terça-feira, 2 de outubro de 2012

Outro assalto à mão armada...

Hoje, no começo da noite, fui mais uma vez vítima de um assalto à mão armada no trânsito. Na avenida Carlos Caldeira Filho. É a segunda vez. Levaram minha aliança (de novo), anel de advogado e o relógio. Virou rotina. Quando não é conosco é com algum conhecido. Tal avenida virou uma mina de ouro para os que praticam delitos desta envergadura.

O prejuízo material não é o que mais importa. A insegurança se renova. Estamos num beco quase sem saída. A vida, porém, foi preservada...

Enéias Teles Borges

Porco de estimação

Assisti a uma reportagem bem interessante. Animais de estimação e a preferência atual no Brasil. Os cães estão perdendo espaço para os gatos e para os porcos. Isso mesmo! Para os porcos. No caso dos gatos é fácil entender. Dão menos trabalho, gostam de limpeza, podem ficar dentro de um pequeno apartamento. E o porco? Curiosamente são bem carinhosos. Podem ser treinados e comem quase tudo o que for saudável. Gostam de ração, de verdura de folhas e afins. Gostam de banho! Fiquei impressionado.

Claro que sigo preferindo os cães. Admito, porém, que os gatos dão menos trabalho. Quanto aos porcos eu não sei o que pensar.

Enéias Teles Borges

domingo, 30 de setembro de 2012

Um ano bem estranho: 2012

Não é por causa do Calendário Maia e a suposta possbilidade de uma catástrofe mundial. Não é por causa do sufoco enfrentado pela economia mundial, especialmente o que ocorre na Europa. A realidade é que 2012 está sendo um ano complicado. Eu somo e subtraio e o saldo é zero. Não vou dizer que é positivo, nem que é negativo. Estranhamente o saldo é neutro. Ano bem esquisito. Observem a política nacional, o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal e as eleições municipais: tudo segue de forma diferente e estranha. O mundo está bem esquisito. Seria por causa de tudo que se falou das calmidades de 2012? Ou estamos diante de um processo irreversível de saturação e o mundo caminha para o abismo econômico, social, cultural (...)?

Vamos ver se o último trimestre salva o ano.

Enéias Teles Borges

sábado, 29 de setembro de 2012

Tristeza danada...



Hoje, em Sorocaba, estivemos com meu pai mais uma vez. Almoçamos com ele, jantamos também. Ele tem momentos de lucidez plena e outros em que parece se desligar do mundo. Comeu frango assado no almoço e pizza à noite. Tomou sorvete mais de uma vez. Resolveu que queria passear de carro pelas ruas do bairro. Foi atendido. Por duas vezes quis se deslocar da sua casa, para a casa da minha irmã. Foi atendido de novo. Seguiu na cadeira de rodas. Experimentei alegria e tristeza. Ele reagindo bem, mas foi com pesar que o vi sentado na cadeira de rodas. Queria ir andando, mas seria penoso.

Dias tristes, desde início de julho deste ano. Eis que o Pai herói vai se enfraquecendo aos poucos. A vida se mostra finita e frágil. Insta em seguir com uns e não seguir com outros.

Isso tudo me deixa com uma tristeza danada.

Enéias Teles Borges

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Finitude humana, finitude bem perto...

Desde que meu pai sofreu o AVC eu tenho notado uma queda gradativa nas suas forças, na sua mente, no seu corpo... em tudo. Sabemos que a vida é curta, finita ao extremo. Ver de perto nos dá uma dimensão maior de tudo que se mostra menor. Quando uma pessoa idosa passa por uma situação assim, a luta não é pela melhoria, não é pela volta ao estágio anterior. Precisamos ser sinceros: luta-se tão somente pela sobrevivência. É a luta humana contra o inevitável. Admitir isso não entrega. Ocorre, sim, a necessidade de encarar a realidade tal qual ela se apresenta. É momento de fincar os pés no chão, à espera do baque. Tudo questão de tempo. De pouco tempo. Quando enxergamos alguma melhora é apenas o reflexo de nosso desejo otimista. Pouco mais do que isso... Nossos pais passam pelo que passaremos, caso tenhamos uma rotina razoável. Para não padecer na velhice só existe uma alternativa: falecer antes que ela, imperdoável velhice, chegue bem perto...

Vida que segue, mas não para todos...

