrômeros. E ambos foram sintetizados artificialmente com sucesso.

O mesmo vale dizer em relação a colocar os cromossomos dentro de um núcleo. E o restante são técnicas que ainda não foram testadas em elefantes, mas que já são corriqueiras em outros mamíferos: introduzir o núcleo em um óvulo, estimulá-lo para que comece a desenvolver-se e implantá-lo numa elefanta. Esses são os passos de uma clonagem, ainda que entre espécies diferentes, sendo que uma delas inexistente.

De acordo com projetos existem há anos, o primeiro objetivo de uma ressurreição hipotética do mamute será provavelmente um parque-safári.Em 2002, por exemplo, uma equipe de cientistas japoneses financiados pela companhia tecnológica Field inspecionou os gelos siberianos em busca de mamutes bem preservados. Eles estavam interessados nos testículos do animal, porque o esperma é um dos tecidos que melhor se conservam a frio. Sua intenção era utilizar um espermatozóide para fecundar um óvulo de elefanta. Se nascesse uma fêmea híbrida, eles tornariam a fecundá-la com outro espermatozóide do mamute original, e assim sucessivamente até construir um parque-safári de 150 quilômetros quadrados na república siberiana de Sakha, no noroeste da Rússia.

Se a finalidade de ressuscitar o mamute é exibi-lo num parque-safári siberiano, as trapaças podem ser levadas ao extremo, como sugere Pääbo à revista Nature. O Instituto Broad de Cambridge, Massachusetts, um dos pólos do projeto genoma, já trabalha na seqüência de um dos parentes vivos do mamute, o elefante africano Loxodonta africana.

Comparar os genomas dos dois paquidermes conduzirá os cientistas aos genes-chave que distinguem o mamute, ou seja, os genes responsáveis pela sua cor escura, por seu pelo abundante e, sobretudo, por seus dentes exagerados. Pääbo acredita que a introdução desses poucos genes num elefante comum produziria algo bastante parecido com um mamute para ser exibido num parque-safári. Um pseudo-mamute de exibição.

"Não seria um mamute em nenhum sentido que pudesse satisfazer a um purista", diz o geneticista de Leipzig, "nem a um ecólogo, nem a um idealista que sonhe em restaurar um grandioso passado perdido. Mas seria suficiente para um parque de atrações e evitaria os problemas técnicos mais perigosos. E é tudo o que posso aspirar a ver nos meus anos de vida".

Michael Crichton acertou três vezes com seu livro Jurassic Park (1990). Primeiro, preveu a ressurreição de espécies extintas. Depois, sua exibição em parques de atrações. E terceiro, as trapaças ao estilo de Pääbo. Seus cientistas não puderam recuperar nenhum genoma completo de dinossauro, e introduziram os genes-chave de dinossauro em simples rãs (uma escolha discutível; o avestruz parece uma opção melhor, já que as aves evoluíram a partir dos dinossauros). Dessa forma, os monstros jurássicos do parque não eram nada além de pseudossauros de exibição incapazes de satisfazer a um purista. Mas isso não os impedia de dar mordidas.

O verdadeiro dilema ético é que, quando for possível ressuscitar o mamute, também será possível ressuscitar o homem de Neandertal, uma vez que esse será o segundo genoma fóssil seqüenciado. Essa é uma questão totalmente diferente, mas não por questões ecológicas. Os problemas técnicos serão tão formidáveis quanto no caso do mamute. Mas também, da mesma forma, nenhum deles será insuperável. E a solução estará em abandonar a obsessão em reproduzir fielmente um Neandertal, e conformar-se com algo que se pareça com ele.

A comparação do genoma humano com o do Neandertal já está em marcha, e pouco a pouco revelará os genes específicos do Neandertal. Será possível então criar um pseudo Neandertal, mas nesse caso a história é bem diferente, porque falamos de uma espécie humana inteligente, que cuidava de seus doentes e enterrava seus mortos.

