segunda-feira, 17 de agosto de 2009

BARBA, CABELO E UNHAS...

Existem pessoas com “mania” de limpeza. Conheço várias e em geral são mulheres. Outro dia vi algo inusitado. A pessoa varreu a sala uma vez, duas e três. Perguntei o motivo e ela me explicou: “sempre fica alguma sujeira que não sai na primeira nem na segunda e aí faço a terceira varrida”.

Eu também tenho algo meio parecido, mas na questão da higiene pessoal. Dois banhos (no mínimo) por dia, faça frio ou faça calor. E não consigo ficar com cabelo alto e por isso eu uso máquina número um a cada 15 ou 20 dias, corto as unhas pelo menos uma vez por semana (eu mesmo faço isso) e costumo me barbear diariamente. Não agindo assim fico sempre com a sensação de que estou carecendo de limpeza. Questão de hábito advindo dos muitos anos num internato cristão conservador?

Mas o que essencialmente me chama a atenção nas pessoas é o hábito de limpeza interior. Algo como barba, cabelo e unhas, por dentro – como se fosse possível. Não deixando esses três itens em ordem a sensação de sujeira permanece.

Não adianta uma limpeza exterior. Lembram-se da frase do Mestre quando se referia aos sepulcros caiados que eram limpos por fora e podres por dentro? Assim têm se portado muitas pessoas de uma forma geral externando algo e interiorizando outra coisa.

Há quem diga que é nos meios aparentemente mais saudáveis que a sujeira se concentra. No seio da nata moral: nas igrejas. Não nos parece que em alguns lugares o perfume e a limpeza externos parecem esconder a sujeira típica dos sepulcros caiados?

Está cada vez mais difícil um lugar ao sol e achar quem aparenta o que realmente é...
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Postagem original: 17 de julho de 2008.
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2 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Sua postagem me fez lembrar de duas situações distintas. Na primeira estava conversando com um rapaz que contava-me com certa satisfação suas aventuras extraconjugais. Ele não fazia qualquer questão de manter a aparência de uma pessoa fiel. Era como estivesse dizendo de forma aberta e declarada: "Sou um safado mesmo, e daí?"

Na segunda situação estava conversando com um homem que fazia questão de se declarar um líder religioso cuja moral estava a toda prova. No entando, eu sabia de suas franquezas e que na verdade era um grande "mulherengo" enrustido.

Em termos figurativos, o primeiro era sujo e desalinhado, porém com um discurso coerente com sua realidade. Já o outro, apesar da aparência de limpeza, era tão sujo moralmente quanto o primeiro, mas com um discurso totalmente hipócrita.

Confesso que me sinto melhor conversando com o primeiro do que com o segundo. Não porque compartilhe de suas idéias, mas porque é mais sincero e autêntico. Toleramos a sujeira exterior, mas a interior dá náuseas.

“Se quer julgar um homem compare suas palavras com suas ações”.

Ricardo Cluk disse...

Também existe outra máxima que diz: se quer julgar um homem, primeiro se olhe no espelho.

Todos vocês têm suas sujeirinhas enrustidas. (risos)

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