domingo, 14 de novembro de 2010

A questão da certeza no agnosticismo


Partindo duma premissa interessante do agnosticismo, que se finca na convicção de que é impossível provar ou negar a existência de deus, servindo-se dos meios humanos, eu me pergunto: Como se faz, então, a opção pelo teísmo ou pelo ateísmo? Claro que proponho a questão olhando pela perspectiva de um agnóstico...

Questão de escolha, sim, meramente de escolha. Um agnóstico pode, mesmo afirmando ser impossível provar ou negar a existência de deus, escolher ser criacionista ou ateu. Quando perguntado sobre o motivo de uma escolha ou outra, a resposta seria simples: “mesmo tendo a convicção de que é impossível provar ou negar a existência de tal divindade, por questão pessoal (e afins), escolhi ser assim ou assado...”

Muitos, quem sabe, surpreender-se-ão com isso. Imaginam que se um indivíduo não é ateu ou criacionista ele, por exclusão, é agnóstico. Já tratamos por aqui esse ponto. O agnosticismo não é o meio termo entre teístas e ateístas. Ponto final!

É possível, portanto, existir agnóstico ateu e agnóstico teísta e mais, dentro do teísmo é possível encontrar um agnóstico deísta.

Qual é, então, a diferença entre um agnóstico criacionista e um criacionista “normal”? Tomando como exemplo apenas o cristianismo, podemos afirmar que um criacionista “normal” aceita os fatos bíblicos como sendo verdadeiros. Exemplificando: o dilúvio. O agnóstico criacionista, por acreditar ser impossível provar ou negar a existência de deus, tende a não aceitar o dilúvio da forma como exarada na bíblia. Como seria possível acreditar nas informações dadas no livro milenar, como sendo a palavra expressa de deus, se ele, agnóstico, não vê prova de existência do poderoso ser?

Não é tão simples assim a questão da certeza em face do agnosticismo criacionista. E não poderia ser diferente. O criacionista “normal” não tem semelhança prática com o agnóstico criacionista, assim como não há similaridade prática entre o ateu convicto e o agnóstico ateu.

Voltaremos ao tema.

Fonte: (Cultura e Religiosidade)

Enéias Teles Borges
Postagem original: 03/11/2009
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sábado, 13 de novembro de 2010

Esperança: viver e morrer

“A esperança dos homens é a sua razão de viver e de morrer”. (André Malraux)

Quando se tem esperança as nuvens se dispõem a passar permitindo que os raios de sol repousem sobre a alma cansada. Para os que têm certeza de que é possível viver bem e eternamente (no futuro) sempre haverá disposição para viver uma vida terrena, ainda que miserável e para morrer, renegando a esse momento em prol de um momento sublime no futuro.

A questão fica difícil para quem não tem esperança. E por que não possuir essa virtude? Não é por falta de vontade e sim por falta de fé. A razão muitas vezes mostra ao vivente aquilo que muitos não enxergam ou se recusam a enxergar. A realidade nua e crua pode, facilmente, erradicar da humanidade o frescor da esperança.

Para os que não possuem fé resta algo sutil: a aceitação que depois da morte exista o “nada”. O “nada” não traz conforto, mas também não traz a dor. Para os que, não tendo fé, desenvolvem essa esperança a vida atual é menos sofrível e pode se encerrar a qualquer instante. Basta a quem não tem fé numa vida futura, crendo na existência do “nada”, por fim a essa vida curta e insólita via suicídio. Por que o suicídio? Para por fim a essa malograda vida e adentrar os portais do vazio.

Eis, de novo, a esperança!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 22/01/2009

Você se ama?

Não sou muito a favor de argumentos que lembram auto-ajuda, mas não afirmo que em alguns casos isso seja errado. Claro que se houver base na psicologia eu repeito e muito!

Por que você não consegue se amar?

Preste atenção nestas cinco perguntas: 1- Você fica deprimida quando vê aquele povo todo feliz numa revista de celebridades? 2- Quando ouve a música “Eu me amo”, do Ultraje a Rigor, tem vontade de sair correndo? 3- Espelho na sua casa tem menos função que uma samambaia de plástico? 4- Se alguém a elogia, você logo pensa que a pessoa é míope? 5- Se você ganha um presente, acha que não merece? É, digamos que um bonequinho de goma está com a autoestima bem melhor que a sua. Mas você não está só: milhões de pessoas no planeta infelizmente também não se amam nem têm ideia de como chegar lá. A boa notícia é: baixa autoestima tem solução.

“A primeira coisa que a pessoa com este problema deve fazer é se perguntar várias vezes: Por que eu não consigo me amar? É por que não sou tão bonita? É por que não realizo meus sonhos? Não tenho namorado? Não aceito minha história, minha família, minha condição social?”, sugere a psicóloga Neiva Bohnenberger. Para ela, é muito difícil se amar em uma sociedade que diz o tempo inteiro que somos e estamos errados, que temos de seguir um padrão e acaba nos incutindo um grande medo de arriscar nossas próprias histórias e desejos. “A pessoa só consegue se amar quando aceita e acredita em si. Ela confia que pode realizar seus propósitos e ousa. Ela aceita que todos os ‘diferentes’ estão sob o mesmo sol. Ela para de dar tanto valor para a aceitação ou não aceitação do outro”, completa Neiva.

Para os humoristas do “Eramos6”, a coisa é mais simples: “As pessoas têm dificuldade de se amar porque não se amam. Pensam que amar a si próprio é ir ao banheiro com a ‘Playboy’ ou ficar na cama com a foto do Reynaldo Gianecchini. Isso não é se amar. Isso tem outro nome. Aí, alguns apelam à máxima cristã: ‘Ame ao próximo como a ti mesmo’. Só que fazem isso da seguinte forma: conhecem alguém hoje, pegam e, no dia seguinte, dizem: o próximo! Assim não dá”, declaram.

Cinco atitudes eficientes para se curtir mais

Confira as dicas do blog "Vigilantes da Autoestima:

1- Pare com essa “Síndrome de Hardy, a hiena-mala”. Ao invés de reclamar da vida, faça alguma coisa útil para você e para o mundo.

2- Fora autodepreciação. Pratique o “hoje eu não vou me depreciar”.

3- Pare de se agarrar às pessoas e às coisas que a fazem sofrer.

4- “Desrejeite-se!” Ou seja: pare de sofrer porque foi rejeitado por algum desgraçado na vida. Você certamente já rejeitou alguém também.

5- Não tem tu, vai “eu” mesmo: pare de sofrer porque você não tem um companheiro. Namore com você mesma gostosamente. Saia, dance, vá ao cinema, faça massagem, cozinhe para você e diga sempre antes de dormir: “Eu vou cuidar de você!”. Melhorando a vibração fica mais fácil atrair alguém legal.