Os Neandertais se extinguiram há menos de 30 mil anos. As últimas populações viveram em Gibraltar. Sua capacidade craniana era maior que a nossa, e as evidências anatômicas e genéticas apontam para o fato de que eles possuíam a faculdade da linguagem. Eles se espalharam por todo o continente europeu durante centenas de milhares de anos, e co-existiram com a nossa espécie, o Homo sapiens, durante cerca de 10 mil anos na Europa. Nosso papel em sua extinção é um mistério.

Em todo caso, o avanço da genética foi mais rápido do que imaginou Crichton ou qualquer cientista dos anos 90. Os únicos genomas seqüenciados até então eram de vírus, com cerca de 10 quilobases (10 mil letras de DNA).

O genoma humano é 10 mil vezes maior, e os mamutes e dinossauros estão próximos disso, de modo que ler um genoma fóssil completo desses animais era inimaginável (por isso as rãs). Mas 20 anos depois isso é um fato.

"O campo do DNA antigo avançou muito desde o primeiro estudo, de 1984, que conseguiu uma amostra de material genético da quagga, uma espécie de zebra extinta", diz Michael Bunce, chefe de DNA antigo da Universidade de Murcoch, na Austrália ocidental. Para este cientista, como para a maioria, o maior interesse desses trabalhos não é reavivar as feras, mas aprender como os genomas se relacionam com os organismos, como as variações dos genes alteram a forma e as características das espécies.

"Comparando os genomas do mamute e dos elefantes atuais, ou do Neandertal e dos humanos modernos, podemos começar a responder as questões biológicas mais fundamentais", afirma Bunce. "Que genes são responsáveis por quais características físicas? Comparado com seus primos africanos, que genes alteraram o mamute para adaptá-lo a climas frios?"

No fundo, Bunce está buscando os mesmos genes que os hipotéticos criadores do parque-safári, ainda que por razões distintas. "Se poderemos dentro de alguns anos devolver o mamute à vida? Nada disso

Sabermos a seqüência de DNA de algo não quer dizer que possamos manipulá-la geneticamente para recriar o organismo extinto. Esse tipo de desenvolvimento ainda é uma “fantasia", diz o especialista.

Mas há uma palavra que aparece por todas as partes nesse contexto: ainda.

Um túnel do tempo

Há túneis do tempo genéticos que nenhum escritor explorou, mas com os quais os lingüistas trabalham diariamente. Não há gravações de 10 mil anos atrás que demonstrem que a palavra pé era "pod" na língua indo-européia ancestral. Os lingüistas comparam as palavras pie, foot, vot, pés e pada e deduzem qual a sua origem evolutiva. Os biólogos podem fazer o mesmo com os genes.

A comparação entre genomas e linguagens é mais do que uma metáfora, porque o DNA é um texto num sentido muito literal. Todos os genes têm a mesma estrutura (a famosa dupla hélice do DNA). A informação genética é a única coisa que distingue um gene do outro, que é a ordem das bases (as letras a, g, c, t) em fileiras. Da mesma maneira que a informação de um texto está contida na ordem das letras.

A comparação entre genomas de mamíferos permite reconstruir o genoma do primeiro mamífero. A comparação entre humanos, moscas e medusas revela o genoma do primeiro animal, a origem da evolução animal. O mesmo vale para cada gene concreto. Não é necessário recuperar fisicamente aquele DNA de 600 milhões de anos atrás. Pode-se deduzi-lo, assim como a palavra pode.

Se há uma conclusão geral, é que todas as funções fundamentais já estavam presentes no primeiro animal, há 600 milhões de anos. A evolução consistiu desde então em amplificar e refinar funções concretas em cada linhagem animal. Por exemplo, os sentidos sempre existiram, e todos têm uma lógica genética similar. Mas os genes dos receptores sensoriais (olfativos, do tato e demais) se propagam e retraem continuamente no genoma para adaptar-se às demandas do entorno.

Os geneticistas também exploram as possibilidades futuras. Utilizam os mesmos mecanismos que a evolução, mas em simulações aceleradas. Por exemplo, as proteínas costumam ser feitas de módulos, e a evolução gera novidade recombinando-os. As opções combinatórias são inesgotáveis, e os seres vivos só usam uma pequena fração das possibilidades. No laboratório, podem ser criadas muitas funções novas por meio desse método.

