sexta-feira, 21 de março de 2008

Paixão de Cristo

Sexta feira santa ou como gostam alguns, sexta feira da paixão. Um dia em que muitos se julgam de luto, não comem carne vermelha e entregam-se à devoção. Outros, ainda que não professando o catolicismo, servem-se da data para fazer orações e também promover o proselitismo. De variadas formas os cristãos pelo mundo concentram-se, cheios de fé ou de tradição, neste dia, o da Paixão de Cristo.

A televisão mostrou acontecimentos no mundo inteiro. No Vaticano, em Jerusalém, várias cidades no mundo. No Brasil o destaque foi a cidade de Aparecida do Norte, São Paulo.

O que chama a atenção de forma especial?

As convicções de cada crente e/ou de cada igreja ou seita.

Interessante como cada um encontra um motivo ímpar para desenvolver a sua fé. Pessoas fazendo penitências de joelhos e outras fazendo longas caminhadas. Muito choro e muita devoção. Várias igrejas e seitas têm rituais diferentes. Algumas vêem na fé das demais a personificação da ignorância e do fanatismo. Curiosamente outros vêem nestes últimos a mesma coisa. Cada segmento com sua fé, que julga ser a genuína, adorando na sexta feira da paixão.

O que leva as pessoas a esse tipo de procedimento? A força do hábito via tradição? Convicção decorrente de verificações pertinentes? Necessidade de se apegar a algo de cunho espiritual?

Eis aqui um mistério. Será? Para muitos se trata de fé e que por si só justifica os atos humanos em busca de Deus. Outros seguem tudo isso por força do costume. Muitos apenas observam. Há os que vêem nesse movimento uma oportunidade de negócios (ovos de páscoa, santinhos e outros).

O que significa para você? E para mim? Um dia de contrição ou um feriado para descanso? Um dia para exercitar a crença ou para enxergar bem de perto a força da “frente da fé” que a muitos mobiliza? Momento de preces ou ocasião para ver o poder desse freio social que está atuando no mundo inteiro?

Penso: o que seria do mundo sem a fé, ainda que cega? Seria o caos. A religião, sendo verdadeira, é fonte permanente de esperança. E sendo falsa? Serve, pelo menos, para frear a massa, atuando como eficaz instrumento de alienação.

Vamos refletir?
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6 comentários:

Cleiton Heredia disse...

A religião não precisa ser verdadeira para ser fonte de esperança, muito menos as consideradas falsas são necessariamente um freio social.

Você sinceramente acredita que o mundo sem religião seria o caos?

O caos que foi a idade média está aí para nos fazer refletir melhor sobre isto.

Quando você afirma que o mundo sem religião seria um caos, está ofendendo milhões de ateus que não possuem qualquer religião, mas cujas vidas não são necessariamente imorais, sem regras e um caos.

Ricardo Cluk disse...

Por que o mundo sem a fé religiosa seria o caos? Desde quando uma fé religiosa cega é um guia seguro?

E o quê é uma religião verdadeira? A sua?

E também não concordo que servir para "frear a massa, atuando como eficaz instrumento de alienação" possa ser computado como atributo positivo para religiões pretensamente falsas.

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Cleiton e Ricardo:

Não sou quem faço essa ponderação. Trata-se de pão requentado. Não estou dizendo que existe uma religião verdadeira, mas "se a religião for verdadeira"...

A religião pode ser verdadeira ou falsa. Ponto!

No que diz respeito à ofensa aos ateus eu diria o seguinte: se todas as pessoas fossem atéias o mundo não seria o caos. Ocorre que temos os ateus e a maioria dos homens, presos às culturas religiosas.

Esses religiosos sem a fé promoveriam o caos no mundo e os ateus, que são minoria, não conseguiriam evitar.

Certa feita eu ouvi uma frase: "Bastaria ao Brasil mais 50 homens iguais ao Edir Macedo, para que tudo estivesse sob controle". É bom notar que não existe uma afirmação de que o Edir Macedo esteja correto, mas que certo ou errado ele consegue manter uma enorme massa (como se fosse um freio).

Não cabe aqui discutir o que é certo ou errado, mas o efeito que está por trás.

Esse efeito, se não enxergado, é alienação pura e simples...

Ebenézer disse...

Enéias,

Só agora li o seu texto sobre a paixão de Cristo (e respectivos comentários), depois de já ter redigido o meu (este aqui). Até certo ponto, percebo que falamos a mesma coisa.

