terça-feira, 18 de setembro de 2012

Medo: 21 de dezembro de 2012

Muitas pessoas creem na volta de Cristo em honra e glória e entram em contradição: morrem de medo do dia 21/12/2012. A famosa data do calendário maia. É incrível como a fé que remove montanhas não remove o medo daquela data. Sabe-se que muitas pessoas dão como certo o acontecimento calamitoso que dizimará a humanidade ou quase a sua totalidade. 

Afinal: acreditam naquilo que professam ou não? 

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O sol é para todos. E a sombra?

É comum dizer que o sol é para todos. Fato inquestionável. O famoso ditado popular é uma sugestão de que o amor e a justiça são para todos. Vamos com calma. Usar o sol como exemplo é, no mínimo, uso indevido. A questão é: quem quereria ficar o tempo todo sob o sol? Quem suportaria o calor permanente sobre si. O verdadeiro equilíbrio e ter o sol e também ter direito ao uso da sombra. Daí a necessidade de completar o adágio popular. O sol é para todos, mas a sombra não...

Muita calma nessa hora. Há que se tomar cuidado com os exemplos mal acabados, especialmente aqueles utilizados pelos difusores da Teologia da Prosperidade. Cuidado com essa turma que se diz do bem...

Enéias Teles Borges

domingo, 16 de setembro de 2012

O que é fanatismo?

Fanatismo (do francês "fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente freqüente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.

Em Psicologia, os fanáticos são descritos como indivíduos dotados das seguintes características:

1. Agressividade;
2. Preconceitos vários;
3. Estreiteza mental;
4. Extrema credulidade quanto ao próprio sistema, com incredulidade total quanto a sistemas contrários;
5. Ódio;
6. Sistema subjetivo de valores;
7. Intenso individualismo.

O apego e cultivo, mesmo quando desmesurado, por determinados gostos e práticas (como costuma ocorrer com colecionadores de selos, revistas, etc) não configura, necessariamente, fanatismo. Para tanto, faz-se preciso que a conduta da pessoa seja marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções.

De um modo geral, o fanático tem uma visão-de-mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista.

Tradicionalmente, o fanatismo aparece associado a temas de natureza religiosa ou política, porém, mais recentemente, ele se tem mostrado também em outros cenários, como os das torcidas de futebol.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Planeta Júpiter: os religiosos são tolos?

Meteoros colidem contra Júpiter e logo aparecem membros da comunidade Fé Cega e Faca Amolada (FCFA) para dizer: "vejam como é obra de Deus. Nossa Terra é perfeita para abrigar a vida. Até existe um planeta gigante que impede que meteoros caiam sobre nós..." Quanta bobagem! Sendo Deus um criador de coisas perfeitas, qual a necessidade da existência de um "planeta protetor"? Se tudo é perfeito, por que cometas e meteoros colidem contra planetas? Não seria sinal da perfeição a "não existência" de meteoros destruidores no Sistema Solar? Incrível como os religiosos que não ponderam de maneira sóbria, lançam a ideia de que os religiosos, em geral, são tolos...

Enéias Teles Borges

domingo, 9 de setembro de 2012

Diálogos no Facebook - I

As redes sociais possuem dois lados: o bom e o ruim. No lado bom existe a disposição para o diálogo. Segue abaixo um deles, iniciado no dia 3 de setembro de 2012. O ponto de partida foi a foto acima (tecle para ampliar).

DIÁLOGO:

- ????

-  Quem tem razão? Seria essa a dúvida? Pergunte para o Cristão, Judeu, Muçulmano. Cada um dirá que está certo e que o outro está errado...

-  E quem está certo??

-  Como vou responder? Seria justo? Conheço 100% das outras vertentes? Uma pessoa honesta só dirá que está certa se conhecer profundamente todos os demais pensamentos. Eu, como agnóstico-teísta, não me vejo com autoridade suficiente para dizer quem está certo. O que sei das demais religiões do mundo? O que sei do ateísmo? O que sei do agnosticismo? Sei que existem "bitolados" que dizem saber a verdade conhecendo "mal e porcamente" o próprio nariz...

-  Será mesmo que não existe uma religião verdadeira? será que quando Deus fez a humanidade ele não instituiu uma fé? Por que que muitas pessoas preferem acreditar que vivendo da forma que está vai melhorar alguma coisa?

- A sua pergunta é excludente: você já partiu do pressuposto de que o "Deus Cristão" criou a humanidade. Se foi ele, o que dizer dos "deuses" das outras denominações? Lembre-se, apenas para exemplificar, que o Deus cristão é Triuno (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo). O Deus Judeu é Uno (não existem o Filho e o ES). Para o cristão a resposta verdadeira já existe, em parte: a religião verdadeira é o Cristianismo. Pergunto: qual deles? O cristainismo católico ou o cristianismo protestante? E aí como fica? Se for o protestante, qual das denominações? Batista, Metodista, Adventistas, Prebiteriana, Luterana, Testemunhas de Jeová, Mórmons, (...)? Todos dizem que são donos da verdade. E agora? 