Um parque-safári verdadeiramente inovador não resgataria o passado de gelo. Mas o deduziria a partir de seus herdeiros atuais. E mostraria a estes as suas possibilidades futuras, além da certeza da extinção.

Tradução: Eloise De Vylder.

Fonte: Universo Online (para assinantes).
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

HITLER EM TRAÇOS DO MANGÁ

Hitler em traços do mangá
Enéias Teles Borges
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Dois polêmicos e famosos livros ganharam os traços do mangá no Japão. Mein Kampf (em português, Minha Luta), escrito na prisão por Adolf Hitler, chegou às livrarias japonesas em novembro. Agora, em dezembro, é a vez de O Capital, de Karl Marx.
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Leia o texto completo no Universo Online.
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Nota do Editor: Fico me perguntando se os quadrinhos tratando da fomosa obra de Adolf Hitler é uma iniciativa boa ou ruim. Fazer de conta que o Nazismo não existiu ou que deve ser esquecido vale a pena? Poderíamos afirmar que essa iniciativa no Japão é de "primeira linha"?
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O peso da idade - I

O peso da idade - I
Enéias Teles Borges

Às vezes penso que o peso da idade, no ser humano, é parecido com o efeito do tempo num carro, tornando-o velho. Há uma frase popular que diz: “Carro velho todo dia apresenta um problema novo...”

À medida que caminhamos na direção da velhice ocorre algo parecido. Estou com 46 anos de idade e a minha frase tem sido essa: “Cada dia apareço com uma dor nova”. É real: remédio para manter a pressão sob controle, para controlar a úlcera e gastrite e agora uma para minorar uma dor terrível nas costas. O trânsito de São Paulo é o maior culpado disso. São pelo menos duas horas e meia por dia (segunda à sexta) preso dentro do carro. De casa para o trabalho e do trabalho para casa. Sem contar os deslocamentos durante o expediente.

Começo a sentir o peso da idade!

Tenho aprendido a conviver com as dores que já não são novas! Envelheceram e me acostumei com elas. Tenho uma espécie de “torcicolo eterno” causado pelas tensões do dia-a-dia, notadamente pelas tantas audiências, acompanhamentos e digitações de peças processuais! Às vezes troco de dor. Tomo um remédio que diminui a dor nas costas, mas que ataca a úlcera. Depois inverto, afinal não seria procedimento justo “apenas” uma parte do corpo sofrer. Temos que ser democráticos na distribuição da dor. Todos têm direito (dever, obrigação?)!

Existe um alento: à medida que aumentam as dores no corpo, diminuem algumas dores na alma. Alguns medos vão se esvaindo com o passar do tempo...

Perder esses medos é importante, mas requer coragem!

Continua...
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Viver muito ou viver bem?

Viver muito ou viver bem?
Enéias Teles Borges


O brasileiro tem expectativa de via maior hoje do que tinha nos anos 1990. A vida se alongou, mas a qualidade de vida melhorou? O avanço da medicina tem proporcionado curas e alongamentos de vida. O povo tem se alimentado melhor (ou menos pior?). Quanto viveria o homem vivendo bem e tendo acesso a uma melhor saúde? Viver muito ou viver bem? O ideal seria viver muito e bem, mas não sendo possível qual seria a sua escolha?
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Expectativa de vida do brasileiro aumentou 5 anos desde 1991, diz IBGE
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A população brasileira ganhou 5,57 anos, entre 1991 e 2007, em sua expectativa de vida ao nascer, ao passar de 67 anos, em 1991, para 72,57 anos, em 2007, segundo mostra a Tábua Completa de Mortalidade, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Em 2006, a esperança de vida para o Brasil era de 72,28 anos e cresceu, portanto, 3 meses e 14 dias no transcurso de 1 ano. O diferencial por sexo que, em 1991, era de 7,70 anos, "experimentou um discreto declínio", passando para 7,62 anos, em 2007.
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Desde 1999, o IBGE divulga, anualmente, a tábua completa de mortalidade da população brasileira, em cumprimento ao disposto no Artigo 2º do Decreto Presidencial nº 3.266 de 29/11/1999.
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Os dados da Tábua de Vida são utilizados pelo Ministério da Previdência Social no cálculo do fator previdenciário das aposentadorias das pessoas regidas pelo Regime Geral da Previdência Social.
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(uol)
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O homem e a fé


