quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A César o que é de César...

"Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus."( Mateus 22:21)

Um conhecido meu, numa roda de amigos, dizia que não entendia porque algumas pessoas não devolviam o dízimo. Perguntei-lhe: "Você o faz"? Ele respondeu: "Sim, devolvo, em média, mil e quinhentos reais por mês". Eu comentei: "Vale dizer que você tem resultados líquidos médios mensais de quinze mil reais, certo?" Ele respondeu: "Sim". Fiz outra pergunta: "Quanto você recolhe de imposto de renda, em média, por mês?" Resposta: "Nada. Meu contador tem um jeitinho e não pago".

Concluí, dizendo para ele e para todos os presentes: "Sabe por que muitas pessoas não devolvem o dízimo? Pelo mesmo motivo pelo qual você não recolhe imposto. À luz da interpretação bíblica a fidelidade compreende Deus e César". Emendei: "No seu caso, pelas alíquotas no Brasil, o valor do imposto de renda deveria ser maior que o valor do dízimo..."

Sei que estou chovendo no molhado. Sou advogado, teólogo e contador. Sei bem como a fidelidade é respeitada pela metade. Sei também como os que se dizem dizimistas apontam o dedo para os demais e quase sempre o dedo está sujo. Nunca ouvi pregadores, leigos e assalariados, proferindo discursos sobre a fidelidade e ensinar que é igualmente obrigatório o pagamento do imposto. Nunca os ouvi dizer que as coisas feitas pela metade não agradam a Deus. Nada contra o dízimo e sim a favor do imposto. Ou a fidelidade é por inteiro ou não.

Não adianta dizer que não há reciprocidade do Governo. Quem disse que a obrigação de recolher imposto está vinculada a isso? Jesus, por acaso, questionou a tirania e corrupção de Roma? O dízimo deve ser devolvido simplesmente porque foi determinado, assim como ocorre com o imposto. Alguém quer questionar o sentido do verso bíblico, nos ensinamentos de Jesus?

Quem poderia explicar isso (procedimento cumprido pela metade)? Os membros da FCFA (Fé Cega e Faca Amolada)...

Enéias Teles Borges

2 comentários:

Cleiton Heredia disse...

A maioria das pessoas devolvem os dízimos com vistas nas supostas recompensas e com medo de ser castigado por Deus caso não o faça.

Não adianta falarem que devolvem por amor ou por gratidão, pois basta comparar o montante de ofertas voluntárias com o dízimo. Os valores de dízimo sempre foram muito maior.

Se na Bíblia estivesse escrito que o dízimo é opcional e deve ser dado apenas de forma voluntária, tenho por mim que somente uma meia dúzia de gatos pingados é que o devolveriam.

Seu argumento desenvolvido no texto está corretíssimo! Os pastores não pregam desta forma por que só sabem visar os seus interesses. Sem dízimo eles não sobrevivem.

O pastor Bullon, por exemplo, já pregou e escreveu que tocar no dízimo santo de Deus equivale comer do fruto que Deus proibiu para Adão e Eva. Pecado dos mais graves!

Quanto a parte de César a racionalização que utilizam os crentes é: "Mais vale obedecer a Deus do que aos homens". Na Bíblia existe desculpa para tudo. Basta procurar.

Carlos H. disse...

Brilhante texto Enéias. Parabéns!

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