-  Essa é minha pergunta, qual religião que Deus instituiu na criação do mundo? Pois é o que importa certo? Pois foi o inicio da humanidade!

-  Importa para você, pois para muitos nem existe um deus. Para muitos Deus bíblico não é do jeito que o cristão imagina. Precisamos parar de pensar que a maneira como nos ensinaram é a maneira correta. Precisamos, sozinhos, examinar TUDO e descobrir aonde estão a verdade e o erro. Pode ser que tudo o que tenhamos aprendido não passe de um "sonho de verão"... PERGUNTO: se você tivesse nascido e sido criado no Japão, em que Deus acreditaria? Lá o cristianismo pouco significa... 

-  Como ser humano que sou, inteligente como me considero, aprendi a buscar a verdade por mim mesmo, nunca ouço o que as pessoas me falam desde que eu a considerem verdade, do mais analiso e procuro a resposta verdadeira, uma coisa tenho certeza, Deus não tem placa de igreja, TEM UMA VERDADE... 

-  De fato um Deus que seja verdadeiro não está "amarrado" a uma igreja. Mas pode ser que ele nem exista, pelo menos na mente do ateu. Eu, como agnóstico, respeito a todos e afirmo com convicção: quem disser que possui a verdade está muito longe dela. Não importa se quem assim diga é ateu ou criacionista...

-  Concordo, por isso estudo para descobrir quem está certo, tenho meu coração aberto para todos os tipos de conhecimento desde que a pessoa esteja aberta para conhecer a verdade... 

Nota: As respostas são minhas e estão em itálico.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A arrogância e a ignorância andam de mãos dadas...

Os arrogantes que se arvoram à condição de donos da verdade, merecem o desterro. Como são desgradáveis aqueles (teístas ou ateístas) que se julgam detentores da "verdade verdadeira". Pernósticos que são, inflamam a massa desfavorecida de ideias e pensamentos próprios, levando-a à alienação. Como são detestáveis os pretensos sabedores de tudo, donos da única fonte da verdade. Aqueles que apostam no nada, num deus de muitas caras, são pessoas de fé aleijada. Não importa se são ateus ou criacionistas, baseiam-se em suposições, fé e fábulas. Depois vão atrás de amostras e supostas digitais para dizer que estão seguros ao lado da verdade.

A arrogância e a ignorância andam de mãos dadas...

Enéias Teles Borges

domingo, 2 de setembro de 2012

Hoje os ventos sopram numa direção e amanhã como será?

Prestes a completar 50 anos de idade eu me vejo em pensamentos. Nada parece ter sido o que inicialmente mostrava ser. Tanto para o lado bom, quanto para o lado ruim. O certo mesmo é que devemos nos preparar para o que a vida nos apresenta. Hoje os ventos sopram numa direção e amanhã como será? Se o vento sopra para o Norte eu saberei viver? E se mudar para outro lado eu saberei? Eis o grande dilema do homem. Quando sonha e acredita nas teorias suavizadoras que dizem: "sonhe e torne o seu sonho uma realidade". Sabem qual o sonho que pode se tornar real? Aquele que é compatível com a própria realidade - nua e crua. Não adianta sonhar com lindos campos se temos diante de nós, todo dia, o concreto metropolitano. Não adianta desejar uma vida maravilhosa no futuro, entregar-se aos braços da fé e concluir que tal sonho será a realidade futura. Qual o sonho do muçulmano, do judeu, do cristão, do budista e dos demais? Quer dizer que se pode sonhar e crer e que assim será a realidade futura? Então todas as religiões do mundo possuem a verdade, pois todas elas ensinam a sonhar e ter fé no sonho. Sonho que chamam de esperança, bendita esperança...

Então tá...

Enéias Teles Borges

domingo, 26 de agosto de 2012

Nada como o tempo

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida. 

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. 

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. 

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!  

(Autor desconhecido)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A crença no sobrenatural é perigosa

Há trinta anos o psicólogo americano Michael Shermer se dedica a combater superstições. Ele criou uma ONG, uma revista (Skeptic Magazine), sites e programas de TV focados em promover o pensamento científico e desmascarar charlatões. Shermer, que chega ao Brasil no fim deste mês para uma série de palestras, é autor de quinze livros. O último, Cérebro e Crença, foi lançado em português na semana passada. Nesta entrevista, publicada na edição de VEJA desta semana, ele diz que a tendência a se iludir com fantasias é própria do processo mental humano e defende o combate à crendice em favor do progresso. 

Por que as pessoas acreditam no inacreditável? 

