quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O ateu e a esperança

O criacionista cristão, depois de muito conversar com o ateu, disse-lhe: "sinto pena de você. Eu tenho um céu maravilhoso ao meu dispor, a eternidade para viver com Deus e você, meu amigo, nada tem reservado de bom para o futuro".

O ateu respondeu: "você, amigo criacionista, parte do pressuposto de que eu estou errado e você, claro, está certo. Como tenho convicção diferente eu é que sinto pena de você. Eu não me preocupo se tenho um céu a ganhar e não temo o inferno que precisaria ser evitado. Assim como não me lembro de nada ocorrido, antes de minha existência, não terei qualquer tipo de consciência, tão logo eu venha a falecer. Que dor isso me causará? Enquanto isso sigo minha lida, vivendo decentemente cada minuto de minha vida como se fosse o último. Não tenho depressão e me sinto um felizardo, pois para que eu viesse à existência, trilhões de "pessoas potenciais" deixaram de existir. A combinação única entre trilhões me trouxe à vida e eis-me aqui. Tenho o principal, que é a vida, não ficarei triste, caso não obtenha suposto acessório..."

Moral do conto: o criacionista cristão, com base em fé (subjetividade total), sente pena do ateu, que já assumiu que sua vida é finita, breve e ainda assim vive, vive e vive - como se talvez não pudesse chegar ao amanhã. Mais: não é incrível como não tendo um céu a ganhar, nem um inferno a evitar, o ateu vive dentro dos parâmetros legais/morais e tendo as mesmas alegrias e tristezas comuns a todos os homens?

Por quem, efetivamente, dever-se-ía sentir pena?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 16/12/2009

2 comentários:

A arte de ter razão disse...

As chances de alcançar a salvação estão contra os cristãos, pois foi Cristo quem disse que o caminho que leva para a perdição é largo e muitos o trilham, enquanto para a salvação o caminho é estreito, e são poucos os que o alcançarão.

A maioria dos religiosos, por essa lógica, vivem aterrorizados com o inferno, mas será justamente o inferno a parte que lhes caberá de toda a sua religiosidade.

Não é hilário?

O lado bom é que no inferno os religiosos encontrarão a maioria dos seus irmãos de igreja. De maneira alguma se sentirão sós. (rs)

Mauri Zelindro Junior disse...

A pessoa comum, simples, não teme o inferno, não lê seu (ou qualquer outro)livro sagrado, nem imagina o quanto dos livros sagrados é profundamente contra suas opiniões pessoais. As pessoas que tem a necessidade de entender o mundo são uma minoria. E as que estudam profundamente a religião para chegar a esse entendimento são ainda uma fração daquelas. Isso é o preocupante no que acho que entendo por "fé cega e faca amolada": pessoas que não fazem o mínimo esforço intelectual na reflexão e comparação dos vários pontos de vista e então "seguem o lider" que promete o que há de melhor para quem o seguir e o pior imaginável para quem não o seguir - o líder, não seu suposto deus.

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