terça-feira, 21 de abril de 2009

Um convite à reflexão

É possível pensar e depois investigar sem medo? Medo de ter que rever conceitos filosóficos e teológicos? As nossas convicções são oriundas de um zelo investigativo e do compromisso com a verdade? Tais convicções seriam resultantes de uma tradição familiar, social e religiosa?

Uma viagem pelo mundo do questionamento permitiria uma escolha justa entre a verdade e a mentira? O que é verdade? O que é mentira? A diligente busca e o compromisso com a verdade não poderiam levar o homem à decepção?

Um breve relato:

No ano de 1998 eu tive a oportunidade de conviver profissionalmente com uma pessoa muito inteligente e confusa quanto à vida. Permanecia, mesmo tendo ultrapassado a casa dos 40 anos, questionando tudo o que via e vivia. Perguntou-me se eu poderia ajudá-lo. Eu lhe disse que o presentearia com alguns livros que versavam sobre o tema.

Passados alguns dias ele me disse que não queria os livros. Perguntei: por quê?

A resposta não poderia ter sido pior: "sei que se eu ler esses livros haverá uma mudança radical em minha vida. Não quero isso. Não sei se tenho condições de mudar o meu jeito de ser nem quero. Assim está bom. Pode melhorar, mas pode piorar. Prefiro não me arriscar e continuar como estou...". Ele fez uma escolha. Optou por continuar com suas dúvidas e dilemas. O medo o impediu de avançar. Preferiu o quase conforto da dúvida. Considerou inviável dar um salto adiante. Os livros não seriam suficientes para mudar sua vida. Serviriam como símbolo de uma mudança, de uma conquista, da liberdade...

Muitos são o que são e fazem o que fazem por escolha pessoal. Outros não. Uns vivem a vida de forma convicta outros não. A convicção advém da busca e do compromisso exercidos de forma individual. Sem essa busca e comprometimento o que se tem é um comportamento típico do alienado, daquele que se tornou alheio a si mesmo. Há pessoas que não querem admitir a diferença existente entre a prática resultante da busca personalizada e aquela prática decorrente do que se assimilou de outras pessoas, sem qualquer crítica ou questionamento.

Podemos, finalmente, afirmar que existem pessoas efetivamente convictas? Existem pessoas rigorosamente alienadas?

Enéias Teles Borges
Publicação original: 15/12/2007

2 comentários:

Ebenézer disse...

Parabéns pela iniciativa. Passarei por aqui sempre. Ainda não sei se sou um alienado convicto ou um convicto alienado. Qual é o segredo de tostines? (rs)

Guedes disse...

Gostei deste tema, pois sempre fui um "buscador" desde a infância e nunca me conformei com a alienação, mas hoje, no meus 42 anos e muitos livros depois, chego à conclusão que a alienação é uma forma de viver que se não traz crescimento, também não traz preocupação, é um ser "bobo alegre" ou indiferente a tudo, que vive o presente e pronto. Mas também pude perceber como é prazeroso e libertador chegar a algumas conclusões que me tiraram definitivamente no misticismo e religiosidade, hoje sou agnóstico tendendo ao ateísmo, mas de uma forma bem tranquila, não por revolta, mas sim por esclarecimento. Acho presunção, arrogância ou engano nos intitularmos "convictos", pois isso presume que conhecemos a verdade absoluta, e isso simplesmente é uma utopia, a forma mais honesta é o agnosticismo que nos mantém sempre em busca de novos conhecimentos que nos melhoram como pessoas.
Opinião pessoal: O conformismo pode ser sinal de preguiça.

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