Pessoas que aprenderam a se amar

“Eu resolvi reverter meu quadro de depressão adotando uma gatinha linda. Pude amar e dar amor. Hoje, estou mais feliz ainda porque virei colaboradora da ONG “Adote um Gatinho”. Agora, eu sei que sirvo para cuidar dos animais. Meu vazio existencial passou.” - Cristina Sakuraba, 47 anos, gerente comercial

“Eu tive mãe alcoólatra, fumólatra e ausente, além de pai esquizofrênico com surtos de violência, que prejudicavam a família toda. Apesar de tudo isso, mesmo fazendo um monte de besteiras até a vida adulta, cultivei instintivamente o olhar atento às pessoas que se mostravam sem reservas, que se entregavam, aos filmes que falavam de amor, sensibilidade, pragmatismo. Hoje em dia fotografo e tento mostrar o que de mais único e emocionante consigo ver, tanto em pessoas quanto em animais ou objetos, uma coisa meio Caravaggio. Adoro cozinhar para os outros ou ser hospitaleiro, sem reserva. Confio demais no meu instinto e pulo de olhos fechados do abismo quando se trata de coração ou trabalho. Meus sentimentos são intensos, e adotei e fui adotado pela minha ex-mulher, viramos irmãos, nos escolhemos como família. E muito perdão... Perdoar até onde der.” - Adriano Von Markendorf, 43 anos, designer


Enéias Teles Borges - Editor
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Gravidez e malformação de meninos

Estudo liga uso de analgésicos na gravidez a malformações em meninos

O uso prolongado de paracetamol e outros analgésicos durante a gravidez pode trazer riscos à saúde de bebês meninos, segundo especialistas. Um estudo feito por cientistas da Dinamarca, Finlândia e França vinculou a ingestão desses medicamentos a um maior número de nascimentos de bebês com criptorquidia. Bebês que nascem com esse distúrbio - também conhecido como testículo ectópico - apresentam o testículo escondido ou fora do lugar.

A criptorquidia está associada à infertilidade e ao câncer no final da vida.

De maneira geral, a orientação médica para mulheres grávidas é que, quando possível, evitem tomar analgésicos. O novo estudo, publicado na revista científica Human Reproduction, levou especialistas a pedir que mais pesquisas sobre o assunto sejam feitas o quanto antes. Eles recomendaram às mulheres grávidas, no entanto, que o uso de analgésicos para uma dor de cabeça ocasional não deve causar mal ao bebê.

O serviço nacional de saúde britânico, o NHS, aconselha que mulheres evitem tomar remédios durante a gravidez, mas permite o uso do paracetamol em doses pequenas e durante períodos curtos para aliviar a dor. Mais de a metade das mulheres grávidas na Europa e nos Estados Unidos admitiram tomar analgésicos moderados.

Estudo

Mais de duas mil mulheres grávidas e seus filhos participaram do novo estudo.

Os pesquisadores concluíram que as mulheres que usaram mais de um analgésico simultaneamente, como por exemplo o paracetamol e o ibuprofeno, apresentaram sete vezes mais riscos de ter filhos com algum tipo de criptorquidia do que as mulheres que não tomaram nenhum analgésico.

O segundo trimestre, de 14 semanas a 27 semanas de gestação, pareceu ser um período particularmente sensível.

Riscos Maiores

O uso de qualquer analgésico nessa fase da gravidez foi associado a um risco dobrado de nascimentos com criptorquidia. Outros tipos de analgésicos, como o ibuprofeno e a aspirina, foram vinculados a riscos quatro vezes maiores.

O paracetamol usado sozinho também pareceu aumentar os riscos, mas o resultado foi pouco significativo em termos estatísticos. O uso simultâneo de mais de um analgésico, incluindo o paracetamol, durante o segundo trimestre da gravidez, aumentou os riscos 16 vezes. Tomar analgésicos por mais de duas semanas também pareceu aumentar os riscos significativamente.

Os pesquisadores suspeitam de que analgéscos interferem na atividade natural dos hormônios masculinos em fetos de meninos, atrapalhando seu desenvolvimento normal. Estudos feitos em ratos parecem reforçar essa teoria.

O cientista Henrik Leffers, do Rigshospitalet, em Copenhague, liderou o estudo.

"A exposição a perturbadores endócrinos é o mecanismo por trás de um aumento em problemas reprodutivos entre jovens do sexo masculino no mundo ocidental", disse Leffers.

"Esse estudo sugere que atenção particular deve ser dada ao uso de analgésicos suaves durante a gravidez, já que isso pode ser uma razão importante desses problemas".

Apesar de algumas limitações do estudo - por exemplo, algumas mulheres podem não ter lembrado com precisão o número de vezes que tomaram analgésicos - os pesquisadores dizem que suas descobertas indicam que o tipo de aconselhamento dado a mulheres grávidas quanto ao uso de analgésicos deve ser reconsiderado.

Eles solicitaram que sejam feitas mais pesquisas sobre o assunto.

Repercussão

Allan Pacey, especialista em andrologia da Universidade de Sheffield, no norte da Inglaterra, disse: "Há algum tempo os cientistas se preocupam com a possibilidade de que a exposição da mãe a substâncias químicas durante a gravidez cause problemas de reprodução em bebês meninos".

"Entretanto, há relativamente poucos exemplos concretos e muito do trabalho feito até hoje é de fundo teórico".

"Isto torna esses estudos um tanto quanto alarmantes, já que eu divido que alguém suspeitasse de que analgésicos comuns pudessem ter esses efeitos", disse Pacey.

"Claramente, é prioritário que mais pesquisas sejam feitas".

O médico Basky Thilaganathan, da Faculdade Real de Obstetrícia e Ginecologia da Grã-Bretanha, disse que as revelações precisam ser interpretadas com cuidado. Ele explicou: "o estudo mostra uma associação em vez de uma relação causal. É possível as mães tenham tomado esses analgésicos por causa de alguma doença, por exemplo, uma infecção viral, durante a gravidez. Essa (infecção viral) pode ter sido a causa real dos problemas."

A criptorquidia afeta um em cada 20 meninos na Grã-Bretanha.

 
Nota: Isso me lembra o cobertor de anão: quando se cobre a cabeça, os pés ficam descobertos. Analgésico resolve um problema, mas cria outro...
 
Enéias Teles Borges - Editor
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre Chico Xavier...

Documentário investiga cartas de Chico Xavier

Documentarista que há anos trabalha como assistente e pesquisadora de Eduardo Coutinho, Cristiana Grumbach volta-se para o tema que está escorando alguns dos maiores sucessos recentes do cinema brasileiro, o espiritismo, em "As Cartas Psicografadas por Chico Xavier".

O filme, que estréia apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, entrevista diversos pais e mães que perderam seus filhos e recorreram ao médium Chico Xavier (1910-2002) para comunicar-se com eles. Uma característica em comum a todos é que a morte dos filhos ocorreu na infância e juventude - um fator a mais para a dor e o inconformismo que sentem.

A ausência desses entes queridos é representada no filme por cadeiras vazias - um recurso que, às vezes, se torna exasperante, pela demora da persistência dessa imagem na tela.

Leia mais: (Universo Online)

Nota: Existem mistérios sob o céu, dizem, que não conseguimos imaginar, tamanho o volume deles. Chico Xavier é um desses mistérios. Querido por muitos, que enxergam nele um agente do bem, observado com reservas por outros, que não o consideram do bem. É fato: tornou-se um fenômeno, inclusive nas salas de cinemas.

Enéias Teles Borges
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Amor e sexo

Amor é prosa, sexo é poesia. (Arnaldo Jabor)

O interessante nesta frase é que pode (ou não) ficar um ponto: o que é mais importante, amor ou o sexo? Ou quem sabe, o que seria mais importante, a prosa ou a poesia? Tudo isso é irrelevante. Genial mesmo é o Arnaldo Jabor. Genialidade existe em conseguir enxergar ternura no amor e no sexo, o que é cada vez mais raro neste mundo que por aí está. Fabuloso é fugir da banalidade do amor que não se mostra amor e do sexo que se exibe simplesmente carnal...

Dizer mais o quê?

Enéias Teles Borges

Postagem original: 01/08/2009
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Saramago e a ficcção de Deus

“Disse o insensato no seu coração: não há Deus.” Naturalmente, esta pouco misericordiosa denegação do homem como ser de razão, ou esta terrível ironia divina – como se tivesse adivinhado, como é do seu ofício, a futura ironia do meu amigo Saramago –, é posta no livro sagrado nos lábios mesmo de Deus. Apesar deste sarcasmo divino, os homens, na sua peripécia histórica, sempre disseram no seu coração – ou tiveram a tentação de o pensar –: “Não há Deus.”

