terça-feira, 29 de março de 2011

Não consigo me enganar

No momento de solidão...

Eu até conseguiria enganar alguns por muito tempo e quem sabe muitos por algum tempo. Não consigo, porém, enganar-me. No momento de solidão, quando o sono não vem, quando a noite se aprofunda, vejo com clareza que não consigo me enganar.

Por que alinhavo este texto? Tudo porque me defini como "agnóstico teísta" ou, como preferem alguns, "teísta agnóstico". Passei a receber conselhos "mil" de pessoas que se julgam convictas, mesmo não sabendo a conceituação do termo "agnosticismo". Uma pena, lamentável mesmo...

Por que assim me defini? Simples: não consigo me enganar...

Para saber mais sobre minha opção basta teclar em [sobre minha opção agnóstica].

Seria muito bom, seria muito legal (como canta e cantou Benito de Paula), dizer algo que seja agradável aos olhos e ouvidos de muitas pessoas. Mas como eu poderia me definir de maneira diferente? Seria possível, no momento de solidão, trair a minha consciência? Eu queria acreditar, como antes acreditei, mas não consigo. Os fatos lutaram e venceram o desejo de crer, como criam nossos pais...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 30/08/2010

3 comentários:

Bruno Zehetmeyr disse...

Enéias, lendo vários textos seus nesse sentido de dar satisfação para os outros das razões de sua escolha, fica, pelo menos pra mim, uma pergunta no ar; Você está explicando sua decisão para os leitores do seu blog, ou para sí mesmo?

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Bruno,

Para os leitores. É que num outro blogue meu, "cultura e religiosidade" eu trato do tema com mais afinco. Alguns entendem que sigo criacionista e outros que já sou ateu. Eu digo que sou agnóstico teísta e reflexiono sobre isso. Um ponto é fato inquestionável: a despeito de não ser ateu eu não acredito nos postulados que obtive na minha vida religiosa da forma como dantes acreditava. Detectei muita fragilidade e descobri que a minha religiosidade sempre foi algo meramente cultural. Caso eu tivesse nascido num contexto não protestante o que eu seria? Possivelmente eu teria outra cultura religiosa. A respeito de religião eu cheguei a uma conclusão, que é a seguinte:

1. Existe religioso não praticante,
2. Existe religioso praticante,
3. Existe religioso genuíno.

Fui um religioso praticante (cultura) e hoje sou um não praticante (cultura, de novo). Nunca vi (sei que existe) um religioso genuíno - aquele que antes de se definir por uma estuda todas (e esgota) as outras...

Nesta busca notei que sempre fui agnóstico, mas nunca tinha me dado conta, em razão da forte carga cultural/religiosa que recebi em toda minha vida.

Claro que os princípios básicos, inerentes às pessoas de caráter ilibado, são e serão meus postulados eternos.

Abraços/Enéias

Wallace disse...

Impressionante!

Tenho lido textos desse blog há algum tempo. Tenho lido sobre agnosticismo, pelo fato de me identificar mais com a idéia do mesmo.

O legal é que me identifiquei com esse texto.
A questão é que EU não consigo acreditar em tudo o que me foi ensinado desde a minha infância. E tudo isso começou por iniciativa própria. Ao enxergar contradições bíblicas, comecei a pesquisar e percebi que estava em uma religião. Em mais uma religião...
Desde então fico pensando que eu poderia continuar com a mesma vida, para não decepcionar meus pais e amigos, mas a questão é que eu não consigo me enganar, pois assim estarei enganando a outros.

Tudo isso é novo pra mim, mas de fato eu tenho me sentido melhor do que nunca. Mais leve.

Ótimo texto Enéias.

Um abraço.

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