sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Assalto à mão armada...

Assalto à mão armada
Enéias Teles Borges

Acabei de ser assaltado à mão armada. Faz menos de quarenta minutos. No trânsito travado de São Paulo duas pessoas, usando capacete, forçaram-me a abaixar o vidro do carro. Levaram meus celulares, meu anel de advogado, minha aliança e meu relógio. Foram cordiais, preservando a minha vida.

Não foi a primeira vez que passei por situação de tremenda violência. Sequestro de minha esposa - e essa é a terceira vez que fui assaltado em São Paulo. Será que serei forçado a me acostumar com tudo isso?

Sinto que devo ficar feliz. Estou com vida e para não dizer que não sofri violência física: minha aliança foi arrancada à força, provocando um pequeno ferimento em meu dedo. Foram-se os anéis e ficaram os dedos. Foram-se os celulares e ficaram os ouvidos e a boca. Foi-se o relógio e ficou o pulso. Foi-se a calma e ficou a vida.
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10 comentários:

Nilto disse...

Olá amigo, vc está certo quando indaga: será que devo me acostumar? Cada um tem sua própria resposta, entretanto, vc não está sozinho, junto-me a sua indignação pois também fomos assaltados. Levaram nosso carro e ainda somos agradecidos. Estamos a pé, porém, vivos.

Ebenézer disse...

Enéias,

Não sei o que dizer! O pior é que não há a quem pedir socorro. Estamos numa selva, cheia de lobos. Sobreviver a um ataque desses acaba se tornando motivo de comemoração.

Mais um dia vivos!

A arte de ter razão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A arte de ter razão disse...

Enéias,

Em menos de 48h você é o segundo amigo a passar por esse constrangimento. Ontem foi a vez da Kelly. Eu nunca fui assaltado, mas não me gabo disso, apenas aguardo a minha vez.

Digi-Alchemist disse...

Puxa! Certamente, isso foi um livramento! Longe disso, e também sorte. Ou destino (unmei).
Tive uma situação curiosa: no trem, dois caras queriam por que queriam levar um relógio chamativo que eu tinha no pulso, em troca de uma nota de R$ 10. Acabei tirando o relógio e aceitando a nota. Contei pra mãe. Eu descinfiei da nota ser falsa, afinal de contas, o relógio havia sido comprado de um camelô por -- adivinha? -- R$ 10.
Fora outra vez que alguém me abordou à saída de um túnel dizendo pra passar as notas.
Realmente, o caos social está crescendo, como esperam ansiosos os vermelhos.
Foi-se o relógio, ficou o pulso; foram-se as notas, ficou o bolso. Pelo menos, eles não irão superar os banqueiros internacionais nessa empreitada.

Carlos H. Barth disse...

Enéias,

Sem dúvida há de se ficar feliz pelo fato de que apenas bens materiais e nada de real valor foi levado, mas acredito que o pior roubo seja o de nossa liberdade, uma vez que o medo, aquele que nos torna prisioneiros em nossa própria casa, esse demora a passar, se é que passa.

Roberto J. Alves disse...

Meu amigo botafoguense, o que posso dizer?
Esta situação já está se tornando insuportável!!!!!
Que coisa esquisita!!
nos roubam e ainda assim, achamos que foram bonzinhos pois não nos mataram. Penso que ..., nada deixe p'ra lá. Mas fico feliz por estar bem.
Abtaços

Cleiton Heredia disse...

Também já passei por esta terrível experiência algumas vezes.

Logo após o sentimento é de alívio, mas depois vem a revolta.

O seu carro não está filmado? Caso não esteja, faça o quanto antes. Mas não serve aqueles 50% autorizados pelo DETRAN. Precisa selar o carro totalmente (inclusive na frente). Acho que o risco de pegar uma multa compensa pela maior segurança. Pense nisto.

Lu disse...

Meu amigo, q constrangimento estupido... mas gracas a Deus pela sua vida.

Eduardo Medeiros disse...

Enéias, fico feliz em saber que a perda foi só material, ou seja, nada de valor, pois só uma coisa tem valor na vida: a própria vida.

Infelizmente temos uma dívida social imensa, a cultura da violência é alimentada pelo próprio cidadão em casa, no trânsito, em todo lugar.

Numa sociedade em que a família já não existe, em que os próprios pais não transmitem bons valores para seus filhos, onde a ordem é consumir e ter, onde caráter não são mais formados, o que esperar então do futuro?

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