Enéias Teles Borges

domingo, 23 de setembro de 2012

Fugindo do agnosticismo

Agnosticismo é a visão de que o valor de verdade de certas reivindicações, especialmente afirmações sobre a existência ou não existência de qualquer divindade, mas também de outras reivindicações religiosas e metafísicas, é desconhecido ou incognoscível. (definição genérica)

Curiosamente algumas pessoas, no mundo cristão, têm imensa dificuldade em assumir que são agnósticas. Quando a elas perguntamos se é possível provar ou negar a existência de Deus, respondem dizendo que não. Ainda assim dizem não ser agnósticas e ainda combatem o agnosticismo, insinuando que é característica de quem fica em cima do muro (ignorância proposital?).

Podem acreditar: existe o agnosticismo-teísta-cristão. As pessoas que optaram ser cristãs, simplesmente pela fé e que admitem ser impossível provar a existência de Deus a partir do conhecimento e dispositivos humanos existentes.

Pessoas assim são agnósticas, queiram ou não...

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

50 anos de idade...



Os otimistas dizem que chegar a meio século de vida é chegar à metade da vida. Como se fosse possível à maioria humana chegar aos 100 anos! Quem chega aos 50 anos está avançado na segunda metade da vida. Isso não é ser pessimista. Isso é ser realista. Sou realista. Preciso ser realista. Pergunto-me: tenho vivido bem? O que seria melhor: viver muito ou viver bem? O ideal seria os dois, mas sabemos que isso é impossível. A resposta fica por conta de cada um...

Chegar aos 50 anos de idade motiva-me às reflexões e conclusões, que considero boas. Casado que sou, desde 1986, tenho uma esposa com 45 anos, uma filha com 22 e outra com 19. Digamos que as “crianças” estão quase encaminhadas. Olhando por esse lado eu diria: tenho “apenas” 50 anos e minhas filhas já estão quase em condições de tocar a vida. Olhando para a finitude humana eu diria: estou velho, tenho 50 anos!

Se eu fosse uma pessoa negativista eu diria: queria ter vivido esses 50 anos de uma maneira melhor. Como não sou, pergunto-me, mais uma vez: será que não vivi até agora melhor do que merecia?

Fato é que hoje cheguei aos 50 anos de idade! E já me dou por satisfeito quanto a isso! Desejo apenas poder, mais adiante, pisar no freio e vivenciar um cotidiano mais sossegado, viajar com mais frequência, conhecer o Brasil e quem sabe lugares interessantes no mundo. Seria querer muito? Creio que não.

Enquanto a hora de acalmar não chega sigo em frente, em busca de novos horizontes. Faz parte da nossa vida terrestre.

Que a vida seja vigorosa, depois dos 50 anos!

Enéias Teles Borges

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Medo: 21 de dezembro de 2012

Muitas pessoas creem na volta de Cristo em honra e glória e entram em contradição: morrem de medo do dia 21/12/2012. A famosa data do calendário maia. É incrível como a fé que remove montanhas não remove o medo daquela data. Sabe-se que muitas pessoas dão como certo o acontecimento calamitoso que dizimará a humanidade ou quase a sua totalidade. 

Afinal: acreditam naquilo que professam ou não? 

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O sol é para todos. E a sombra?

É comum dizer que o sol é para todos. Fato inquestionável. O famoso ditado popular é uma sugestão de que o amor e a justiça são para todos. Vamos com calma. Usar o sol como exemplo é, no mínimo, uso indevido. A questão é: quem quereria ficar o tempo todo sob o sol? Quem suportaria o calor permanente sobre si. O verdadeiro equilíbrio e ter o sol e também ter direito ao uso da sombra. Daí a necessidade de completar o adágio popular. O sol é para todos, mas a sombra não...

Muita calma nessa hora. Há que se tomar cuidado com os exemplos mal acabados, especialmente aqueles utilizados pelos difusores da Teologia da Prosperidade. Cuidado com essa turma que se diz do bem...

Enéias Teles Borges

domingo, 16 de setembro de 2012

O que é fanatismo?

Fanatismo (do francês "fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente freqüente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.

Em Psicologia, os fanáticos são descritos como indivíduos dotados das seguintes características:

1. Agressividade;
2. Preconceitos vários;
3. Estreiteza mental;
4. Extrema credulidade quanto ao próprio sistema, com incredulidade total quanto a sistemas contrários;
5. Ódio;
6. Sistema subjetivo de valores;
7. Intenso individualismo.