A situação em Santa Catarina anda de mal a pior. Os esforços humanos são insuficientes, as autoridades pouco podem fazer. Quando assim ocorre só resta rezar. Pelo menos é o que sugere o governador de Santa Catarina. Vejam a reportagem do Provedor Universo Online.

30/11/2008 - 15h39
“Temos de rezar para parar de chover'” diz governador de SC

Fernando Narazaki e Renato Cury
Em Florianópolis*

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, disse ontem (30) que "a terra molhada, após quatro meses de chuva contínua, não suporta mais" e que é preciso "rezar para que pare a chuva, venha o Sol."

Luiz Henrique disse ainda que a reconstrução das áreas afetadas ocorrerá após o fim das chuvas. "Não tenho dúvidas de que isso vai acontecer, porque depois da tempestade vem a bonança. E na bonança nós vamos reconstruir."

(UOL)

Nota do Editor: Eis um momento interessante na vida de um homem, de uma família, de uma cidade e de um Estado da Federação. Quando tudo parece conspirar contra os “ideais humanos” o homem apela para a fé. Quando tudo parece falhar e impedir o bem estar humano, o homem apela para a fé. Quando a natureza cobra seu resgate e destrói as construções humanas, o homem apela para a fé. A fé que o homem exercita, num caso como esse, é para conseguir o que há de mais salutar para ele, homem. Pouco parece importar a própria natureza em si, os demais viventes... O que importa mesmo é o bem-estar humano. Quando esse bem-estar não condiz com a expectativa humana, o ser humano luta contra tudo e contra todos. Quando não consegue, mesmo após todas os esforços, o homem apela para a fé...

Enéias Teles Borges
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Um sermão atualizado

Um sermão atualizado
Enéias Teles Borges
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Fomos à igreja hoje e o pastor, para falar a respeito do jovem rico e da sua indisposição para doar seus bens aos pobres e seguir a Jesus, ilustrou o sermão com um tema atual. Na realidade é importante ilustrar mensagens dessa forma, ocasionando um entendimento rápido e objetivo.
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Texto completo no blog "Adventismo Histórico".
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Barak Hussein Obama

Barak Hussein Obama
Enéias Teles Borges
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O texto abaixo foi extraído do excelente blog Via Política do André Henrique. Recomendo a leitura completa do texto e a adição do blog aos seus favoritos.
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A eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos vem sendo tratada com excessiva empolgação e pieguice. Em função disso estão sendo criados mitos que custarão caro lá na frente. O primeiro deles é de cunho racial, setores da mídia, da intelectualidade e da política estão insistindo na retórica do “primeiro presidente negro eleito na história dos Estados Unidos”. Outro mito é caracterizar Obama como uma vítima cronológica, e acima de tudo um salvador. Ao se preocuparem com essas clivagens abstratas e boçais, estes setores deixam de priorizar o que realmente importa – a democracia.
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Texto completo: (Via Política).

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pomerode - SC

Pomerode
Enéias Teles Borges

Pomerode sofre com as chuvas. Confesso que sofro também. Passamos o Natal de 2004 lá, naquele lugar que parece um canto do Paraíso. Ela estava vazia pois quase todos os moradores tinham descido rumo ao litoral. A cidade era “nossa”. Ficamos num hotel agradável e fomos muito bem atendidos. Visitamos dois pequenos templos da Igreja Adventista do Sétimo dia e no dia 31 de dezembro assistimos a um "pedaço" da programação na Igreja Luterana.

Causa comoção ver o estado no qual se encontra aquela linda cidade - em face das chuvas.

