Mostrando postagens com marcador Esperança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esperança. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Precisamos de esperança, pois a vida é dura!

Num periódico eu li, com grande simpatia, o pronunciamento de um ateu acerca da esperança. Ele disse algo mais ou menos assim: “não posso tirar a esperança de alguém a menos que eu tenha algo melhor para colocar em seu lugar”. Trocando em miúdos ele insinuava que não acreditava na existência de Deus e, portanto, não cria nas convicções dos cristãos. Mas o que ele teria para colocar no lugar daquela esperança? As pessoas estariam preparadas para verdade na qual ele acreditava?

Veio, de imediato à minha mente, uma frase muito usada nesse contexto de fé, crença e descrença: “a ignorância, muitas vezes, é fator de felicidade”. Essa ignorância, da qual trato, precisa melhor ser entendida: por não se saber de determinada verdade ruim é possível ser feliz ou, ao menos, não ficar triste.

Imaginemos uma criança portadora de uma doença mortal que lhe ceifará a vida em poucos dias. Ela não sabe. Precisa saber? Não seria oportuno minimizar-lhe a dor deixando que não saiba da morte iminente? Tirando-lhe a esperança o que seria colocado no lugar? É nesse sentido que me refiro a esperança como fator de felicidade.

A grande realidade é que, nesse assunto de religião (fé e crenças), nós não passamos de crianças. Será que aquilo em que cremos é real? E se não for real é justo ou salutar trazer isso à tona, minando esperanças? No caso em tela a ignorância não deveria ser promovida? Tirando do crente a sua fé o que será posto no lugar? Até que ponto a verdade que corroi deve ser colocada no pedestal em substituição à suposta mentira que alenta?

Não restam dúvidas quanto à utilidade social da fé. Imaginem essa massa deixando de crer. O que viria depois? Imagino (hipótese) que depois da desilusão, decorrente da desesperança, viria o caos. Sem a esperança de uma vida eterna e com a convicção de que a vida atual é efêmera, como reagiria a grande nação mundial da fé? É caso para se pensar e pensar muito! A crença promove resultados formidáveis e que são impossíveis de ser mantidos, a não ser pelo exercício permanente da própria crença. É um tremendo freio social! É uma fantástica máquina criadora (de alienação?) que mantém o povo contrito e longe da guerra. Sem a religião haveria desordem? É provável que sim.

O que está em discussão não é se a religião é um espelho da verdade, mas a sua importância independentemente de ser veraz ou não. Não nos impressiona o fato de que uma suposta mentira coletiva seria o estandarte da paz?

Tenho refletido sobre isso e não é de hoje. Eu diria que o marco inicial foi em 1983, no segundo ano da Faculdade de Teologia. De lá para cá eu comecei a separar “religião” de “cultura religiosa”. “convicção” de “alienação”.

Mas eu respeito o que adiante explano:

Nós humanos precisamos do calor da esperança, pois a vida é dura. Precisamos do fogo abrasador que essa fé nos dá, pois a vida é dura. Precisamos da coragem que a fé nos traz, pois a vida é dura. Precisamos não questionar essa crença, pois poderia nos trazer desilusão, tirando-nos a esperança e sem esperança a vida é dura.

Eis o ponto máximo da questão: nada temos para colocar no lugar da esperança, escudada na verdade ou na mentira.

Nós precisamos dessa esperança, pois a vida é dura!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 23/06/2008

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A esperança e o desespero

A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero. (Victor Hugo)

sábado, 13 de agosto de 2011

Sem esperança: viver ou vegetar?

O que é um homem sem esperança? O que é viver sem esperança? Viver sem esperança é viver ou vegetar? É melhor viver sob uma esperança, ainda que sem fundamentos aparentes, do que viver a realidade nua e crua? Em que se baseia a esperança humana?

Muitos entendem que a esperança está escudada em forças do além. Forças transcendentais que guarnecem a vida humana. As pessoas são propensas a crer em algo. Isto não quer dizer que a crença seja baseada em algo verdadeiro e sim que o ser humano carece de algo que vem de fora.

A revista Época desta semana tem, como reportagem de capa: “a fé faz bem à saúde”. É claro que os tendenciosos de sempre dirão que “deus” incutiu no interior da mente humana essa propensão para a fé. Outros dirão que o ser humano é um medroso natural, teme a morte, não a aceita e busca, incessantemente, uma solução para o fim. Esta busca é uma forma de fé.

