domingo, 15 de janeiro de 2012

Conhecer ou pensar que conhece?

Existe uma grande diferença entre “conhecer” e “pensar que conhece”. Espera-se do conhecedor o exercício pleno de sua capacidade racional. Conhece porque auferiu subsídios em ações individuais.

Aquele que pensa que conhece é um cego que não enxerga a escuridão na qual se encontra. Na realidade assimilou os pensamentos que vagueavam e/ou vagueiam próximos ao seu contexto e os sugou. Confunde absorção do pensamento de terceiros com aquisição de conhecimentos personalizados.

É natural supor que tudo o que existe no mundo já é de conhecimento geral, não me concentro nisso. Chamo a atenção para a realidade: a ausência plena de questionamento impede a pessoa de chegar aos fatos usando a própria mente. Por usar o pensar de terceiros o indivíduo deixa de usufruir da maior capacidade humana: a racionalidade.

Quem contribui para isso? A educação que conduz ao condicionamento sem especulação. Não apenas a educação. O viés religioso é, quem sabe, o principal fator de obliteração da mente.

O que normalmente ocorre: os pais, que não questionam, repassam “seus conhecimentos” acrescidos da famigerada bitola que receberam dos seus ancestrais.

Esse direcionamento, recebido no seio da família, na escola e no contexto religioso, forma pessoas aptas para a atual sociedade de consumo. Consumo de tudo o que passar pela frente, tanto no campo material quanto no campo das ideias.

Hoje é praticamente impossível encontrar, na maioria das pessoas, um traço de escolha sem preconceitos ou sem direcionamentos. É um atentado à capacidade do homem para pensar e traçar seu caminho.

Quem hoje tem coragem suficiente para olhar para dentro de si e perguntar: conheço do que eu quis conhecer ou conheço daquilo que me fizeram conhecer? Posso dizer que conheço alguma coisa? Devo admitir que na realidade eu sou fruto do que fizeram à minha mente e das “escolhas” que me impuseram?

Sabemos que influências existem e que nos afetam. Sabemos também que existe muito a conhecer e que está à nossa disposição. À disposição e livre. Livre e à vontade. O exercício do livre pensar é sem limites para quem o queira. Queira e tenha coragem. Coragem suficiente para (até) romper com toda a tradição acumulada.

Enéias Teles Borges
Postagem original: 30/04/2008.

4 comentário(s):

Cleiton Heredia disse...

"Numa sociedade de mudanças tão rápidas, apenas os mais arrogantes deixam ver que não sabem nem podem saber tanto quanto imaginavam que sabiam quando eram jovens e mal-informados. Só o ignorante pode pensar que não é ignorante. É a suma do saber, descobrir quão mais além está realmente a onisciência." - Dr.James J.Londis em artigo na revista "O Ministério" de set-out de 1988.

Cleiton Heredia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sobre o ombro de gigantes disse...

Não é só a razão, mas também a nossa consciência, que se submetem ao nosso instinto mais forte, ao tirano que habita em nós.
Friedrich Nietzsche

Caro Dr. Enéas,

Já tive oportunidade de estar outras vezes aqui e de pensar sobre seus textos é muito gratificante.
Entretanto, confesso ter alguma dificuldade diante de alguns. Por isso um texto que trata do conhecimento e as limitações ao seu acesso impostas por um determinado meio de algum modo se relacionam com a minha dificuldade.


Em: “Quem contribui para isso? A educação que conduz ao condicionamento sem especulação. Não apenas a educação. O viés religioso é, quem sabe, o principal fator de obliteração da mente.”.

Você propõe que a religião pode ser uma limitação ao livre pensar? Há algum conflito sutil no seu texto ou a limitação é minha?

Luiz

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Você propõe que a religião pode ser uma limitação ao livre pensar? Há algum conflito sutil no seu texto ou a limitação é minha?
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Caro Luiz, tudo bem? Grato pela visita.

Quando me refiro à religião eu me concentro num ponto: os religiosos têm a convicção de que somente eles possuem a verdade e a partir daí influenciam as pessoas (em especial as crianças). Eu sofri esse tipo de influência e quando "tento" pensar diferente preciso lutar contra um bloqueio que me diz algo parecido como "não adianta especular", "isso é errado", "você já foi ensinado a andar NO ÚNICO CAMINHO certo, por que não parar aí mesmo? (...)"

Quem nasceu e cresceu num ambiente 100% religioso sofre mais.

Tenho certeza de que a religião imposta é um limitador do livre pensar.

Abraços.

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