A evolução fez do cérebro uma espécie de máquina de reconhecimento de padrões na natureza. Às vezes, esses padrões são reais, mas na maioria dos casos são fruto da imaginação. Milhões de anos no passado, ao ouvir um barulho vindo da mata, um hominídeo poderia supor que se tratava de algo inofensivo, como o vento. Se estivesse errado, e fosse um predador, correria o risco de ser devorado. Nosso ancestral poderia, por outro lado, imaginar a presença de uma divindade perigosa no mato e se afastar o mais rápido possível.

A segunda opção é a que a maioria adota. Imaginar o perigo e fugir garante a sobrevivência, mas também a ignorância. Ir até o mato verificar do que realmente se trata o barulho exige curiosidade e uma batalha contra os instintos. É nessa categoria, a dos homens que não se rendem a narrativas fictícias, que se encaixa o cientista. Os crentes seguem a trilha inversa, a dos que se contentam com suposições sobrenaturais. É um fenômeno que tem a ver com a química do cérebro: a convicção de que o pensamento mágico é o que basta para a compreensão do universo produz uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar que seres místicos, sejam eles deuses ou extraterrestres, se preocupam e cuidam de nós. Não nos sentimos sós. 

Como se sabe que o cérebro é propenso a acreditar no fantástico? 

A neurociência identifica padrões de ondas cerebrais distintos que nos levam a criar crendices e a ter prazer na constatação de que temos respostas às nossas dúvidas. Em situações extremas, como as enfrentadas por quem está no limite da resistência física ou próximo à morte, o cérebro reage com a redução da atividade na área responsável pela consciência e o aumento em regiões ligadas à imaginação. Essa reação natural está na origem das alucinações. Não há mistério nesse processo. Os cientistas são capazes de produzir visões ou a sensação de transcendência espiritual com o estímulo artificial de certas áreas do cérebro. 

O senhor foi um cristão evangélico ativo no esforço de atrair fiéis para sua igreja. Como se tornou um cético? 

Somos mais abertos à religião na juventude e na velhice. Naturalmente, no fim da vida é comum procurar por conceitos reconfortantes, ainda que irreais. No meu caso, o apelo da crendice me atingiu na juventude, como uma explicação fácil para tudo o que existe. A religião tem um apelo social enorme. O ambiente alentador de uma comunidade ajuda a afastar as dúvidas até daqueles que não acreditam plenamente no sobrenatural e nos dogmas religiosos. Desvencilhei-me da crença ao entrar para a comunidade científica. O método científico, cujo princípio básico é o de que qualquer afirmação deve ser comprovada em experimentos repetidos, alimenta o ceticismo e favorece o progresso. 

O que faz com que a ciência seja a melhor ferramenta para explicar o mundo? 

A ciência é democrática. Qualquer um pode estudar e chegar a conclusões racionais. Cientistas estão abertos à possibilidade de estarem errados e, por isso, promovem a invenção e a reinvenção de conceitos. É o que garante o avanço do conhecimento. A crendice é intolerante. Fixa uma verdade e não abre espaço para perguntas. Se nos apegássemos apenas ao sobrenatural, nunca teríamos saído da floresta e criado a civilização. 

No mundo moderno, ainda precisamos da crença? 

É impossível deixar de crer. A ciência também depende da nossa capacidade de elaborar crenças. Qualquer experimento nasce com uma premissa baseada no que se acredita ser verdade. Ideologias também precisam da habilidade de crer. Eu acredito no liberalismo, na democracia e nos direitos humanos. Podemos, porém, abandonar o que não pode ser explicado, como deuses e bruxos. Não nos faria falta. 

Há vantagens na crença? 

A evolução nos concedeu a habilidade de acreditar por boas razões. A crença em divindades nos levou a temer o mundo e, com isso, nos ajudou a sobreviver nele. Também contribuiu para a formulação de leis que regiam comunidades primitivas. A moral e a ética nasceram na religião. 

Se a ética tem origem religiosa, por que ela prevalece na sociedade laica? 

As igrejas se tornaram um fator de corrupção, motivo de guerras e perseguições. Por sorte, presenciamos o declínio da crença no sobrenatural. Países do norte europeu, onde apenas um quarto da população segue alguma religião, têm índices de criminalidade, suicídio e doenças sexualmente transmissíveis inferiores aos de estados em que a maioria dos habitantes é de crentes, como os Estados Unidos e o Brasil. Se a religião se declara um bastião da bondade, por que, historicamente, estados teocráticos são mais suscetíveis à criminalidade do que os seculares? 

Apesar de vivermos na era da ciência, cresce a crença no sobrenatural. Por quê? 

É verdade que vivemos num mundo em que a ciência faz parte do dia a dia. Todos gostam de iPhones e admiram as naves que pousam em Marte. Mas poucos abdicam de crenças sobrenaturais e aceitam a ciência como ferramenta para explicar o universo. A maioria só quer aproveitar os produtos da ciência. Quando se trata de responder a dúvidas primordiais, como a origem do universo ou o sentido da existência, preferem explicações irreais, mas convincentes em suas narrativas fictícias. 

