sexta-feira, 16 de maio de 2008

Filhos aprendem com o exemplo...

Ao senhor Antônio Nardoni: os filhos de "papais".

Silvana Cervantes

Há tempos venho observando as contradições presentes em alguns pais. Trabalho com educação há 22 anos, e acho que posso falar sobre este assunto.

De uns anos pra cá, as famílias têm "acobertado" os erros de seus filhos, com quem acoberta os seus próprios. É preciso achar um culpado para atos maldosos e fora de propósitos, e não raro a "culpa" recai sobre os professores, ou sobre quem estiver mais próximo.

Semana passada, ouvi de uma mãe que foi chamada para um papinho: “meu filho me conta tudo o que acontece aqui na escola, conta que os amiguinhos batem nele, e o que vocês professoras dizem, ele conta realmente tudo”.

Eu respondi: “pois é mãe, acontece que ele também conta tudo o que acontece em casa, na sua casa! A senhora empalideceu...”.

Eu continuei: “esta semana ele nos contou, como a senhora resolveu uma questão com o filho mais velho, enfiando a cabeça do menino na privada!”

Não preciso nem contar com que cara ela ficou...

Não importa o nível cultural, nem social, o que venho notando é que valores como assumir o próprio erro, ficaram no passado.

Os pais vêm encobrindo e pior, vêm ensinando os filhos a burlar a verdade. Antigamente, quando um filho chegava em casa e mostrava um bilhete da professora, recebia advertência em consonância com a escola.

Agora o que se ouve é: “vou lá tirar isso a limpo com a "louca" da sua professora! Ela terá o que merece!”

E eu pergunto: “como afinal isso vai acabar?”

Quando a humildade de se reconhecer um erro, retroceder, pedir desculpas, pedir ajuda para se endireitar, reerguer e se tornar "gente" de verdade vai prevalecer?

A resposta é simples...

Quando os pais servirem de EXEMPLO aos filhos.
Simmmmmmmmmmmmmmmmmm, atenção: filhos aprendem com exemplos mais que com palavras! Quando os pais através de atos, se auto condenarem por seus erros, assumirem suas culpas, quando condenarem os atos errados de seus filhos, e os fizerem também assumir suas culpas.

Senhores pais, ouçam o apelo de quem vive para educar: proteger seus filhos, não é isentá-los de culpa! Proteger é fazê-los saber que humanos erram, E QUE ACERTAM, TODA VEZ QUE ASSUMEM SEUS ERROS COM TODAS AS SUAS CONSEQÜÊNCIAS....

Isabella estaria viva se o senhor tivesse ensinado seu filho que de nada adianta tentar encobrir um erro e tentá-lo jogar em cima de outrem, muito menos pela janela...

Nota do Editor: este texto veio para minha caixa postal eletrônica, enviado pela professora Gerusa Martins.
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4 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Texto simplesmente fantástico!!!

Minha esposa é professora e me fala que vive esta realidade praticamente todos os dias na escola.

Por outro lado, também precisa-se entender que atualmente existem alguns professores que são verdadeiros idiotas incompetentes e frustrados cometendo atrocidades educacionais e verdadeiras injustiças.

O mau exemplo vem de cima. Lembra do mensalão? O que aconteceu com todos os acusados? Apesar de todas as evidências e provas contundentes, foram absolvidos pelo seus iguais.

A crise de caráter neste país é generalisada, porém se no lar um jovem tiver em seus pais os referenciais de caráter, nem tudo está perdido.

MEIRE disse...

Além dos pais educarem pelos seus atos e não apenas por suas palavras, a sociedade deveria cobrar do poder público a efetiva responsabilidade dos pais com relação a seus filhos, não permitindo desde a primeira infância a marginalização de crianças sem chance de defesa.
Os pais devem ser chamados ä responsabilidade, esta não deve ser apenas da escola. deve haver um trabalho conjunto, para o bem da sociedade.

Ricardo Cluk disse...

Acho que o texto estaria melhor se dissociado do caso Isabella.

Esse crime hediondo não tem nada haver com educação recebida dos pais ou da escola. Está bastante claro que o pai da menina é um desequilibrado mental e que sua atual esposa é emocionalmente instável.

Simplesmente algumas pessoas são mais inclinadas para o crime do que outras, independente da educação que recebam.

bruxasampa disse...

Sou a autora do texto e a questão não está no crime em si, mas em tentar acobertar o mesmo. Isabela foi jogada a fim de sustentarem uma possível invasão no prédio, a intenção era isentar o casal da culpa. Errar, todos erramos. Encobrir o erro e tentar colocar a culpa em outrem é um dilema que se aprende com exemplos errados desde a infância. (Sil Cervantes)

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