terça-feira, 29 de novembro de 2011

Precisamos de esperança, pois a vida é dura!

Num periódico eu li, com grande simpatia, o pronunciamento de um ateu acerca da esperança. Ele disse algo mais ou menos assim: “não posso tirar a esperança de alguém a menos que eu tenha algo melhor para colocar em seu lugar”. Trocando em miúdos ele insinuava que não acreditava na existência de Deus e, portanto, não cria nas convicções dos cristãos. Mas o que ele teria para colocar no lugar daquela esperança? As pessoas estariam preparadas para verdade na qual ele acreditava?

Veio, de imediato à minha mente, uma frase muito usada nesse contexto de fé, crença e descrença: “a ignorância, muitas vezes, é fator de felicidade”. Essa ignorância, da qual trato, precisa melhor ser entendida: por não se saber de determinada verdade ruim é possível ser feliz ou, ao menos, não ficar triste.

Imaginemos uma criança portadora de uma doença mortal que lhe ceifará a vida em poucos dias. Ela não sabe. Precisa saber? Não seria oportuno minimizar-lhe a dor deixando que não saiba da morte iminente? Tirando-lhe a esperança o que seria colocado no lugar? É nesse sentido que me refiro a esperança como fator de felicidade.

A grande realidade é que, nesse assunto de religião (fé e crenças), nós não passamos de crianças. Será que aquilo em que cremos é real? E se não for real é justo ou salutar trazer isso à tona, minando esperanças? No caso em tela a ignorância não deveria ser promovida? Tirando do crente a sua fé o que será posto no lugar? Até que ponto a verdade que corroi deve ser colocada no pedestal em substituição à suposta mentira que alenta?

Não restam dúvidas quanto à utilidade social da fé. Imaginem essa massa deixando de crer. O que viria depois? Imagino (hipótese) que depois da desilusão, decorrente da desesperança, viria o caos. Sem a esperança de uma vida eterna e com a convicção de que a vida atual é efêmera, como reagiria a grande nação mundial da fé? É caso para se pensar e pensar muito! A crença promove resultados formidáveis e que são impossíveis de ser mantidos, a não ser pelo exercício permanente da própria crença. É um tremendo freio social! É uma fantástica máquina criadora (de alienação?) que mantém o povo contrito e longe da guerra. Sem a religião haveria desordem? É provável que sim.

O que está em discussão não é se a religião é um espelho da verdade, mas a sua importância independentemente de ser veraz ou não. Não nos impressiona o fato de que uma suposta mentira coletiva seria o estandarte da paz?

Tenho refletido sobre isso e não é de hoje. Eu diria que o marco inicial foi em 1983, no segundo ano da Faculdade de Teologia. De lá para cá eu comecei a separar “religião” de “cultura religiosa”. “convicção” de “alienação”.

Mas eu respeito o que adiante explano:

Nós humanos precisamos do calor da esperança, pois a vida é dura. Precisamos do fogo abrasador que essa fé nos dá, pois a vida é dura. Precisamos da coragem que a fé nos traz, pois a vida é dura. Precisamos não questionar essa crença, pois poderia nos trazer desilusão, tirando-nos a esperança e sem esperança a vida é dura.

Eis o ponto máximo da questão: nada temos para colocar no lugar da esperança, escudada na verdade ou na mentira.

Nós precisamos dessa esperança, pois a vida é dura!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 23/06/2008

8 comentários:

Ricardo Cluk disse...

Enéias,

Vou discordar dessa linha de raciocínio.

Só no Brasil 30.000 pessoas são assassinadas todos os anos por arma de fogo e outras 30.000 pessoas em acidentes automobilísticos provocados pela imprudência que nada mais é do que o pouco caso à própria vida e a alheia. O mundo, apesar da pretensa religiosidade, vive em guerra. Há guerra e violência para onde quer que se olhe.

O movimento religioso contemporâneo é marcado pela busca da prosperidade momentânea e não da eterna.