Por que o senhor se dá ao trabalho de combater a superstição? 

Sempre me perguntam por que não deixo os crentes em paz. Ocorre que a crença no sobrenatural não é inócua. Ao contrário, é bastante perigosa. Acreditar na dita medicina alternativa é um exemplo. Muita gente morre por substituir o tratamento médico sério por procedimentos supersticiosos, como o consumo de ervas com propriedades supostamente milagrosas. 

Não é possível provar a existência de divindades e criaturas fantásticas. O senhor concorda que também é difícil provar que não existam? 

O fato de não explicarmos um mistério não significa que ele exija explicações sobrenaturais. Só mostra que ainda não há resposta. O ônus da prova cabe aos crentes. O cético só crê no que é provado. Nesse aspecto, a ciência tem feito bom trabalho ao desmascarar mitos. No passado, já se acreditou que a Terra viajava pelo cosmo no lombo de um elefante. Existem 10.000 religiões. Espanta-me a arrogância de quem supõe que só uma crença seja correta em meio a tantas. 

O senhor leva em consideração que pode estar errado? 

Assim como todos, só descobrirei a resposta quando morrer. Como cientista, estou aberto à possibilidade de ter me enganado. Se houver um ou vários deuses, ficarei surpreso. Mas não tenho medo. Se há um Deus, ele me deu um cérebro para pensar. Meu pecado seria usá-lo para raciocinar e buscar explicações? Um ser benevolente não me puniria por utilizar bem as armas que me concedeu.

(Veja)

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais do ano de 2012. Triste?


O dia dos pais de 2012 está sendo um dos mais tristes em minha vida. No dia 09/07/2012 meu pai sofreu um AVC e segue se recuperando com muitas dificuldades. Não é fácil para um senhor com 83 anos de idade sair de circunstância tão desfavorável. Ele está sofrendo e os filhos sofrem também.

Em toda a minha vida eu nunca vi meu pai chorar. Nem mesmo quando a mãe dele faleceu. Ontem (sábado) ele recebeu a visita de amigos da igreja. Ficou feliz e mesclou sorriso com choro. Primeira vez que o vi chorando. Disse que chorava de felicidade.

Ele alterna momento de extrema lucidez com confusão mental. É possível conversar com ele, ouvir histórias engraçadas do passado. Mais tarde ele muda. Parece viajar no tempo. Comporta-se como se estivesse em algum lugar do passado. Parece ser outra pessoa. Não essa de 83 anos. Conforme o que lhe vem à mente ele parece ter 60, 50, 40, anos ou menos. Fala de pessoas e locais do seu passado distante...

Não é fácil para um filho ver o pai desse jeito...

Razão pela qual eu, na condição de filho, estou enfrentando um dia dos pais diferente. Ruim mesmo!

Desejo que ele se recupere e que fique mais um pouco conosco. Há coisas boas que ainda poderemos fazer juntos.


Enéias Teles Borges

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Bíblia Não Tinha Razão

Em "A Bíblia não Tinha Razão", dois arqueólogos debatem sobre a verdade histórica da Bíblia, recolocando o debate na perspectiva correta, construindo o que os outros cientistas já definiram como a mais profunda e elaborada síntese entre as Sagradas Escrituras e a arqueologia realizada no último meio século.

Nota: É a minha leitura atual. Entendo que livros assim devam ser obrigatórios em todos os cursos de Teologia. 

Enéias Teles Borges

E a Bíblia tinha, mesmo, razão?

Aparentemente, a gente vai viver eternamente um verdadeiro conflito entre o pensamento racional e o pensamento religioso. Tudo teve início lá na Grécia Antiga, quando os primeiros filósofos propuseram uma nova maneira de interpretar o mundo, em choque com os sacerdotes e as pitonisas. E não tem sido diferente nos últimos séculos, quando, principalmente, a ciência refinou-se e encontrou novos métodos de pesquisa.

O post de hoje traz duas interessantes dicas de leituras. A primeira é o livro “E a Bíblia tinha razão”, de Werner Keller. O autor se propõe a pesquisar fatos supostamente históricos e provar acontecimentos narrados na Bíblia cristã. Religiosos dizem ser uma verdadeira reportagem histórica e com fundamento. Quem ler poderá fazer o julgamento.

O livro acabou se tornando um verdadeiro fenômeno, principalmente nas correntes de pesquisas teológicas do protestantismo, uma vez que o autor estaria comprovando fatos que eram tidos até então como mito por alguns cientistas. Até hoje é um sucesso de vendas em todo o mundo.