Os mais peremptórios, em épocas que o permitiam, como no século XVIII e nos seguintes, assumiam essa negação de Deus chamando-se a si mesmos “ateus”. Na verdade, foram “os homens de Deus”, ou o mesmo Deus, como o texto bíblico o testemunha [Salmo 14 (13), 1; Salmo 53 (52), 1], que primeiro se separaram dos outros homens. Ou registaram a separação, marcando-a para séculos com um sinal de fogo.

O que designamos por “ateísmo”, na sua literal acepção, significa, geralmente, mais do que o seu conteúdo dialecticamente negativo. Denota um relacionamento de grau nulo com o referente Deus. É tão impensável ou inacessível na sua ordem como a pura transcendência, que é conteúdo real ou imaginário de Deus. Ser ateu é só ser e estar “sem Deus”. Perspectiva tão vertiginosa como a que a referência a Deus assinala, sob o modo de uma “ausência” tão impensável como a de Deus e não menos “abscôndita”, só que mais dolorosa, que a da presença das presenças. Ou, em termos de mera lógica humana, alguém que abdicou ou não encontra na ordem da existência, cósmica ou humana, qualquer razão ou motivo para lhe atribuir, na plenitude do termo, o que chamamos sentido e, muito menos, o Sentido de todos os sentidos.

Considerou-se ateu Espinoza porque, de maneira clara, assimilou Deus à Natureza, mas para outros, entre os quais Unamuno, passou por um “ébrio de Deus”. Tanto na tradição como na óptica moderna, considerou-se ateu e deve assim ser considerado o sujeito para quem “o nome” e, sob ele, a mesma ideia de Deus – não o seu conceito – não tem sentido algum. Embora, não sem pertinência, houvesse mais motivos para designar como “ateu” quem, precisamente, tivesse a pretensão de objectivar, ou de conceber claramente, o que ele mesmo chama Deus.

Nesse sentido, não haveria ateus mais perfeitos que os chamados teólogos, pelo menos os clássicos – anteriores a Karl Barth –, que sabiam tudo de Deus, ou que sabem tudo de Deus. José Saramago, autor de “Memorial do Convento” e do tão discutido – embora a meu ver não suficientemente discutido – “O Evangelho segundo Jesus Cristo”; proclamou-se simples e naturalmente ateu. Já veremos que, como Espinoza, é também unamunescamente, e à sua maneira, um “ébrio de Deus”. Quer dizer, uma das poucas criaturas que ainda se passeiam pelas ruas desertas deste mundo, que está solicitando de novo os anjos, como num filme de Wim Wenders, atento à interpretação que o estado do mundo, a memória do seu percurso, os enigmas da vida e os labirintos do desejo lhe provocam, decidido a converter toda a sua experiência em construções fabulosas para uso de uma Humanidade sem deuses nem Deus mas que só através delas se pode redimir.

O singular propósito de Saramago, o de inventar uma máquina de sonhos – de que o “Memorial...” pode ser o símbolo –, é a sua resposta a um mundo onde a imemorial utopia do Bem, nas suas versões antigas ou modernas, produziu frutos envenenados, o que deve ser refeito por uma espécie de nova Criação sem mais criador que a vontade humana, ou antes, a constelação mágica dessas vontades diversas actuando como se fossem uma só.

Para justificar esta nova leitura da aventura humana numa perspectiva ateísta não precisamos sequer de a filiar na longa história ocidental da contestação dos deuses ou de Deus que atravessa essa história como gesta da revelação cristã. E muito menos de a relacionar com a versão nietzschiana dessa contestação, tal como “O Anticristo” do autor de “Zaratrustra” autêntica e brutalmente a assumiu. Há no nosso mundo hispânico, ostensivamente crente, católico a “macha martillho”; como dizia Menéndez Pelayo, uma maneira de ser naturalmente ateia. Vejamos em que sentido.

Assim como Tertuliano dizia que a alma era “naturaliter christiana”, também a do autor do “Memorial...” ou de “A Segunda Vida de Francisco de Assis” e, sobretudo, do controverso “Evangelho...” é superlativamente ateia. Quer dizer, com um tal excesso que não só não esconde a ferida de onde nasce como um exorcismo como vive dela. A sua “cruzada contra Deus”, a espécie de western metafísico implacável em que a converteu, é filha de uma funda vivência, de uma humaníssima vulnerabilidade frente à universal e aterradora presença do Mal. Não tanto do chamado mal metafísico ou ôntico (se tal é possível), do mal como rosto humano. Não seria arriscado pensar que a manifestação desta presença – para além da sua vivência entre os outros – tenha adquirido a seus olhos a figura de um anti-Deus e, em seguida, de um não-Deus diante da ficção comum da Humanidade que chamamos História. Escrevo com maiúscula porque foi – parece-me – nesse espelho monstruoso e sublimado do nosso destino que os avatares do Mal adquiriram para ele esse estatuto mítico. Mas também porque no seu propósito de lutar contra as mais recorrentes formas do Mal – a injustiça, a prepotência, a opressão, a crueldade, o menosprezo da condição humana – foi na História como narrativa dos males, e sobretudo dos Males apresentados como Bens, que a sua imaginação banhou para inventar, através da sua revisitação, uma contra-História ou uma a-História. Aquela que é o palco onírico dos seus sonhos verdadeiros, os de Blimunda, de Bartolomeu, de Lídia, do mesmo Jesus de Nazaré.

José Saramago não foi o primeiro homem que leu esta história com assombro e com horror, como se fosse inventada – por um Hitchcock mais sádico do que o verdadeiro – para tirar o sono à Humanidade para sempre. Mas foi alguém que a leu como se fosse a primeira vez, que é assim que se lêem os livros que nos lêem. E então pensou e sentiu sem fim que Deus não se saía muito bem deste passo, remetendo para a culpa a responsabilidade dos males e do Mal para os sonhos dos homens, do Homem. Stendhal resolvera, em tempos, a questão por sua conta, mais lógica mas talvez menos profundamente, escrevendo que não se podia culpar Deus dos horrores de que a História está feita, porque não havia sujeito de culpa. Segundo ele, o Mal não tem sujeito por trás.

Saramago, mais sensível e português nisso, exigiu com todas as forças do seu coração e da sua vontade um Deus que assumisse os males que a narrativa bíblica imputa à desobediência humana e que um Deus bom devia ter impedido. Não são elucubrações teológicas as de Saramago – embora o autor do “Memorial...” seja um “teólogo” espontâneo –, mas apenas exigência existencial, resposta, se não grito de culpado inocente que inverte e subverte a essência do conto sagrado, substituindo-o por um conto puramente humano. Para isso, paradoxalmente, necessita daquele Deus em que não crê, como utopicamente se diz, mas em que crê superlativamente em termos de ficção, para dar sentido – e mesmo tornar possível – o processo de Deus como referente supremo da História. Quem pode separar o Deus da ficção da ficção de Deus?

Fonte: (snpcultura)

Enéias Teles Borges
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Mulheres maduras e o casamento

Cresce o número de mulheres mais velhas casadas com homens mais novos

Os números referentes a casamentos divulgados nesta sexta-feira (12) pela Estatística do Registro Civil, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), apontam uma tendência de mudança em padrões brasileiros: mulheres mais velhas estão se casando mais com homens mais novos, e cada vez mais pessoas divorciadas ou viúvas estão apostando suas fichas em um novo casamento.

Recomendo a leitura do completa do texto e análise dos dados. Basta teclar em Universo Online.