O apego e cultivo, mesmo quando desmesurado, por determinados gostos e práticas (como costuma ocorrer com colecionadores de selos, revistas, etc) não configura, necessariamente, fanatismo. Para tanto, faz-se preciso que a conduta da pessoa seja marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções.

De um modo geral, o fanático tem uma visão-de-mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de vista.

Tradicionalmente, o fanatismo aparece associado a temas de natureza religiosa ou política, porém, mais recentemente, ele se tem mostrado também em outros cenários, como os das torcidas de futebol.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Planeta Júpiter: os religiosos são tolos?

Meteoros colidem contra Júpiter e logo aparecem membros da comunidade Fé Cega e Faca Amolada (FCFA) para dizer: "vejam como é obra de Deus. Nossa Terra é perfeita para abrigar a vida. Até existe um planeta gigante que impede que meteoros caiam sobre nós..." Quanta bobagem! Sendo Deus um criador de coisas perfeitas, qual a necessidade da existência de um "planeta protetor"? Se tudo é perfeito, por que cometas e meteoros colidem contra planetas? Não seria sinal da perfeição a "não existência" de meteoros destruidores no Sistema Solar? Incrível como os religiosos que não ponderam de maneira sóbria, lançam a ideia de que os religiosos, em geral, são tolos...

Enéias Teles Borges

domingo, 9 de setembro de 2012

Diálogos no Facebook - I

As redes sociais possuem dois lados: o bom e o ruim. No lado bom existe a disposição para o diálogo. Segue abaixo um deles, iniciado no dia 3 de setembro de 2012. O ponto de partida foi a foto acima (tecle para ampliar).

DIÁLOGO:

- ????

-  Quem tem razão? Seria essa a dúvida? Pergunte para o Cristão, Judeu, Muçulmano. Cada um dirá que está certo e que o outro está errado...

-  E quem está certo??

-  Como vou responder? Seria justo? Conheço 100% das outras vertentes? Uma pessoa honesta só dirá que está certa se conhecer profundamente todos os demais pensamentos. Eu, como agnóstico-teísta, não me vejo com autoridade suficiente para dizer quem está certo. O que sei das demais religiões do mundo? O que sei do ateísmo? O que sei do agnosticismo? Sei que existem "bitolados" que dizem saber a verdade conhecendo "mal e porcamente" o próprio nariz...

-  Será mesmo que não existe uma religião verdadeira? será que quando Deus fez a humanidade ele não instituiu uma fé? Por que que muitas pessoas preferem acreditar que vivendo da forma que está vai melhorar alguma coisa?

- A sua pergunta é excludente: você já partiu do pressuposto de que o "Deus Cristão" criou a humanidade. Se foi ele, o que dizer dos "deuses" das outras denominações? Lembre-se, apenas para exemplificar, que o Deus cristão é Triuno (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo). O Deus Judeu é Uno (não existem o Filho e o ES). Para o cristão a resposta verdadeira já existe, em parte: a religião verdadeira é o Cristianismo. Pergunto: qual deles? O cristainismo católico ou o cristianismo protestante? E aí como fica? Se for o protestante, qual das denominações? Batista, Metodista, Adventistas, Prebiteriana, Luterana, Testemunhas de Jeová, Mórmons, (...)? Todos dizem que são donos da verdade. E agora? 

-  Essa é minha pergunta, qual religião que Deus instituiu na criação do mundo? Pois é o que importa certo? Pois foi o inicio da humanidade!

-  Importa para você, pois para muitos nem existe um deus. Para muitos Deus bíblico não é do jeito que o cristão imagina. Precisamos parar de pensar que a maneira como nos ensinaram é a maneira correta. Precisamos, sozinhos, examinar TUDO e descobrir aonde estão a verdade e o erro. Pode ser que tudo o que tenhamos aprendido não passe de um "sonho de verão"... PERGUNTO: se você tivesse nascido e sido criado no Japão, em que Deus acreditaria? Lá o cristianismo pouco significa... 

-  Como ser humano que sou, inteligente como me considero, aprendi a buscar a verdade por mim mesmo, nunca ouço o que as pessoas me falam desde que eu a considerem verdade, do mais analiso e procuro a resposta verdadeira, uma coisa tenho certeza, Deus não tem placa de igreja, TEM UMA VERDADE... 

