sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Abestalhadas da fé?

Faz algum tempo eu fui assistir a um culto, numa quarta-feira à noite. O pastor pregava sobre a oração e dizia: “Deus já ouviu a sua oração!” “Precisamos orar para desabafar com Deus, mas, saibam que ele sabe das nossas necessidades antes mesmo da oração!” “Sua oração já foi ouvida e a resposta é: sim, não ou espere um pouco...”

Eu fiquei matutando e cheguei à conclusão que: (1) ou aquele pastor era um ingênuo de primeira linha ao fazer esse tipo de afirmação ou (2) era um estelionatário com vestes pastorais. Como alguém pode tratar as pessoas assim, como se fossem “abestalhadas da fé?”

O sermão não parou nesta última frase. Ele disse que se a resposta imediata não for um “sim” ou um “não” o “espere um pouco” seria a resposta que no futuro se configuraria como um “sim” ou um “não”. Isto é, a oração sempre seria ouvida e atendida conforme fosse melhor para o contrito.

Ele continuou: “caso Deus responda sim, louve-o! Agradeça pala graça alcançada. Se Deus responder não, louve-o! Agradeça porque ele sabe o que é melhor para você, não lhe concedendo aquilo que certamente não seria para o seu bem...” “Ainda não obteve a resposta? Finalizou: Aguarde um pouco pois o sim ou o não virá no momento oportuno...”

Eu diria que essa oração sempre será “ouvida” e “atendida”. Pode até ser que a “graça” não seja de acordo com a vontade do pedinte, mas será em conformidade com o que for melhor para ele. Sempre haverá uma das respostas “divinas”: sim, não ou aguarde um pouco...

Saí da igreja me perguntando? Perdi meu tempo de novo? Ir à igreja e ouvir esse tipo de birutice ou engodo faz bem?

Pois esse formato de mensagem tem sido a essência em quase todas as agremiações da fé. Lamentavelmente esse modelo de procedimento carismático (e demagógico!) adentrou os portais das igrejas outrora tradicionais...

Tratar as pessoas como “abestalhadas da fé” tem sido uma das mais trágicas formas de alienação em massa em curso permanente no Brasil.

Lamentável...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 10/03/2009

2 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Pior que isto é quando você vai à igreja e ouve comentários do tipo:

"Você viu? O fulano apostatou! Coitado... E eu que sempre tinha este fulano em tão alta estima. Como pode? Justamente ele que era uma pessoa tão íntegra e inteligente."

Quer dizer, abandonou a fé vira tudo mau caráter e burro.

Carlos H. disse...

Quando discutindo empreendendorismo, lembro-me de ter ouvido:

"Cidades como São Paulo tem demanda para qualquer coisa que você possa inventar".

A religião não é restrita a uma cidade, mas quando lembro disso, entendo porque até mesmo tais pastores (sejam ingênuos, sejam estelionatários, como você cita) tem ouvidos à sua disposição.

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