Nota: Não é de hoje que se notam tais mudanças. As mulheres estão mais independentes, estão no mercado de trabalho e podem fazer suas opções. Já está distante o tempo em que os casamentos usuais tinham os homens com mais idade. As mulheres também estão ditando as regras, cada vez mais...

Enéias Teles Borges
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O cérebro e a importância da leitura

Aprender a ler leva a reorganização do cérebro, mostra estudo

Uma nova pesquisa sugere que aprender a ler - mesmo na idade adulta - é uma experiência tão importante para o cérebro que ele redistribui alguns dos seus recursos, obrigando outras funções, como o reconhecimento facial, a abrir mão de parte de seu terreno, diz artigo na edição mais recente da revista Science.

A leitura é uma invenção relativamente nova na história da humanidade. Por essa razão, há um consenso geral entre os pesquisadores de que, quando aprendemos a ler, em vez de confiar em antigos mecanismos de evolução, o nosso cérebro adapta recursos pré-existentes apara processar as informações visuais.

Stanislas Dehaene e colegas na França, Brasil, Portugal e Bélgica utilizaram a Ressonância Magnética funcional (fMRI) para avaliar a atividade cerebral de 63 participantes portugueses e brasileiros que se incluíram em três grupos: adultos que não podiam ler, adultos que aprenderam a ler na infância e adultos que aprenderam a ler na idade adulta.

Os resultados demonstraram que a leitura melhora o processamento de estímulos visuais orientados horizontalmente no córtex occipital e também conduz ao aparecimento de uma área especializada para palavras no córtex temporal.

A área do córtex temporal dedicada ao processamento facial se reduz, embora os autores afirmem que há necessidade de mais pesquisa para poder determinar se isso realmente afeta nossa capacidade de reconhecer faces.

Alterações similares ocorreram em adultos que aprenderam a ler quando adultos, indicando que essas rotas neurais mantêm a capacidade de apoiar a aprendizagem na idade adulta.


Nota: Gosto de ler tão somente pelo prazer e importância da leitura. Depois desse estudo, ler me trará maior prazer...

Enéias Teles Borges
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Amor próprio...


“O amor próprio é um instrumento útil, mas perigoso: amiúde fere a mão que dele se serve e raramente faz bem sem fazer mal” (J.J. Rousseau).

O que entender da expressão amor próprio? Seria a valorização que o indivíduo dá a si mesmo no contexto da subjetividade? Pode ser e vou ficando por aqui para elaborar o texto de hoje.

Recentemente eu ouvi um coordenador de curso dizendo aos alunos de determinada faculdade de Direito que estes deveriam valorizar a escola na qual estudam ou estudaram. Falar mal do educandário seria tecer ponderações negativas contra os próprios discentes e a conseqüência lógica seria que cada um estaria falando mal de si mesmo. É claro que os alunos não deveriam deixar de exigir um bom nível do curso nem a instituição deixar de crescer em excelência de ensino. A grande verdade é que quando nos insurgimos contra algo que nos pertence estamos diminuindo a nós mesmos.

No plano individual é certo que a valorização de si mesmo é ingrediente essencial para que os semelhantes, que estão no entorno, enxerguem a mesma virtuosidade. Como alguém poderia valorizar a quem não se dá valor?

A questão complicadora está na medida das coisas. O que é amor próprio na medida exata? Seria imparcialidade para enxergar virtudes e defeitos? Eis o “x” da questão! Confundir a importância do equilíbrio com o embrenhar no mundo hostil da famigerada auto-ajuda. Aí sim: um instrumento que deveria ser útil passa a ser perigoso!

Como devem ter notado eu voltei ao tema auto-ajuda. A suposta ajuda que a pessoa dá a si mesma tem sido, no mínimo, inconsistente. É como se o indivíduo olhasse no espelho e gostasse de algo e por gostar, do ponto específico que viu, sugerir aquilo como virtude. Seria uma virtude ou exercício de gosto e preferência?

Infere-se, portanto, que o amor próprio requer equilíbrio para a teoria e para a prática. Na teoria a busca da realidade e da consistência. Na prática o pleno exercício das potencialidades (entre elas a capacidade de suplantar os defeitos).

O exercício do amor próprio, parece-me que passa necessariamente pelo respeito pelos outros. É notório que a implementação do amor próprio requer olhar para o próximo e desejar que ele também exerça tal sentimento.

No “frigir dos ovos” a conclusão parece ser a de sempre: a busca superficial, nos compêndios da moderna auto-ajuda, resulta em frustração futura.

“O amor próprio é um instrumento útil, mas perigoso: amiúde fere a mão que dele se serve e raramente faz bem sem fazer mal” (J.J. Rousseau).

Enéias Teles Borges - Autor

Publicação original: 17/07/2008
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Ateísmo militante

Grupos de ateístas buscam novos adeptos nos Estados Unidos

Antes do Natal e do final do ano, os americanos estão prestes a serem atingidos por uma série de anúncios

Antes do Natal e do final do ano, os americanos estão prestes a serem atingidos por uma série de anúncios que promovem a alegria e a sabedoria do ateísmo. Quatro organizações nacionais diferentes e concorrentes, que representam diversas correntes de ateus, humanistas e livre pensadores em breve espalharão seu evangelho por meio de outdoors, ônibus, trens e em jornais e revistas.

O mais recente, lançado na terça-feira em Washington, é o primeiro a incluir anúncios na TV a cabo. A campanha justapõe passagens particularmente primitivas – até mesmo bárbaras – da Bíblia e do Alcorão com citações de ateus e humanistas como Albert Einstein e Katharine Hepburn.

Os grupos dizem que estão surfando nesta onda porque são conscientes de que há um grande e inexplorado potencial para suas fileiras. O percentual de adultos americanos que dizem não ter religião duplicou nas últimas duas décadas, para 15% da população, de acordo com a American Religious Identification Survey, realizada por pesquisadores do Trinity College em Harford e divulgada em 2008. Mas o número de ateus em organizações não passa de dezenas de milhares.

Essa é uma razão para as múltiplas campanhas: os grupos estão competindo uns com os outros para ganhar mercado, diz Mark Silk, diretor fundador do Centro Greenberg para o estudo da religião na vida pública, que também é do Trinity College. "Há um ambiente competitivo para os 'sem religião', e eles estão atrás de qualquer participante que possam agarrar", disse Silk.

Baseado na generosidade de alguns ateus ricos, esses grupos são capazes de financiar os esforços para recrutar e organizar a população que em geral não se envolve ou é enrustida.

"A única maneira de combater o estigma sobre os ateus e agnósticos é fazer com que as pessoas saibam como eles são. É a mesma ideia do sair-do-armário das campanhas pelos direitos dos gays", disse Annie Laurie Gaylor, co-presidente da Fundação para a Liberdade de Religião, em Madison, Wisconsin, um dos grupos que veicula propagandas.

Os líderes dos grupos dizem que estão tentando mostrar o secularismo em um momento em que a direita religiosa e políticos que dizem que os Estados Unidos são uma "nação cristã" estão em marcha, graças ao resultado das últimas eleições legislativas, quando não apenas os falcões do déficit ganharam assentos no Congresso, mas muitos religiosos conservadores também.

Várias campanhas são imaginadas não apenas para os não crentes, mas também para liberais que podem se alarmar com as brechas no muro que separa igreja e estado. Os ateus acreditam que as pessoas que são religiosas e politicamente liberais têm mais em comum com ateístas e secularistas do que com religiosos conservadores.