Não importa se a discussão é promovida por teístas ou ateístas: a esperança é essencial, pois ao que tudo indica, viver sem ela não é viver e sim vegetar...

A questão não está adstrita ao fim da vida. Ela se estende ao que se quer que venha depois. De onde veio esse desejo de ter algo além desta realidade nua e crua? De deus? Da racionalidade humana?

Seriam felizes aqueles que conseguem viver à parte disso tudo? Sim, porque existem pessoas que passam por essa vida como se ela fosse obrigação ou rotina chata. Querem mais é que tudo termine! O sossego de muitos está na convicção que depois da morte virá o nada e com o nada a tão sonhada inconsciência...

Sem esperança: viver ou vegetar? Não seria interessante viver como se fôssemos eternas crianças e que Papai Noel sempre viria, no dia 24 de dezembro, deixar um presentinho no pé de meia? Não seria maravilhoso viver, sabendo que no Grande Natal, o eterno Papai Noel, desceria nas nuvens para presentear-nos com a eternidade em campos floridos e ao som de harpas? Não seria fabuloso saber que depois dessa vida mudaríamos para um estágio superior, até atingir uma perfeição inefável?

Não crendo em nada para depois desta vida, como viver? Não seria vegetar desesperadamente? Não seria esse desespero que invade a alma o grande originador da fé? Da fé que faz bem à saúde? Se ela faz bem à saúde por que não exercitar uma, qualquer que seja?

Viva com fé, meu amigo, pois ela faz bem! Quem tem fé tem esperança! Quem tem esperança vive! Vive um sonho! Quem não gosta de sonhar?

Enéias Teles Borges
Postagem original: 24/03/2009

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Transmitindo a esperança...

Um líder de igreja local resolveu visitar seu superior para lhe pedir conselhos. Seu comandante era um homem escolado, idoso e com muita experiência no trato dos fiéis. Lá chegando abriu o coração.

- Está muito difícil cuidar da igreja. Sou procurado todos os dias para dar conselhos, efetuar casamentos, funerais e muitas outras atividades afins. Tenho consolado as pessoas, mas preciso ser franco: não consigo acreditar mais naquilo que doutrino.

O ancião olhou para aquele jovem líder de igreja local e lhe disse:

- Quanto eu tinha a sua idade tive que enfrentar as mesmas situações e depois, como você está fazendo agora, aconselhei-me com um ancião. Vou lhe transmitir o mesmo que ele me ensinou e aquilo que faço até hoje.

- Ele me ensinou (prosseguiu o ancião) que nós temos uma missão especial, pois somos mais fortes que a maioria das pessoas. Ensinou-me que os fiéis, assim como nós, vivem num mundo cão. Vivem e sofrem, tendo como consolo a esperança da fé que professam. Percorrem o vale da sombra da morte cultivando uma convicção que nós transmitimos: a de que depois desta vida miserável haverá uma vida melhor.

- Imagine se nós (disse mais o ancião), que não cremos no que pregamos, começássemos a mostrar para eles a realidade da vida e da morte. Imagine se mostrássemos que depois desta vida horrível e curta não existe mais nada além do nada eterno...

- Siga o meu conselho (concluiu o ancião), o mesmo que recebi com a sua idade. Continue transmitindo a esperança. Mesmo sabendo que ela está escudada em ficção, continue até que você fique velho como eu. Transmita um pouco de alegria aos membros da sua igreja. Eles não possuem nada além da fé! Imagine se também deixassem de possuir a esperança...

Foi assim que aquele jovem pastor de igreja local, seguiu cumprindo a sua missão. A de oferecer fantasia, para combater a dura realidade da vida e da morte.

Por que tirar a esperança de um povo, quando não se tem nada melhor para colocar no lugar? No mundo religioso a ignorância quanto à verdade da vida e da morte é importante fator de esperança. A esperança não precisa coadunar com a verdade...
 
