domingo, 11 de julho de 2010

A estrutura cerebral e a personalidade

Estudo associa personalidade à estrutura cerebral

Algumas pessoas são geralmente alegres. Outras têm maiores probabilidades de ter pensamentos tristes e depressivos. Esses traços ajudam a formar nossas personalidades. Mas essas características poderiam ser ligadas a diferenças mensuráveis na estrutura cerebral?

Em um novo estudo publicado na “Psychological Science”, neurocientistas relatam que os extrovertidos tendem a possuir um córtex orbitofrontal maior que a média. Essa região se situa atrás dos olhos, e fica especialmente ativa quando o cérebro registra recompensas.

“Essas pessoas tendem a ser mais alegres e positivas, além de possuírem uma inclinação a querer recompensas”, disse Colin G. DeYoung, principal autor do estudo e psicólogo na Universidade de Minnesota. “Faz sentido que eles tenham mais do maquinário para acompanhar as vitórias”.

As descobertas não disseram nada sobre como o volume se relaciona ao comportamento, ou qual precede qual.

Os cientistas se basearam em leituras de ressonância magnética em mais de 100 adultos, depois de estabelecer o tipo de personalidade de cada participante usando um modelo conhecido como os “cinco grandes”. Qualquer pessoa, segundo o modelo, pode ser descrita por seu nível em cinco características: extroversão, afabilidade, estado de consciência, tendência à neurose e franqueza/intelecto.

Aqueles que manifestam alto nível de consciência são trabalhadores e autodisciplinados. Eles geralmente possuem um córtex pré-frontal lateral maior que a média, permitindo que planejem com antecedência, analisem pensamentos complexos e tomem decisões, os cientistas descobriram.

Os neuróticos, ou aqueles que frequentemente têm pensamentos negativos e depressivos, tendem a ter um menor córtex pré-frontal medial, uma parte do cérebro conhecida por regular as emoções.

Similarmente, ser agradável corresponde a tamanhos maiores em certas regiões.

As pessoas que manifestaram franqueza, um tipo de personalidade que é criativo e aprecia novas formas de pensar, não exibiram tamanhos diferentes em nenhuma região.

É importante lembrar que todas as ligações entre biologia cerebral e personalidade são altamente sugestivas, e pouco compreendidas. Embora as personalidades sejam geralmente estáveis, elas podem ser afetadas pelas experiências ao longo da vida, afirmou DeYoung.

Em outras palavras, para aqueles com um córtex pré-frontal medial pequeno, há esperança de que ele possa crescer.


Nota: Eis um estudo envolvente. Um estudo mais avançado nos levaria a tantas conclusões interessantes... Eu queria ver a aplicação desse tema ao assunto antigo: ciência x religião.

Enéias Teles Borges
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2 comentários:

Mariza disse...

Boa noite,

Infelizmente muitos pacientes buscam o psiquiatra para "mudar" sua personalidade "problemática" (ou a do marido/esposa/filho...). Não há medicação para personalidade e deixo claro isso apra meus pacientes. Agora os transtornos de personalidade são de difícil diagnóstico e precisa de um acompnhamento psicoterápico. Infelizmente os psicopatas não procuram ajuda...

Abraço

Mariza

Cleiton Heredia disse...

Sua postagem me fez lembrar daquele livro "Temperamentos Transformados".

Neste livro o autor, Tim LaHaye, classificava os temperamentos em quatro tipos: Sanguíneo, Colérico, Melancólico e Fleumático.

O grande problema na aplicação daquela teoria era o fato de vincularem a pretendida transformação à ação do Espírito Santo. Muitos ainda hoje pensam que desvios de personalidade são resultados de falta de espiritualidade. Uma visão simplória que considero lamentável!

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