"Precisamos denunciar os políticos que alegam que a lei americana deve ser baseada na Bíblia e nos Dez Mandamentos", disse Todd Stiefel, um executivo aposentado da indústria farmacêutica que está por trás da campanha publicitária que cita passagens alarmantes das Escrituras. "Nossos pais fundadores criaram uma democracia secular."

A campanha mais cara é da Associação Humanista Americana. Sfiefel doou 150 mil dólares à fundação – três quartos do custo, parte do qual destinado a anúncios em TV a cabo. A campanha cita passagens bíblicas sobre as mulheres, a homossexualidade ou a ira de Deus, como esta, do Antigo Testamento:

"Samária levará sobre si a sua culpa, porque se rebelou contra o seu Deus; cairá à espada; seus filhinhos serão despedaçados, e as suas mulheres grávidas serão fendidas" (de Oseias 13:16).

Isso é apresentado ao lado de uma citação de Albert Einstein, dizendo que "não pode imaginar" como um Deus.

As campanhas variam do amigável ao confronto. No lado mais briguento do espectro, a Ateus Americanos, fundada em 1963 por Madalyn Murray O'Hair, colocou um outdoor pouco antes do Dia de Ação de Graças num túnel entre New Jersey e Nova York. Apresentava um presépio e as palavras: "Você sabe que é um mito. Nesta temporada, comemore a razão".

(Veja)
 
Nota: Não sou a favor, não sou contra. Direitos iguais para teístas e ateístas. Posso, até, questionar os métodos de ambos, apenas isso...
 
Enéias Teles Borges - Editor
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ocupação do tempo...

O ser humano, ao que parece e por instinto, ocupa demasiadamente seu tempo e não sem motivo razoável. Existem pessoas que fazem dos sete dias da semana uma corrida louca em múltiplas atividades, empreendimentos profissionais e sociais. Descansa no tempo que resta e sente-se feliz quando o sono vem de forma imediata.

Por quê?

A sociedade atual é ansiosa e, como muitos querem afirmar, é uma sociedade depressiva. A sobra do tempo sem atividade leva à reflexão e esse procedimento tende a angariar preocupações da alma. Como assim? A luta do dia-a-dia impede que a pessoa pare e pense e caia em si no que diz respeito à realidade fatal da vida. Notaram que muitas pessoas idosas quando param de trabalhar ficam depressivas? Isso é sem motivo? Claro que não! Aqueles idosos que ficam nos bancos das praças, nos internatos e afins fazem rememoração da vida e de forma efetiva passam a perguntar: “de onde vim e para onde vou?” Já tomaram tempo para conversar com esses idosos?

Tenho conversado com algumas pessoas que me dizem: “não posso parar para pensar na vida. Eu morreria antes do tempo, caso o fizesse...”

A angústia da alma é o grande medo do homem. É uma batalha que é travada no silêncio do quarto, quando o sono não vem, nas esquinas da vida quando a pessoa é forçada a ter tempo sobrando...

Notaram como algumas pessoas sempre estão com movimento em torno de suas vidas? No trabalho a agitação é grande. Chegam em casa e mantêm o corpo elétrico. Deixam para dormir quando o sono chega de forma insuportável! Nos finais de semana enchem o tempo com atividades sociais, religiosas e similares... Estão sempre ocupadas. Por quê?

Alguns dizem que a mente desocupada é recanto de mazelas e outros dizem que é “oficina de satanás”... Não seria (também) o grande medo da modernidade? Quem quer tempo para parar, pensar e continuar parado e pensando?

As pessoas correm tanto apenas por necessidade? Por amor ao trabalho? Não seria, também, por um estado permanente de fuga?

Em minha experiência notei que quanto mais tempo eu tenho para refletir, mais consciente me torno da vida, e mais tenho certeza de como ela é frágil. O tempo para pensar nos mostra o que somos e isso costuma ser desagradável...

Existe uma pequena vantagem nessa descoberta da vida, quando ainda se tem idade para correr: quanto antes a pessoa se torna consciente de sua realidade, mas cedo ela caminhará no rumo da aceitação.

Para quem aceita a vida, como ela é, tudo fica menos penoso...

Enéias Teles Borges - Autor

Postagem original: 07/10/2008
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Prova de fé? De loucura?

Monge se isola em topo de rocha na Geórgia

Um monge ortodoxo da Geórgia decidiu se isolar do mundo e morar no topo de uma rocha.

Maxime Kavtaradze, de 55 anos, está reconstruindo um monastério em Chiatura, uma área remota do país. A maioria dos georgianos é ortodoxa. Cerca de 450 prédios, entre igrejas e monastérios, foram reconstruídos no país nos últimos cinco anos, com financiamento do governo.

Mas, o trabalho no topo da rocha é mais difícil e já dura 13 anos. O monge leva para o alto cada uma das pedras usadas na construção. Um outro monge viveu no monastério há 500 anos, e a ossada dele ainda está guardada no local. Kavtaradze diz que quer ficar no topo da rocha e ainda está esperando a bênção do líder da Igreja Ortodoxa.

A reconstrução do monastério do topo da rocha é parte do renascimento da Igreja Ortodoxa da Geórgia que, com o financiamento do governo e mais fiéis, viu sua popularidade aumentar.
 
 
Nota: Quando leio reportagens como esta eu só me lembro de uma frase: fé cega, faca amolada...
 
Enéias Teles Borges - Editor
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A concubina e a Lei do Divórcio

Concubina não pode cobrar do espólio alimentos não determinados em vida

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) de não conceder a mulher que viveu por 35 anos em concubinato com o falecido o pagamento de alimentos pelo espólio. Seguindo o voto do relator, ministro Aldir Passarinho Junior, a Quarta Turma entendeu que, como não havia a obrigação antes do óbito, esta não pode ser repassada aos herdeiros.

A concubina afirmou que não possui condições para se manter após o falecimento do companheiro, já que a filha mais velha, do primeiro casamento, deixou de prestar ajuda financeira à autora.

A primeira instância negou o pedido, alegando que a concubina não é parte legítima para reclamar alimentos do ex-companheiro. O tribunal de Justiça paulista também negou o pedido. Já o recurso especial foi provido, reconhecendo que a autora tinha o direito de pedir alimentos provisionais e determinando o prosseguimento da ação sem fixar valores.

De volta à primeira instância, a ação para a fixação de alimentos provisórios foi extinta sem julgamento de mérito. A juíza entendeu que o espólio não é parte legítima para figurar no polo passivo da ação, já que não havia, antes do falecimento, obrigação constituída. Seguindo o mesmo entendimento, o TJSP negou provimento ao recurso de apelação interposto pela autora.

No pedido enviado ao STJ, a defesa sustenta que as decisões não seguiram o artigo 23 da Lei do Divórcio, a qual obriga que a prestação de alimentos seja transmitida aos herdeiros do devedor.

O relator, ministro Aldir Passarinho Junior, disse que nessa situação não se pode considerar contestada a legislação, pois esta atende apenas obrigação já constituída, o que no caso não ocorre. “Ao tempo do óbito do alimentante, inexistia qualquer comando sentencial concedendo pensão provisória; apenas abriu-se, com o julgamento precede da própria Quarta Turma, a possibilidade para que o fosse”, afirmou.

Os ministros não conheceram do recurso e afirmaram que a solução deve ser buscada no âmbito do inventário. A decisão foi unânime.
 
(AASP)
 
Nota: O Direito no Brasil tem apresentado uma dinâmica interessante. A nova Lei do Divórcio merece ser apreciada à luz desse dinamismo. Decisões proferidas em Primeiro Grau têm se mostrado surpreendentes e muitas vezes as confirmações pelos Tribunais mostram uma "nova cara" do direito. Há que se prestar atenção...
 
Enéias Teles Borges
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Certeza inevitável...

