segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A vida por um fio...

A vida por um fio...
Enéias Teles Borges


Hoje cedo fui ao Fórum Criminal, que fica na Barra Funda, Capital de São Paulo. Saindo de lá eu manobrei o carro pela via larga com cinco faixas de rolamento e dirigi-me à direita, pista principal, pois eu me acostumei a acompanhar os motoqueiros pelo retrovisor direito. O sinal fechou os carros ficaram alinhados e aí notei: uma jovem mãe empurrando o carrinho com o bebê entre os carros e, portanto, fora da faixa de pedestres. Quando ela vinha, para passar em frente do meu carro aconteceu: o motociclista que dirigia pelo corredor não viu quando ela tentou atravessar, da frente do carro que estava à minha direita para passar na frente do meu veículo...

Ouvi um grito terrível! A mãe que gritou quando a moto atingiu o carrinho do bebê, lançando-o longe. O bebezinho escapou e caiu mais adiante. Era um nenenzinho de poucos meses.

Eu saí correndo do carro, outras pessoas também. A mãe se atracou ao bebê em desespero! Cheguei antes dos demais e tomei o neném do seu colo. Precisava saber se estava bem. A mãe estava transtornada! Outras pessoas seguraram aquela mãe para que pudéssemos avaliar o estado da criancinha. Aquela criaturazinha olhava dentro dos meus olhos, estava espantada...

Felizmente o bebê sofreu “apenas” um corte na testa. Chorava intensamente! Uma outra senhora que também tinha descido do carro tomou a criança nos braços e dirigiu-se a uma instituição que havia ao lado do fórum. A mãe, de lá seguiria para uma clínica para avaliar o estado do bebê.

Não sei como ficou o final do episódio. Não tenho como informar se houve algo não detectado ali. Não sei se a criança teve alguma contusão maior na cabeça. Sei que ela estava com vida e sei mais: a vida dela esteve por um fio...

A mãe agiu de forma imprudente. O motoqueiro não teve qualquer responsabilidade. Não tinha como imaginar tamanho absurdo materno...

No momento o que importa é refletir um pouco...

Notaram como as coisas ruins podem acontecer de forma rápida e imprevisível? Que para morrer basta apenas estar vivo? Que os planos dos viventes são sujeitos às intempéries da vida?

Hoje tive (mais uma vez) uma experiência que aumenta a minha noção dos fatos. Foi horrível e poderia ter sido pior...

A vida não nos concede a garantia que será durável. Eis porque precisamos agir com urgência. Eis porque devemos fazer sempre o melhor ao nosso alcance. Não sabemos se aquilo que agora iniciamos será concluído...

Precisamos buscar um pouco de tempo. Tempo para produzir e deixar algo. Algo que seja bom. Bom para o nosso semelhante. Semelhante que é nosso próximo. Próximo que é humano como nós. Nós que temos a vida por um fio...
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Um comentário:

Ebenézer disse...

Caramba!
A vida é muito frágil! Com sugere o título, ela se sustenta num "fio" que pode, facilmente, ser rompido.

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