
Aos sábados costumamos ir à igreja. Saindo de casa pegamos um trânsito chato. Chegando cedo conseguimos um lugar para sentar, não conseguindo a situação se complica. Assistir ao culto de forma desconfortável não é nada bom. Sempre penso numa frase, quando estou em pé na igreja e em especial depois de enfrentar o famigerado e chato trânsito: “misericórdia quero, não sacrifício...”.
O próprio culto se transformou numa rotina insuportável. Liturgia arcaica e sem sentido. Formalidade repugnante e mensagens superficiais. Alguém pode dizer: “isso não é importante, a presença na igreja é para comunhão com Deus...” Fico pensando: só na igreja? E a comunhão pessoal e a comunhão familiar? A presença na igreja tem como fito principal a comunhão dos fiéis na adoração a Deus. Digam-me: qual comunhão dos fiéis existe num contexto de corre-corre e algaravia? Reverência: isso ainda existe? Se ainda existe precisa-se saber em qual templo...
Fato é que resolvemos pegar o carro e tomar a direção da estrada. Sem planejamento. Na Régis Bittencourt vimos indicação de uma cidade: Embu das Artes. Conhecíamos o município, mas fazia um tempão que por lá não passávamos. A cidade estava serena. Andamos e fomos sentar num banco da pracinha. Sabem aquelas pracinhas com coreto? Ficamos ali conversando como ocorria nos bons tempos de namoro. Depois saímos de mãos dadas pelas pequenas avenidas, olhando o artesanato, artistas esculpindo estatuetas, pessoas pintando quadros, senhoras costurando em tecidos e um outro no fabrico de bolsas. Havia até uma pequena exposição de filhotes de cães e na igreja católica peças antigas que antecediam ao período barroco.
Alguém se arvoraria a dizer que esse comportamento é contra os princípios tradicionais? Sim? E com qual autoridade? Aquela advinda do cumprimento sistematizado da rotina estonteante?
“Misericórdia quero, não sacrifício...” Conseguimos, ainda que de forma breve, esquecer da rotina da semana e do sacrifício dos sábados...
Foi um dia memorável!
Voltamos para casa e concluímos algo muito bom: isso precisa se repetir e repetir sempre.
Enéias Teles Borges
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