terça-feira, 10 de maio de 2011

A divindade que nos interessa

Não basta apenas ter convicção da existência de um ser criador. O que realmente alivia a alma é saber que além de criador trata-se de um ser pessoal. Pessoal e que queira ter as suas criaturas vivas, felizes e para sempre ao seu lado.

O primeiro embate é ter certeza da sua existência. O segundo é ter a certeza do seu cuidado. Não adianta muito o aconchego nos braços alienantes da fé cega e da faca amolada. Acreditar é acreditar. Torcer é torcer. Não adianta torcer para que seja verdade o que se quer.

O caminho é longo e oferece como companhia a realidade. Não é apenas longo. É tortuoso, repleto de nuances de insegurança. É real, não é ideal.

Por isso que considero chata a guerrinha à moda brasileira em torno do criacionismo e do ateísmo.

Sem falso altruísmo: a divindade que nos interessa é uma que seja pessoal, amorosa, cuidadosa e que nos outorgue a eternidade repleta de felicidade.

Não sendo assim que diferença faz ser criacionista ou ateu? Quem sabe o ateu até sofra menos por não alimentar uma eventual ilusão...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 05/02/2009

2 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Concordo plenamente com sua argumentação. Chamo-a de argumentação "Gelol":

"Não basta ser Deus, tem que participar".

(lembra da propaganda?)

Nesta questão os cristãos possuem um ponto extra e exclusivo em relação aos outros dois grandes grupos monoteístas (judeus e mulçumanos), que é a pessoa divino-humana de Jesus.

Se Jesus disse e fez tudo aquilo que os Evangelhos relatam, então isto seria a prova conclusiva de que Deus existe e se interessa por nós.

A pergunta que então deveríamos estar fazendo é: São os Evangelhos dignos de crédito?

Não adianta ficar discutindo se a verdade está com o criacionismo ou com o evolucionismo, pois, como você mesmo disse, a certeza de um criador não nos garante seu interesse por nós.

Precisamos começar a discutir sobre a realidade da pessoa de Cristo tal como os Evangelhos nos relatam. Aí sim, em caso de uma comprovação irrefutável da precisão destes registros, teremos o conforto de um Deus que se preocupa com nossas vidas.

Bem, pelo que conheço de registros históricos e de crítica textual, acho que a segurança e o conforto que nossa alma anseia não estão tão facilmente acessíveis como gostaríamos.

Carlos H. disse...

Penso que nesse caso estamos falando de uma busca por bem-estar e não necessariamente de uma busca pela verdade, nessa perspectiva, seu argumento é válido.

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