sexta-feira, 31 de julho de 2009

A GRIPE SUÍNA E O MEDO...

Lembro-me que eu era criança quando surgiu meu primeiro encontro com o medo de contrair uma doença. Estávamos nos anos de chumbo e o objeto do terror era a meningite (infecção de origem microbiana, que provoca a inflamação das meninges). Os comentários a respeito desta praga eram diversos e para uma criança a falta de informações precisas aumentava o desespero. O que restava na mente era a informação ruim, que provocava pavor. Quantas noites mal dormidas com medo de que a doença chegasse em nossa casa. Até que um dia a vacina cubana estacionou no Brasil e fomos para a planície de paz. Uma vez vacinados, vacinados para sempre!

Agora é a vez da gripe. A espanhola? A gripe comum? A gripe do frango? É a tal da gripe suína. Já surgiram os mestres em escatologia para difundir o medo. O mesmo medo que se tinha da meningite. Agora parece pior, mesmo distantes dos anos de chumbo. Escolas no Brasil adiam reinício das aulas. Pessoas evitam centros de aglomeração de humanos. Nada de cinemas, teatros, igrejas e afins. Qualquer ambiente com um doente e a gripe se espalha. Espera-se ansiosamente pela vacina. Mais uma vez se quer a planície de paz. Todos querem bradar: Uma vez vacinados, vacinados para sempre!

Não é só a gripe que incomoda. É, também, o nojo dos desgraçados terroristas que se dizem emissários do céu. Enquanto isso muitos estão preocupados. Todos torcem pela chegada do verão. No inverno a disseminação é maior. E não adianta dizer que é uma gripe de meia tigela. Ninguém quer pagar para ver. Há quem diga que o melhor que pode acontecer é todo mundo pegar logo essa gripe e ficar imune! Que beleza! Quem se candidata? Fico imaginando as pessoas saindo pelas ruas, sem máscara, procurando os lugares mais propícios para a transmissão do vírus e respirando fundo...

A gripe e o medo estão de braços dados num pacto: o maldito acordo do terror! Tendo como baluartes os profetas de plantão! Os mercadores do apocalipse! Os agoureiros malditos!

Quem sabe a gripe não una o inútil ao desagradável? Ou seria útil ao agradável? Já imaginaram um amplo salão, repleto de profetas e agoureiros e a gripe se instalando ali e as vacinas a milhões de quilômetros de distância?

Melhor esquecer o parágrafo acima. Afinal não queremos o mal para ninguém. Mas também não queremos o medo, o exagero, o mal agouro...
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Autor: Enéias Teles Borges.
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5 comentários:

Micha disse...

O mundo está muito ruim. A gripe suína é uma praga enviada por forças superiores...veio para destruir as pessoas más.

modo sarcástico off

Cleiton Heredia disse...

Ouvi falar que a OMS há alguns dias atrás contava cerca 500 mortes no mundo por causa da gripe H1N1.

Estão todos com medo e só se fala da gripe...

Enquanto isto esquecemos que diariamente morrem 24.000 pessoas por causa da fome.

O mundo exige que as vacinas contra esta gripe sejam disponibilizadas o mais cedo possível.

E vacina contra a fome, não tem?

E quanto aqueles outros milhares que morrem no Brasil por falta de um atendimento médico adequado?

Para este mal a vacina teria que ser contra a corrupção que sangram dos cofres públicos as verbas mais que suficientes que deveriam estar sendo destinadas para a saúde, educação, segurança, etc...

Na verdade o que deveria ser inventado urgente é uma vacina contra a ignorância. Esta sim é a grande vilã que deveria ser definitivamente extirpada do mundo.

A arte de ter razão disse...

Enéias,

Eu tive meningite na aquela época. Fiquei dias internado e vi gente morrer ao meu lado. Não foi uma experiencia legal. Os médiocs disseram para minha mãe que eu sairia dali sem sequela alguma. Fisicamente realmente não tenho nada e dizem que mentalmente também não, mas minha esposa desconfia um pouco disso (rs). Para um menino de 7 anos aquilo foi aterrorizante.

Quanto a gripe suina, morreram este ano uns 1000 mundo afora, mas já morreram no mesmo periodo uns 100.000 da gripe normal. Qual vcê acha mais perigosa?

detextoemtexto disse...

Entendo que seja legítima a preocupação da OMS com essa pandemia. Ficou claro que vivemos numa aldeia global e o deslocamento freqüente de pessoas deu a esse vírus uma rapidez até então desconhecida. Em três meses ele chegou a lugares em que o vírus da gripe espanhola precisou de três anos para atingir.

Ademais, há outra questão para a qual é preciso estar atento. Estamos falando de um vírus novo. Tudo bem que até aqui seu índice de fatalidade (mortes) tem sido baixo. Mas isso já aconteceu antes, inclusive com o vírus da gripe espanhola que, em seu primeiro surto, teve desempenho pífio (se é que convém usar esse termo aqui).

Sabemos que, no Brasil, há outros problemas sérios. A dengue, a febre amarela, a meningite e até mesmo a leptospirose matam mais que o H1N1. O que fazer então? Ignorar um novo problema porque já temos demais? Penso que não.

Por outro lado, é importante salientar que essa preocupação maior deve ser dos órgãos de saúde e não da população. Creio que a impressa prestaria maior favor à comunidade de enfatizasse os cuidados a serem tomados com a gripe (que são as mesmas recomendadas para a gripe comum). O conhecimento, a informação, ainda é a melhor defesa contra as ameaças que nos rondam.

julio luiz disse...

eu vejo falar muito dessa gripe, mas eu acredito que não é tão brava assim afinal não vi um defunto se que vita dassa gripe com meus olhos.... sou como Tomé, ver para crer , o que creio é, vi muita gente tomar a vacina e dai por diante essas pessoas disseram estarem pior. o que tenho a dizer sobre o assunto é: cuidado e canja de galinha não faz mau a ninguém, eu disse canja de galinha não vacina....

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