terça-feira, 29 de julho de 2008

Direito do consumidor e o call center

Você deve ser um dos muitos que sofrem na fila de espera dos chamados “call centers”. Quer cancelar um cartão de crédito ou quer reclamar de um mau atendimento da empresa de telefonia... e começa o sofrimento. A ligação vai sendo transferida de um atendente para outro e você repete tudo de novo. Haja paciência! Sem contar o maldito “gerundismo” do tipo “vou estar transferindo a sua ligação...”

Eis uma boa notícia: um Decreto do Governo Federal que minimizará esse atendimento perverso que nos tira o sono e nos provoca azia.

Link para a reportagem: “serviço de atendimento ao consumidor”.

Fonte: (uol)
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segunda-feira, 28 de julho de 2008

A cidade vai parar...

Segunda-feira, 28/07/2008: início do rodízio de caminhões no centro expandido de São Paulo. Solução para o caos no trânsito? Não! Mais uma ação paliativa para adiar o óbvio: a cidade vai parar...

Os motoristas de caminhões protestam: prejuízo, perigo de assalto nas beiras das estradas à espera da hora para poder transitar. Outros que saem do Sul em direção ao Nordeste e os que fazem ao contrário também: reclamam! Precisam passar por dentro da cidade de São Paulo e ficam sujeitos ao rodízio municipal. São Paulo pára e com ela boa parte do Brasil. Vale a pena? Apenas um paliativo: a cidade vai parar...

Momento de política! O trânsito virou bandeira de todos. Alegam que irão melhorar as condições de tráfego. Como? Só prendendo motoristas e carros (a maioria) dentro das casas e garagens. O que todos dizem é algo similar e inacreditável. Paliativos e paliativos: a cidade vai parar...

Não adianta dar murro em ponta de faca. A cidade de São Paulo precisa ser esvaziada ou ter transporte coletivo bom e em abundância. E que abundância! Tudo isso demanda tempo. Muito tempo! Enquanto isso os paliativos emergem: a cidade vai parar...

Enquanto a cidade não pára e segue andando devagar, quase parando... O que fazer? Conviver com a poluição, com o desconforto dentro dos carros e com as fortes dores nas costas...

Continuar sofrendo, sofrendo e sofrendo. E saber, claro, que a cidade vai parar...
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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dica de leitura: Tocaia Grande

Aproveitei os dez dias em Caldas Novas (GO) para concluir a leitura do livro "Tocaia Grande" do baiano Jorge Amado. Resolvi me concentrar nas obras deste maravilhoso escritor brasileiro, encaixando a leitura dos seus escritos entre as diversas leituras que faço semanalmente.

Livro de leitura fácil que nos mostra rápidos cenários da região de Itabuna (Bahia), notadamente no que tange à cultura do cacau na região. A trama é agradável e os muitos personagens, com nomes típicos do Nordeste, deixam saudades ao final.

Eis uma boa dica.
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domingo, 20 de julho de 2008

20 de julho: amizade e casamento

“Meu amigo é meu mestre, meu discípulo e meu companheiro”. Frase do argentino Enrique Ernesto Febbraro em homenagem ao dia 20 de julho de 1969, data em que o homem pousou na Lua. Para Febbraro o terráqueo estava buscando amigos em outros mundos. Ficava assim implementado o dia do amigo que aos poucos foi sendo adotado por outros países.

O dia 20 de julho tem especial importância para mim. Dia do amigo. E quem poderia ser meu melhor amigo? Na realidade é amiga. Minha esposa é claro! Casamo-nos no dia 20 de julho de 1986. Neste domingo completamos 22 anos de casamento. É certo que o casório oficial foi no dia 26 de junho, mas para nós a data que vale é aquela da bênção e do cerimonial na igreja.

No sábado, véspera desse dia, saímos para jantar. Sempre reservamos algo especial para o dia 20 de julho. Eis que estou agora, pouco depois da meia-noite, registrando o fato e renovando meus votos de casamento.

Sinto-me privilegiado pelo meu casamento e pela data na qual ele se concretizou. Exatamente no dia do amigo.

Salve 20 de julho!
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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Minha avó: DINHA

Minha avó materna se chamava Maria, mas nós a chamávamos de Dinha. Nem entendo porque, mas nunca a chamei de vovó, vovozinha, vó ou avó. Era Dinha mesmo. As lembranças que tenho dela são interessantes. Uma bem marcante é ligada a um tio (não sei se ainda é vivo) chamado Aurélio. Minha avó, sempre muito rígida e agressiva, uma vez deu um tapa na cara dele. Meu tio retrucou dizendo que homem não apanhava na cara e só não ia reagir por ter sido uma atitude de mãe. Como retaliação saiu de casa e nunca mais voltou nem deu notícias. Acredito que essa tenha sido a mais pesada cruz que minha avó conduziu sobre os ombros.

Hoje cedo meu pai ligou para informar: “...a Maria (Dinha) faleceu...”.

Minha avó tinha completado um século de vida. 100 anos! Em 2008 estava na casa dos 102 anos. A despeito da simplicidade dela, de sua origem humilde (sangue 100% ou quase isso de índio) e de ser analfabeta era uma pessoa muito inteligente. Perspicaz, enxergava antes de todos. Acredito até que ela tenha passado essa característica para minha mãe. Amigos: eu ficaria o dia todo aqui teclando fatos que relembro ligados à minha avó.

Reflexiono dizendo apenas que cada dia mais eu assisto à partida de entes conhecidos, parentes ou não. A maioria em função da idade. Minha avó estava na casa dos 102 anos. Hoje o meu pai está na casa dos 80 e minha mãe na casa dos 72. Eu que agora penso em minha avó e em episódios acontecidos no final dos anos 1960 estou na casa dos 46 anos...

Lembro-me até de uma antiga canção:

O tempo passa,
Eu me perco na fumaça,
Desse jeito não vai dar...
Já estou ficando amarelo,
Não posso morrer donzelo,
Preciso me casar.

Daria até uma paráfrase: “o tempo passa, eu me perco na fumaça, desse jeito não vai dar... Já estou ficando velho, já não sou mais donzelo e não preciso me casar (já me casei).”

Foi um prazer Dinha. Vamos respeitar a sua memória!

Bom dia Brasil!
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Foto: feita em 2006 – Vitória da Conquista, Bahia. Eu estava com a barba por fazer e segurando a máquina, tentando pegar uma boa imagem da Dinha ao meu lado. Ela nasceu em 08/05/1906. Portanto: 102 anos, 2 meses e 8 dias.
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terça-feira, 15 de julho de 2008

Ênfase: filantropia ou pilantropia?

O blog publicou ontem na íntegra o texto do blog do Josias sob o título “filantropia ou pilantropia?

As visitas ao blog cresceram e muito. A referida postagem alcançou pico elevado. Repercussões vieram de vários cantos. Entre as quais aquelas do lugar freqüentado pelos corporativistas de plantão, os mesmos que alardeiam em seus “matinais” as reportagens que “descem a madeira” em outras instituições religiosas. Sequer entram no mérito para saber se os noticiários estão (ou não) eivados de falácias. Simplesmente publicam e comentam.

Quando a “paulada” vem sobre a instituição à qual são vinculados o que fazem? Os corporativistas, que são nojentos por natureza, propõem justificativas. Entre elas aquela de dizer que o eventual investigado agia por conta própria. A instituição nada tem que ver com isso! E no caso das outras instituições? Não seria algo similar?

Não adianta! A essência da ética está em tratar com justiça a todos, inclusive (quem sabe principalmente) os de casa. Não prevalece insinuar que bandidos existem apenas no quintal do vizinho. Os energúmenos estão por ali e por aqui!

O blog (convictos ou alienados?) não fugirá a algo bem simples, que namora com o trivial: sustentar o compromisso com a realidade fática, ainda que tal medida faça doer no corpo e na alma. Ainda que conduza da decepção para a revolta!

Que fiquem calados os que se dizem do bem, mas que não passam de biltres alojados no berço da covardia. Medrosos que sequer têm coragem de assumir o que são: coniventes e tácitos promotores dos atos dantescos desses facínoras!

Os que colaboram, via omissão ou conivência com bandidos, são piores que os “de cujos morais”. Lugar de quem se omite é aquela vala na medida exata: no meio dos excrementos. É no esgueirar em direção ao esgoto. É no lixo – depósito final das indescritíveis mazelas humanas...

Bom dia Brasil!
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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Filantropia ou pilantropia?

Como muitos devem saber eu tenho formação cristã conservadora e cresci à luz (ou sombra) de uma conceituação religiosa tradicional e vinculada aos bons costumes. Bons costumes? A coerência faz parte do leque do bem? Pois é: é fácil ficar do lado “certo” quando os outros fazem algo de errado. E quando o erro parte do nosso meio, estamos dispostos a cortar na carne para dar um bom exemplo?

Operação Fariseu e o desnudamento. Filantropia ou pilantropia? Não há como fugir dos fatos. Esse blog não foge. Ainda que a carne a ser cortada seja aquela da “conceituação religiosa tradicional”, na qual fui criado.

Para que não pairem dúvidas, segue abaixo a reportagem de capa inicial do provedor UOL nesta segunda, 14 de julho de 2008.

