sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Reflexões sobre a natureza - 1

Os criacionistas, em especial os cristãos, costumam difundir que a natureza denota o poder e especialmente o amor de deus. É comum ouvir esse tipo de manifestação contundente e que faz muitos suspirarem de satisfação diante dessa providência divina - a de propiciar maravilhas naturais para deleite humano (obra prima da criação).

Neste final de semana, na cidade de Ubatuba - SP, eu tive a oportunidade, mais uma vez, de ver na prática, como nem sempre é assim. É claro que os profetas de plantão, notadamente aqueles que têm a fé cega e a faca amolada, possuem resposta padrão para a narrativa que se seguirá: "não era para ser assim, é consequência do pecado..."

Eu estava caminhando naquela maravilhosa cidade quando ouvi um barulho. Era um zumbido provocado pelas asas de um besouro. Um besouro bonito, preto e bem brilhoso. Notei que ele estava com as patas para cima e concluí que ao pousar ele "capotara".

Não era isso! Vi, mais adiante, um lindo pássaro. O que acontecia? O pássaro estava atacando o besouro de forma feroz - o que me causava angústia. Bicadas certeiras no corpo do besouro que se agitava num terrível sofrimento. Resolvi interferir naquilo, mas não consegui. O pássaro rapidamente apanhou o besouro e sumiu com ele, mata adentro...

Não é notável que um lindo pássaro, na condição de predador, atacava um lindo besouro, numa linda floresta, que faz parte da magnífica natureza? Sim, aquela mesma natureza que externa o poder e o amor de deus...

Reitero que os plantonistas da fé sair-se-ão fácil dessa: dirão com todo vigor que "não era para ser assim, o pecado é o principal protagonista..."

Eu gostaria de ver esses apreciadores da natureza "deliciando-se" de forma efetivamente natural. Algo assim: nus, na maravilhosa selva amazônica, sendo picados durante dias pelos lindos insetos e correndo o risco de serem devorados pela formosa onça pintada ou pelo fabuloso e gigantesco jacaré ou quem sabe sendo sufocado pela majestosa e robusta sucuri...

Fica sempre a pergunta: a natureza denota o amor de deus para quem? Possivelmente para o predador, mas como fica esse amor em relação à caça?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 23/11/2009

3 comentários:

Carlos H. Barth disse...

Se Deus deu liberdade de ação,o que originou o pecado, "que é a causa dessas cenas violentas", por que depois se dar ao trabalho de castigar os pecadores tanto aqui quanto no inferno e premiar os santos arrependidos com o céu?

Em termos práticos, qual a diferença entre criar robozinhos que só obedecem ao seu comando ou criar robos que pensam por si mas punir aqueles que não obecedem ao seu comando?

Estaríamos nós em algum BBB cósmico, proporcionando entretenimento aos deuses?

A arte de ter razão disse...

Se algum religioso disser que Deus não é o responsável por todo esse sofrimento, e que a natureza geme como conseqüência do pecado, basta lembrar que foi Deus quem estabeleceu quais seriam as consequências do quebrantamento de suas leis, portanto, se um dos atributos de Deus é a onipotência, tudo poderia ser diferente, mas parece que Deus intencionalmente quis que fosse assim. Que as coisas se resolvessem na base do derramamento de sangue.

Carlos Bayma disse...

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Um abraço,
Carlos Bayma

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