quinta-feira, 1 de julho de 2010

Angústia da alma

A vida corre célere e traz consequências. A vida passa rápido e deixa marcas que se acumulam. A vida segue veloz deixando máculas que sobrespostas provocam mal-estar. Muitos chamam esse incômodo de angústia. Outros usam uma expressão para tal sofrimento: angústia da alma.

Imaginem o quanto isso é explorado. No contexto da ciência existem recomendações mil para combater o grande mal que assola a humanidade. É impossível passar pela vida, da forma como ela se apresenta, sem acumular os efeitos do seu jornadear. Não é questão mística, é questão natural. É estado de sofrimento e, desgraçadamente, é inevitável. Tal angústia não adentra na vida da pessoa em razão de sua disposição para crer ou para não crer. Tem íntima ligação com causa e efeito. A vida é a causa e a angústia é uma de suas muitas consequências.

A exploração costumeira é aquela da qual se servem os berços explêndidos das muitas culturas religiosas. Insistem em afirmar que a angústia da alma é decorrente da ausência de deus no coração. Para o que quer conviver essa crendice, o sofrimento, sem dúvida, é minorado. Isso é fato! Aquele que tem angústia na alma pode ser persuadido por um mestre em prática religiosa. O alento vem. Basta apenas querer acreditar. Não é difícil para um líder religioso incutir na mente de alguém, em especial um apedeuta, que lhe falta algo e que esse algo é deus. Para aquele que se dispuser a acreditar, a angústia da alma tende a se esvair. Eis aí um ponto considerável da alienação religiosa. Ainda que se servindo de eventual falácia, lança na mente do sofredor a esperança. A esperança, ainda que escudada em mentiras, é um paliativo. Remédio que, no mínimo, diminui a angústia da alma.

Os centros de difusão de fé cumprem esse papel. De permitir a muitos o uso da anestesia que alivia a angústia da alma. Crer é bom. Incorreto é dizer que crer é o reflexo da posse da verdade...

A verdade, nua a crua, tende a aumentar a angústia da alma. Existem os anestesiados por natureza. São pessoas que possuem couro de crocodilo e que suportam as vicissitudes dessa vida, que rapidamente passa e deixa sequelas. Esses virtuosos seres desconhecem a angústia da alma. Por não conhecerem não têm autoridade para criticar quem sofre. Isso, também, é fato!

O resumo disso tudo é um só: quem tem angústia da alma deve se refugiar na fé ou aceitar a realidade da vida. Existem, porém, os virtuosos que com ou sem fé, não sabem o que é possuir a maldição conhecida e difundida: angústia da alma...

Enéias Teles Borges

3 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Angústia de alma? Bem vindo ao clube!

Algumas frases que podem ajudar:

"Para que levar a vida tão a sério, se a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos." - Bob Marley

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." - Charles Chaplin

"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional." - Carlos Drummont de Andrade

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Cleiton,

Esquecendo a loucura das drogas, preciso admitir que Bob Marley chegou ao ponto...

Eduardo Medeiros disse...

concordo com sua frase: "Crer é bom. Incorreto é dizer que crer é o reflexo da posse da verdade..."

Eu diria que crer é fundamental e que cada um tenha para si como verdadeiro aquilo que crê, mas ao mesmo tempo, admitir que o outro creia diferente de mim e o que ele crê, será verdadeiro para ele. Falo aqui especificamente em crenças espirituais que dão significado para a vida.

abraços

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