Espero que a instituição religiosa na qual cri e ainda quero crer tome providências de CARÁTER PÚBLICO, deixando bem claro o que realmente pensa do assunto. Caso tenha se beneficiado de algo, que siga o exemplo de Zaqueu: devolvendo mais do que retirou...
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Grampos da PF expõem desvios do setor filantrópico
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Grampos da PF expõem desvios do setor filantrópico
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Advogados de pseudofilantrópicas ‘aliciam’ conselheiros
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O processo corre na 12ª Vara Federal de Brasília. Apura fraudes praticadas sob o manto da filantropia.
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Os malfeitos ocorreram num órgão que funciona no ministério do Desenvolvimento Social. Chama-se CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social). Tem poderes para dar isenção tributária a organizações filantrópicas.
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Descobriu-se que representantes de entidades de aparência insuspeita –de obras sociais a igrejas—se uniram a advogados, para ludibriar o INSS e a Receita.
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O caso veio à tona em 13 de março. Numa operação batizada de “Fariseu”, a Polícia Federal levou ao cárcere seis pessoas. Dias depois, estavam soltos. E, decorridos exatos quatro meses, o episódio sumiu do noticiário, suplantado por outros escândalos. O processo segue, porém, o seu curso. Corre em segredo de justiça. A peça central dos autos é um relatório sigiloso da Polícia Federal. Tem 175 folhas.
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O blog (do Josias) obteve uma cópia do documento. Contém diálogos inéditos. Foram captados por meio de grampos telefônicos feitos desde 2005.
As conversas levadas ao relatório expõem o lado obscuro da filantropia no Brasil, convertida em pilantragem.
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O texto da PF anota: “A gama de benefícios de ordem tributária e de contribuições sociais auferidos por entidades que desenvolvem ações de filantropia tem sido objeto de desejo por parte de pessoas inescrupulosas...”
...Indivíduos “que, sob o albergue da impunidade, oferecem a extensão do manto estatal da isenção contributiva a toda e qualquer pessoa jurídica que esteja disposta a arcar com o ônus de seus honorários...”
“...Ainda que para isso [...] tenha-se que praticar toda sorte de delitos: formação de quadrilha, malversação de verbas públicas, corrupção ativa e passiva...”
Mais: “...fraude à licitação, alteração de balancetes, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência...”.
São signatários do documento três delegados federais: Tatiane da Costa Almeida, Flávio Maltez Coca e Adnilson Lima Maia. Resumiram os achados da investigação.
Para tonificar suas conclusões, os delegados salpicaram o texto com extratos das conversas bisbilhotadas por meio dos grampos telefônicos.
A leitura dos diálogos (detalhes abaixo) conduz a uma dedução inescapável: o Conselho Nacional de Assistência Social tornou-se um balcão de negócios.
O CNAS é o tal órgão vinculado à pasta do Desenvolvimento Social. Sua principal atribuição é a emissão de um documento chamado CEBAS.
Vem a ser o “Certificado de Beneficência e Assistência Social”. Um pedaço de papel entregue a entidades privadas que, supostamente, se dedicam à filantropia.
O CEBAS não é um documento banal. Oferece aos seus detentores um benefício singular: a isenção tributária.
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A PF reuniu um lote de evidência de que, mediante o pagamento de propinas e a distribuição de presentes, falsas filantrópicas vêm fraudando o erário.
Conforme o relato que a PF levou ao processo judicial, a malfeitoria funciona assim:
“...A ação é realizada por meio de retirada dos processos de pauta e pedidos de diligências, ambas atendendo a solicitações de advogados representantes das entidades requerentes...”
“...Assim, com o objetivo de ‘driblar’ as exigências do CNAS (exigências legais), que poderiam levar ao indeferimento da concessão do certificado [de filantropia], ou mesmo impedir a reversão de pedido já indeferido, é que conselheiros e advogados mantém um estreito relacionamento...”
Um relacionamento do qual resultam “...benefícios para ambos e para as entidades envolvidas. Obviamente, tais ‘benefícios’ geram grande prejuízo ao Fisco...”
Danos sentidos “...notadamente nos cofres da Previdência, vez que o certificado fornecido pelo CNAS isenta as entidades do pagamento da contribuição patronal incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários.”
Estima-se que, desde 2004, a “quadrilha” –assim chamada pela PF— impôs às arcas do Tesouro prejuízo superior a R$ 2 bilhões.
O CNAS tem 18 conselheiros. Nove representam o governo. A outra metade chega ao conselho por indicação de entidades ditas benemerentes.
Veja nos cinco textos abaixo uma amostragem dos indícios de malfeitos captados pelos grampos que a PF realizou com autorização da Justiça.
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Escrito por Josias de Souza às 02h21
28 de março de 2006, 11h41
Diálogo de Carlos Ajur com mulher identificada pela PF como Marisa. Tratam da transformação de uma empresa convencional em entidade filantrópica.
Ajur: Então, se houver interesse do pessoal, qual que é o primeiro trabalho que a gente tem que fazer? Transformar ela numa empresa sem fins lucrativos.
Marisa: E como eu faria isso.
Ajur: Aí, agora, é um trabalhão.
Marisa: É?
Ajur: ...Primeiro você tem que ver se eles topam isso aí, entendeu? Aí a gente pode ir até aí, pode tá explicando, pode tá conversando, pode até tá fazendo.
No curso da conversa, Ajur informa que havia um problema a contornar. Uma vez reconhecida como de “utilidade pública”, a entidade teria de amargar três anos de carência antes de começar a usufruir da isenção tributária.
Ele insinua que já dispunha de solução: a transformação da firma já existente “de empresa com fins lucrativos para empresa sem fins lucrativos.” E o prazo de carência seria dispensado.
Ajur: ...Eu pego esse prazo que ela já existe (...). Eu acho que vale a pena eles gastarem um dinheiro e fazer essa transformação e adquirir esses títulos, entendeu?
Marisa: Entendi. E você calcula que, pra transformar isso, eles gastariam mais ou menos quanto? Você que está acostumado.
Ajur: Aí depende com quem que eles vão trabalhar. Se for trabalhar comigo eu cobro barato. Se você vai pegar um escritório de advogado famoso, eles vão cobrar (...) em cima da isenção da cota patronal.
Marisa: Mas eu liguei pra você por que eu gostaria que fosse você.
Carlos Ajur estima em até R$ 11 milhões a isenção previdenciária que a nova entidade teria a cada triênio. Valendo-se de péssimo português, ele não chega a fazer feio nas contas:
Ajur: ...Cê joga aí 4% disso aí vai dar quanto, de 11 milhões? Vai dar 400 mil conto (...). Seria o que eles cobra... O que um escritório cobra hoje pra fazer isso.
Marisa: Nossa!
Ajur: Eu, pra fazer tudo, transformar, fazer tudo, utilidade pública federal, processo do CNAS, tudo né, com a equipe que trabalha comigo, e tudo, ficaria aí num 100 mil no máximo.
As tratativas se arrastaram. A empresa torce o nariz para a idéia de remunerar os bons préstimos de Carlos Ajur. O relatório da PF traz os extratos de mais sete diálogos.
Num deles, o nome da empresa que dialogava com Ajur é explicitamente mencionado: Hospital Evangélico de Londrina. Noutro, Ajur é informado de que a organização decidira recorrer à Justiça para obter o seu certificado filantrópico. Ele desaconselha a iniciativa.
O hospital reivindicava do CNAS, em verdade, a renovação de um certificado antigo. Tinha contra si uma decisão do TCU, que aconselhava o contrário.
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Em 17 de maio de 2006, às 8h03, Ajur conversa com um personagem identificado no relatório da PF como “Curi”. Um dos diretores do Hospital Evangélico de Londrina se chama Koury. Luiz Soares Koury.
A diferença de grafia não permite saber se o “Curi” citado no texto da polícia e o Koury da diretoria do hospital são a mesma pessoa. De concreto tem-se apenas que Ajur renovou a proposta de socorrer a entidade:
Depois de informar que o caso seria julgado pelo CNAS, na linha do que preconizara o TCU, Ajur volta a se insinuar: A “opção de contratar o meu serviço é sua. Se você não me contratar, eu conheço o hospital, eu quero é mais que você resolva a situação...”
Mais adiante, o relatório da PF conclui: “...A entidade Hospital Evangélico de Londrina, finalmente, sucumbe:”
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16 de outubro de 2006, 11h57
Diálogo do advogado com Luiz Vicente Dutra com o conselheiro do CNAS Sílvio Iung.
Luiz Vicente Dutra tem escritório em Porto Alegre. Advoga para filantrópicas. A PF refere-se a ele no relatório sigiloso obtido pelo blog como “um dos mentores da quadrilha” desbaratada no CNAS.
Na prática, segundo a PF, Dutra funciona como um conselheiro extra no colegiado de 18 membros –metade indicada por entidades filantrópicas e outra metade pelo governo.
“O que ocorre é que Luiz Vicente Dutra se vê, e o colegiado do CNAS também, como um 19º Conselheiro”, anotam os delegados no relatório sigiloso.