-  De fato um Deus que seja verdadeiro não está "amarrado" a uma igreja. Mas pode ser que ele nem exista, pelo menos na mente do ateu. Eu, como agnóstico, respeito a todos e afirmo com convicção: quem disser que possui a verdade está muito longe dela. Não importa se quem assim diga é ateu ou criacionista...

-  Concordo, por isso estudo para descobrir quem está certo, tenho meu coração aberto para todos os tipos de conhecimento desde que a pessoa esteja aberta para conhecer a verdade... 

Nota: As respostas são minhas e estão em itálico.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A arrogância e a ignorância andam de mãos dadas...

Os arrogantes que se arvoram à condição de donos da verdade, merecem o desterro. Como são desgradáveis aqueles (teístas ou ateístas) que se julgam detentores da "verdade verdadeira". Pernósticos que são, inflamam a massa desfavorecida de ideias e pensamentos próprios, levando-a à alienação. Como são detestáveis os pretensos sabedores de tudo, donos da única fonte da verdade. Aqueles que apostam no nada, num deus de muitas caras, são pessoas de fé aleijada. Não importa se são ateus ou criacionistas, baseiam-se em suposições, fé e fábulas. Depois vão atrás de amostras e supostas digitais para dizer que estão seguros ao lado da verdade.

A arrogância e a ignorância andam de mãos dadas...

Enéias Teles Borges

domingo, 2 de setembro de 2012

Hoje os ventos sopram numa direção e amanhã como será?

Prestes a completar 50 anos de idade eu me vejo em pensamentos. Nada parece ter sido o que inicialmente mostrava ser. Tanto para o lado bom, quanto para o lado ruim. O certo mesmo é que devemos nos preparar para o que a vida nos apresenta. Hoje os ventos sopram numa direção e amanhã como será? Se o vento sopra para o Norte eu saberei viver? E se mudar para outro lado eu saberei? Eis o grande dilema do homem. Quando sonha e acredita nas teorias suavizadoras que dizem: "sonhe e torne o seu sonho uma realidade". Sabem qual o sonho que pode se tornar real? Aquele que é compatível com a própria realidade - nua e crua. Não adianta sonhar com lindos campos se temos diante de nós, todo dia, o concreto metropolitano. Não adianta desejar uma vida maravilhosa no futuro, entregar-se aos braços da fé e concluir que tal sonho será a realidade futura. Qual o sonho do muçulmano, do judeu, do cristão, do budista e dos demais? Quer dizer que se pode sonhar e crer e que assim será a realidade futura? Então todas as religiões do mundo possuem a verdade, pois todas elas ensinam a sonhar e ter fé no sonho. Sonho que chamam de esperança, bendita esperança...

Então tá...

Enéias Teles Borges

domingo, 26 de agosto de 2012

Nada como o tempo

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida. 

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. 

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. 

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!  

(Autor desconhecido)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A crença no sobrenatural é perigosa

Há trinta anos o psicólogo americano Michael Shermer se dedica a combater superstições. Ele criou uma ONG, uma revista (Skeptic Magazine), sites e programas de TV focados em promover o pensamento científico e desmascarar charlatões. Shermer, que chega ao Brasil no fim deste mês para uma série de palestras, é autor de quinze livros. O último, Cérebro e Crença, foi lançado em português na semana passada. Nesta entrevista, publicada na edição de VEJA desta semana, ele diz que a tendência a se iludir com fantasias é própria do processo mental humano e defende o combate à crendice em favor do progresso. 

Por que as pessoas acreditam no inacreditável? 

A evolução fez do cérebro uma espécie de máquina de reconhecimento de padrões na natureza. Às vezes, esses padrões são reais, mas na maioria dos casos são fruto da imaginação. Milhões de anos no passado, ao ouvir um barulho vindo da mata, um hominídeo poderia supor que se tratava de algo inofensivo, como o vento. Se estivesse errado, e fosse um predador, correria o risco de ser devorado. Nosso ancestral poderia, por outro lado, imaginar a presença de uma divindade perigosa no mato e se afastar o mais rápido possível.

A segunda opção é a que a maioria adota. Imaginar o perigo e fugir garante a sobrevivência, mas também a ignorância. Ir até o mato verificar do que realmente se trata o barulho exige curiosidade e uma batalha contra os instintos. É nessa categoria, a dos homens que não se rendem a narrativas fictícias, que se encaixa o cientista. Os crentes seguem a trilha inversa, a dos que se contentam com suposições sobrenaturais. É um fenômeno que tem a ver com a química do cérebro: a convicção de que o pensamento mágico é o que basta para a compreensão do universo produz uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar que seres místicos, sejam eles deuses ou extraterrestres, se preocupam e cuidam de nós. Não nos sentimos sós. 

