sábado, 29 de janeiro de 2011

E a concretização da esperança?

Nesta segunda de carnaval eu fiquei em casa com minha esposa. Nossas filhas foram passar uns dias no interior de São Paulo. Aproveitei para assistir a alguns filmes que estavam “estocados”. Um deles trouxe-me uma reflexão e passo a externá-la aos amigos leitores.

O enredo do filme era típico das aventuras americanas, com drama envolvido, para dar um tempero especial. A personagem principal tinha perdido o marido (gripe do começo do século XIX). A única filha contraiu o vírus e levou tempo maior para falecer.

Ao contar este episódio (no filme) ela disse que esperava pela sobrevivência da filha. Tal anseio acabou fadado ao insucesso.

No filme ela disse algo interessante: “nada pior do que a esperança, pois no final o pior acontece”. Generalizou? Será?

É a esperança sendo suscitada por outro prisma. O da frustração.

Poderíamos dizer que existem duas resultantes da esperança?

Às vezes, em circunstâncias da vida, temos a esperança de que algo tão desejado aconteça. E pode acontecer! Quando ocorre o esperançoso se diz maravilhado com a concretização da bendita esperança.

No caso em tela aconteceu o oposto. Tornou-se um exemplo de jargão popular que traz no bojo o ideário de que a esperança é a última que morre. É a última? Quer dizer então que a esperança morre?

Aquela mãe teve esperança até o último momento. A esperança dela se esvaiu e eis que triunfante a morte chegou.

Não é triste?

Eu li no dicionário HOUAISS uma definição para a palavra esperança: “sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja; confiança em coisa boa”.

A minha reflexão singela é sobre a possibilidade de frustração da esperança. O sentimento que nos motiva a ver como possível algo que queremos não deve ser considerado como certeza de sua concretização. Aí estaríamos falando de fé. A esperança é torcer pelo sucesso, ao passo que a fé é convicção com base na evidência subjetiva (?).

A esperança, portanto, pode (no final) ser fator de alegria ou de tristeza.

A frustração da esperança é um dos piores momentos que pode acontecer ao ser humano.

Daí a proposta: seja esperançoso, mas adicione um pouco de realismo a tudo isso. A esperança pode trazer uma luz no presente e no futuro. Pode, também, trazer a luz e no final as trevas da decepção.

Faz parte da vida...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 05/02/2008

3 comentários:

Ebenézer disse...

Interessante. O tema tem tudo a ver com o seu blog: a esperança pode ser uma forma de alienação.

Talvez um aspecto positivo da esperança que mereça ser salientado é que ela nos fala de uma ausência. Sempre esperamos pelo que ainda não chegou, pelo que ainda não se fez real, pelo que ainda não está aqui e agora (esperança = desejo). Ela nos diz que a vida, tal qual a vivemos AGORA, não nos preenche, não nos é o bastante. A esperança é uma das formas que encontramos para lidar com o momento PRESENTE, quando deficitário, lançando a conta no FUTURO. Daí o risco de frustração da qual você falou muito bem.

Considero positivo esse tipo de reflexão porque nos permite reavaliar nossa "lista" de esperanças sob uma perspectiva que nos traz de volta ao presente: por que o momento presente não me é o bastante? Quais são as causas de minha insatisfação com o hoje? Por que preciso de pílulas de esperança para tocar a vida adiante? E, se a esperança é uma projeção do desejo, como impor limites ao desejo? Não estariam, esses desejos, impedindo-me de desfrutar melhor daquilo que já conquistei?

É algo a se pensar...

Gostei da proposta: "seja esperançoso, mas adicione um pouco de realismo a tudo isso".

Patrícia_search disse...

A Esperança é a última que morre. Clichê popular.Tão popular quanto a alienação que envolve o esperançoso que é um incorrigível otimista.Eu não me apoio em esperanças, eu me apoio em estar preparada para tudo.
Mas essa reflexão acrescentou muito a minha concepção sobre a esperança.

Altamirando Macedo disse...

tEnéias,
¨Esperança é um sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja¨. É só um desejo!.
A esperança é a realização do possível e não sinônimo de fé.
Tenho esperanças e às vezes elas são decepcionantes mas continuo tendo-as. Morre uma, nasce outra.
Fé - crença religiosa, conjunto de dogmas e doutrinas que constituem um culto.
Poderíamos trocar¨evidencia subjetiva¨ por improbabilidade ?

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