Segue abaixo um pouco da história da cidade:
Assim como diversas cidades brasileiras, Pomerode surgiu com a imigração alemã no Brasil, em 1861, com a chegada dos primeiros imigrantes. A criação da colônia, estrategicamente entre Blumenau e Joinville, foi incentivada pelo grupo do Dr. Hermann Blumenau, para que fortalecesse o comércio entre ambas. Os lotes de terras foram divididos entre os imigrantes, que passaram a se dedicar às produções de arroz, batata, fumo, mandioca, feijão e na criação de animais. Com a chegada do século XX, pequenas indústrias se instalaram na região, com destaque para as de porcelana.

A maior parte desses imigrantes alemães vieram da região histórica da Pomerânia, situada entre o norte da Alemanha e Polônia e de onde se origina o nome do município. Os pomeranos são descendentes de uma mistura de povos germânicos e eslavos e, desde o século XII, quando passaram a fazer parte do Sacro Império Romano-Germânico, sofreram um processo de germanização de seu idioma e costumes. Quando chegaram ao Brasil, os pomeranos não se identificavam como sendo alemães, pois possuíam características culturais distintas porém, com o passar do tempo, acabaram se incluindo entre os alemães.

Dentre os diversos grupos de alemães que imigraram para o Brasil, os pomeranos formaram uma minoria e por isso, quando chegavam ao Brasil, mesclavam-se com outros grupos de alemães, o que contribuía para perder sua herança cultural. Apenas em três localidades brasileiras os pomeranos formaram a maioria dos imigrantes, contribuindo assim pela manutenção dos seus costumes: em Santa Maria de Jetibá, no estado do Espírito Santo, São Lourenço do Sul, Morro Redondo e Arroio do Padre, no Rio Grande do Sul, e em Pomerode.

Com o fim da II Guerra Mundial, a maior parte da Pomerânia foi anexada à Polônia e uma pequena parcela ficou na Alemanha, chamada de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Muitos pomeranos se refugiaram na Alemanha Oriental ou imigraram para outros países, com isso, acabaram por perder grande parte de seus costumes. De fato, o Brasil tem mais falantes da língua pomerana do que a própria Alemanha.

No Brasil, a II Guerra Mundial também foi decisiva para a nacionalização dos imigrantes alemães: o presidente Getúlio Vargas, após declarar guerra contra a Alemanha, proibiu o uso da língua alemã no País, além de proibir a construção de casas sob arquitetura germânica ou manifestação da cultura da Alemanha. Isso afetou Pomerode e todas as colônias alemãs do Brasil, que passaram a se abrasileirar.

Ao todo, 300 mil brasileiros são descendentes de alemães pomeranos.
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Fonte: (wikipédia).

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Consciência negra

O feriado de 20 de novembro é novo e inovador. Novo porque entrou em vigor faz pouco tempo e inovador por chamar a atenção para uma classe específica do povo: a que tem a pele escura.

Nem se sabe se um feriado assim é útil. Fato é que está sendo marcante a quantidade de providências que estão acontecendo no Brasil em decorrência da “consciência negra”.

De certa forma o movimento pró-negros está alcançando dimensão mundial e não é possível afirmar se é 100% bom ou se é ruim. A sociedade valorizará mais as pessoas “de cor”? A sociedade reagirá negativamente quanto a isso?

Alguns acontecimentos recentes estão fazendo um chamamento ao assunto do racismo e inclusão no mundo. Alguns atores negros vêm ganhando o Oscar e no Brasil muitos atores estão assumindo posições de destaques nas tramas. A televisão e o cinema costumam formar e direcionar opiniões.

Ademais não nos esqueçamos de Barak Hussein Obama e do campeão de Fórmula 1 Lewis Hamilton.

Existe um movimento de simpatia global, mas é preciso ver tudo isso com muita cautela. Vejam algo interessante: as cotas nas universidades federais. São 50% para alunos oriundos das escolas públicas, negros e índios...

Até que ponto essa “overdose” compensatória é boa?

Quem viver verá!

