
Olhando o Brasil, à luz da mídia e tendo a massa como caixa de ressonância, causa forte impressão o episódio envolvendo o assassinato da criança de seis anos (Isabella), tendo a sua madrasta e seu pai como protagonistas principais.
A mídia, escudada pelo apoio de muitos do povo, investigou, julgou e condenou o casal em tempo recorde.
Deixo bem claro que não estou querendo fazer a apologia do casal, longe disso! Incomoda o profundo desrespeito aos princípios básicos da Justiça.
O efeito do homicídio na sociedade é imensurável, mas nem por isso as etapas do ordenamento jurídico devem ser desconsideradas. Há que se atentar para o princípio do contraditório. Uma investigação perfeita conduzirá ao (s) assassino (s) e legitimará a prisão preventiva e posterior condenação. Nada deve ser feito diferente disso sob risco de se rasgar a Constituição Federal do Brasil.
Por que, afinal, existe essa reação?
O povo está cansado da violência e tem sede de justiça imediata. Coloca, inclusive, esse crime na mesma vala comum dos muitos crimes que ocorrem no país. O caso em tela causa comoção, mas não deve ser confundido com crimes que ocorrem no trânsito e em assaltos – por exemplo. Uma situação como essa, ocorrida numa família da classe média, requer punição, claro, mas deve ser observada sob o ponto de vista da raridade. Isso mesmo! Não acontecem crimes assim todo dia, mas todo dia acontecem crimes tidos como comuns.
Eis que a sede de justiça (ou vingança) fez a massa protestar, pichar e querer linchar.
Por quê?
“Legado das nossas misérias”.
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Um comentário:
Concordo com a idéia de legado de nossas misérias.Falei desse caso nomeu blog e concordo que a mídia fez seu julgamento atencipado e nela está uma das raízes da revolta popular.
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