Como se sabe que o cérebro é propenso a acreditar no fantástico? 

A neurociência identifica padrões de ondas cerebrais distintos que nos levam a criar crendices e a ter prazer na constatação de que temos respostas às nossas dúvidas. Em situações extremas, como as enfrentadas por quem está no limite da resistência física ou próximo à morte, o cérebro reage com a redução da atividade na área responsável pela consciência e o aumento em regiões ligadas à imaginação. Essa reação natural está na origem das alucinações. Não há mistério nesse processo. Os cientistas são capazes de produzir visões ou a sensação de transcendência espiritual com o estímulo artificial de certas áreas do cérebro. 

O senhor foi um cristão evangélico ativo no esforço de atrair fiéis para sua igreja. Como se tornou um cético? 

Somos mais abertos à religião na juventude e na velhice. Naturalmente, no fim da vida é comum procurar por conceitos reconfortantes, ainda que irreais. No meu caso, o apelo da crendice me atingiu na juventude, como uma explicação fácil para tudo o que existe. A religião tem um apelo social enorme. O ambiente alentador de uma comunidade ajuda a afastar as dúvidas até daqueles que não acreditam plenamente no sobrenatural e nos dogmas religiosos. Desvencilhei-me da crença ao entrar para a comunidade científica. O método científico, cujo princípio básico é o de que qualquer afirmação deve ser comprovada em experimentos repetidos, alimenta o ceticismo e favorece o progresso. 

O que faz com que a ciência seja a melhor ferramenta para explicar o mundo? 

A ciência é democrática. Qualquer um pode estudar e chegar a conclusões racionais. Cientistas estão abertos à possibilidade de estarem errados e, por isso, promovem a invenção e a reinvenção de conceitos. É o que garante o avanço do conhecimento. A crendice é intolerante. Fixa uma verdade e não abre espaço para perguntas. Se nos apegássemos apenas ao sobrenatural, nunca teríamos saído da floresta e criado a civilização. 

No mundo moderno, ainda precisamos da crença? 

É impossível deixar de crer. A ciência também depende da nossa capacidade de elaborar crenças. Qualquer experimento nasce com uma premissa baseada no que se acredita ser verdade. Ideologias também precisam da habilidade de crer. Eu acredito no liberalismo, na democracia e nos direitos humanos. Podemos, porém, abandonar o que não pode ser explicado, como deuses e bruxos. Não nos faria falta. 

Há vantagens na crença? 

A evolução nos concedeu a habilidade de acreditar por boas razões. A crença em divindades nos levou a temer o mundo e, com isso, nos ajudou a sobreviver nele. Também contribuiu para a formulação de leis que regiam comunidades primitivas. A moral e a ética nasceram na religião. 

Se a ética tem origem religiosa, por que ela prevalece na sociedade laica? 

As igrejas se tornaram um fator de corrupção, motivo de guerras e perseguições. Por sorte, presenciamos o declínio da crença no sobrenatural. Países do norte europeu, onde apenas um quarto da população segue alguma religião, têm índices de criminalidade, suicídio e doenças sexualmente transmissíveis inferiores aos de estados em que a maioria dos habitantes é de crentes, como os Estados Unidos e o Brasil. Se a religião se declara um bastião da bondade, por que, historicamente, estados teocráticos são mais suscetíveis à criminalidade do que os seculares? 

Apesar de vivermos na era da ciência, cresce a crença no sobrenatural. Por quê? 

É verdade que vivemos num mundo em que a ciência faz parte do dia a dia. Todos gostam de iPhones e admiram as naves que pousam em Marte. Mas poucos abdicam de crenças sobrenaturais e aceitam a ciência como ferramenta para explicar o universo. A maioria só quer aproveitar os produtos da ciência. Quando se trata de responder a dúvidas primordiais, como a origem do universo ou o sentido da existência, preferem explicações irreais, mas convincentes em suas narrativas fictícias. 

Por que o senhor se dá ao trabalho de combater a superstição? 