Podemos afirmar, com propriedade, que a maior certeza da vida é a morte. Morte que a todos abraçará. Abraçou bilhões e seguirá abraçando. É certeza inivitável. Podemos nos desesperar, podemos nos revoltar e podemos, até, não aceitar. Nosso querer, nesse caso, pouco importa. Aceitar é preciso. Assim poderemos viver melhor os poucos dias de vida que recebemos e que rapidamente findarão.

Outro dia ouvi um debate entre uma pessoa que afirmou o que eu asseverei acima e um "religioso" que rebateu dizendo que isso não é verdade. Segundo aquele "homem de fé" a morte não é uma certeza inevitável. Afinal, disse, Jesus poderia vir e resgatar muitos em vida...

Milhões morreram com essa esperança e milhões morrerão com ela. As pessoas que confundem esperança com verdade sofrem mais. Almejam a eternidade, mas não aceitam uma "morte passageira".

Deixando de lado os motivos da fé e da esperança e nos atendo ao mundo racional: é certeza inevitável. Tão certo como um dia nascemos, certamente morreremos. Não podemos substituir fato comprovado ao longo de séculos por esperança baseada em posicionamentos de agremiações religiosas...

Por isso é importante a aceitação. Quando o que está diante de nós é irremediável, podemos afirmar: "remediado está". A partir daí devemos viver e acreditar que qualquer coisa boa além disso é lucro. Afinal nós tivemos chance de ouro, nós nascemos e aqui estamos, até que chegue o final do nosso tempo...

Enéias Teles Borges
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Saudade...

A saudade nos faz refletir e perguntar: que sentimento é esse, que nos causa suspiros profundos? Uma definição clássica, que pode ser encontrada em dicionários:

"Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável". (dicionário HOUAISS)

Lembro-me de um período mágico em minha vida, num internato, quando fiz o segundo grau e posteriormente a faculdade. Ali este sentimento nos visitava pelo menos duas vezes por ano. No meio e final de cada ano os alunos saíam para suas casas ou trabalhos de férias. Outros voltavam outros não. Alguns não retornavam porque tinham concluído seus objetivos acadêmicos. Vários não retornavam por falta de recursos...

Uma frase ficou gravada em minha mente: não nos afastamos, apenas nos distanciamos para ter a alegria do reencontro. Que maravilha! Era assim mesmo. A frase fazia sentido. Não sentíamos vergonha de dizer. A saudade era, para cada um de nós, a nobreza por excelência.

Faço um tributo a Casimiro de Abreu. Grande poeta (1839-1860), que inspirado na obra de Gonçalves Dias, externou toda a nostalgia que carregava em seu peito...

A síntese disso tudo é encontrada no poema “Meus oito anos”:

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)

Enéias Teles Borges - Editor

Postagem original: 22/12/2007
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Machismo no Judiciário?

Ao que tudo indica, não. Afinal houve punição (passível de recurso ao Supremo Tribunal Federal). Surpreende-nos que mesmo em esfera de tamanha clareza jurídica, isso possa acontecer.

CNJ pune juiz que fez declarações preconceituosas contra a mulher

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, nesta terça-feira (9/11) por nove votos a seis, a disponibilidade compulsória de um juiz de Minas Gerais. Em 2007, ao proferir sentença em processo que tratava de violência contra a mulher, o magistrado utilizou declarações discriminatórias de gênero, afirmando, por exemplo, que “o mundo é masculino e assim deve permanecer”. Além da sentença, o magistrado também manifestou a mesma posição em seu blog na internet e em entrevistas à imprensa.

Além dos nove conselheiros que decidiram pela disponibilidade, os outros seis votaram pela censura ao magistrado e pela realização de teste para aferir sua sanidade mental.

A disponibilidade havia sido proposta no voto do relator do Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) 0005370-72.2009.2.00.0000, conselheiro Marcelo Neves, para quem esse tipo de conduta é incompatível com o exercício da magistratura. A decisão do CNJ, passível de recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), determina que o juiz de Sete Lagoas fique afastado do exercício da função por dois anos. Durante esse período ele receberá salário proporcional ao tempo de serviço. Após os dois anos poderá solicitar, ao CNJ, o retorno à magistratura.


Enéias Teles Borges
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Estrela dupla e planetas

Estou cada vez mais maravilhado com o avanço da astronomia. É impressionante o que nos chega quase que diariamente. Imaginem como deve ser num sistema binário, conforme reportagem que seguirá.

Descoberto sistema de dois planetas em órbita de estrela dupla

Um sistema binário, composto por uma estrela anã vermelha e uma anã branca que giram em torno uma da outra, abriga também dois planetas gigantes gasosos, diz artigo publicado no periódico Astronomy & Astrophysics. A estrela dupla, NN Serpentis, fica a 1.670 anos-luz da Terra.

Cientistas já suspeitavam que houvesse pelo menos um planeta no sistema, mas a equipe responsável pelo artigo, que inclui pesquisadores da Alemanha, EUA, Chile e Reino Unido, demonstraram que eclipses das estrelas e irregularidades no movimento dos astros, detectados ao longo de uma série de 20 anos de imagens, seriam melhor explicados pela presença de dois planetas gigantes.

O maior dos gigantes gasosos tem 6 vezes a massa de Júpiter e completa uma órbita da estrela binária a cada 15,5 anos; o menor tem 60% mais massa que Júpiter e faz uma órbita a cada 7,75 anos.

Um dos autores do trabalho, o pesquisador Tom Marsh da Universidade de Warwick, diz que, embora tenham massas diferentes, os dois planetas podem ter aproximadamente o mesmo tamanho, que seria ainda o tamanho da anã vermelha do sistema.

"Se seguirem o padrão que vemos no nosso sistema, de gigantes gasosos dominados pela cor amarela ou azul, fica difícil escapar da imagem desse sistema como uma gigantesca mesa de sinuca, com uma bola vermelha, duas bolas coloridas e a bola branca", acrescentou, em nota.

A anã branca é o que resta de uma estrela semelhante ao Sol. Há milhões de anos, ela deve ter se expandido, tornando-se uma gigante vermelha. Isso fez a outra estrela do sistema se aproximar até a órbita estreita atual. Por fim, a estrela gigante terminou de eliminar boa parte de sua massa, reduzindo-se a uma anã branca.

Se os planetas já estavam presentes, suas órbitas devem ter sofrido mudanças dramáticas durante esse processo de transformação. "Uma alternativa é que os planetas tenham surgido recentemente, a partir do material expelido", disse Vik Dhillon, da Universidade de Sheffield, outro autor do estudo.


Enéias Teles Borges
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Solidão na multidão

Hoje fui ao fórum João Mendes. De metrô, saindo da estação Santana até a estação Sé. Durante o percurso eu observei uma senhora que estava ao meu lado. Os olhos estavam vermelhos e pude notar que havia marcas de lágrimas nas faces. Olhei e ela desviou o olhar. Sofria sozinha, dentro de um vagão do metrô praticamente lotado. Em São Paulo vemos muito disso: solidão na multidão.

Até pouco tempo seria relativamente fácil oferecer algum apoio. Hoje as pessoas estão perdendo a esperança. Antes os centros de fé difundiam um pouco de esperança. Hoje os mercadores da fé prometem prosperidade que nunca vem...

Pouco sobrou para as pessoas que antes buscavam alento nas igrejas. O que restou foi a solidão, ainda quem em meio à multidão...

Enéias Teles Borges - Autor
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domingo, 7 de novembro de 2010

O rock é do diabo?