As pessoas são individualistas e querem usufruir o momento. Quase ninguém pensa no futuro espiritual.

Tendo isso em mente, o que segura a sociedade no cabresto não é a religião, mas o medo da prisão, do processo jurídico, do nome sujo, da vergonha pública e, sobretudo, a esperança na prosperidade material.

Quer ver o mundo entrar em convulsão de verdade? Basta a atual crise financeira, ou uma outra crise futura, tirar das pessoas a esperança do carro novo, da casa própria, da viagem dos sonhos, das fartas compras nos supermercados, das melhores escolas para seus filhos, do bom emprego... Ou seja, a sociedade moderna vive muito bem sem Deus, mas sem dinheiro não.

Cleiton Heredia disse...

Lembra da pílula azul e vermelha do filme “Matrix”? Uma representava a alienação, a ilusão e a mentira, porém mais agradável do que a outra que representava a dura verdade, a nua e crua realidade.

Cristo não falou que quando conhecêssemos a verdade, esta nos libertaria? Todas as religiões exaltam a verdade e repudiam a mentira, os filósofos estão em busca da verdade seja ela qual for e esteja onde estiver, todos os seres humanos no âmago de seu ser anelam por conhecer a verdade e temem serem iludidos e enganados pela mentira.

Preferir a alienação e a mentira simplesmente por esta ser mais agradável do que a realidade e a verdade é, no meu entendimento, ser um covarde, bem como também um egoísta, imaturo e interesseiro. Uma criança talvez necessite por algum tempo ser iludida com uma mentira por não ter ainda maturidade suficiente para lidar com a verdade, porém, esta situação deve ser temporária e passageira, pois um dia ela deverá adquirir maturidade para compreender a verdade e aceitar a realidade.

Defender a alienação eterna em razão de a realidade ser dura demais, é admitir que seremos sempre eternas crianças imaturas, verdadeiros bebês chorões e mimados que precisam sempre de melzinho na chupeta para poderem dormir tranquilamente.

Eu creio que a verdade, seja ela qual for, sempre liberta e é preferível à mentira ou ilusão. Uma pessoa iludida nunca poderá tomar atitudes para mudar sua realidade, pois se conforma em viver convenientemente num mundo de fantasias. Já aquele que preza pela verdade e não teme a realidade, esta, por mais dura e cruel que seja, poderá ser enfrentada e até amenizada com atitudes verdadeiramente efetivas. No filme “Matrix” o herói só conseguiu mudar o seu mundo quando decidiu tomar a pílula da verdade. È claro que não foi fácil e exigiu muito sacrifício de sua parte, porém as mudanças só ocorreriam desta forma.

Quanto à religião ser um freio social, considero isto algo repugnantemente hipócrita, uma verdadeira anti-propaganda da religiosidade. Se existe alguém no mundo que deveria fazer o que é certo e verdadeiro, independentemente de suas crenças, mas simplesmente por ser certo e verdadeiro, este alguém deveria ser o religioso. Agir corretamente com vistas na recompensa ou com medo do castigo evidencia falta de caráter.

A religião não deveria ser um freio social, o caráter é que precisa exercer este papel.

Cleiton Heredia disse...

Só completando o pensamento: O ateu não tem o direito de tirar a esperança do religioso, não porque "sua verdade" não oferece algo melhor, mas simplesmente porque a "sua verdade" não é necessariamente A VERDADE.

Tatianny Costa disse...

Concordo com o Ricardo!