Nesse diálogo, o interlocutor do advogado é Sílvio Iung. Foi ao CNAS por indicação do ISAEC (Instituição Sinodal de Assistência, Educação e Cultura).
A entidade controla uma rede de escolas ligada à Igreja Luterana. Na época em que o grampo telefônico foi feito, Sílvio era nada menos que presidente do CNAS. Licenciou-se em março, depois que o escândalo foi pendurado nas manchetes.
Na conversa gravada pela polícia, a dupla Dutra-Iung fala sobre o processo de um hospital privado de Joinville (SC). Chama-se Dona Helena.
O time de técnicos do CNAS recomendara a rejeição do pedido de concessão do certificado de filantropia ao hospital.
Relator do processo, Sílvio endossara o parecer contrário às pretensões do hospital. Mas mudaria o seu voto. Estava tudo combinado. Eis o diálogo:
Dutra: Você pediu o deferimento, né?
Sílvio: Não, eu acompanhei a equipe de análise, lembra que nós fizemos isso como estratégia e o Ademar [de Oliveira Marques, então conselheiro do CNAS indicado pelo Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua] esse sim, ele pegou aquele voto e mudou o voto. O pedido de vista dele já é pelo deferimento. O que vai acabar acontecendo agora é o seguinte: eles vão me perguntar se eu acompanho o voto de pedido de vistas, e é isso que eu fazer.
Dutra estranha o fato de Sílvio ter endossado o parecer da equipe técnica, contrário à entidade. Segue-se a resposta esclarecedora:
Sílvio: Não, agora, com o pedido de vistas, eu mudo meu voto.
Dutra: Ah tá!
Sílvio: Entendeu? Esse é o procedimento. Tem um pedido de vistas e aí é perguntado ao relator original se ele mantém o voto ou modifica. Evidentemente eu vou modificar.
Dutra: Claro, até porque tu teve a participação naquele caso de Curitiba, né.
Sílvio: Isso, exatamente. Tá tudo dentro da estratégia.
Dutra: Agora eu tô entendendo, eu não me lembrava do teu acompanhamento...
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outubro de 2006, 11h06
Diálogo do advogado Luiz Vicente Dutra com o professor Pedro Menegat, pró-reitor da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), de Canoas (RS).
Os dois tratam de pendências da entidade junto ao CNAS. Problemas que constavam de processo submetido à análise do então conselheiro Misael Lima Barreto.
Misael alçara à cadeira de conselheiro do CNAS por indicação da União Norte Brasileira das Igrejas Adventistas do Sétimo Dia. Uma logomarca de aparência insuspeita.
A despeito disso, a conversa do advogado Dutra com o pró-reitor Menegat sugere que a manifestação do conselheiro Misael teria um preço.
Dutra diz a Menegat que sugeriria ao conselheiro Misael a elaboração de “um parecer sobre o assunto” que interessava à Ulbra.
"Evidente que, depois, temos que acertar uma remuneração”. Sugere que o pagamento poderia ser feito por meio do seu escritório:
“Pode até ser pago por meu intermédio. Porque ele [Misael] é advogado,. Ele pode advogar à vontade. Não tem problema algum."
A PF anota em seu relatório sigiloso: “Mentiu o senhor Luiz Vicente Dutra.” Os delegados lembram que resolução do conselho de ética do CNAS, de 2005, estabelece:
Vedação explícita à “prestação de serviços de consultoria remunerada nos processos de registro e certificação das entidades de assistência social, concomitantemente com o exercício da função de conselheiro.”
“No mesmo sentido”, prossegue o texto da PF, “o Código Penal Brasileiro, em seu artigo 321, define como crime de advocacia administrativa o patrocínio, direto ou indireto, de interesse privado perante a administração pública...”
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01 de novembro de 2006, 14h38
Diálogo do advogado Luiz Vicente Dutra com o conselheiro Misael Lima Barreto. Os dois tratam de temas relacionados a várias entidades filantrópicas. Até que o advogado menciona ao conselheiro o caso da Ulbra.
De acordo com o relatório da PF, Dutra pergunta “quanto é que Misael vai cobrar para dar esse parecer.”
Misael “responde que é melhor conversar direito a respeito do que irão fazer, que não é uma coisa tão complicada".
Dutra afirma que "eles" o autorizaram a “negociar com Misael e pergunta se uns cinco mil está bom...”
Misael insiste “em não falar [sobre] o preço” ao telefone. Diz “que é melhor conversar depois, para ver o que é que irão fazer com esse caso.”
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junho de 2006, 15h37
Diálogo do advogado Luiz Vicente Dutra com personagem identificado como Cláudio, supostamente funcionário de uma entidade filantrópica.
Dutra “diz que está indo para o aeroporto”. Conduziria em seu automóvel Misael Lima Barreto.
Trata-se daquele conselheiro que representava no CNAS a União Norte Brasileira das Igrejas Adventistas do Sétimo Dia.
O advogado “pergunta a Cláudio se já mandou o dinheiro”.
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19 de junho de 2006, 15h55
O advogado Luiz Vicente Dutra conversa com personagem identificada no relatório da PF como Isabel.
A mulher “diz que falou com a Ana [do hospital Mãe de Deus, segundo a PF].” Afirma que “ela ficou de avisar o motorista para ir direto ao aeroporto.”
Dutra a orienta a “pegar o telefone do motorista.” Isabel informa que está com outra personagem na linha, Cristina. Afirma que “ela já avisou ao motorista”. Acrescenta que “ele está indo para o aeroporto.”
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19 de julho de 2006, 16h04
Diálogo do advogado Luiz Vicente Dutra com “Mário”, o motorista.
Segundo o relatório da PF, “Mário é a pessoa que está levando o dinheiro do Hospital Mãe de Deus”.
No texto, os delegados acrescentam: “Mário diz que está no túnel”. Afirma “que está indo para o aeroporto. Diz que vai aguardá-lo no embarque, na rampa, no portão do meio.”
Foram tantos e tão exaustivos os exemplos mencionados no relatório da PF, que os delegados sentiram-se compelidos a se desculpar com o juiz.
“Pedimos escusas pela apresentação, por certo enfadonha, de tantos exemplos do mesmo proceder...”
“...Se o fazemos é para bem evidenciar a constância com que a quadrilha” agia. O texto vincula o advogado Luiz Vicente Dutra a pelo menos três conselheiros do CNAS:
São eles: Misael Lima Barreto, o representante dos Adventistas do Sétimo Dia; Sílvio Iung, da rede de escolas Luteranas; Euclides da Silva Machado, da Obra Social Santa Isabel, entidade de auxílio a idosos de Brasília; e Ademar de Oliveira Marques, do Movimento de Meninos e Meninas de Rua.
“As falsidades”, sustenta o relatório, eram múltiplas: “Não apenas os votos e as notas técnicas eram elaborados no escritório de Dutra. Até mesmo os relatórios e diligências [do INSS] poderiam, em tese, ser confeccionados ali.”
PS.: Leia mais no texto abaixo.
Escrito por Josias de Souza às 01h56
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Reunido na terça-feira (8) da semana passada, o CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) elegeu uma nova presidente.
Chama-se Valdete de Barros Martins. Ela integra a bancada de nove representantes do governo no colegiado, que tem 18 membros.
Chega com o desafio de deter as fraudes que levam à certificação de falsas filantrópicas.
Valdete recebeu o cargo das mãos da conselheira Simone Albuquerque, que ocupava a presidência do conselho interinamente desde março.
Simone fora ao comando graças a um pedido de licença do presidente anterior, Silvio Iung, um dos que se encontram sob investigação.
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O blog (do Josias) procurou Simone, para saber que providências adotara depois da deflagração da Operação Fariseu, em março. Ela respondeu à indagação por escrito. Eis o que Simone diz ter feito:
1. Deste a instauração do processo, prestou todas as informações solicitadas pela Polícia Federal;
2. Conduziu o processo eleitoral, para renovação da composição do CNAS, que já estava em curso;
3. Solicitou à PF o compartilhamento das informações levantadas. A partir daí, diz Simone, serão revistos os certificados das entidades em situação de possíveis irregularidades. Encontram-se sob investigação, segundo a PF, 60 filantrópicas;
4. Abriu processo administrativo contra funcionários envolvidos nas possíveis irregularidades detectadas pela PF. Alguns foram demitidos imediatamente;
5. Solicitou a revisão de processos julgados e deferidos na reunião realizada pelo CNAS no último mês de fevereiro. A revisão será feita pela nova gestão;
6. Lembrou que, dois dias antes de a Operação Fariseu ter ganhado o noticiário, o governo enviara ao Congresso projeto de lei que modifica o procedimento de concessão de certificados filantrópicos;
7. Esquivou-se de fazer comentários sobre os procedimentos da PF, como solicitara o repórter.
De resto, Simone antecipou providências que “serão votadas pelo novo grupo de conselheiros do CNAS:”
A. Mudanças no regimento interno do conselho;
B. Adoção de novos procedimentos para conceder o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, baseados em parecer técnico de cada ministério envolvido (Desenvolvimento Social, Saúde, Educação e Fazenda);
C. Para a certificação ou renovação da certificação, será solicitado parecer da Receita Federal para casos de entidades com renda acima de R$ 2 milhões.
Escrito por Josias de Souza às 01h50
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Fonte: (uol)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Coincidência ou loteria?