Como vocês podem perceber pelas seleções de músicas que diariamente disponibilizo em meu blog, meu gosto musical é bem eclético. Gosto quase de tudo, só não suporto samba, pagode, funk, aché e coisas do gênero ("Vade Rectum").

Quando eu era mais jovem (entre 14 e 15 anos - década de 70) comecei a curtir Rock'n Roll. Ouvia desde Elvis Presley até Black Sabbath e Nazareth. Um dia na igreja que eu frequentava apareceu um cara tocando disco ao contrário e jurando prá gente que ali existiam mensagens do Demo. Eu acreditei e nunca mais ousei a ouvir o "satânico" Rock.

Leia o texto completo, teclando em [saúde, saber e virtude].

Enéias Teles Borges - Editor

Postagem original: 15/07/2009
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O Papa e os homossexuais

Ativistas homossexuais dão beijaço na passagem do papa por Barcelona

Ao menos cem ativistas gays e lésbicas se beijaram na passagem do papamóvel de Bento 16 pela praça da Catedral de Barcelona, quando o religioso seguia para o templo da Sagrada Família neste domingo na visita à Espanha.

Gays e lésbicas se colocaram em uma região da praça da Catedral que estava lotada de fiéis, que cantavam e davam vivas ao papa na saída do palácio episcopal onde ele passou a noite, depois de chegar de Santiago de Compostela, primeira etapa da viagem.

Jordi Petit, dirigente histórico do movimento homossexual da Catalunha, reclamou que há anos "a hierarquia eclesiástica ataca os direitos básicos humanos", como sua insistência em proibir o uso de preservativos.

Petit especificou que esta crítica é dirigida à cúpula da Igreja Católica, e não "aos cristãos de base que fazem um bom trabalho", e se pronunciou a favor de um estado laico em que "a política vá para um lado e a religião seja algo pessoal".

Os gays e lésbicas gritaram em coro palavras ao papa, chamando-o de "pederasta" e frases como a "Igreja que ilumina é a que arde".

Em contrapartida, jovens cristãos saíram em defesa, dizendo "aqui está a juventude do papa".


Nota: Sem dúvida é uma provocação. Mas a ICAR teria coerência para criticar?

Enéias Teles Borges - Editor
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sábado, 6 de novembro de 2010

Motivo para a incredulidade

Antes de mais nada algo precisa ficar bem claro: incrédulo questiona um credo o que o difere de um ateu que crê na inexistência de Deus.

Isso posto vamos à luta: eu tenho tido cada vez mais motivos para crer cada vez menos. Por quê? Porque a contradição está campeando em todos os cantos. Existe um jogo de adaptação em andamento e tudo por causa dos recentes avanços da ciência e também em virtude das calamidades mundiais.

As bandeiras da fé estão readaptando seus credos numa tentativa estranha de fazê-los coerentes com os fatos cotidianos. Todas as bandeiras da fé estão procedendo dessa forma. Repito: todas!

Como seria possível detectar a mudança de rumo do navio? Simples: quando alguém deixa de ser considerado profeta e passa a ser apresentado como conselheiro e/ou servo de Deus. Aquilo que parece um exercício de humildade é uma fuga desesperada. O profeta antecipa fatos relativos a eventos futuros. O conselheiro emite opiniões e sugestões que não entram no campo da escatologia e premonições. É isso mesmo! As gerações novas que entram para o meio começarão a conviver com a nova realidade e com o passar do tempo sequer imaginarão que no passado a crença era outra.

Isso tem um título: “Revelação Progressiva”. É claro que uma simples análise do sentido dessa frase já denotaria o ponto central do engodo: jogar para debaixo do tapete o passado como se esse jamais tivesse existido...

Tenho feito sugestões às pessoas sérias que são presas aos movimentos históricos de suas respectivas agremiações religiosas: basta pegar a literatura difundida nos últimos 50 anos e começar a comparar as interpretações anteriores com as atuais.

Será fácil notar a inconsistência em face da revelação progressiva que é seqüencial e sempre coerente com os ditames anteriores. Qualquer introdução, no contexto da fé, de interpretações que são incoerentes com as interpretações anteriores deve, essa introdução, ser considerada falaciosa.

Em sendo verdade o que vinha sendo pregado até então há que se considerar que os ensinamentos atuais têm o fito de enganar a todos e em especial “os escolhidos”...

Concluo o texto remetendo-o ao seu título: há motivo justo para a incredulidade? Nos momentos atuais sim. Eu diria que quanto ao que tem sido veiculado nos meios da fé melhor ser igual ao discípulo Tomé...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 02/10/2008
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Desespero, revolta e aceitação

Pergunto: você já passou pelo desespero, pela revolta e vive o momento da aceitação? Nem imagina o que seria isso? Consideraria, ao final, esse texto como sendo oriundo de uma mente insegura? Você faz parte do imenso rol daqueles que fogem quando são emparedados pela realidade? Ou crê que essa última pergunta é sem sentido?

Convido-o à leitura do que está contido no blogue “Cultura e Religiosidade”.

Enéias Teles Borges
Postagem Original: 29/09/2008
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Blogue do Michelson Borges

Blogue Criacionismo comemora cinco anos

Tudo começou há mais de cinco anos, de maneira despretensiosa. Comecei a observar alguns blogs de jornalistas e percebi que a ferramenta poderia ser usada de forma séria e para o bem. Então resolvi fazer uma experiência e criar meu próprio blog para defender a bandeira criacionista. Inicialmente, ele se chamava “Michelson Borges” (figura abaixo) e eu usava o domínio www.michelsonborges.com (que ainda existe e aponta para o blog atual). Depois mudei para “Criacionismo” e passei a usar o domínio http://www.criacionismo.com.br/, que registrei há uns dez anos, quando nem sabia direito o que faria com ele. (Hoje tenho certeza de que foi Deus quem me motivou a registrar esse domínio para usá-lo num futuro próximo.)

Sugiro a leitura do texto completo teclando em Criacionismo.

Nota 1: Nasci e cresci no meio adventista. Sou Bacharel em Teologia pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), via Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (SALT). A despeito de ter cursado Direito e ter avançado bastante no Mestrado em Filosofia, relembro com satisfação os anos nos quais cursei o Seminário. Partilhei rigorosamente do pensamento ASD, mas de um tempo para cá, na busca pela ampliação de horizontes, tornei-me agnóstico teísta. Sinto-me feliz assim. Compromissado que sou com a verdade estou à disposição dela (verdade). Sei que poderei rever conceitos mudando, avançando ou até retornando às origens. O que importa é a verdade!

Nota 2: Estendo meus parabéns ao Michelson Borges, pelo blogue que durante cinco anos difundiu uma mensagem clara. Mensagem aceita por muitos, rejeitada por outros. O que importa, no caso do blogue, é a coerência aos princípios que o editor difunde e nos quais acredita.

Enéias Teles Borges - Editor
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O ATEU, A CRIANCINHA E O MINGAU...

O criacionista protestante ficou admirado: Como seria possível um ateu fazer tanta coisa boa? Era um professor exemplar! A curiosidade aumentava a cada dia. Por que ele era bom? O que esperava receber nesta vida e na futura? Não aguentando mais esperar para saber, dirigiu-se ao idoso professor e perguntou: “Qual o motivo de tanto altruísmo?” O professor respondeu dizendo que procedia assim porque devia ser assim. Motivos? Quem sabe o dever cívico, simpatia pela raça humana, coletivismo, bem estar... Fazia o bem porque deveria ser assim, não importando existência ou não de recompensa ou de castigo...

O professor completou: “Saiba que o ateu não é um malfeitor! Não conspira contra os ideais realizáveis do ser humano...”