O livro citado foi um verdadeiro abalo científico: uma glória para religiosos e teólogos, uma destruição para historiadores e arqueólogos. Werner Keller foi massacrado por ter, supostamente, forjado provas e ter misturado fatos históricos com muita anacronia (associando fatos que ocorram em tempos e em espaços bem diferentes e distantes). A partir disso, dois arqueólogos lançaram a refutação.

Numa obra iconoclástica e muito provocadora, os arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Silberman refizeram os passos de Keller mostrando que muitos acontecimentos supostamente bíblicos não teriam acontecido. Dois fatos relatados e pesquisados pelos arqueólogos: o grande êxodo jamais teria acontecido e não houve escravidão judaica no Egito – esta porque não há nenhum relato egípcio da presença de escravos hebreus em seu território.

É reconhecido que os egípcios tiveram uma historiografia bastante meticulosa e metódica. Tiveram a preocupação de relatar em seus anais até mesmo suas derrotas para inimigos, as rixas entre sacerdotes, as invasões devastadoras e as maiores humilhações. Entretanto, em nenhuma anotação deste povo há as referências que a Bíblia aponta.

O livro “A Bíblia não tinha razão” é uma compilação dos conhecimentos arqueológicos mais recentes, com traduções de textos egípcios, hebraicos, sumérios e mesopotâmicos. Vale a pena conhecer um livro e depois o outro a fim de tirar suas próprias conclusões. Neste volume, os autores acusam o anterior de não ter tido o cientificismo de separar fato e farsa, ilusão e lenda, e tentar forjar provas.

Ambos são livros bastante desafiadores e polêmicos para os dois lados desta moeda. Vale ressaltar que essas duas formas de ver o mundo coexistem há séculos, e são somente formas de ver o mundo como há outras: a religião, a razão, o senso comum etc
 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Reminiscências confusas...

Minha família está enfrentando um momento muito difícil. Meu pai, que hoje conta com 83 anos, sofreu um AVC Hisquêmico e está acamado. Sofrendo muito. Não sofre sozinho. Filhos, netos e amigos sofrem junto. 

O curioso é que ao longo dos meus 49 anos de idade, só vi meu pai enfrentando problemas de saúde duas vezes: quando fez uma cirurgia necessária e quando teve grave problema na cervical. Em resumidas palavras: é como se ele fosse imune a qualquer tipo de doença. Mesmo na idade que tem, está reagindo valentemente. 

Não quero ficar preso à doença dele e sim aos efeitos da idade na vida humana (que me vieram à mente em virtude do especial momento). Interessante notar que não sofrer os efeitos da velhice só será possível ao vivente que vier a falecer antes dela chegar. Quem quer morrer jovem para não passar pela velhice?

Meu pai, em razão da medicação, está muito confuso. Meio sem noção do tempo no qual se encontra. Fala de assuntos atuais como se fossem antigos e antigos como se fossem novos.

Reminiscências confusas...

Muitas delas muito interessantes. De repente volta até nossa memória, parte da memória dele. Fala de temas de nossa infância. Trata de amigos antigos como se com eles tivesse conversado no dia anterior.

Será que ele voltará à normalidade? Poderemos contar-lhe desses momentos que agora vive?

Não sei...

Sei que a vida passa, a velhice caminha em nossa direção...

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os Mistérios de Jerusalém

Romance policial, de aventuras e de cultura. Em Nova Iorque, Paris, Moscovo, e mesmo nas margens do Mar Morto, um manuscrito com mais de dois mil anos faz correr muito sangue. Desvenda um dos 64 enigmas que ainda hoje protegem o tesouro do Templo de Jerusalém. Para além da cobiça do ouro, eruditos, mafiosos e terroristas tentam obter esse manuscrito milenar porque ele poderá também ajudar a esclarecer o mistério dos mistérios: por que Jerusalém? Por que foi escolhida por Deus — para aí construir a sua morada — uma aldeia situada nos flancos áridos dos montes da Judeia? A resposta encontra-se nas próprias fontes da história desse lugar, onde desde o princípio dos tempos se têm cruzado todas as esperanças e todas as violências. Revelar os mistérios de Jerusalém fará o mundo tremer.

Nota: Acabei de ler. Recomendo aos amantes do tema. Interessante a maneira como assuntos são abordados, numa mistura de ficção com a realidade.

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cansei dos que dizem saber de tudo...

Fiquei muito tempo no meio dos que sabem a origem de tudo. Dos que sabem como será o final de tudo. Dos que sabem como se originou o universo. Dos que sabem de tudo da vida atual. Dos que sabem o que virá depois desta vida. Os sabichões não se intimidam e ignoram qualquer refutação racional. Pela fé souberam, sabem e saberão de tudo...

Eu sei que eles não sabem. Sei que na verdade desejam. Desejam ardorosamente que seja verdade todo o objeto de seu suposto conhecimento escudado na fé. 

Cansei dos que dizem saber de tudo...

Cansei porque sei que nada sabem. Sei que apenas confundem desejo com verdade. 