Sempre me perguntam por que não deixo os crentes em paz. Ocorre que a crença no sobrenatural não é inócua. Ao contrário, é bastante perigosa. Acreditar na dita medicina alternativa é um exemplo. Muita gente morre por substituir o tratamento médico sério por procedimentos supersticiosos, como o consumo de ervas com propriedades supostamente milagrosas. 

Não é possível provar a existência de divindades e criaturas fantásticas. O senhor concorda que também é difícil provar que não existam? 

O fato de não explicarmos um mistério não significa que ele exija explicações sobrenaturais. Só mostra que ainda não há resposta. O ônus da prova cabe aos crentes. O cético só crê no que é provado. Nesse aspecto, a ciência tem feito bom trabalho ao desmascarar mitos. No passado, já se acreditou que a Terra viajava pelo cosmo no lombo de um elefante. Existem 10.000 religiões. Espanta-me a arrogância de quem supõe que só uma crença seja correta em meio a tantas. 

O senhor leva em consideração que pode estar errado? 

Assim como todos, só descobrirei a resposta quando morrer. Como cientista, estou aberto à possibilidade de ter me enganado. Se houver um ou vários deuses, ficarei surpreso. Mas não tenho medo. Se há um Deus, ele me deu um cérebro para pensar. Meu pecado seria usá-lo para raciocinar e buscar explicações? Um ser benevolente não me puniria por utilizar bem as armas que me concedeu.

(Veja)

domingo, 12 de agosto de 2012

Dia dos pais do ano de 2012. Triste?


O dia dos pais de 2012 está sendo um dos mais tristes em minha vida. No dia 09/07/2012 meu pai sofreu um AVC e segue se recuperando com muitas dificuldades. Não é fácil para um senhor com 83 anos de idade sair de circunstância tão desfavorável. Ele está sofrendo e os filhos sofrem também.

Em toda a minha vida eu nunca vi meu pai chorar. Nem mesmo quando a mãe dele faleceu. Ontem (sábado) ele recebeu a visita de amigos da igreja. Ficou feliz e mesclou sorriso com choro. Primeira vez que o vi chorando. Disse que chorava de felicidade.

Ele alterna momento de extrema lucidez com confusão mental. É possível conversar com ele, ouvir histórias engraçadas do passado. Mais tarde ele muda. Parece viajar no tempo. Comporta-se como se estivesse em algum lugar do passado. Parece ser outra pessoa. Não essa de 83 anos. Conforme o que lhe vem à mente ele parece ter 60, 50, 40, anos ou menos. Fala de pessoas e locais do seu passado distante...

Não é fácil para um filho ver o pai desse jeito...

Razão pela qual eu, na condição de filho, estou enfrentando um dia dos pais diferente. Ruim mesmo!

Desejo que ele se recupere e que fique mais um pouco conosco. Há coisas boas que ainda poderemos fazer juntos.


Enéias Teles Borges

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Bíblia Não Tinha Razão

Em "A Bíblia não Tinha Razão", dois arqueólogos debatem sobre a verdade histórica da Bíblia, recolocando o debate na perspectiva correta, construindo o que os outros cientistas já definiram como a mais profunda e elaborada síntese entre as Sagradas Escrituras e a arqueologia realizada no último meio século.

Nota: É a minha leitura atual. Entendo que livros assim devam ser obrigatórios em todos os cursos de Teologia. 

Enéias Teles Borges

E a Bíblia tinha, mesmo, razão?

Aparentemente, a gente vai viver eternamente um verdadeiro conflito entre o pensamento racional e o pensamento religioso. Tudo teve início lá na Grécia Antiga, quando os primeiros filósofos propuseram uma nova maneira de interpretar o mundo, em choque com os sacerdotes e as pitonisas. E não tem sido diferente nos últimos séculos, quando, principalmente, a ciência refinou-se e encontrou novos métodos de pesquisa.

O post de hoje traz duas interessantes dicas de leituras. A primeira é o livro “E a Bíblia tinha razão”, de Werner Keller. O autor se propõe a pesquisar fatos supostamente históricos e provar acontecimentos narrados na Bíblia cristã. Religiosos dizem ser uma verdadeira reportagem histórica e com fundamento. Quem ler poderá fazer o julgamento.

O livro acabou se tornando um verdadeiro fenômeno, principalmente nas correntes de pesquisas teológicas do protestantismo, uma vez que o autor estaria comprovando fatos que eram tidos até então como mito por alguns cientistas. Até hoje é um sucesso de vendas em todo o mundo.