Enéias Teles Borges

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A realidade e a ficção


É incrível como o ser humano mistura a ficção com a realidade. É impressionante como é possível misturar o que se deseja com o que existe e extrair de tal mistura um mundo de esperanças. O mundo é feio, o sonho é bonito. Daí surge uma fantástica mistura. A fantasia de que a feiura deste mundo será compensada pela beleza da vida noutro mundo. Eis a mistura da realidade com a ficção. A realidade é esta vida passageira, a fantasia é a esperança de que haverá uma vida eterna e sem dor (sempre no futuro - anos, décadas, séculos e milênios adiante...).

Assim vai caminhando a humanidade, ao sabor da ficção e da realidade, sonhando com a concretização da esperança...

Enéias Teles Borges

sábado, 29 de janeiro de 2011

E a concretização da esperança?

Nesta segunda de carnaval eu fiquei em casa com minha esposa. Nossas filhas foram passar uns dias no interior de São Paulo. Aproveitei para assistir a alguns filmes que estavam “estocados”. Um deles trouxe-me uma reflexão e passo a externá-la aos amigos leitores.

O enredo do filme era típico das aventuras americanas, com drama envolvido, para dar um tempero especial. A personagem principal tinha perdido o marido (gripe do começo do século XIX). A única filha contraiu o vírus e levou tempo maior para falecer.

Ao contar este episódio (no filme) ela disse que esperava pela sobrevivência da filha. Tal anseio acabou fadado ao insucesso.

No filme ela disse algo interessante: “nada pior do que a esperança, pois no final o pior acontece”. Generalizou? Será?

É a esperança sendo suscitada por outro prisma. O da frustração.

Poderíamos dizer que existem duas resultantes da esperança?

Às vezes, em circunstâncias da vida, temos a esperança de que algo tão desejado aconteça. E pode acontecer! Quando ocorre o esperançoso se diz maravilhado com a concretização da bendita esperança.

No caso em tela aconteceu o oposto. Tornou-se um exemplo de jargão popular que traz no bojo o ideário de que a esperança é a última que morre. É a última? Quer dizer então que a esperança morre?

Aquela mãe teve esperança até o último momento. A esperança dela se esvaiu e eis que triunfante a morte chegou.

Não é triste?

Eu li no dicionário HOUAISS uma definição para a palavra esperança: “sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja; confiança em coisa boa”.

A minha reflexão singela é sobre a possibilidade de frustração da esperança. O sentimento que nos motiva a ver como possível algo que queremos não deve ser considerado como certeza de sua concretização. Aí estaríamos falando de fé. A esperança é torcer pelo sucesso, ao passo que a fé é convicção com base na evidência subjetiva (?).

A esperança, portanto, pode (no final) ser fator de alegria ou de tristeza.

A frustração da esperança é um dos piores momentos que pode acontecer ao ser humano.

Daí a proposta: seja esperançoso, mas adicione um pouco de realismo a tudo isso. A esperança pode trazer uma luz no presente e no futuro. Pode, também, trazer a luz e no final as trevas da decepção.

Faz parte da vida...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 05/02/2008

A esperança e a busca da verdade

A esperança

Ele estava à beira da morte. Era um indígena, nas profundezas da selva. Temia o que viria em seguida. O pajé lhe disse que depois da morte encontraria nova vida. Olhava para o deus sol e invocava a deusa lua. O pajé transmitia segurança. O fiel sorria. Morreu feliz, cheio de esperança.

Em outro ponto do mundo, o fiel recebeu a missão. Seria um homem bomba! Aproveitaria um momento nas festas naquela cidade. Sua morte representaria, também, a morte de muitos que estivessem próximos, no momento em que ele, cheio de fé e esperança, oferecer-se-ía em sacrifício. Sentia medo. O líder religioso lhe disse para não temer. Sua morte, nesta vida, seria recompensada pela vida eterna no além. Teria muitas virgens ao seu dispor. Foi para o sacrifício, foi feliz e morreu cheio de esperança.

No ocidente o fiel estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Não havia chance, não haveria milagre. Recebeu visitas de padres, bispos, pastores e afins. Estava com medo da escuridão da morte. Foi tranquilizado. Seria apenas um sono à espera da ressurreição. Viveria o milênio, participaria da primeira ressurreição. Depois viveria eternamente na terra renovada. Morreu feliz, morreu sorrindo, cheio de esperança.