Retornamos hoje de Caldas Novas, Goiás. Algo curiosíssimo ocorreu: quando ainda abastecia o carro na cidade em me lembrei que no Estado de São Paulo teríamos que pagar pedágio, aliás muitos pedágios. Separei a bolsinha de trocados e moedas, resultados de muitas idas às lojas de internet e acrescentei uma nota de R$ 50,00. Eu não estava com dinheiro em valores menores e procedi dessa forma.

Já no primeiro pedágio a nota de R$ 50,00 foi utilizada e a partir daí a cada pedágio a minha esposa separava o dinheiro. Eu imaginava que na chegada a São Paulo eu precisaria de mais dinheiro na bolsinha de trocados. Nos últimos pedágios eu sempre perguntava: “precisa de mais dinheiro?” Ela respondia: “ainda temos aqui, não precisa pegar mais na carteira”. Quando passei pelo penúltimo pedágio, ela me disse que tínhamos R$ 5,90 em dinheiro trocado. Exatamente o valor do último pedágio!

Eu fiquei pensando: como seria possível? Foram inúmeros pedágios e eu não sabia o montante do valor final. Eu não sabia quanto de dinheiro havia na bolsinha de trocados. Acrescentei uma nota de R$ 50,00 por não ter notas menores. Como poderia ocorrer tamanha coincidência entre os valores pagos e o valor exato na bolsinha?

Acredito que se eu fizesse várias viagens por ano nesse trajeto e nessas circunstâncias seria praticamente impossível coincidir até nos centavos os valores pagos com os valores separados ao acaso na bolsinha...

Pensei:

Caso eu fosse um ateu esse seria um argumento de como é possível acontecer coincidências como essa?

No caso do criacionista devoto e com pouco dinheiro no bolso: diria que foi uma bênção? Valor exato, sem tirar nem por?

Pensei mais:

Coincidência ou loteria?

No nosso caso foi coincidência. Nada de acaso, nada de bênção. Apenas coincidência.

Loteria? Jamais! Acertei nos valores, sem querer, mas o que ganhei com isso?

Boa noite Brasil!
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quarta-feira, 2 de julho de 2008

As crianças aproveitam o que podem...

Aqui em Caldas Novas (GO) eu fico observando as crianças. Ficam a maior parte do tempo que podem dentro das piscinas, correndo e lutando contra a fome e contra o sono. Comer e dormir são vilões para elas. Precisam parar de brincar para comer e para dormir. Quanto desperdício de tempo! Como a água das piscinas é quente o sono vem rápido e a luta contra ele é imensa.


As mães correm para oferecer água. As crianças não querem. Não entendem como é possível desidratar estando dentro da água. As crianças não querem entender nada! Querem brincar. Precisam comer e dormir, mas não estão preocupadas com a lógica! Querem brincar.


E as crianças da fé?


Não são assim? Não lutam contra a lógica? Não querem a lógica! Querem exercitar a fé. Não querem comer do pão da ciência! Querem exercitar a fé.


Será que os adultos, crianças da fé, aproveitam o que podem?
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terça-feira, 1 de julho de 2008

Teoria da evolução: 150 anos

A teoria da evolução completou 150 anos! Não é pouco! Quais as suas conquistas? O mundo mudou em função dessa teoria? Levando em consideração o tempo de "estrada" do criacionismo, quem está ganhando terreno? O avanço da ciência tem sido favorável a qual dos lados?
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Recomendo o texto abaixo, como ponto de partida para uma rápida reflexão.
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Teoria da evolução: 150 anos
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Fonte: (uol)

Parar na frente não é desistir...

Eu assisitia a um filme e nele ouvi essa frase, dirigida a uma pessoa que estava em pleno vapor no ramo empresarial e que começava a sentir a força da concorrência naquilo que fazia: "parar quando está na frente não é a mesma coisa que desistir". Faz sentido, não é?

Uma das maiores provas de capacidade e maturidade reside nisso: parar na hora certa. Cito, como exemplo: Pelé que parou no momento certo - ainda estava no auge. É mister saber lidar com a diminuição do vigor, do sucesso e dos aplausos. Saber parar é um exercício necessário aos que pretendem ser "completamente vitoriosos".

Como um cidadão comum poderia parar na hora certa? Observando o que está em volta e buscando saber o momento de passar o bastão para quem está pronto para assumir.

Vale para quem está na presidência da República e vale também para aquele cidadão que insiste em permanecer no poder, ainda que como síndico de condomínio.

Aqui em Caldas Novas é possível enxergar quem está parando na hora certa e quem insiste em se perpetuar no poder.

Enéias Teles Borges

sábado, 28 de junho de 2008

Final de junho de 2008

Final de junho, final de primeiro semestre. O ano de 2008 está chegando à metade. O que podemos dizer dele? Realizações, frustrações, indefinições ou algo bem diferente do usual?

O que posso dizer de 2008 é bem simples: é mais um ano que vai passando na seqüência de outros tantos com suas venturas e desventuras.

Não posso me queixar. Confesso que ando meio cansado. Muita correria. Faz parte da vida atual numa cidade grande.

E o blog? Vai bem, obrigado! Tem sido motivo de imensa satisfação. Escrever e saber dos resultados positivos da leitura. Saber que o objetivo tem sido alcançado: permanentes convites à reflexão.

Obrigado ao amigo que separa alguns minutos diários para ler os textos. Grato mesmo!

Boa semana!

Nota: nos próximos dez dias diminuirei a quantidade de publicações. Viagem com família e amigos. Uma busca por momentos de calma. Destino: Caldas Novas – GO. Não é a primeira vez e certamente não será a última.
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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Que Brasil era aquele? Que Brasil é esse?

Eu era garoto. Creio que com 12 anos, talvez mais. Época da ditadura militar. Houve um comício perto do nosso bairro e a professora me escolheu para dizer um verso no palanque. Quando subi no palco fiquei impressionado. Até onde minha vista alcançava via-se gente. Fiquei nervoso. Chegou minha vez de falar. Eu enchi o peito e disse o verso que me veio pronto:
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Embora seja tão grande,
Um gigante em extensão,
O Brasil cabe inteirinho,
Dentro do meu coração!
*
O povo gritou! Minha voz saiu com força e sem medo. Eu tinha feito a minha parte. Naquele momento histórico era assim: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Eu era um bom aluno e até cria naquilo tudo. Como não crer? O Brasil era daquele jeito.

Que Brasil era aquele?

Hoje não sou mais garoto. Não é mais época da ditadura militar. Não há comício perto do meu bairro e não existe mestre que me escolha para falar. Se escolhido, o que eu teria para dizer? O Brasil continua um gigante em extensão, mas não sei se no peito seria possível abrigá-lo.

Até penso que se eu soltasse a minha voz o povo não gritaria. Haveria motivo para bradar? Não se precisa amar o Brasil para nele permanecer. O Brasil é desse jeito.

Que Brasil é esse?
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terça-feira, 17 de junho de 2008

A tradição e o medo

Texto interessante para aqueles que assistiram ou pretendem assistir ao filme "A vila". O relato a respeito de um povo que estando no presente, vive como se em outro século do passado, com os mesmos costumes e medos. A maneira como os líderes manipulam os moradores para crerem nas absurdas irrealidades.
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Uma visão metafórica para o filme “A VILA”.
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A tradição vive do medo. Tem sua propagação e permanência no incentivo da crença ao medo. A Tradição é mecânica, repetitiva, rotineira; não existe frescor na mesma. A tradição se alimenta de mitos, lendas, contos, carregados do medo e cumpabilidade. A liderança faz com que a massa não questione aquilo que é incentivado pela tradição. A liderança, por sua vez, sabe como tocar nos botões de medo e culpa da massa; sabe manipular e consegue estigmatizar qualquer ser pensante com os rótulos de rebelde. Elege “bodes expiatórios”, incita o medo, a culpa e o conformismo. Sempre procura inibir qualquer idéia contrária a tradição. Não demonstra o interesse de compreender o que uma nova idéia representa. Por se encontrar numa zona confortável de “respeitabilidade”, a liderança não possui a mente aberta para a reflexão em novos pontos de vista, nem em novas experiências. Por viver na base do medo, não se permite cruzar as fronteiras das florestas do desconhecido e viajar em novos níveis de consciência. Qualquer movimento para se falar contra o estabelecido pela tradição, é sempre visto com maus olhos, repletos de medo e intolerância e não é rara a punição através da ação do ostracismo, a todo ser questionador. A liderança está sempre presa na emoção e no medo. Não consegue ver a pureza que se encontra num novo paradigma. A desaprovação do novo paradigma é unânime por parte da liderança; ela não quer compreender o que se passa nas idéias de um ser questionador. O ser pensante questiona o tempo todo, mesmo não tendo as respostas. Convida as pessoas ao seu redor ao questionamento, que sempre barradas pela lente do medo e do conformismo, não se atrevem a olhar com novos olhos. O ser pensante, questionador, representa um perigo para a zona de conforto e para a respeitabilidade estabelecida pela liderança. Grande parte das pessoas demonstram claramente o seu medo de estar ao lado das pessoas que pensam; possuem o medo de perder a respeitabilidade do grupo e quase sempre se afastam da mesma. Toda e qualquer manifestação contrária ao estabelecido pela tradição, é sempre abafada através de atitudes manipuladoras originárias das reuniões nos bastidores sombrios da liderança, que incitam o medo como forma de não se entregar a uma reflexão quanto ao novo paradigma. O ser pensante quase sempre é “diagnosticado” como um rebelde, um louco, um instigador da quebra da unidade e bem-estar coletivo – sendo reforçado o convite de se estar atento aos movimentos do chamado “rebelde”; para se estar atento a possíveis exposições dos mais novos ás idéias de tal rebelde. Como a massa não pensa, aceita de pronto as idéias contrárias da liderança ao novo paradigma e não raro, se identifica com o medo instalado pelas idéias contrárias da liderança. A tradição vive das experiências mortas do passado, dos ritos, das convenções, das superstições; não há frescor, muito menos originalidade em si mesma – ela mata toda autenticidade e sensibilidade. A tradição quer ficar presa na mesmice e repudia qualquer pessoa que seja realmente “diferente” do convencional.