O livro citado foi um verdadeiro abalo científico: uma glória para religiosos e teólogos, uma destruição para historiadores e arqueólogos. Werner Keller foi massacrado por ter, supostamente, forjado provas e ter misturado fatos históricos com muita anacronia (associando fatos que ocorram em tempos e em espaços bem diferentes e distantes). A partir disso, dois arqueólogos lançaram a refutação.

Numa obra iconoclástica e muito provocadora, os arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Silberman refizeram os passos de Keller mostrando que muitos acontecimentos supostamente bíblicos não teriam acontecido. Dois fatos relatados e pesquisados pelos arqueólogos: o grande êxodo jamais teria acontecido e não houve escravidão judaica no Egito – esta porque não há nenhum relato egípcio da presença de escravos hebreus em seu território.

É reconhecido que os egípcios tiveram uma historiografia bastante meticulosa e metódica. Tiveram a preocupação de relatar em seus anais até mesmo suas derrotas para inimigos, as rixas entre sacerdotes, as invasões devastadoras e as maiores humilhações. Entretanto, em nenhuma anotação deste povo há as referências que a Bíblia aponta.

O livro “A Bíblia não tinha razão” é uma compilação dos conhecimentos arqueológicos mais recentes, com traduções de textos egípcios, hebraicos, sumérios e mesopotâmicos. Vale a pena conhecer um livro e depois o outro a fim de tirar suas próprias conclusões. Neste volume, os autores acusam o anterior de não ter tido o cientificismo de separar fato e farsa, ilusão e lenda, e tentar forjar provas.

Ambos são livros bastante desafiadores e polêmicos para os dois lados desta moeda. Vale ressaltar que essas duas formas de ver o mundo coexistem há séculos, e são somente formas de ver o mundo como há outras: a religião, a razão, o senso comum etc
 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Reminiscências confusas...

Minha família está enfrentando um momento muito difícil. Meu pai, que hoje conta com 83 anos, sofreu um AVC Hisquêmico e está acamado. Sofrendo muito. Não sofre sozinho. Filhos, netos e amigos sofrem junto. 

O curioso é que ao longo dos meus 49 anos de idade, só vi meu pai enfrentando problemas de saúde duas vezes: quando fez uma cirurgia necessária e quando teve grave problema na cervical. Em resumidas palavras: é como se ele fosse imune a qualquer tipo de doença. Mesmo na idade que tem, está reagindo valentemente. 

Não quero ficar preso à doença dele e sim aos efeitos da idade na vida humana (que me vieram à mente em virtude do especial momento). Interessante notar que não sofrer os efeitos da velhice só será possível ao vivente que vier a falecer antes dela chegar. Quem quer morrer jovem para não passar pela velhice?

Meu pai, em razão da medicação, está muito confuso. Meio sem noção do tempo no qual se encontra. Fala de assuntos atuais como se fossem antigos e antigos como se fossem novos.

Reminiscências confusas...

Muitas delas muito interessantes. De repente volta até nossa memória, parte da memória dele. Fala de temas de nossa infância. Trata de amigos antigos como se com eles tivesse conversado no dia anterior.

Será que ele voltará à normalidade? Poderemos contar-lhe desses momentos que agora vive?

Não sei...

Sei que a vida passa, a velhice caminha em nossa direção...

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os Mistérios de Jerusalém

Romance policial, de aventuras e de cultura. Em Nova Iorque, Paris, Moscovo, e mesmo nas margens do Mar Morto, um manuscrito com mais de dois mil anos faz correr muito sangue. Desvenda um dos 64 enigmas que ainda hoje protegem o tesouro do Templo de Jerusalém. Para além da cobiça do ouro, eruditos, mafiosos e terroristas tentam obter esse manuscrito milenar porque ele poderá também ajudar a esclarecer o mistério dos mistérios: por que Jerusalém? Por que foi escolhida por Deus — para aí construir a sua morada — uma aldeia situada nos flancos áridos dos montes da Judeia? A resposta encontra-se nas próprias fontes da história desse lugar, onde desde o princípio dos tempos se têm cruzado todas as esperanças e todas as violências. Revelar os mistérios de Jerusalém fará o mundo tremer.

Nota: Acabei de ler. Recomendo aos amantes do tema. Interessante a maneira como assuntos são abordados, numa mistura de ficção com a realidade.

Enéias Teles Borges

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