Sobre a influência positiva (ou negativa) da religião em sociedade, "alguns leitores de Freud, vêem a religião como um jeito de instituir a repressão sem a qual a vida social seria impossível ou, então, como um sistema de crenças destinado a atenuar o desamparo humano, dotando o mundo, a história e a vida de um sentido. Eles notavam, contudo, que a repressão é sempre maior do que é preciso (para não matar e roubar, aceito também me proibir de transar fora do casamento). Lembravam também que, quanto ao sentido, seu excesso é mais daninho do que a angústia que ele cura (extermino os heréticos para que permaneça incontestada minha versão da origem e do fim do universo)". Sobre isso leia o artigo Religião: por que ou para quê?.

Sendo um dos objetivo de seu blog fomentar o questionamento e o debate de idéias, creio que mais uma vez você acertou em cheio e tocou na ferida.

Conheço, na prática, apenas um dos lados dessa história: a religião como instrumento "educador" que lança a mão da repressão e do medo presentes em troca de algumas benesses futuras para "formatar" caracteres. Não sei o que é ser diferente... E reconheço (ou admito) a existência de um lado positivo nessa catequese toda. Mas não tenho como comparar o que sou com o que eu teria sido se houvesse recebido uma "educação" diferente. Reconheço que, de certo modo, estou "marcado" e terei que lidar com esse estigma pelo resto da vida.

De resto, amanhã sairei às pressas em busca de ovos de páscoa, aproveitando a liquidação. É a forma mais barata de manter a tradição que, por sinal, nada tem a ver com Jesus.

trevis_1990 disse...

Percebi algumas afirmações impostas sem nenhuma explicação razoável.Apesar de vc já ter tentado explicar que elas não são o foco desse debate , insisto nelas pois não gosto de começar debates com obscuros exemplos.
Por exemplo:
Por que o mundo não seria um caos se todos fossem ateus, como vc(enéias) afirmou?-Muito pelo contrário, basta ver o exemplo que foi a URSS como um Estado não laico, mas ateu.Posso dizer com segurança que as pessoas que viveram sob esse regime passaram por um dos piores momentos da história.
Então não se pode falar "se todas as pessoas fossem atéias o mundo não seria o caos" como se todos os ateus fossem boas pessoas ou moralmente corretos, assim como não se pode falar que todos os "cristãos"¹ são moralmene corretos.
Vi também outra:
Parece que você disse que se todas as pessoas não fossem alienadas, o mundo seria um caos (tirei essa conclusão pela linha de pensamento do último parágrafo do texto).Quer dizer então que o fruto de sinceros questinamentos é a confusão?!
espero respostas...
respeitosamente, Leandro

¹:na verdade, apenas o fato de uma pessoa se dizer cristã, ou seja, disípula de Cristo, já deveria ser uma garantia de boa índole e comportamento ético.Isso só mostra que, em se tratando de humanos, nada é dito e certo.

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Caro Leandro:

Trata-se de texto livre, caso contrário primeiro teríamos que definir o que é caos. Eu me referi ao mundo todo composto por ateus. A antiga União Soviética não serviria de exemplo. A despeito dela se ter declarada laica o povo via dessa forma? Os habitantes das repúblicas socialistas eram ateus? Criacionistas?

Um mundo 100% ateu, da maneira que eu tentei propor, não pressupõe a imposição de um regime. É ateísmo livre sem sequer a imaginação de outra possibilidade. É lógico que até o conceito de caos ali seria diferente. Talvez a palavra sequer existisse, pois não teria função...

Da mesma forma que você parece achar minha assertiva sem fundamento (eu respeito) dizer o contrário não seria a mesma coisa? Lembra-se de quando o mundo era 100% crente em Deus e de uma só vez uma pessoa (50% da população) pecou, trazendo o caos ao mundo? Se no mundo, sem pecado e com poucas pessoas veio o caos (e não existia ateísmo), o que dizer de agora?

Lógico que a ponderação acima só serve para quem crê que Adão e Eva existiram.

Quanto a ser correto ou não: de fato dos dois lados existem pessoas boas e más, certo?

Mas quem seria melhor: um ateu ético que não crê no céu nem no inferno ou um criacionista ético, mas tendo a esperança do céu e medo do inferno?

Quanto ao último parágrafo: simplesmente eu disse, coerente com outros textos aqui do blog, que a religião (mesmo que fruto da imaginação) funciona, pelo menos, como freio social. Imagine o comportamento que muitos teriam vendo as desigualdades sociais e mazelas da vida e não tendo qualquer esperança?

Finalizado dizendo: meus textos são textos. É claro que se assumirem formatos de artigos eu não os considerarei como “chamamentos à reflexão”. Neste caso farei afirmativas que poderão ser a favor ou contrárias aos diversos pontos de vista. Como textos livres passam bem longe dessa pretensão. Estamos falando apenas de fomento, não é?

Um forte abraço e grato pela postagem.

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