O medo gerou o desejo, o desejo criou a esperança. A esperança que muitos pensam ser a verdade.

Cansei de tudo isso...

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Outro provérbio chinês...

PROVÉRBIO CHINÊS 

Como ao sapo falarei do mar,
se jamais deixou a sua lagoa?


Como à ave migratória falarei
da geada, se jamais deixou o seu torrão?


E como ao homem falarei da sabedoria,
se jamais deixou a sua ignorância?

domingo, 22 de julho de 2012

Retorno à rotina?

Nesta segunda-feira, 23 de julho, retornarei às atividades profissionais. Foram dez dias tentando descansar. Já estou me perguntando: como será a rotina neste segundo semestre de 2012? Europa decaindo, Estados Unidos nem tão fortes assim, Síria com centenas de mortes. O mundo quer evitar o colapso! E no Brasil? Eu diria que a crise continua. Não digo que chegou. Continua mesmo. Economia com baixa aceleração.

Falo como advogado. O que mais se quer é assessoria para administrar dívidas existentes ou que certamente virão a existir. São clientes que carecem de atenção, mas que não possuem condições de bancar honorários justos. O que é pior? Trabalhar e não receber ou simplesmente não trabalhar? Qual onera  mais os combalidos bolsos brasileiros?

Com essa saudação eu vou à luta. Quem sabe o Natal recompense tudo? Em 2011 foi bem assim...

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sorriso de quem chora...

Se o meu sorriso mostrasse o fundo de minha alma, muitas pessoas ao me verem sorrindo chorariam comigo. (Vicente Júnior)

domingo, 8 de julho de 2012

O ateu e o pecado

No mundo cristão pecado é transgressão da lei ou de preceito religioso. Neste mesmo mundo, o ateu é aquele que crê na inexistência de deus. A partir destas duas premissas emergem conclusões e quase todas falaciosas.

A principal delas decorre de um raciocínio torpe: o ateu não crê na existência de deus e, por esta razão, não enxerga motivo para cumprir uma lei religiosa. Concluem, portanto, que o ateu é um transgressor por natureza (ou escolha), pois não está sob a lei divina.

Esta forma de raciocinar impregnou o mundo cristão de tal modo que as pessoas sempre veem num ateu a cumplicidade com o erro. Erro, diga-se de passagem, somente enxergado pelo cristão e, segundo ele, ignorado pelo ateu. É razoável supor, dentro deste mesquinho pensamento, que todo ateu é ruim por convicção. Não é de se estranhar a maneira como os menos esclarecidos e os bitolados da fé cega e da faca amolada insurgem-se contra os ateus como se eles conspirassem contra a ordem, a moral e a ética.

Crianças desde o início da vida são induzidas a pensar assim. Tornam-se adultas preconceituosas e colaboram para que esta violência ideológica passe de geração para geração. O ateísmo e o pecado se confundem na mente dos cristãos modernos (como se fossem palavras sinônimas), o que sempre ocorreu no passado...

Hoje eu compreendo isso com mais facilidade. Costumo formular perguntas escolhidas e as dirijo a muitas pessoas que conheço. As respostas são sempre eivadas de preconceitos. Atualmente o preconceito contra o ateu é imenso e absurdo. Os pais cristãos acostumam-se aos casamentos entre pessoas de "raças" e "cores" diferentes. Até mesmo entre pessoas de religiões cristãs diferentes, mas casamento de cristão com ateu? Nem pensar...

Alguém discorda? Faça, de forma bem discreta, umas perguntas bem formuladas para os amigos que conheça de forma amistosa. Verá que estou coberto de razão, infelizmente...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 04/06/2010

terça-feira, 3 de julho de 2012

Você tem medo da morte?

Sobre a morte e o morrer
Rubem Alves

O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.

domingo, 17 de junho de 2012

Você quer ir para o Céu?

Fui criado num lar cristão. Formei-me em Teologia. Fui pastor durante alguns anos. Hoje sou advogado civilista e tributarista em São Paulo.

Muitas noites me vejo morando no Céu. Sim, no Céu que me ensinaram a desejar desde cedo. Que lugar maravilhoso! Lugar de indescritível beleza. Vida eterna na Terra renovada. Possibilidade de visitar milhares de outros mundos perfeitos. Passei grande parte de minha vida desejando logo a chegada do momento em que todos nós partiríamos do dessa Terra desolada, para passar mil anos no Céu. Depois desse milênio retornaríamos para nosso planeta renovado.

Como era bom viver acreditando em tudo isso.

Sinto saudades...

Você quer passar mil anos no Céu? Quer viver eternamente na Terra renovada?

Quem não quer?

Todos querem. Eu também. Eu quero que o sonho seja real. Quem não quer?

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobre a adaptação às mudanças...

"Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se apta às mudanças." (Charles Darvin)

domingo, 3 de junho de 2012

Eu também quero o paraíso...