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Outro fato interessante é o que a liderança foge da tristeza por várias maneiras, mas, não consegue admitir plenamente e abertamente de que é vitima constante dessa tristeza. Seus conflitos estão sempre trancafiados no escuro da inconsciência. Escondem-se por detrás de uma mascara de inteligência, sabedoria e espiritualidade. As idéias que são aprovadas pela liderança são aquelas as quais julgam não ser uma ameaça para a zona de conforto do coletivo e para proteger essa zona de conforto, vive a contar estórias do passado como uma maneira de manipular e embaçar a natureza do desejo do novo paradigma. A liderança não pensa no bem estar do coletivo, mas sim, em manter seus próprios desejos de segurança, em manter seus segredos trancafiados no inconsciente, motivados pela ação dos medos inconscientes, guardados em segredos. Mas o rebelde consegue ver a insegurança por detrás da máscara de bem-estar coletivo. Ele vê e sente a insegurança do coletivo. A liderança se agarra ao seu pacote de memórias como uma forma de segurança psicológica contra os erros do passado. Mantém sempre acesa a chama do passado, que com sua fumaça, embaralha a visão do presente. Acreditam que o esquecimento do passado possa fazer com que ele renasça no presente. O rebelde não teme abrir a caixa de memórias do passado para colocá-las a luz da consciência. Ele quer se permitir esse movimento e libertar-se de vez do medo coletivo do passado. Mas a liderança não quer a liberdade, quer apenas falar em liberdade. Na visão da liderança, a atitude do rebelde em relação ao desconhecido é encarada como insensatez. Mas o rebelde, movido por seus mais profundos sentimentos, não tem como deter esse impulso ardente em direção ao desconhecido. Ele quer conhecê-lo, quer tocá-lo e por causa disso, avança vacilante, mas avança. Algumas das pessoas da massa, até acham bonita a coragem do rebelde em enfrentar a tradição, mas alegam que não acham certo esse tipo de ação. Mas o rebelde não se conforma com a limitação da visão da tradição. Ele quer ver mais. Quer ver o mundo livre da visão da tradição. Ele quer ver o novo e voltar para de algum modo, ajudar a massa na ampliação de sua visão limitada. Mas essa atitude causa nós nos estômagos do coletivo. Mas, em cada contato entre o rebelde e a massa, algo vai se instalando na consciência daqueles que ouvem, com a mente aberta, que de modo algum, não voltam a ser os mesmos de antes. O rebelde não teme a desaprovação geral, o ostracismo. Prefere a isso do que viver escondido em seu quarto escuro da inconsciência e do medo. Assume sua postura de rebeldia ao tradicional diante da liderança. Sente muito por não poder se conformar ao que é estabelecido pela tradição, mas, precisa seguir seus impulsos mais profundos. Ele se ressente pelo mal estar causado, mas sabe que não pode voltar atrás e torce para que seu modo de ver a vida não cause mais sofrimentos aos seus entes queridos. Com profundo pesar, se entrega a solidão de sua própria busca. O mal estar e constrangimento coletivo diante de tal postura é notório. No entanto, alguns dos membros da liderança admiram e invejam silenciosamente a coragem de tal atitude do rebelde, mas admitem para si mesmos que não possuem a coragem para tal abandono.

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A liderança acredita na tradição da prece, das oferendas como uma forma de restauração do bem-estar pessoal, coisa que se apresenta como total absurdo aos olhos do rebelde. Ele assiste a tudo isso em meio de sua solidão mental. A liderança se preocupa com as aparências e por isso, só aparentemente vive. A tradição da liderança impede a existência de uma verdadeira intimidade entre os seres humanos. Ninguém ousa ir mais fundo e por isso, não há como “tocar” o outro. A liderança manipula os acontecimentos; manipula as informações de modo que as pessoas não entrem em contato com a realidade de seus sentimentos. Todos precisam mostrar eficiência e alegria. A tradição mantém todos juntos num mesmo caminhar vacilante. Medos coletivos são expostos como forma de manipulação. O medo é instalado como um modo de se fazer censura. E se algum rebelde viola as fronteiras do conhecido, reuniões entre as lideranças são instauradas, uma vez que o coletivo não pode tomar consciência da falência da tradição. Mas nem isso consegue fazer com que o rebelde recue. Ele enfrenta o próprio medo e segue adiante. Alguns membros da massa questionam a coragem do rebelde diante do medo dos demais. Mas os olhos do rebelde não se encontram no futuro, mas sim, no presente, NAQUILO QUE DEVE SER FEITO. Ao mesmo tempo em que encontra dificuldades para expressar o que pensa, sente um forte impulso para expressar o que pensa. Não consegue para de se questionar.

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Mas o absurdo se manifesta mais cedo ou mais tarde e é através do absurdo que a graça do novo paradigma pode se manifestar. A tradição acredita no poder do pensamento positivo, vive na busca do poder, do prestigio e das posses e por isso é uma eterna fonte de conflitos. Mas o rebelde não aceita esse modo de vida. Ele lidera enquanto os outros apenas seguem. Ele vê luz onde os outros só vêem escuridão. Ele tem os olhos cerrados para as cores da tradição. Ele sabe onde se encontra e sai solitário em busca de medicamento para as feridas de seu próprio interior e dos demais. Ele enfrenta os próprios medos e segue adiante, tateando por lugares onde não há caminhos, sem nenhuma fonte de apoio e segurança. O rebelde consegue compreender a falta de coragem da massa e da própria liderança em enfrentar os próprios medos e o desconhecido da floresta da inconsciência. Ousa entrar em contato com aquilo que os outros não ousam mencionar e percebe que tudo não passa de uma crença, de uma farsa. Ao tomar consciência disso, não há mais espaço para a crença e para o medo. Ele segue me frente. Percebe que não precisa mais ter o medo causado pela crença. A liderança teme entrar em contato com os próprios sentimentos e perceber a total falta de sentido de sua existência, por isso não vai mais fundo e impede que os outros também o façam. O rebelde fica triste pela liderança e a massa, mas segue sua busca. O rebelde deu o seu próprio coração a essa causa e está pronto para assumir esse fardo que por direito é apenas seu. A liderança nesse momento se esquece de que o que os movia era o mesmo tipo de sentimento de algo melhor que incentiva o rebelde a seguir seus sentimentos mais profundos. Não consegue se perceber de que o medo é que os manteve na zona de estagnação, no qual, o rebelde não se conforma a se entregar. A liderança, devido a tal zona de estagnação, perdeu a sensibilidade e o poder de agir segundo o coração. Suas atitudes são apenas racionais, baseadas no auto-interesse, no intelecto dominado pelo medo. O que a liderança não se dá conta é que faltam pessoas para perpetuarem o antigo paradigma e que mais cedo ou mais tarde ele terá que se render ao novo paradigma. Não conseguem perceber que o futuro depende do rebelde. Não percebem que ao negarem olhar para o novo paradigma, abrem mão de toda inocência. Perdem a chama interna do amor, que é a própria essência que motiva ao rebelde. Nessa busca solitária, o rebelde terá que lidar com as próprias vozes interiores de seus condicionamentos, será um tempo para explorar e aprender sobre si mesmo, livre de qualquer livro, mestre ou disciplina. Tropeçara em buracos sombrios, mas suas raízes não deixaram que se perca. Abandonará suas muletas e toda forma de segurança. Aprenderá com as próprias feridas. Lidará com os próprios fantasmas. Talvez seu medo o faça andar por alguns períodos em círculos. Seus pensamentos virão à mente com toda carga de medo, mas ele começará a perceber o que é falso, o que não é real. E através dessa visão, chegará ao que é real, onde já não há mais espaço para o medo. Para o rebelde, a vontade de viver é muito grande. O rebelde caminhará, sozinho, até encontrar sua própria estrada e sairá da floresta da inconsciência. Quando menos esperar, se deparara com os grandes muros da tradição e terá que fazer um grande esforço para transpô-los, sem nenhum tipo de ajuda. O rebelde descobrirá por si mesmo, que os grupos de ajuda, baseados na tradição, mantém as pessoas presas em seu passado; preserva um modo de vida selvagem, medíocre. O rebelde tem pressa; sabe da urgência das respostas. Sabe como mais ninguém, o quanto que sua saúde psíquica encontra-se em grande risco, bem como de muitos outros. A liderança tentará – como sempre – manipular as informações para a massa não pensante. Mas, a verdade permanecerá viva dentro do coração do rebelde, que em contato com outros rebeldes iniciará uma revolução de consciência.
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Fonte: (Nelson Jonas)
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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados: estamos em 2008...