Pelo mundo inteiro pessoas vivem e morrem cheias de esperança. É certo que o futuro eterno, objeto de esperança, muda de uma religião para outra. Isso pouco importa! Cada ser, cheio de esperança, tem certeza absoluta que a sua esperança é a esperança verdadeira (a bendita esperança!). Muitos vivem e morrem felizes. Muitos possuiram e possuirão a certeza de que dormiram e dormirão na fé verdadeira. Dizem: somente os ateus morrem sem esperança de uma vida eterna futura...

A busca da verdade

Tenho afirmado que "precisamos de esperança, porque a vida é dura", mas tenho asseverado, também, que "viver com esperança não significa viver com a verdade".

Notem, nos exemplos acima, que todos morreram cheios de esperança, mas cada esperança estava baseada numa ideologia diferente. São ideologias, no mínimo, excludentes. Cada segmento de fé transmiste uma esperança que produz excelente resultado. É claro que cada portador de esperança considera a sua a única que é verdadeira.

É possível, portanto, viver e morrer cheio de esperança. Os que não conseguem essa doce magia são os que buscam a verdade, exclusivamente a verdade. A verdade coaduna com a realidade. A realidade quase nunca coaduna com a esperança.

Por isso que eu insisto: viver com esperança faz bem, mas a adição da realidade no contexto da fé, nem sempre deixa a esperança com esse adocicado gosto. A adição da verdade (realidade) quase sempre confirma aquilo que é procurado por aquele que faz a busca da verdade. E o que é procurado, e encontrado, nem sempre é motivo para que se tenha esperança...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 17/08/2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Viva com esperança

Retornando ao tema... Nesse momento o faço em virtude de uma campanha evangelística implementada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). A circunscrição contempla toda a América do Sul. Projeto interessante que se propõe levar esperança aos corações humanos.

O que é viver com esperança? No exemplo em tela a esperança é a do retorno de Jesus, que segundo crêem os cristãos em geral, ocorrerá brevemente. Entenda-se o breve como sendo perspectiva que se vem tendo desde os tempos apostólicos.

A despeito do que muitos pensam e anelam a esperança está baseada em algo que se deseja e espera. Algo bom. Naturalmente os esperançosos consideram o objeto da esperança como algo real. O real ainda não atingido.

Dentro da sinceridade que a vida requer, há que se pensar, também, de uma forma racional. Viver com esperança não é a mesma coisa que viver com a verdade. Mesmo porque a esperança, qualquer que seja, poderá redundar em frustração. A esperança escuda-se em expectativa e desejo e a verdade sempre será verdade. Havendo coincidência entre o que se espera e o que no futuro ocorrerá tem-se a bendita esperança. Pode acontecer que a esperança seja a última a morrer o que implicaria em afirmar que ela fatalmente desvanecerá. É a esperança que não coadunará com a verdade por vir. Como existem esperanças diferentes baseadas no mesmo ideal muitos se frustrarão e poucos (ou nenhum) terão a maravilhosa esperança. Imaginemos as esperanças dos cristãos, muçulmanos, orientais e muitos outros que têm esperanças que se divergem. É natural que viver com esperança não trará o mesmo resultado para todos...

Desta forma há que se reiterar aqui no blogue: viva com esperança, mas adicione a realidade a tudo isso. A verdade foi, é e será imutável. Ela não se adaptará à esperança. A esperança é que deve “torcer”, para que coincida com a verdade anelada...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 08/09/2008

domingo, 28 de novembro de 2010

A pomba como símbolo da paz

A alegoria da pomba branca como mensageira da paz está em passagens da Bíblia. Um desses episódios é narrado no capítulo 8 do Gênesis, primeiro livro do Velho Testamento. Noé, que esperava na arca o fim do dilúvio, mandou um animal mensageiro para ver se as águas haviam baixado.

O primeiro escolhido foi o corvo, que ficou voando para lá e para cá – e perdeu a oportunidade de ganhar a simpatia da humanidade. Então Noé enviou uma pomba. Na primeira viagem, ela não encontrou nenhum lugar para pousar. Sete dias depois, foi novamente solta e retornou com um ramo de oliveira no bico. Isso, de acordo com a narrativa bíblica, simbolizava a paz entre Deus e os homens. "Além disso, o ramo de oliveira significava também garantia de alimento, de remédio e da bênção divina", diz o teólogo Tércio Machado Siqueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Há também citações à pomba nos Evangelhos. Assim que Jesus foi batizado, o espírito de Deus desceu sobre ele em forma de uma pomba. Desde então, a pomba é associada ao Espírito Santo. Apesar de não haver menção da cor dessas pombas na Bíblia, os costumes da época explicam por que, nas representações, elas sempre são brancas.

