
Agora é a vez da gripe. A espanhola? A gripe comum? A gripe do frango? É a tal da gripe suína. Já surgiram os mestres em escatologia para difundir o medo. O mesmo medo que se tinha da meningite. Agora parece pior, mesmo distantes dos anos de chumbo. Escolas no Brasil adiam reinício das aulas. Pessoas evitam centros de aglomeração de humanos. Nada de cinemas, teatros, igrejas e afins. Qualquer ambiente com um doente e a gripe se espalha. Espera-se ansiosamente pela vacina. Mais uma vez se quer a planície de paz. Todos querem bradar: Uma vez vacinados, vacinados para sempre!
Não é só a gripe que incomoda. É, também, o nojo dos desgraçados terroristas que se dizem emissários do céu. Enquanto isso muitos estão preocupados. Todos torcem pela chegada do verão. No inverno a disseminação é maior. E não adianta dizer que é uma gripe de meia tigela. Ninguém quer pagar para ver. Há quem diga que o melhor que pode acontecer é todo mundo pegar logo essa gripe e ficar imune! Que beleza! Quem se candidata? Fico imaginando as pessoas saindo pelas ruas, sem máscara, procurando os lugares mais propícios para a transmissão do vírus e respirando fundo...
A gripe e o medo estão de braços dados num pacto: o maldito acordo do terror! Tendo como baluartes os profetas de plantão! Os mercadores do apocalipse! Os agoureiros malditos!
Quem sabe a gripe não una o inútil ao desagradável? Ou seria útil ao agradável? Já imaginaram um amplo salão, repleto de profetas e agoureiros e a gripe se instalando ali e as vacinas a milhões de quilômetros de distância?
Melhor esquecer o parágrafo acima. Afinal não queremos o mal para ninguém. Mas também não queremos o medo, o exagero, o mal agouro...
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Autor: Enéias Teles Borges.
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