Somente um louco não quereria. Quem deixaria de ir para o paraíso, caso houvesse uma chance? Quem não optaria pelo céu no lugar do inferno? Quem não quer viver eternamente num lugar no qual a paz e alegria se estenderão pela eternidade? Somente um louco não haveria de querer.

A questão é: não é porque queremos algo maravilhoso que tal maravilha passa a existir, exista ou tenha existido...

Eu também quero o paraíso, desde que ele exista. 

Desejar que ele exista, crer que ele exista... Tudo isso é bonito, mas efetivamente nada fica comprovado. Esperança não é verdade, desejo não é realidade.

Eu quero, mas existe?


Enéias Teles Borges

sábado, 2 de junho de 2012

Dois mundos: o real e o ideal...

Existem dois mundos: o real e o ideal. No mundo real nascemos, vivemos e morremos. No mundo ideal nós nascemos, vivemos e morremos com esperança de um dia voltar à vida. Qual o seu mundo? O real ou o ideal?

Enéias Teles Borges

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sobre o pacto com a solidão...

O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão. (Gabriel García Marquez)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Como evitar o envelhecer?

Muitas vezes eu me debruço, nos apoios da vida e fico observando. Assisto ao desdenhar constante de jovens, que pensam deter a fonte da eterna juventude, que olham para os idosos como se eles fossem de outro mundo. Como evitar o envelhecer? É possível? Sim é possível. Muitos sequer chegam à velhice, por escolha ou não.

Como evitar o envelhecer? Basta morrer antes que o avançar dos dias chegue. 

Simples assim...

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Seguindo uma multidão...


Seguindo uma multidão. Isso mesmo! Não é seguindo a multidão. São várias multidões. Poderíamos dizer que quase todas as pessoas que seguem, o fazem porque foram doutrinadas para seguir sem questionar. Seguir uma multidão é, quase sempre, seguir a orientação de familiares, amigos e afins. Não é um jornadear motivado pela escolha. Não existe exercício da racionalidade. Segue-se a multidão porque os conhecidos também seguem.

É triste saber que se é apenas um seguindo uma multidão. Se pelo menos fosse aquela multidão escolhida, analisada, tudo bem. Mas não é assim. Admito: ninguém é uma ilha, todos estarão ligados a uma multidão. A questão é: ligados por escolha ou por indução?

Daí ser razoável dizer: nada sou. Sou apenas um na multidão. Sou apenas um na multidão que não escolhi. Sou apenas um que segue porque fui doutrinado a seguir. Sou apenas mais um que acredita estar seguindo na direção certa, sem ao menos ter escolhido observar pela bússola da verdade...

 Enéias Teles Borges

sábado, 5 de maio de 2012

Dica de filme: Os Vingadores

Acabamos de assitir ao filme Os Vingadores. Em 3D e legendado. Quer diversão e até mesmo rir um pouco? Eis uma dica boa. Muita ação, efeitos especiais e aquele tempero ligado à ficção científica e à tecnologia que tanto agradam. Não posso falar muito aqui, pois muita gente ainda não o viu. Melhor deixar que curtam como fizemos. Com pipoca, refrigerante e afins.

Bom filme!

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Semelhanças entre infância e velhice

"Infância e a velhice são fases de passagem de mudanças e transformações. A criança é um vir a ser e o velho é o que foi, mas na verdade infância e velhice se cruzam"

 É impressionante que quanto mais idade nós adquirimos mais agimos como se não tivéssemos tal idade. Parece que quanto mais maduro achamos que estamos, não sabemos o que é maturidade. É que a vida não é uma questão de tempo e relógio, as vidas são mais que o tempo. 

Parafraseando Carlos Drummond de Andrade em seu poema Idade Madura: “Dentro de mim, bem no fundo, há reservas colossais de tempo, futuro, pós-futuro, pretérito...” E o que seria esse tempo? É o tempo do relógio? Um tempo de sucessão de momentos? Ou é o tempo imaginário? 

Memória é importantíssima para integridade pessoal 

Estamos invadindo o tempo vivido. Nós conseguimos construir nossa identidade quando construímos um futuro para dentro do passado. E sem perspectiva de futuro nosso presente se torna despedaçado. A imaginação e a experiência de vida tem um papel importante nesse processo. A experiência importa não tanto o que aconteceu na infância, no passado, mas como o futuro poderá ser reconstruído a partir da experiência desse passado. Estamos sempre reconstruindo nossas trajetórias alternativas de vida. Estamos constantemente preenchendo lacunas do passado. É assim que constantemente buscamos o significado da existência no aqui e agora da vida. Para tanto a memória é importantíssima para nossa integridade enquanto pessoa.

