quinta-feira, 26 de novembro de 2009

REPENSANDO CHARLES DARWIN


Repensando Charles Darwin
Enéias Teles Borges


Da mesma maneira que precisamos, à luz da ciência, repensar a questão da religiosidade, de igual maneira precisamos, no contexto da ciência, ateísmo, criacionismo e evolucionismo repensar Charles Darwin. A evolução da ciência e a celeridade com a qual eventos se tornam mensuráveis e, em seguida, mensurados, força-nos a um exercício de sinceridade. A teoria da evolução carece ser repensada.

"Talvez a mudança mais conceitual proposta pelas novas pesquisas seja sobre o papel do ambiente no processo evolutivo. Em vez de atuar como mero filtro sobre as características, como proposto por Charles Darwin, o ambiente teria o poder de causá-las." (G1)

"Embora ninguém questione a grandiosidade do feito intelectual de Darwin – afinal, conceitos como adaptação, evolução e seleção são alguns dos fundamentos da biologia moderna –, são cada vez mais expressivas as vozes que defendem que "A Origem..." não é a última palavra na tentativa de explicar os mecanismos pelos quais a vida se reinventa e se diversifica. Observações feitas em novas áreas de investigação, como a genômica e a epigenética, não encontram paralelo no pensamento de Darwin. E há quem proponha que talvez seja necessária uma nova revolução conceitual na biologia." (G1)

"Foi somente no início do século 20 que biólogos do Ocidente tiveram contato com os estudos de Mendel sobre hereditariedade, o que levou ao conceito de gene e ao surgimento da genética. A fusão das ideias propostas pelos dois pensadores começou a ser elaborada na década de 1930 e recebeu o nome de Síntese Evolutiva ou neodarwinista. Em suas elaborações, os biólogos neodarwinistas reservaram para o gene um lugar central." (G1)

"Mutações na sua estrutura levariam ao aparecimento da grande diversidade de características dos seres vivos, sobre as quais atua a seleção natural. A maior ou menor vantagem adaptativa conferida ao organismo por uma mutação resultaria na variação da frequência da mutação em uma população. Traços como o comportamento social e cooperativo em insetos, animais e até em humanos seriam apenas esforços dos organismos para assegurar a transmissão de suas fitinhas de DNA, mantendo elevadas as frequências daqueles genes." (G1)

"Essa visão, que muitos taxaram de “genecêntrica”, foi radicalizada pelo inglês Richard Dawkins, que afirmou nos anos 1970 que a preservação das sequências de bases nitrogenadas “é a razão última de nossa existência”, e que todos os organismos são só grandes “máquinas de sobrevivência” do próprio material genético." (G1)
 
Talvez aí resida um instrumento de defesa em que poderiam se apegar os criacionistas ortodoxos. Afirmariam que a teoria darwiniana, à medida que a ciência prospera, tem conceitos derrubados. Lançariam uma dúvida: como ter certeza de que daqui a alguns anos a teoria ainda teria sustentação?
 
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2 comentários:

Carlos H. Barth disse...

Blasfêmia!! Rs.

Enxergo Darwin como um grande contribuidor, no sentido de que foi o autor de um insight que revolucionou a biologia, alterando seus rumos de forma drástica.

No contexto científico, Darwin é constantemente repensado e discutido. Basta acompanhar as pesquisas científicas mais recentes para perceber que os detalhes de sua teoria são questionados, revistos e aprimorados. Tal qual qualquer outra teoria científica.

Darwin hoje é apenas um bode expiatóio, um alvo fácil para os criacionistas que entendem a "derrota" da teoria da evolução como a "vitória" do criacionismo.

Luiz Claudio Santos de Souza Lima disse...

Darwin precisa ser repensado? Claro que sim. Porque assim é a ciência. Assim é o método científico. Paradigmas devem ser quebrados. Só os dogmas não “podem” sofrer questionamentos. Darwin precisa ser repensado sim. Mas, sem paixões. As mesmas que inflamam discursos daqueles que atacam a teoria dentro da perspectiva meramente epistêmica.
Todo dia a ciência revisa Darwin. Se um dia o conhecimento científico mudar de curso e as evidências apontarem outras “verdades”; a ciência conceberá naturalmente uma nova teoria.
Um questionamento que faço é o quanto uma nova teoria se afastará do naturalismo metodológico?
Creio que alguns discursos refletem muita ingenuidade; de ambas as partes...muitas vezes.

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