Dia 12 de junho de 2008. Uma quinta-feira, dia dos namorados. O que mais há para se dizer deste dia? O que mais há para se esperar dele? À medida que o tempo passa, num convívio com a outra parte, remeto-me à reflexão. Nada mais. Não preciso de mais nada. Apenas saber que estou com ela e ela comigo desde 23 de fevereiro de 1985. Posso resumir, usando palavras que não me pertencem, o que tem sido até agora. Basta esta poesia de uma música maravilhosa que marcou nossa vida, ao longo deste namoro...

Iluminados

Composição: Ivan Lins-Vitor Martins

O amor tem feito coisas
Que até mesmo Deus duvida
Já curou desenganados
Já fechou tanta ferida

O amor junta os pedaços
Quando o coração se quebra
Mesmo que seja de aço
Mesmo que seja de pedra

Fica tão cicatrizado
Que ninguém diz que é colado
Foi assim que fez em mim
Foi assim que fez em nós
Esse amor iluminado
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Casamento em extinção?

O casamento está em extinção? Será que aquele modelo ao qual nos acostumamos não existe mais? Será que alguma vez existiu? Entrevista logo abaixo, com o psiquiatra Flávio Gikovate (foto).
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Basta seguir o link: "Não precisa casar. Sozinho é melhor."
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Fonte: (veja)
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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Filosofia e Sociologia - mais...

O tema está repercutindo em suas variadas formas. Não posso deixar de indicar dois comentários para ponderações dos amigos leitores:

1. Comentário de João Carlos Salles: "Um brinde à filosofia".


2. Ponto de vista de José Arthur Giannotti: "triste bobagem".


Fonte: >>Terra Magazine<<

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terça-feira, 3 de junho de 2008

Boas novas: Filosofia e Sociologia

Filosofia e sociologia passam a ser obrigatórias no ensino médio

O presidente da República, em exercício, José Alencar, sancionou nesta segunda-feira (02/06/2008) no Palácio do Planalto, a lei que torna obrigatório o ensino das disciplinas de sociologia e filosofia nas escolas de ensino médio, públicas e privadas. A lei foi aprovada primeiro na Câmara, onde o projeto começou a tramitar em 2003, e no dia 8 de maio deste ano, no Senado.

Para tornar obrigatório o ensino de sociologia e filosofia no currículo do ensino médio, o Congresso Nacional alterou o artigo 36 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). A obrigatoriedade, segundo a lei, entra em vigor a partir da sua publicação no "Diário Oficial" da União.

A inclusão de sociologia e filosofia no currículo do ensino médio não é novidade para os sistemas estaduais. Em 21 de agosto de 2006, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou uma resolução orientando as redes estaduais de educação, que são responsáveis pelo ensino médio, sobre a oferta das duas disciplinas.

A Resolução nº 4 de 2006, da CNE, ofereceu aos sistemas duas alternativas de inclusão: nas escolas que adotam organização curricular flexível, não estruturada por disciplinas, os conteúdos devem ser tratados de forma interdisciplinar e contextualizada; já para as escolas que adotam currículo estruturado por disciplina, devem ser incluídas sociologia e filosofia. A resolução deu aos sistemas de ensino um ano de prazo para as providências necessárias.

Fonte: (folha)

Nota do Editor: é com satisfação que observo a aprovação dessa Lei. Acalento a esperança de que profissionais das respectivas áreas sejam contratados para ensinar devidamente as disciplinas. Nada de professor tapa buraco, especialmente nas escolas confessionais. Filosofia e Sociologia precisam ser encaradas como disciplinas que conduzem ao pensamento crítico, tão necessário no Brasil e importante para a atual geração de alunos do segundo grau.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sobrevivendo no trânsito paulistano

“É fácil manter quieto o que está em descanso; é fácil prevenir o que ainda não sucedeu; é fácil partir o que é fraco e fácil espalhar o que é escasso: portanto, combate o mal antes que ele comece.” (Lau-Tseu)

A frase popular “é melhor prevenir do que remediar” calha com o pensamento acima e vem, de forma proposital, nesse texto, chamar a atenção das pessoas para o recrudescimento de um sintoma violentíssimo que campeia a cidade de São Paulo. A escalada da violência no trânsito.

Com a concretização do caos no trânsito paulista é natural que a impaciência tome conta dos motoristas. Em qualquer dia, em qualquer trajeto e em qualquer horário é impossível não sofrer com os engarrafamentos gigantescos da metrópole.

O povo até que tenta conviver com isso. Liga o som e ouve música. Procura esquecer que está ali, no olho do furacão. Mas a paciência está se esgotando dia após dia.

Quais (tem sido) os noticiários comuns? “Motorista é baleado após acidente de trânsito”. “Vítima morre e o agressor foge”. “Homem é ferido em briga de trânsito”. “Mulher dirige quilômetros na contramão”. E por aí vai...

Combater o mal aqui não é fugir do trânsito (impossível!) e sim ficar cada dia mais preparado para ele. Evitar, a todo custo, discutir nas ruas entupidas de carros. Esforçar-se para ser cordial. Isso mesmo! Cordialidade! E pode ser simplesmente deixando o veículo ao lado manobrar, entrar na frente, ceder passagem...

A cada dia o cidadão é provado – duro teste! Sair de casa é uma aventura. Voltar para casa é uma necessidade. Sobreviver é o mais importante. É difícil? Sim, claro que é. Mas com a prevenção fica menos pior...
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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um senador exemplar

O Brasil perdeu um grande representante no Senado. Trata-se do senador Jefferson Peres. Homem que representou com dignidade o estado do Amazonas e mostrou, ao povo brasileiro, que é possível fazer política com ética.

Podemos dizer, sem constrangimentos, que estamos de luto. A perda é irreparável no presente momento. Era uma das poucas colunas confiáveis. Sempre se mostrou coerente e firme nas decisões contra os corruptos que insistiam em assolar a Nação.

Uma pena. Triste mesmo.

O que podemos fazer nesse instante a não ser almejar? Almejar que surja (e rápido) outra pessoa que possa nos manter esperançosos neste contexto no qual a ética parece não ter valor...
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quinta-feira, 22 de maio de 2008

Indiana Jones e minha família...

Hoje aproveitamos o feriado para fazer algo aqui mesmo. Não viajamos. É preciso juntar um pouco de dinheiro para a viagem anual de férias com amigos. A receita foi fazer algo bom, bonito e barato. Fomos ao cinema e assistimos ao filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. Boa sala de cinema, bom ambiente, boa pipoca e bom refrigerante. Minhas filhas, esposa e eu – ótimo time! Eram muitas famílias. Na fila conversei com um senhor e lhe disse que as minhas meninas fazem parte da geração “Harry Potter” e que nós somos da geração “Indiana Jones” e “De volta para o futuro”. Foi interessante e gratificante ver tantas famílias reunidas para ver um bom filme.

Não vou comentar sobre a trama, em respeito aos que ainda assistirão. Digo que é bom e paro por aqui. Uma frase no entanto me chamou a atenção, num diálogo entre Indiana e o reitor da faculdade. Este último disse algo assim: “a vida nos dá muito e depois começa a tirar”. Referia-se à morte de amigos.

Interessante, não é? A vida nos dá amigos, filhos, parentes, etc. Com a passagem do tempo as pessoas vão envelhecendo e morrendo. Vão se acidentando e morrendo. E nós também seguimos por este caminho comum aos viventes da terra. Faz parte deste nosso contexto de pecado, para os que assim crêem ou, para os que pensam de forma diferente, faz parte do processo natural no universo. É a permanente mudança de estágio da matéria...

Fato é que num belo filme de aventura coube espaço para uma rápida reflexão.

Desejo a todos os que ainda não assistiram ao filme um bom divertimento!
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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Filhos aprendem com o exemplo...

Ao senhor Antônio Nardoni: os filhos de "papais".

Silvana Cervantes

Há tempos venho observando as contradições presentes em alguns pais. Trabalho com educação há 22 anos, e acho que posso falar sobre este assunto.

De uns anos pra cá, as famílias têm "acobertado" os erros de seus filhos, com quem acoberta os seus próprios. É preciso achar um culpado para atos maldosos e fora de propósitos, e não raro a "culpa" recai sobre os professores, ou sobre quem estiver mais próximo.

Semana passada, ouvi de uma mãe que foi chamada para um papinho: “meu filho me conta tudo o que acontece aqui na escola, conta que os amiguinhos batem nele, e o que vocês professoras dizem, ele conta realmente tudo”.

Eu respondi: “pois é mãe, acontece que ele também conta tudo o que acontece em casa, na sua casa! A senhora empalideceu...”.