O criacionista protestante suspirou. Difícil acreditar que existem pessoas que vivem de forma correta, sem ter medo do inferno, sem anelar vida eterna no céu... Estava diante de um cidadão ateu, que cria na inexistência de um criador e que se comportava como poucos e bons religiosos...

Sorriu amarelo quando o professor disse finalizando a conversa: “O ateu não é um lobo mal. Não pega a criancinha para fazer mingau...”

Enéias Teles Borges - Autor

Postagem original: 20/03/2009
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O criacionista e o ateu

Duas pessoas saíram da metrópole e seguiram na direção do litoral. Eram dois executivos cansados da rotina do cotidiano. Os dois queriam ver o mar, sentir o cheiro da brisa e acalmar a mente. Um era criacionista e o outro era ateu.

Lá chegaram e por lá ficaram ao longo do dia até o por-do-sol. Curiosamente estavam sentados lado a lado sobre uma rocha, olhando na direção do mar. O criacionista experimentou uma paz olhando para o mar e pensou: "que maravilha criada por Deus, que paz ela me traz...". Enquanto isso o ateu experimentava uma paz imensa, descansando o olhar, observando as ondas e a infinitude do oceano. Enquanto admirava pensou: "Somos filhos do acaso, o mar e eu. Até sinto que somos íntimos e que só de olhar para ele eu sinto paz. Que maravilha!".

Moral da história: para muitos olhar para o mar, num por-de-sol, depois de um dia terrível de trabalho, é motivo de satisfação, é o olhar da paz... Não importa se o mar tenha um criador ou se é obra do acaso...

Seria tão bom se todos respeitassem a paz que muitos buscam respeitando as convicções pessoais de cada um...

Enéias Teles Borges - Autor

Postagem original: 19/08/2009
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poeira em alto mar...

Muitas vezes o que se espera de uma pessoa, nascida num contexto religioso, é que ela creia em tudo e não questione. Não importa quão absurdo seja, não importa quantas lacunas existam: sempre existirá a fé para suprir todas as “aparentes” inconsistências. A fé remove montanhas, faz o crente ver oásis no deserto (não é miragem) e até poeira em alto mar. O crente vê tudo pois os olhos da fé permitem que ele tenha “visão além do alcance”.

Para quem se julga eleito antes mesmo do nascimento, enxergar poeira em alto mar é “café pequeno”. Não adianta dizer que aquilo que parece ser poeira é espirro d’água ou algo do gênero. Trata-se de poeira e ponto final! Os olhos da fé sobrepujam microscópios e telescópios. Eles permitem ver o inexorável, o inatingível, o transcendental! Ver poeira em alto mar é mixaria, algo como “dinheiro de pinga”.

O problema principal que insta em emergir é querer que as pessoas, que também pensam e também têm fé, enxerguem poeira em alto mar. Grande problema é afirmar que é cego aquele que não vê a “clara” poeira em alto mar. Não é nevoeiro, é poeira! Quem não consegue enxergar assim é um maldito, um desvairado, um louco perigoso!

Enéias Teles Borges - Autor

Postagem original: 27/03/2009
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Compromisso com a verdade

A ausência de comprometimento com a verdade se manifesta de muitas maneiras. Destaco uma: a omissão em busca da efetiva verdade. É fácil dormir em berço esplêndido tomando como verdadeiras todas as informações que foram se acumulando ao longo da vida. O conforto por permanecer no mesmo lugar é bom, mas é saudável? Escudar-se na ignorância, evitando comparar o que se tem de informação com outras, de fontes igualmente sérias, é um cômodo aparentemente confortável. Muitos preferem e preferirão o conforto da crença cega (ou simplificada) ao desconforto de eventual verdade fria e drástica.

Ainda que não concordando com essa forma de proceder eu sei que devo respeitar. Cada um coloca o chapéu no lugar onde poderá resgatá-lo! Não devo me insurgir intolerantemente quanto a esse tipo de escolha ou de condicionamento!

O que de fato causa incômodo é que não consigo enxergar a reciprocidade. Vejo a falta de respeito de muitos em afirmar, com base em suas teses de mão única, que as pessoas que têm pensamentos divergentes, estão, a priori, acobertadas pelo longo manto do erro...

O preconceito vem, quase sempre, dos muitos que se julgam poucos e bons! Vem, indubitavelmente, dos muitos que se assentam sob a sombra do pouco buscar e do muito julgar...

Qual o problema em se ter um compromisso efetivo com a verdade e sair por aí para saber se existe outro mundo além da “caixinha de porcelana”, berço eterno dos que se julgam membros de primeira extirpe da nação eleita e povo escolhido?

Chegou o instante no qual precisamos possuir um estoque imenso de paciência para muito ouvir e pouco ou nada falar. O compromisso com a verdade traz no seu bojo tudo isso que aí sorrateiramente aparece! Devo concluir que é necessário sempre relevar o que pensam e dizem aqueles que se acomodaram no berço encantado do pouco buscar e do muito julgar...

Enéias Teles Borges - Autor

Postagem original: 19/03/2009
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Profetas de plantão, o retorno...

Os profetas de plantão já estão colocando o Brasil na condição de protagonista no cenário da guerra entre o bem e o mal. Ponderações, no mínimo hilárias, tais como número de 13 do partido e o apocalipse, Dilma e o fim do mundo e previsões proféticas sem fim.

Tenho dado umas "pinceladas" no Facebook e reproduzo algumas por aqui.

Dilma e o mundo

Dilma tem sido parabenizada pelos estadistas do planeta. Eu, que votei no Serra, espero que os "profetas de plantão" não comecem com vinculações do tipo "Mundo+Obama+Papa+Dilma=Fim do Mundo". Aí seria de doer, para não dizer que passa perto do imenso abismo do "ridículo"...

Jesus e Dilma

Li num mural algo mais ou menos assim: "bom que o PT tenha vencido, tomara que fique ruim. Aí Jesus voltará logo..." Que beleza, não é? Que tal se todos nós passássemos a fazer coisas erradas? Se todos pecarem ao mesmo tempo o cálice da ira divina se encherá e Jesus virá em glória. A diferença entre religiosos e tapados está cada vez menor...

Profetas de plantão

Os profetas vociferam: o Brasil está de luto! Votei no Serra e digo: não é bem assim. Sabe o que parece? Que os profetas de plantão desejam que Dilma faça tudo errado e que o Brasil se quebre. Só para poderem dizer: "estão vendo, estávamos certos..." Amigos: calma, muita calma nessa hora. Nós optamos pelo Brasil e o Brasil, como sempre, sobreviverá...

Hora de fugir

A Dilma ganhou e devemos desejar-lhe sucessos na condução do Brasil. Precisamos fugir dos profetas de plantão que só enxergam o caos. Precisamos fugir daqueles que são como Peru de Natal: morrem na véspera. Votei no Serra, mas acredito na força do Brasil e em todas as suas instituições! Ânimo meus amigos! Sigamos deixando interpretações bíblicas espúrias longe da política. Não é o fim dos tempos...

Eleições 2010

Votei em Serra mas AFIRMO que o Brasil seguirá seu caminho. Nossa democracia está consolidada e não seria Dilma (ou Serra) capaz de mudar tal quadro. Sejamos otimistas e concedamos um voto de confiança. Aos cristãos digo: não é hora de julgar (pecado) e sim de esperar e avaliar. Primeira mulher no poder máximo! Desejo-lhe sucessos! Avante Brasil!

Meu voto

Conforme disse vou decliná-lo. Votei no candidato José Serra. Considero os dois, Serra e Dilma, iguais e sempre salientei que ambos são "farinha do mesmo saco". Minha razão: sou a favor de "rodízio" no poder. Nunca mais que oito anos...

Enéias Teles Borges

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