
Enéias Teles Borges
O estelionatário dirigiu-se ao açougue. Era domingo, muitas pessoas na fila, dia de churrasco. Levou o filho junto. Garotinho, inocente e admirador do pai. Chegando a sua vez de comprar ele começou a fazer um longo pedido: carnes variadas, refrigerantes, carvão e cerveja...
No momento de pagar a conta enfia mão no bolso e exclama: “Cadê minha carteira?” Olha para o filho, garotinho, inocente e admirador do pai e pergunta: “filhinho, você mexeu em meu bolso e tirou a carteira?” O garoto olha, não entende o que se passa...
O dono do açougue diz, vendo a criancinha e jamais desconfiando do pai: “pode levar, depois o senhor passa de volta e traz o dinheiro...”
O estelionatário sai do açougue, entra no carro, sorri para o filho e segue seu caminho... Na próxima semana fará de novo, em outro açougue, claro... O filho? Continua um garotinho, inocente e admirador do pai...
Eu passaria um bom tempo digitando casos assim. Esse é real. Ouvi da boca do próprio “astro”. Ele se divertia. Dizia fazer tudo pela família e não poderia deixar seus queridos sem um bom churrasco naquele final de semana ensolarado.
Que maneira, meu povo, de levar a vida! De golpe em golpe. E sem baixar o padrão de vida...
Quando relembro esse episódio eu não me sinto capaz de julgar nem de condenar. É tanta coisa que acontece! É lobo comendo lobo! É a astúcia a serviço do “levar vantagem em tudo”. As pessoas estão a flertar com o erro e a sentir vergonha do comportamento correto.
O comportamento antijurídico está presente em todos os cantos. De uma forma ou de outra. Muitas vezes podemos enxergar tudo isso olhando para o espelho mais próximo...
Quem atiraria a primeira pedra?
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