domingo, 1 de maio de 2011

O ateísmo e os milagres

Quero usar como ponto de partida para esta postagem, o poema que adiante seguirá, de Mário Quintana, grande poeta brasileiro, que por muitos foi amado e por outros nem tanto.

Dos Milagres

O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
O
u luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!

No último final de semana pude me encontrar com amigos, numa festa de aniversário de duas pessoas as quais dedico imensa consideração. A aniversariante completou 80 anos e ele, genro dela, completou 50. Como sempre acontece quando encontramos a turma de sempre, das viagens a Caldas Novas e encontros na Igreja, conversamos sobre vários assuntos e entre eles discutimos a questão da fé. Mais especificamente um ponto chave: quando aqueles que possuem fé, consideram-na como se fosse algo concreto e querem que os demais, principalmente os ateus, aceitem o que creem como se verdade fosse.

Dilúvio, travessia do mar Vermelhocuras de Cristo (...), são acontecimentos aceitos por quem possui fé. Quem assim acredita que seja feliz com isso, mas daí impor aos demais a "obrigação" de acreditar é muito complicado. Chamar quem não acredita de louco é, no mínimo, desrespeito. Devemos nos lembrar que todo ato de fé humano passa, necessariamente, pela confiança depositada no ser humano. Acreditar nas "verdades" bíblicas pressupõe a aceitação de narrativas de homens, que se diziam inspirados ou nas narrativas de homens, que outros homens diziam ser decorrentes de inspiração. Para ter fé em qualquer divindade é necessário acreditar nos postulados apresentados pelo ser humano. Ou alguém que conhecemos recebeu orientação olho no olho de qualquer divindade? Ainda que isso fosse verdadeiro para ele, para os demais seria uma narrativa de um homem que disse ter visto Deus...

Não podemos, portanto, criticar os ateus por não terem essa fé. Como poderiam ter fé no sobrenatural se não acreditam nisso? O ateísmo e os supostos milagres são como água e óleo. Meio difícil (para não dizer impossível) de misturar...

Nota: Resta-me lembrar aos que deduzem, a partir da simples leitura, que sigo firme no agnosticismo teísta. Naquele mesmo, em sua essência, na forma como foi proposto pelos seus "fundadores".

Enéias Teles Borges
Postagem original: 25/05/2010

4 comentários:

Alexandre - Condor disse...

Será que se chovesse Maná na Africa ou nas favelas da Índia existiriam ateus? Seria um milagre e tanto!

Eduardo Medeiros disse...

Enéias, concordo com você que a fé não deve ser imposta ao ateu mas também o ateu não deve impor seu ateísmo a quem tem fé.

Você, como bacharel em teologia assim como eu também, sabemos que a crítica literária e o método histórico-crítico são capazes de deixar os relatos sobrenaturais da Bíblia em seu devido lugar. Contos, narrativas épicas, simbolos, sagas.

Eu ainda não cheguei no agnosticismo. Um agnóstico parece aquele cara que está em cima do muro onde de um lado está a crença e do outro o ateísmo, doidinho prá pular em um dos lados.

Por isso, sou um cara que tem fé em Deus. Não nos deuses da religião, mas no "Deus" que provoca em mim a atitude de assombro diante da vida, da existência e do universo.

Esse "Deus" não pode ser contido por nenhuma teologia mas a minha razão é capaz de apenas intuí-lo. Comigo funciona assim.

abraço

Carlos H. disse...

Eduardo,

Agnóstico não é quem está em cima do muro. O agnóstico tem uma convicção firme de que a realidade última está além do seu alcance cognitivo. É bem diferente de dizer "não sei" diante da pergunta "Há Deus"?

Alexandre Martins disse...

NÃO ACREDITO NA EXISTÊNCIA DE DEUS! GRAÇAS A DEUS!

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