"A pomba era muito usada por judeus pobres em sacrifícios. O animal não poderia ser pintado ou doente, deveria ser branco", afirma Siqueira.

[Superinteressante]

Nota do Editor: Não é exatamente de símbolos que a humanidade precisa agora. Não basta a existência de um símbolo da paz, aceito de forma unânime pelos povos ou não. Importa mesmo é a paz efetiva, pelo menos a paz de espírito. A paz tão desejada afasta-se do homem moderno de forma constante. A guerra em seus nefastos sentidos insta em tomar o seu lugar...

Enéias Teles Borges
Postagem original: 16/01/2009
-

sábado, 13 de novembro de 2010

Esperança: viver e morrer

“A esperança dos homens é a sua razão de viver e de morrer”. (André Malraux)

Quando se tem esperança as nuvens se dispõem a passar permitindo que os raios de sol repousem sobre a alma cansada. Para os que têm certeza de que é possível viver bem e eternamente (no futuro) sempre haverá disposição para viver uma vida terrena, ainda que miserável e para morrer, renegando a esse momento em prol de um momento sublime no futuro.

A questão fica difícil para quem não tem esperança. E por que não possuir essa virtude? Não é por falta de vontade e sim por falta de fé. A razão muitas vezes mostra ao vivente aquilo que muitos não enxergam ou se recusam a enxergar. A realidade nua e crua pode, facilmente, erradicar da humanidade o frescor da esperança.

Para os que não possuem fé resta algo sutil: a aceitação que depois da morte exista o “nada”. O “nada” não traz conforto, mas também não traz a dor. Para os que, não tendo fé, desenvolvem essa esperança a vida atual é menos sofrível e pode se encerrar a qualquer instante. Basta a quem não tem fé numa vida futura, crendo na existência do “nada”, por fim a essa vida curta e insólita via suicídio. Por que o suicídio? Para por fim a essa malograda vida e adentrar os portais do vazio.

Eis, de novo, a esperança!

Enéias Teles Borges
Postagem original: 22/01/2009

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Deus e a esperança

Qual o diferencial entre as pessoas que supostamente vivem em desespero e aquelas que supostamente vivem em paz? Os religiosos costumam dizer que o desespero é decorrente da ausência de Deus no coração...

Sendo assim o que (ou quem) de fato é esse deus? Lembremo-nos que as pessoas que creem na existência de um ser divino escudam-se na fé, isto é, não têm como provar (cientificamente) a existência desse ser superior. Mesmo assim acreditam em sua existência e por isso lançam-se em seus braços de amor...

Imaginemos a seguinte situação:

Uma mulher apaixonada despede-se do seu marido que segue para bem longe e lhe deixa uma promessa: a de que voltaria, custasse o que custasse para ficar ao lado dela para sempre. A mulher faz um voto de que seria somente dele e o esperaria, também, para sempre.

Ocorre que esse homem ao sair de sua casa sofre um assalto. Matam-no e queimam os documentos. Destroem completamente o seu corpo com ácido. Ninguém sabe do seu paradeiro. Tornou-se inexistente!

Enquanto isso a esposa espera, pensando que ele está longe e que um dia virá. O tempo passa sem que ela saiba do final trágico da vida do marido. Segue honrando o voto de que o esperaria e com o coração sempre cheio de esperança.

A devotada mulher morre bem velhinha, mas sem rever o seu amado, mas ainda conservando em si a chama da esperança. Antes de morrer ela diz: anotem em algum lugar que eu esperei até momentos antes de morrer e que foi essa esperança de revê-lo que manteve em mim a chama da vida...

A morte chegou antes da realização da esperança e ironizando o adágio de que ela, a esperança, é a última que morre (mas morre ou não morre?). Parece dramático? Fazem idéia de quantos casos parecidos ocorreram de fato?

