terça-feira, 5 de abril de 2011

Fé cega e faca amolada - III

Uma pergunta precisa ser feita: quem tem autoridade para defender o criacionismo? Parece uma pergunta óbvia, mas há que se notar os diferentes tipos de defesa dessa teoria. Aqui no Brasil tal postulação é feita pelos “criacionistas cristãos”. Para o cristão o criacionismo é conforme a Bíblia. O sagrado livro cristão tem dois testamentos: o velho e o novo. Aqui, por exemplo, já existe divergência com outro militante criacionista que é o Judaísmo. Os problemas, como podem notar são imensos! Os cristãos, que são ortodoxos por natureza, não advogam simplesmente o criacionismo. Protestam por uma adequação à interpretação de um livro que eles consideram sagrado e único. E os demais livros de outros criacionistas igualmente ortodoxos?

O que dizer de outros criacionistas atuais e do passado? É justo atribuir, aos criacionistas cristãos, o martelo do julgamento? Há respeito às demais interpretações? A defesa feita por aqui não é “bairrista”?

Quero exemplificar o efeito do meu arrazoado. É claro que os criacionistas cristãos, num exercício de honestidade, deveriam ser claros em dizer que defendem o criacionismo à luz dos dois testamentos bíblicos. Não podem deixar de transparecer que essa forma de teorizar o criacionismo é exclusiva e não coaduna em cem por cento com as outras correntes.

Isso tem acontecido? Essa honestidade tem ficado clara?

Quero deixar aqui três links de textos criacionistas publicados no sítio Observatório da Imprensa. Atentem para a forma de defesa de cada texto e os comentários em cada um. Eu diria que ler os textos sem os comentários seria um exercício incompleto.

Os textos são: "Rivalidade ou mal entendido?" - "A Darwin o que é de Deus" - "Endeusando Darwin em clima de guerra".

Sugiro a leitura dos bons artigos e dos comentários. Tirem suas conclusões e perguntem a si mesmos: quem tem autoridade para defender o “criacionismo único”?

Continua...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 18/02/2009

2 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Como a teoria criacionista não é uma tese fruto da metodologia científica, mas sim um ato de fé, cada criacionista se vê no direto (e dever) defender o criacionismo conforme a peculiaridade de suas "crenças religiosas".

Até mesmo dentro do grupo cristão existem conceitos criacionistas diferentes. Por exemplo: os batistas (e outras religiões cristãs tradicionais) não defendem a literalidade dos 7 dias da criação, enquantos os adventistas do 7º dia já defendem este ponto com unhas e dentes. Por outro lado, os católicos já tiveram a aprovação papal para fazer um sincretismo entre a Bíblia e a teoria evolucionista.

Quem tem o direito de defender o criacionismo? Como é um ato de fé na revelação divina e não se trata de um conceito que nasceu da pesquisa científica, qualquer criacionista tem este direito. Cada um a sua maneira, é claro.

Forte disse...

Enéias, li esses 3 primeiros textos sobre o assunto e algo curioso me chama a atenção. Se você perceber bem, notará que você expôs um modelo que serve não somente aos criacionistas, mas se aplica a classe científica também. No meu ponto de vista, esse modelo que é tão bem atribuído ao ser humano, está aceptivo e limitado à classes. De repente o que se carece é de entender mais a alma humana, e enxergar um pouco de sí no que julgamos.

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