quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Meu aniversário: trauma de infância...


Muitas pessoas não entendem porque não gosto de festejar o meu aniversário. Lembra-se de alguma ocasião em que convidei alguém ou que minha família tenha feito algum convite para o meu aniversário? Não estranhem meus amigos. Sou assim mesmo. Mas existe um motivo para este meu comportamento introvertido, que declinarei logo adiante. Só para que façam ideia de como sou, no que tange ao meu aniversário, ontem cheguei à minha casa depois das 23 horas, após trazer minha filha mais nova da PUC (nas terças ela tem aula à noite, para fugir da aula de sábado pela manhã). Minha esposa e minha filha mais velha nos esperavam e cantaram parabéns. Um bolo com uma vela. E um presente infalível: duas gravatas (coisa boa para um advogado, não é?). Depois disso guardamos o bolo. Ninguém estava disposto, o cansaço era imenso. Mais foi do jeito que gosto: de coração e de forma bem discreta.

Por que não gosto de comemorações no meu aniversário?

No ano de 1971, quando completei nove anos, minha professora, Maria Célia Mascarenhas Ferraz, esposa do ex-prefeito e ex-deputado Raul Ferraz, fez uma festa surpresa na nossa escola “Centro Integrado de Educação Professor Luiz Navarro de Brito”, em Vitória da Conquista, Bahia. Foi algo muito especial para mim e para outra coleguinha aniversariante.

Sou de família humilde e aquilo foi demais! Ganhei de presente uma bola de marca “chutebol” que eu pouco usava, para que não estragasse. Foi o presente dos meus sonhos. Algo inimaginável no meu contexto de criança simples.

Ocorre que um dia, brincando no quintal de casa, chutei a bola e esta bateu num varal de roupa com pontas (coisa que não se usa mais hoje) e a bola foi furada. Entrei em desespero, não havia solução. Perdi a bola e tive a certeza, naquele instante, que eu tinha perdido algo preciosíssimo e que jamais se repetiria: festa de aniversário com um presente. O que de fato se confirmou, pois daquela data até hoje eu nunca mais tive festa de aniversário, a não ser uma, de surpresa, que minha esposa, na época minha namorada, fez para mim, no quarto do internato do Instituto Adventista de Ensino, São Paulo, quando eu estava no último ano da Faculdade de Teologia, no ano de 1985 (ela não sabia do meu trauma).

A realidade é bem assim! Fiquei traumatizado! Por isso nunca gostei de festas e surpresas no meu aniversário. Quem me conhece sabe disso e compreende. Nada de festas, apenas cumprimentos. Assim é melhor.

Portanto: feliz aniversário para mim, neste dia 21 de setembro de 2011, quando completei 49 anos de idade. Sirvo-me do especial momento para agradecer a todos vocês que me desejaram felicidades.

Enéias Teles Borges

4 comentários:

Eduardo Montanari disse...

Eu até comemoro o meu aniversário, mas isso quando algum amigo propõe isso. Nesse ano mesmo em agosto, fomos a um rodízio, mas fui apenas por gentileza, pois não faço questão. Pra mim, meus aniversários são um dia como outro qualquer, assim como natal, páscoa, feriados, ano novo...

Ricardo disse...

Parabéns Enéias,

Curiosamente, eu também não gosto de comemorar aniversários, mas não tem nenhum trauma envolvido nisso, apenas não vejo sentido em se comemorar menos um ano de vida - kkk.

Anônimo disse...

Eu também não gosto de comemorações de aniversário, salvo crianças. E com o meu nem se fale....e hoje é dia. Mas por mais que eu peça "não faça", estou cercada de pessoas "festeiras" que não me entendem e nem respeitam isso...principalmente meu marido que adora festa de aniversário, do tipo que comemoraria o dele por 1 semana com multidão de amigos. Mas enfim, acabo me tornando a chata do dia.... no caso hoje. (Tenho meus motivos pra ser assim, e são bem relacionados ao do post (infância...mas nunca falei sobre isso).

Maria Célia Mascarenhas Ferraz disse...

Enéias senti uma felicidade muito grande em saber que sou lembrada por você depois de tanto tempo e que a festa do seu aniversário de 09 anos tenha sido tão importante na sua vida.
Na minha vida de professora só tenho recordações boas mas, confesso que a sua lembrança foi muito gratificante para mim, fiquei muito emocionada e me trouxe muitas recordações.
Abraços a você e a toda a sua família.

Sua professora
Maria célia Mascarenhas Ferraz

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