Depois da ilustração volto a perguntar: Quem afinal é esse deus que acalenta os sonhos, mantém pessoas em paz? Que deus é esse que impede a derrocada de muitos, funciona como freio social e que é permanente portador de boas novas? Novas repetidas há séculos?

Não seria esse ser a “esperança” que sendo baseada ou não na verdade mantém os fiéis esperando até a hora da morte? Morte que tem ocorrido sempre antes da concretização dela (esperança), esta que pode ser a última a morrer?

Um fato é real e contra ele ninguém se insurgirá: esse deus, existindo ou não, mantém muitos em paz, muitos em contrição, muitos com os olhos voltados para o alto, muitos esperando um futuro brilhante e eterno...

Poderíamos chamar esse deus simplesmente de esperança? Afinal sendo um ser real ou não, fruto da imaginação humana ou criador da humanidade, eis que ele está dentro do coração de muitos, que pelos efeitos da fé não questionam sua existência real. Esses que, por isso, dormem nos seus “braços de amor”...

O que de fato existe no coração de muitos é uma esperança de que exista um deus e que esse deus seja o criador de tudo. Sendo criador de tudo tenha elegido o homem como sua obra prima. Enfim que seja um ser pessoal e preocupado com o futuro do homem...

Mas convenhamos: crer em sua existência é nada mais nada menos do que a esperança. Sim a esperança de esse deus exista. Essa esperança é que mantém muitos homens e mulheres em paz até a morte. Morte que insta em chegar antes da concretização da esperança. Esperança que é a última que morre...

Afinal, a esperança morre ou não morre?

Enéias Teles Borges - Autor
Postagem original: 25/01/2009
-

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O QUE FARÁ OBAMA?

O que fará Obama?
Enéias Teles Borges


Não apenas o que fará, mas o que poderá fazer? E se puder fazer ele fará? Eis questões que precisam ser respondidas. Duas já se fizeram notar: (a) suspensão dos julgamentos em Guantánamo e (b) revisão de pendências, cerca de vinte e uma, referentes ao governo Bush.

Os religiosos perguntam, muitos povos de diversos países insistem: o que fará Obama? Ele certamente não será o pai de todos os povos, nem mesmo tentará. Precisa olhar (primeiro) para o seu quintal, as roupas do varal, a grama que cresce de forma desordenada...

Chegou a hora da verdade, de cumprir metas e promessas, de atender aos anseios de muitos daquela nação que nele depositaram esperança. Valeria à pena estar no lugar dele?

O que fará Obama?
-

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

OLHAR DE INCREDULIDADE

Olhar de incredulidade
Enéias Teles Borges


O garoto tinha cerca de 10 anos. Estava uniformizado. Aquela roupinha padrão das escolas do município de São Paulo. Chorava forte, chorava alto. No primeiro momento eu pensei que fosse brincadeira. Logo notei que era algo sério.

Aproximei-me e perguntei o que se passava. Ele me respondeu dizendo que morava longe e que tinha perdido o dinheiro da condução. Estava inconformado! “Quanto você perdeu?” Ele me respondeu: “Cinco reais”.

Tirei do bolso uma nota desse valor e coloquei nas mãos do garotinho.

Ele olhou para mim, nada disse, pareceu-me um olhar diferente. Não era exatamente de gratidão. Era de incredulidade mesmo! Parecia-lhe impossível receber de um estranho aquele valor. Pequeno para muitos, importante para ele...

Passaram por situações assim? É como se as pessoas, independentemente da idade estivessem perdendo o senso de humanidade, de colaboração... Ninguém pensa em ninguém! O mundo segue pirambeira abaixo e esse sofrimento tem levado muitos indivíduos à desconfiança e à incredulidade.

Crer em quê? Num Deus sob medida que milhares de grupos religiosos sugerem? Nas pessoas que parecem ter na testa o artigo 171 do Código Penal: aquele que trata do estelionato?

Ainda é possível receber algo sem ter que retribuir como se fosse um pagamento?

O Natal se aproxima e as pessoas que vivem nesse mundo “sem eira nem beira” precisam receber, por menor que seja, a chama da esperança.

É momento de nos despirmos um pouco do “eu” e estender a mão às mãos que carecem de afeto.
-

Textos Relacionados

Related Posts with Thumbnails