Quando questionado sobre os "sinais do fim", Jesus predisse que os homens seriam amantes de si mesmos, egoístas, e que por se multiplicar a iniquidade o amor de quase todos se esfriaria.
A religião apresentada na mídia está longe do Jesus apresentado na Bíblia! E essa realidade deturpa a verdade levando muitos a duvidar e a descrer. A "verdade" a que se refere Cristo quando disse "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", é a vontade dEle e não a vontade dos seus pretensos seguidores. E essa verdade liberta dos dogmas, das mentiras, das ilusões, do medo, da falta de esperança, e de todas as pragas disseminadas por meio do engano.
Crer no que Cristo pregou não é ilusão, muito pelo contrário, é a realidade que está sendo rejeitada. A questão não é não ter o que colocar no lugar da esperança, A questão é porque rejeitar a esperança quando ela é real e só traz benefícios.
Entendo que essa rejeição vem da alienação da verdade. Quem entende a verdade racionalmente não consegue enxergar outra alternativa a não ser viver com esperança. Porque questionar a Bíblia antes de lê-la com o mesmo interesse que se lê um livro de Filosofia? Porque crer piamente no conceito apresentado por autores humanos, e criar tantas barreiras a um livro escrito por homens mas inspirado por Deus? Seria isso um medo de perder o controle ao assumir que nem tudo está ao nosso alcance?
Partindo do princípio de não crer no que nos é passado e sim pesquisar para criarmos nosso próprio ponto de vista a respeito, desafio a humanidade a estudar mais profundamente tudo que esta disponível a respeito de Cristo e das verdades apresentadas na Bíblia.
Sugestão Bibliográfica:
O Grande Conflito - Ellen White.
O Desejado de todas as nações - Ellen White.
Bíblia Sagrada.

Alexandre disse...

Quando comecei a ler algo sobre os livros da Ellen White pude perceber que a escritora dá muito poder ao adversário de Deus, colocando-o com um poder enganador fora do comum e os filhos de Deus (nós) como meros ratinhos de laboratório meio que sem saber se proteger.
Pergunto: Se eu tivesse um filho (homem) inocente, sabendo que ele poderia ser enganado ou seduzido por um perverso, enganador e astuto assassino que vivia rondando a minha casa a fim de devorar meu filho, o que eu como pai faria, caso houvesse a possibilidade desse meu filho ser seduzido por esse assassino? Puniria meu filho ou o assassino?
Ao ler algo dessa escritora, pude ver um caráter contraditório entre um Deus de bondade e um Deus severo que pune com a morte aqueles que não o seguem a risca.
Eu também perguntaria para a escritora algo que me intriga. No caso de um garoto muçulmano, nascido e criado debaixo de suas crenças, de bom coração, mas que acredita que a religião dele é a correta. Ou um monge budista que não faz mal a uma mosca, mas crê na religião dele. Seriam eles dizimados por acreditarem numa religião criada pelo capeta, feita para desviar do verdadeiro Deus? Gostaria de ver a resposta dela...
Acredito no Deus cristão, mas, não da forma que é pregado nos livros de Ellen White.

Para mim ela foi uma fanática religiosa que endemoniza tudo aquilo que ela não concorda nem acredita.

Portanto, como posso saber se os escritos proféticos da Ellen White não são outro engano do tinhoso para fazer Deus parecer severo e ríspido?

Sabrina Noureddine disse...

Oi Enéias,
Basicamente, concordo com o Alexandre, mas vou além, a esperança é o combustível que nos move para frente, se não a tivermos, estaríamos estagnados vendo apenas o pior de todos e do mundo...
Independentemente de religião, as pessoas possuem fé: no trabalho, na vida, no amor, nos filhos, seja lá onde as pessoas depositem a fé, ela guiará e será a esperança de que algo melhor aconteça...
Abs.

Altamirando Macedo disse...

Fritaram o ovo e não sobrou gordura, só reiteraram que religião é um mal necessário. Grande parte da população é movida pelo medo ou respeito.
Alguns não fazem o mal seguindo os preceitos citados por Ricardo. Outros praticam o mal por não temeremos os preceitos citados pela Tatianny Costa.Muitos fazem o bem ou o mal sem preceito algum, independentes se são mentiras ou verdades. Na meu conceito,o bem e o mal são, diretamente, proporcionais à economia e à cultura.

Anônimo disse...

É um assunto realmente interessante, ssobre o qual já pensei muito.

Eu mesmo não teria ousadia de sugerir que uma pessoa deixe sua religião.

Alberto

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