terça-feira, 12 de maio de 2009

Medo de mudar?

Vanderlei Luxemburgo é o atual técnico do Palmeiras. É um dos melhores treinadores de futebol do Brasil. Alguns o consideram o melhor. Não importa muito isso agora. Fato é que, volta e meia, ele vem com uma frase, que muitos detestam, mas que tem lá o seu sentido: “o medo de perder tira a vontade de ganhar”. É assim que ele cativa seus jogadores sugerindo que a melhor defesa é o ataque.

O que podemos aproveitar disso para refletir um pouco?

Vivemos num momento histórico em que é impossível ter certeza de que o caminho que percorremos é o correto. Na educação dos filhos, no trabalho, na escola (...). Parece-nos que os ensinamentos que recebemos estão obsoletos (não me refiro aos princípios fundamentais inerentes). As mensagens que ouvimos e os conselhos que são ministrados parecem subprodutos de um mundo virtual, parecido com aquele do filme MATRIX.

É aí que parafraseio a assertiva do Luxemburgo: “o medo da mudar tira a vontade de investir”.

É por aí mesmo! A mesmice tem incomodado, mas o medo da mudança de paradigma tem efetivado nas pessoas um comportamento estático. Basta uma observação atenta. Mesmo sentindo que o caminho trilhado no momento não parece ser o ideal as pessoas instam em permanecer nele. Vêem na dúvida um benefício. Na dúvida, não se muda. Isso é bom? Ruim?

Não tenho certeza de que é ruim ou bom. Mas na dúvida busco uma alternativa. Prefiro errar em busca de mudança a errar por não me mover.

Vale a pena pensar assim?
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Postagem original: 22/03/2008.
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2 comentários:

Ebenézer disse...

Enéias,

Reconheço que a mudança é a lei da vida. Reconheço, também, que toda mudança gera instabilidade e, conseqüentemente, medo.

Do ponto de vista social, as mudanças, as revoluções, nunca são iniciadas pela classe dominante – aquela que está no topo da pirâmide. Também não advém daqueles que estão na base dessa mesma pirâmide, esmagados pelo peso da luta pela sobrevivência – aqui, resistir já é considerado um triunfo. A mudança quase sempre se originavem na faixa intermediária, que, por enxergar os dois lados e possuir um certo discernimento, pode e muitas vezes se torna subversiva.

Acredito que, do ponto de vista pessoal, algo semelhante aconteça. Quem está no topo, gozando das benevolências que o dinheiro e o poder facultam, não sente necessidade de mudar. Mudar para quê? "Se melhorar estraga"! Por outro lado, quem se vê asfixiado pela faina diária em busca do fútil pão de cada dia, ainda que queira, dificilmente encontrará tempo e condições favoráveis para pensar e engendrar mudanças.

Além disso, há outro problema. Não basta querer mudar, é preciso saber como mudar. Isso envolve planejamento. Nem todos que pensam em mudança sabem como implementá-la. O risco de fracasso é alto e vida pode negar uma segunda chance...

Ademais, há situações em que não convém arriscar. É como recomenda aquela placa de sinalização em rodovias: "Na dúvida, não ultrapasse"!

Não sei...

Como disse no começo, reconheço a mutabilidade da existência. Heráclito sempre dizia que "não se pode pisar duas vezes no mesmo rio". O rio muda, mas não somente ele. Nós também mudamos... Com isso quero dizer que são muitas as variáveis envolvidas nessa equação de mudanças. Como num jogo de xadrez, é preciso enxergar alguns lances antes para poder mover a peça certa e evitar um xeque-mate. E não basta evitar um xeque-mate, é preciso aplicar um xeque-mate! Defender e atacar ao mesmo tempo!

Gostei da reflexão. Tenho pensado com freqüência em mudanças. Estou em busca de alternativas viáveis. Reconheço, contudo, que faço parte daquele grupo que sempre hesita em dar o primeiro passo (acho que isso ficou claro na forma como redigi esse comentário). Em outras palavras, sou do tipo que peco pelo excesso de cuidado...

Se vale à pena ser como sou? Não sei... nunca fui diferente...

Valeu!

Edleuza disse...

Nossa!... Dois textos (a postagem e o comentário do Ebenézer), igualmente reflexivos e coerentes!

Creio que é isso mesmo, a vida é movimento, é ação: tudo o que para, tudo o que fica estagnado, apodrece e MORRE. E isso, em todos os aspectos: profissão, casamento... relacionamentos e práticas, de uma forma geral.

A vida EXIGE que busquemos sempre algo melhor, algo que nos faça sentir mais VIVOS - tanto com relação ao corpo físico quanto à alma (os que já passaram dos 40 que o digam!).

A diferença, creio, é que uns têm - mais por herança que por aprendizado - essa força e energia interior, esse tino, esse otimismo peculiar que propulsiona mudanças. Esses, quando vem a dor, sentem, sofrem, sangram, mas se concentram (não sei como!) em agir e se desvencilhar do que os incomoda. E mudam!

Outros, diante do que os faz morrer interiormente, também sentem e sofrem - muito! Semelhante aos primeiros, SABEM que precisam sair da situação dolorosa, mas, ao contrário daqueles, ficam inertes, presos à dor que os consome.

Para os que pertencem ao primeiro grupo, parabéns! Isso é dom, embora também exija esforço.

Aos do segundo, sinto dizer: a mudança será bem mais lenta e dolorosa e dependerá mais de aprendizado e disciplina mental.

Isso, porque O SOFRER É DUPLO: pela dor da situação em si e pela consciência de que, para sair dela, terá que lutar contra a própria natureza, uma vez que o otimismo e a energia transformadora não lhes são, assim, tão naturais...

Mas, como sabemos, para a VIDA isso não interessa! Com maior ou menor dor, com ou sem propensão para a ação e mudança, cada um tem que lutar a seu modo para conseguir ser mais feliz.

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