quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eu só quero paz...

Como obter paz? O que entender de paz do espírito? É possível oferecer a paz via mídia? Por que esse desejo tem sido preponderante na sociedade moderna?

Às vezes eu fico assistindo a alguns programas religiosos na televisão e o que tenho mais ouvido é essa frase: “Eu só quero paz”. Todos querem, mas eis aí um sentimento difícil de auferir.

Os religiosos a oferecem e pelo jeito o estoque de paz deles é ilimitado. É impressionante a audácia de alguns em propor fórmulas milagrosas e em nome de Deus. Chego a sentir vergonha ao notar como existem muitas pessoas que conseguem acreditar que tais paliativos sejam a tão almejada paz. As igrejas oferecem o que não têm e como sempre em nome do Soberano...

Já ouvi frases ainda mais significativas e pronunciadas por pessoas que sofrem muito: “Eu quero morrer em paz”. O que significa isso? Seria estar em paz no momento da morte ou alcançar a paz pela morte?

Quantas vezes ouvi algo assim: “Finalmente faleceu. Sofria muito pois estava debilitado. Morreu e agora, pelo menos, está em paz”.

Paz, paz e paz! O que é paz?

A paz que se quer no cotidiano difere da chamada paz de espírito. Ao final do dia quando se faz um balanço da rotina e se olha em volta é possível pensar: “Sobrevivemos a mais um dia e agora posso dormir em paz”. A paz do espírito tem conexão com o senso de realização, ainda que os resultados almejados não tenham sido alcançados. Algo como: “Não consegui, mas fiz o meu melhor e por isso estou em paz”.

Paz e momentos de paz: há diferença? A paz duradoura seria possível ou apenas um ou outro momento de paz?

Fico pensando nisso e obtenho uma conclusão de momento que pode ser ou não verdadeira: as pessoas querem a paz, mesmo não sabendo o que efetivamente seja esse sentimento...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 26/09/2008
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3 comentários:

Cleiton Heredia disse...

A definição de paz é muito ampla e tão diversificada quanto os gostos e preferências pessoais.

Aprendi com os petencostais que a sensação de paz pode ser fabricada (induzida).

Como?

Bem, a receita é bem simples: Primeiramente induza uma pessoa para uma situação de grande estresse provocada com sons altos provenientes de berros e gritaria, bem como faça ela acreditar que seu corpo e sua vida está rodeada de más influências (demônios). A tensão deve ir aumentando até se transformar numa histeria coletiva. Depois, de forma abrupta, cesse todo o ruído e agitação. Pronto! A sensação de alívio, interpretada pelo cérebro como paz, é indescritível.

Ebenézer disse...

O comentário do Cleiton sobre "paz induzida" me lembrou a seguinte história (ou estória):

"O sujeito morava com mulher e cinco filhos numa casa muito pequena. Disse para o amigo que não agüentava mais a situação. Ouviu como sugestão, para solucionar o problema, que ele colocasse um bode na sala...

A vida da família virou um inferno, tamanho era o fedor e a sujeira do bode. Até que o homem telefonou para o amigo reclamando do quanto tinha piorado a situação. Ouviu um novo conselho: tira o bode da sala!

Nunca dantes a família tinha sentido como era confortável e aconchegante aquela casinha."


Para ter paz é só "tirar o bode"!

Aline Maia disse...

Cada geração de indivíduos aprende com a geração anterior a deles; a ideia de 'querer paz' já existe desde o surgimento das primeiras sociedades, por isso que hoje dizemos querer paz, sem ao menos saber o que isso significa...

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