Eu continuei: “esta semana ele nos contou, como a senhora resolveu uma questão com o filho mais velho, enfiando a cabeça do menino na privada!”

Não preciso nem contar com que cara ela ficou...

Não importa o nível cultural, nem social, o que venho notando é que valores como assumir o próprio erro, ficaram no passado.

Os pais vêm encobrindo e pior, vêm ensinando os filhos a burlar a verdade. Antigamente, quando um filho chegava em casa e mostrava um bilhete da professora, recebia advertência em consonância com a escola.

Agora o que se ouve é: “vou lá tirar isso a limpo com a "louca" da sua professora! Ela terá o que merece!”

E eu pergunto: “como afinal isso vai acabar?”

Quando a humildade de se reconhecer um erro, retroceder, pedir desculpas, pedir ajuda para se endireitar, reerguer e se tornar "gente" de verdade vai prevalecer?

A resposta é simples...

Quando os pais servirem de EXEMPLO aos filhos.
Simmmmmmmmmmmmmmmmmm, atenção: filhos aprendem com exemplos mais que com palavras! Quando os pais através de atos, se auto condenarem por seus erros, assumirem suas culpas, quando condenarem os atos errados de seus filhos, e os fizerem também assumir suas culpas.

Senhores pais, ouçam o apelo de quem vive para educar: proteger seus filhos, não é isentá-los de culpa! Proteger é fazê-los saber que humanos erram, E QUE ACERTAM, TODA VEZ QUE ASSUMEM SEUS ERROS COM TODAS AS SUAS CONSEQÜÊNCIAS....

Isabella estaria viva se o senhor tivesse ensinado seu filho que de nada adianta tentar encobrir um erro e tentá-lo jogar em cima de outrem, muito menos pela janela...

Nota do Editor: este texto veio para minha caixa postal eletrônica, enviado pela professora Gerusa Martins.
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terça-feira, 13 de maio de 2008

O presidente e a sacanagem

Mais uma vez o assunto: cartão corporativo. Desta feita acompanhado por uma palavra que pode ser considerada de diversas formas, inclusive como sendo chula. Muita gente tentará justificar o uso da palavra sacanagem. Alguns invocarão o regionalismo, a simplicidade do Presidente da República, seu linguajar coloquial e a sua identificação com a massa sofrida.

Com boa vontade poderemos dizer que esse substantivo feminino é um comentário divertido, feito a respeito de alguém ou de algo. Que sacanagem poderia ser um ato praticado contra alguém, podendo ser um gracejo e mesmo uma tentativa de ludibriar.

Sem boa vontade poderia ser dito que sacanagem é um ato de maldade, perversidade e deslealdade. Exagerando um pouco seria possível inferir que um sacana é aquele que tem procedimento próprio de um devasso, espertalhão ou trocista.

Para aqueles que vêem a perversão sexual em quase tudo que se fala e se ouve, a sacanagem pode ser retratada como um ato imoral (libidinoso), uma libertinagem; uma transgressão das regras elementares no campo das práticas sexuais. A sacanagem pode ser descrita (até) como a masturbação.

Os ingênuos ou aqueles que se insurgem contra a malícia generalizada empurrariam o assunto para a rubica da culinária e diriam que a sacanagem é apenas um acepipe de pedaços de salsicha, queijo, pimentão e outros aperitivos espetados num palito.

Como podem observar a palavra sacanagem tem variantes que podem ser usadas conforme o gosto de quem pratica, fala e ouve.

No caso do pronunciamento do Presidente, no dia 12 de maio de 2008, o que ele quis dizer? Certamente que providências precisam ser tomadas para impedir que pessoas usem o cartão corporativo de forma malandra, isto é, de forma sacana.

Simples de entender, difícil de aceitar. Mesmo sabendo que nosso Presidente não é um homem de “muitas letras” não ficou bem para a sua imagem. Mesmo admitindo que não houve intenção torpe em suas palavras, não ficou bem para o que se espera do representante máximo da Nação.

Que o uso do cartão corporativo tem sido mais uma vergonha nacional não há menor dúvida. Assim como ninguém duvida de que o nosso Presidente poderia e deveria escolher melhor as suas palavras.
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domingo, 11 de maio de 2008

Nome de mãe

Em 1971, na cidade de Vitória da Conquista, Bahia, eu tive como professora uma excelente senhora: Maria Célia Ferraz, esposa do ex-prefeito e deputado federal Raul Ferraz. Naquele ano, na semana que precedia ao domingo das mães ela me incumbiu de declamar um poema. Chegando em casa e narrando o fato o meu irmão mais velho compôs uma poesia, que declino logo abaixo, em homenagem à minha mãe.

NOME DE MÃE

De: Enoque Teles Borges

Nome autêntico e magnífico,
Que em três letras de diz,
Nome eterno e pacífico,
Dos nomes o mais feliz.

Nome sagrado e contente,
É amor e amizade sem par,
Nome doce e refulgente,
Que em afeto não se pode superar.

Com o M escrevo materno,
No A registro amor,
Esse E significa eterno,
E eternamente amarei a ti com ardor.

Simples e objetivo, não é? Jamais o esqueci.

Feliz dia das mães!
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domingo, 4 de maio de 2008

Um amigo exemplar

Ainda hoje tive a oportunidade de conversar com um amigo - vizinho de casa no condomínio de Ubatuba. Ele tem quase 77 anos. É um senhor de muito conceito no nosso meio. Reside em Poços de Caldas e (como nós) adotou Ubatuba como a cidade refúgio ou como alguns dizem, a cidade do coração.

A esposa dele tem 79 anos e, apesar de bem cansada, conserva a serenidade típica de uma pessoa que teve uma vida de realizações familiares. Ela me dirigiu a palavra dizendo que as minhas filhas (18 e 15 anos) estavam crescidas e bonitas. Lembrou-se quando as pegou no colo. Somos vizinhos de condomínio desde julho de 1989. Minha esposa estava grávida da nossa primogênita.

A vizinha foi andar um pouco e eu segui conversa com o vizinho. Ele discursou a respeito dos dois filhos – muito bem estabelecidos e dos cinco netos: uma é jornalista, outra está concluindo medicina e outra concluindo faculdade de direito. Os dois netos: um é engenheiro agrônomo e o outro está concluindo a faculdade de direito. Meu vizinho é um homem realizado. Não teve oportunidade de fazer uma faculdade. Trabalhou muito na vida, mas realiza-se ao ver as conquistas dos filhos e netos.

Disse-me que dos grandes países no mundo não conhece a China e o Japão. Agora que pode “viver um pouco” passou a viajar com pessoas da “melhor idade” pelo mundo. Juntou um dinheirinho e goza de forma merecida. Goza não, gozou. Com a debilidade da “patroa” resolveu desistir das viagens internacionais e faz de Poços de Caldas a Ubatuba e de Ubatuba a Poços de Caldas suas atuais e constantes viagens.

Enquanto eu guiava o carro de volta para São Paulo, Capital, depois do meio-dia de hoje eu pensava naquele sorriso de um homem realizado. Que dedicou e ainda dedica a vida à família. Que exemplo de pessoa! Ganhei o dia ao conversar por boas horas com aquele ser humano espetacular.

Considero importante comprovar esse tipo majestoso de comportamento. Em especial quando parte de uma pessoa que, mesmo sendo religiosa (católico não praticante), não pauta o correto comportamento por normas eclesiásticas. Faz o que é certo simplesmente porque assim deve ser.

Desde 1989 eu tenho mantido uma amizade salutar com meus vizinhos ubatubenses e tem valido a pena. Ubatubenses enquanto estão ali. Vêm de diversos pontos do Brasil, são de diferentes religiões e são amigos leais.

Nunca fizemos proselitismo naquele lugar e pretendemos continuar agindo assim. O que realmente vale naquele bom ambiente é ser considerado como amigo. Mais do que ser considerado é preciso ser, de fato, tal amigo.

A amizade não tem fronteira e não tem barreira. A amizade independe de raça, cor e especialmente do credo de cada um.
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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ubatuba com chuva é normal

Não apenas normal. Eu diria que, conforme o caso, é sensacional. Sensacional porque permite um sossego maior. Esse sossego decorre da ausência de muitas pessoas que buscam nesse paraíso a presença do sol. Não apenas o sol, mas a possibilidade do exagero no barulho. Barulho promovido pelo consumo exagerado da bebida.

Com chuva muita gente não vem ao litoral ubatubense. Aí temos, de volta, a cidade calma, bonita e receptiva.

Não sou contra o clima ensolarado. Sou a favor e muito, mas não nesse momento em que o sossego e o descanso são essenciais - Sampa tem sugado o que nos resta de energia, em sua correria sem fim...

Aqui na pacata Ubatuba chuvosa foi possível ir à única sala de cinema e assistir ao filme "O Homem de Ferro". Fui com minha família e lá comemos pipoca e tamamos refrigerante. Tudo em paz e sem tumulto. O retorno para casa não gastou mais que poucos minutinhos de carro. Poderia ter sido "a pé", tamanho o sossego.

Quando se está cansado nada como a querida "Ubachuva".