Semelhanças entre infância e velhice 

As fases da vida do ser humano que transita da infância à velhice, que são fases em que entra em questão a fragilidade da condição humana, nos faz enxergar o velho e a criança como seres entre “duas águas marginais”, entre um futuro e um passado que fazem de seu presente um enigma em si mesmos e para a sociedade em que vivem. Diante do enigma, todos se perguntam sobre quem são e como é o mundo onde estão e no qual se encontram. 

A infância e a velhice são fases de passagem de mudanças e transformações. A criança é um vir a ser e o velho é o que foi, mas na verdade infância e velhice se cruzam. Porém, crianças e velhos são sujeitos categorizados socialmente que colocam como exigência um olhar devagar para observar as diferenças e particularidades. Crianças e velhos são sujeitos de vivências individuais e coletivas ao mesmo tempo, que fazem parte de um patrimônio cultural e social, a um só tempo. São eles também que evidenciam a natureza das sociedades modernas classificadas de coisas, de pessoas e de tudo o mais. Para muitos grupos sociais a criança é aquilo que ainda não é, e o velho, aquilo que consiste uma ameaça em termos de futuro. Assim, ambos tornam-se vitimas de algo que está fora deles, fora de um ideal de sociedade. A criança e o velho são assim vistos como seres sem independência, sem desejos, sem autonomia, sem vontades, sem capacidades para gerenciar-se.

A modernidade sucateia as vidas humanas. Então o ideal fica sendo a eterna juventude congelada no tempo. E as pessoas esquecem que o que importa são as experiências de vida sejam vividas em qualquer fase, na infância, na adolescência, na juventude, na maturidade, na vida adulta e na velhice. Diz o poeta Fernando Pessoa “Minha vida tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra cousa todos os dias são meus”. É preciso ver o envelhecimento numa perspectiva de desenvolvimento. Estamos sempre nos desenvolvendo”.

Uma reconstrução imaginativa é criada por nossas atitudes diante das nossas experiências. Por que exploramos potencialidades do passado. O que importa é como nós refletimos sobre as experiências vividas. É assim que amadurecemos nossas habilidades. Os valores são reconstruídos no presente. Fazemos constantemente contrastes de experiências de eventos. Isso tem implicação de como nós pensamos o tempo. O tempo de vida não é uma duração com ritmos pautados para viver. É a experiência do tempo que passa. Nós somos o tempo. Infância e velhice se desdobram, se transformam, se reelaboram, possuem força e fragilidade ao mesmo tempo. Nossa experiência pessoal, nossa história de vida é um valioso memorial.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ingênuos, sortudos ou arrogantes?

Já ouviram a frase, proferida por difusores de cultura religiosa, que diz respeito ao lugar no qual se encontra a verdade? Algo mais ou menos assim: "venha para cá, a verdade está aqui." Ou "somos os remanescentes de Deus na terra. Aqui é o seu lugar, com os que possuem a verdade..."

Quando ouço frases assim, que partem de todas as agremiações de fé, eu me pergunto: as pessoas que pensam e divulgam essa maneira de acreditar são ingênuas ou sortudas? São ingênuas ao ponto de se firmarem na "certeza" de que possuem a verdade e que bilhões estão no erro? Ou são sortudas ao ponto de terem nascido na hora certa, no lugar certo, na igreja certa?

Não seria tudo isso uma arrogância velada, de tal forma inserida no ser, que tira da pessoa toda a capacidade crítica e a lança na vala comum dos que acreditam sem qualquer fundamento?

Confesso que não sei se são arrogantes, sortudos ou ingênuos...

Enéias Teles Borges

sábado, 28 de abril de 2012

A crença velha e a crença nova...


Um homem, que passou quase toda a vida na selva, aprendeu a adorar o Sol, como o criador de tudo. Um dia um missionário o encontrou e pensou em evangelizá-lo. Compensaria? Talvez não. O homem estava com quase 100 anos e dali a pouco haveria de morrer. Era um homem feliz. Tinha convicção de que o Sol, seu criador e criador de tudo, haveria de transportá-lo para um mundo no qual a morte não mais existiria. Viveria eternamente adorando o Sol, seu deus.

O missionário entendeu que de nada adiantaria tirar aquele homem de fé, do seu mundo de crença solar. Mesmo porque o homem viveu feliz e morreria feliz, tendo plena convicção de que acreditava no que era verdadeiro. Trocaria a sua fé pela outra, com quase 100 anos de idade? Possivelmente não. Eis que o missionário chegou à conclusão que o melhor seria deixar tudo como estava. Que esperança tão eficaz teria, para oferecer para aquele homem, quase centenário?

A lição do missionário segue ecoando. Que os idosos, que passaram a vida acreditando de uma forma, que são felizes assim, continuem crendo dessa maneira. Que esperança tão eficaz existe que permita extirpar a fé antiga, introduzindo uma nova? Até porque a fé nova, na qual muitos acreditam, é desacreditada por outros, que também possuem uma fé nova...

Enéias Teles Borges

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