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Retorno ao mundo - III


O homem sabia, porque aprendeu a crer assim, que lá adiante existia uma herança para ele. Sabia também que para chegar até o local onde estava sua riqueza ele deveria passar por vales e montanhas, desertos e florestas. Estava consciente de que seria difícil chegar lá e não tinha certeza de que alcançaria seu oásis. Poderia morrer antes. Concluiu que por mais maravilhosa que seja uma riqueza à espera é preciso antes trilhar o caminho até ela...

O caminho que se deve percorrer até alcançar o futuro desejado é o “retorno ao mundo”. Por mais forte que seja a esperança quanto à realidade futura e distante, existe a vida na terra a ser vivida. Viver só em função de uma vida futura pode levar o vivente a se desgraçar no hoje.

O retorno ao mundo e a permanência nele pelo tempo que for necessário é o supra-sumo da realidade. É impossível alcançar o ideal sem viver o mundo real!

A alienação a qual muitos estão sujeitos (ou se sujeitaram) tem colocado uma venda nos olhos ao ponto de fazer com que se viva como se “só houvesse o amanhã”...

Amigo leitor:

Ao final deste terceiro texto eu o conclamo a essa simples reflexão: quer viver sentido a brisa suave da esperança? Assuma a realidade de que “viver com esperança não significa viver com a realidade” e enquanto o futuro não chega, vivamos o presente!

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Retorno ao mundo - II



No retorno ao mundo muito se deve ouvir e pouco se deve falar. Dizem que não se pode deixar de viver no mundo do jeito que ele é. Não se pode viver como se só houvesse o amanhã. Morrendo hoje de que adiantaria o dia seguinte? Pensam assim aqueles que dizem manter os pés no chão. Citam, inclusive, Jesus: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17:15).

Aqueles que consideram esse mundo como uma passagem obrigatória e nada mais do que isso se fundamentam em I João 2:17: “O mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.

O que dizer sobre tudo o que se ouve? Na realidade existem tantas maneiras de pensar e de viver que é possível separar aqueles que retornam ao mundo daqueles que nunca saem dele. Para estes últimos não há como sair do mundo pelo simples fato de que só existe ele. Sair para onde?

Sem entrar em ideologias e religiões o que podemos constatar é que às vezes chove lá fora e às vezes não. Virtual ou real o mundo está aí e ao que tudo indica é sensitivo! Por mais que alguém se encha de esperança quanto ao futuro em outra dimensão não é possível deixar de vivenciar a realidade presente. Esse sim é o retorno ao mundo! Não adianta torcer e desejar, nem mesmo odiar. O mundo está aí para ser vivido ou abandonado via morte! O que virá depois? Que cada um tenha livremente a sua teoria...

Continua...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Retorno ao mundo - I


Os últimos textos postados aqui versaram sobre um assunto que transcende à realidade no planeta terra. Os tópicos “umbigo do mundo”, “caixinha de porcelana” e “reino divino” reflexionaram acerca do ideário humano num contexto voltado para a vida espiritual.

Precisamos, enquanto o futuro almejado (certo ou incerto) não vem, ter em mente que estamos com os pés na terra e neste nosso mundo presente alguns “fenômenos” seguem ocorrendo.

No mundo atual estamos batendo numa crise que nos parece sem precedentes. Estamos numa gangorra que foi promovida pela ciranda financeira global. A marcha humana é em direção ao caos. Os depósitos de esperança capitalista fazem o mundo tremer!

De repente surge um nome que traz esperança, mas não deixa de ser uma incógnita: Barak Hussein Obama. Primeiro presidente negro, eleito para o próximo exercício. Tem sido objeto de comparações: Lincoln e Kennedy. Ambos inovaram e os dois foram assassinados. As comparações são em todos os aspectos?

Enquanto Obama não assume o mundo segue girando. Bolsas asiáticas, bolsas européias, bolsas americanas... Recessão global! Muita gente, pouca comida, efeito estufa, catástrofes naturais, profetas de plantão...

Esse é o cenário, vão começar a rodar o filme. Qual será o final?

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O reino divino - II

Há duas opções para a escolha do reino divino. Uma é (a) pela comodidade resultante da tradição. O reino escolhido é justamente aquele no qual o fiel já está inserido. Ele é convencido ou convence-se de que o reino divino no qual se encontra é o reino verdadeiro. Julga-se um privilegiado. Enquanto bilhões estão no reino errado, ele é o “sortudo” que já nasceu ou escolheu o reino correto.