Enéias Teles Borges
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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Legado das nossas misérias

Machado de Assis em sua fantástica obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, costurou uma frase que, analisada em seu contexto e aplicada na atualidade, é uma pérola: “legado das nossas misérias”.

Olhando o Brasil, à luz da mídia e tendo a massa como caixa de ressonância, causa forte impressão o episódio envolvendo o assassinato da criança de seis anos (Isabella), tendo a sua madrasta e seu pai como protagonistas principais.

A mídia, escudada pelo apoio de muitos do povo, investigou, julgou e condenou o casal em tempo recorde.

Deixo bem claro que não estou querendo fazer a apologia do casal, longe disso! Incomoda o profundo desrespeito aos princípios básicos da Justiça.

O efeito do homicídio na sociedade é imensurável, mas nem por isso as etapas do ordenamento jurídico devem ser desconsideradas. Há que se atentar para o princípio do contraditório. Uma investigação perfeita conduzirá ao (s) assassino (s) e legitimará a prisão preventiva e posterior condenação. Nada deve ser feito diferente disso sob risco de se rasgar a Constituição Federal do Brasil.

Por que, afinal, existe essa reação?

O povo está cansado da violência e tem sede de justiça imediata. Coloca, inclusive, esse crime na mesma vala comum dos muitos crimes que ocorrem no país. O caso em tela causa comoção, mas não deve ser confundido com crimes que ocorrem no trânsito e em assaltos – por exemplo. Uma situação como essa, ocorrida numa família da classe média, requer punição, claro, mas deve ser observada sob o ponto de vista da raridade. Isso mesmo! Não acontecem crimes assim todo dia, mas todo dia acontecem crimes tidos como comuns.

Eis que a sede de justiça (ou vingança) fez a massa protestar, pichar e querer linchar.

Por quê?

“Legado das nossas misérias”.
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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Um novo sinal do fim


Existem pessoas com uma característica absurda (acreditam que seja vocação): são alarmistas. Sempre estão vendo pretextos para o fim imediato da história humana.

O papa passou pelos Estados Unidos e foi embora. Antes disso a internet foi varrida por análises proféticas alarmantes e de origem duvidosa. O “achismo” profético povoou o meio religioso protestante.

Como as previsões não foram satisfeitas a contento já surgiu um novo sinal do fim dos tempos em substituição à visita papal ao poderoso país norte americano.

O terremoto que foi sentido em várias cidades paulistas no dia 22/04/2008, às 21 horas. Eis o grande sinal!

Já existem pessoas dizendo que o fim está às portas. É como se o Brasil, de repente, tivesse passado a ser o termômetro divino indicando a temperatura febril da humanidade.

O caos devasta o mundo e um tremor de terra no Brasil passou a ser o sinal do fim. Bento XVI já era!

Cabe até uma reflexão: o caos é mais gratificante para o alarmista do que o remédio para o enfermo.

Lamentável!
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terça-feira, 15 de abril de 2008

O papa e o presidente poderoso

Bento XVI está nos Estados Unidos da América do Norte. O líder máximo da maior comunidade cristã está no País mais poderoso do planeta. O encontro dos gigantes: aquele que detém o poder temporal e o que difunde a doutrina.

Muitos entendem que esse encontro é peça fundamental do quebra-cabeça do quadro profético. Um outorgando poder ao outro. Fusão dos maiores poderes sobre a terra.

Maiores poderes? O mundo islâmico está fora disso? E as religiões orientais? As profecias para o mundo estão adstritas a um país do ocidente e um líder cristão? E os outros: estão longe da graça e da ira divinas?

Verdade ou mais algum arroubo de arrogância?

Precisamos ver o que acontecerá nessa visita papal e sua repercussão no contexto protestante.

Por enquanto é momento de ouvir, ler e falar pouco e bem depois. Bem depois mesmo! Não por omissão ou proteção de imagem anti-alarmista. Trata-se cautela.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Ser rico: que vida dura!

Deparei-me com esse texto no provedor UOL e resolvi partilhar com os amigos. O ser humano é incurável! Nem mesmo o dinheiro em abundância lhe traz a tranqüilidade necessária. Recomendo a leitura.
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Não é fácil ser um bilionário
Michael Johnson - em Bordeaux, França

Um bilionário de Seattle para o qual já trabalhei enfrentou dificuldades financeiras há dois anos, quando seus negócios começaram a ruir.

Ele teve que vender sua ilha particular e se livrar de seu iate (um dos maiores do mundo) ao mergulhar em relativa pobreza.

Meu ex-empregador, um magnata da telefonia celular, agora saiu da mais recente lista de bilionários da revista "Forbes" enquanto luta para se manter. Só lhe restam algumas poucas centenas de milhões e ele não é um homem feliz.

Apesar da riqueza extraordinária deste empreendedor e outros de sua liga, ela nunca parece lhes proporcionar serenidade. Eles sabem quão rapidamente pode ser perdida, o que os faz perguntar: "Por que o suficiente não é realmente suficiente?"

Até mesmo detentores de velhas fortunas são atormentados por esta pergunta. Um consultor amigo meu, que antes trabalhava para Nelson Rockefeller, lembra de tê-lo ouvido se queixar de seus ataques recorrentes de insegurança.

A riqueza líquida pessoal de Rockefeller era de cerca de US$ 3 bilhões. Ao ser perguntado quanto precisava para poder relaxar, Rocky fez uma breve pausa e disparou: "Quatro bilhões devem dar", ele disse.

A dinastia Rothschild tinha problemas semelhantes. Trabalhando para a "Business Week", eu certa vez me encontrei separadamente com os ramos francês, britânico e suíço da família. Chamou-me a atenção a briga familiar em torno de como transformaram sua grande fortuna em pequenas fortunas.

Um membro do ramo suíço da família me confidenciou seu desprazer com seus parentes franceses, que conseguiram perder dinheiro em imóveis franceses. "É realmente preciso se esforçar para conseguir isso", ele disse.

Eu suspeito que não exista algo como ter dinheiro suficiente. Na verdade, muitos dos super-ricos concordam que quanto mais você tem, mais você se preocupa a respeito. Suas histórias estão em um grande livro, "Riquistão", de Robert Frank.

Frank cita um empreendedor americano, identificado apenas como George, como tendo dito que ele e outros bilionários (1.125 deles segundo a última contagem da "Forbes") sofrem com uma combinação de cobiça e medo. "Se as pessoas ficam preocupadas, é parte do que as motiva", George é citado como tendo dito. "Nós estamos sempre preocupados."

Certamente não basta mais ser milionário. A equipe da "Forbes" disse que já existem mais de 8 milhões de americanos nessa lista, de forma que o que importa agora é a lista dos bilionários, mesmo que apenas como esporte de espectador. Alguns dos concorrentes da Microsoft adoraram ver Bill Gates ser derrubado do topo da lista neste ano pelo investidor de Omaha, Warren Buffett (US$ 62 bilhões), e pelo magnata mexicano de telecomunicações, Carlos Slim Helu (US$ 60 bilhões). Gates caiu para terceiro, com US$ 58 bilhões.

Os bilionários não são apenas americanos. Indianos, russos e chineses estão despontando em números crescentes entre os super-ricos.

Mas com grandes riquezas pode vir grande desconforto, segundo pessoas que estudaram a psicologia da riqueza. O principal problema é a "affluenza" -a culpa em relação ao abismo entre os muito ricos e as demais pessoas.

Um segundo problema é a compulsão para continuar a acumular ainda mais. O Dr. Paul Wachtel, professor de psicologia do City College e City Graduate Center de Nova York, examinou este problema em seu famoso trabalho, "Full Pockets, Empty Lives" (bolsos cheios, vidas vazias), no "American Journal of Psychoanalysis".

Wachtel reconheceu que o dinheiro pode ser um símbolo de sucesso, mas ele identifica a inveja e a ganância como os motivadores escondidos por trás do anseio por mais e mais dinheiro.

"A busca pelo dinheiro e bens materiais como meta central da vida cobra um preço bem alto", ele escreveu. Os estudos mostram que o dinheiro exerce "um papel notavelmente pequeno" na verdadeira felicidade ou bem-estar de uma pessoa. Na verdade, a intimidade e a vida familiar são freqüentemente sacrificadas em nome do prover para a família.

E a inveja alimenta o impulso da ganância, argumentou Wachtel: "Nós podemos querer não apenas o que os outros têm, mas muito mais do que os outros têm, ou mais apenas pelo mais".

Eu falei recentemente com Wachtel e perguntei a ele para onde a cultura da riqueza estava levando. As pessoas na faixa de renda dos seis dígitos têm problema em controlar a busca por mais, ele disse: "Elas se tornam escravas da manutenção do nível material que conseguiram. Se torna uma esteira mecânica sem prazer".

Ele tinha alguns conselhos para os ricos infelizes. "Se os 5% mais ricos trabalhassem dois terços do que trabalham, e ganhassem dois terços do que ganham, suas vidas seriam imensuravelmente mais ricas", ele disse. "O tempo, eles descobririam, é um bem muito mais valioso do que o dinheiro."

*Michael Johnson é um redator da "Business Week" que vive em Bordeaux.

Tradução: George El Khouri Andolfato
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Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2008/04/03/ult2680u667.jhtm
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