A (b) outra forma é difícil e pode resultar em um dos dois finais possíveis. (1) O investigador poderá, no final, adentrar para o reino que lhe dá segurança. A segurança obtida é decorrente de uma escolha consciente e (2) pode ser que o investigador descubra que tal reino divino não existe (pelo menos não na forma como desejaria que fosse...).

Como podemos concluir existem duas possibilidades de habitar no reino divino e uma que exclui a existência de tal reino sob a égide de um ente poderoso.

Para o realista a busca ao reino divino é dura! De fato é penosa. Ele é sincero e sabe que o caminho iniciado é sem retorno. Ele poderá descobrir o “verdadeiro” reino ou simplesmente descobrir que ele é fruto do imaginário humano. Há que se ter coragem suficiente para seguir por esse tortuoso e estreito caminho.

Como sempre se soube o caminho da verdade é íngreme, curvo, cheio de contratempos... Mas é o caminho da verdade e ele não promete um final feliz. Promete, sim, um final verdadeiro. Essa verdade é aquela mesma da qual muito se falou: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Qual verdade e qual liberdade? A verdade é aquela descompromissada e a liberdade é aquela que nos livra do jugo do erro.

O problema é que os “idealistas” querem que a verdade e a liberdade coadunem com o seu desejo e com sua fé. Complicado, não é? Quem não quer assim? Qual a pessoa que não deseja um reino divino à sua imagem e semelhança?

Amigo leitor: o reino divino existe. Ele pode ser real ou pode ser fruto da imaginação humana. O reino divino pode ser uma criação do todo poderoso ou pode ser engenharia da mente humana. Pode ser maravilhoso e pode ser “um sonho lindo que se foi...”

Uma coisa é certa: ele existe!

Enéias Teles Borges
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O reino divino - I

O reino divino não é desse mundo. Assim sendo ele transcende qualquer tipo de concepção escudada no pensamento humano. Não sendo daqui é praticamente impossível imaginá-lo à luz da compreensão dos homens que são finitos e tendenciosos.

Vencida a etapa da fé, ou seja, crer na existência de um ser superior, mister se faz considerar como seria esse reino.

Em geral o terráqueo projeta o reino de sua divindade com base no seu existir humano. Em cada época da história o homem imaginou um reino divino. Hoje acontece assim também. Afinal como seria o reino divino?

Caso a busca às respostas parta de dados estatísticos nós teremos milhares de formatos do reino divino. Cada reino teria hierarquia e leis coadunando com o seu similar terrestre. Fica muito difícil imaginar esse reino divino - isto para quem está de fora. Para quem está dentro de qualquer protótipo na terra não será complicado. Cada um tem um reino divino com vestimenta feita rigorosamente sob medida. Enfim: cada extensão na terra tem, no seu imaginário, a concepção exata do reino divino.

Curiosamente existem fontes antigas que apontam para tudo isso. São livros famosos e milenares, que sobreviveram a todos os tipos de ataques. Esses livros são os sustentáculos das muitas nuances da fé. Desses livros emergiram os grandes conglomerados de culturas religiosas, com destaque para o Judaísmo, Cristianismo, Islamismo. Ainda existem “n” culturas orientais e afins...

Esses grandes aglomerados deram origem a milhares de pequenas culturas da fé. Cada micro célula tem uma projeção, tal corte de alfaiate, que descreve, rigorosamente, o formato do reino divino.

O reino divino é maravilhoso! Todos querem morar nele e por que assim almejam vivem, ainda na terra, num ensaio geral. Esse ensaio é uma tentativa de viver por antecipação “um pedacinho do céu” que é o reino divino.

Quem não quer ser cidadão do reino divino?

A primeira etapa para quem quer habitar no reino divino é crer em sua existência. O segundo passo é complicado. Existem muitos protótipos do reino divino. Qual seria o verdadeiro? Como escolher?

Continua...

Enéias Teles Borges
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