quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A soma de todos os medos - IV

Um conhecido me descreveu o que imaginava ser o inferno para os ímpios. Como seria o sofrimento eterno das pessoas que não conseguissem a salvação. O inferno, temido castigo dos injustos, dos que se recusaram temer a Deus e viver de acordo com o seu ordenamento de justiça e amor.

No inferno existiriam dois níveis de infiéis sofredores. Os comuns, que arderiam eternamente no fogo. Segundo ele o sofrimento destes seria menor. Estariam, depois de algum tempo, acostumados ao fogo e aprenderiam a ignorar a dor.

Os ruins, do segundo nível,  extremamente maus, sofreriam de uma forma bem mais desagradável. Queimariam numa chapa de ferro, sofrendo dores atrozes, derretendo igual gordura no fogo, durante 24 horas. Na virada do "dia" tudo seria recomeçado. Jamais se acostumariam com a dor, pois a cada dia o sofrimento seria renovado.

Ele não estava brincando. E mais: possui um nível de cultura e experiência de vida de classe média alta. É racionalista na vida comum e profissional. No que tange à religião ele age como se fosse outro indivíduo. Um ser, que ao pensar na religiosidade, dispõe-se a acreditar em tudo que venha do "altar".

O medo a todos assombra. Ricos e pobres, novos e velhos. De medo em medo a existência do fiel vai sendo construída de tal modo que ele, o fiel, desespera-se diante da famigerada soma de todos os medos. E assim caminha o mundo da fé. Mostra o inferno e diz existir um céu. Qual seria o preço de tudo isso?

Continua...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A soma de todos os medos - III

Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos. (Stendhal)

Num primeiro momento esta frase promove reação contrária. Há quem certamente dirá: "toda generalização é perigosa..." Precisamos, porém, ver a religião da maneira como ela se apresenta hoje, como exteriorização dos projetos, das muitas entidades de poder temporal, que vendem a ideia de uma vida que não se extiguirá.

Quando as pessoas são colocadas diante de duas possibilidades, que são a "vida eterna" e a "morte eterna", o que primeiro se mostra é o temor. Não é a esperança. Para se obter a vida do além será necessário ter medo da morte eterna. Para se obter o céu é necessário ter medo do inferno.

Produzir a dificuldade infernal e propiciar a possibilidade de uma vida eterna e repleta de prazer tem sido o "carro-chefe" dos centros de difusão de fé. O ser humano, por natureza, teme a morte. Basta que a morte seja apimentada com a ideia do sofrimento e da eternidade inconsciente, para que o medo se espalhe. Quando o terror assola a alma, nada como o bálsamo da fé, da vida eterna, da alegria sem fim, para que o ser humano, sofredor que é, medroso que é, sinta-se reconfortado.

A soma de todos os medos é a ferramenta para o crescimento das religiões. Existe uma técnica em tudo isso. Medo e esperança, em doses pequenas e constantes. O resultado está diante dos nossos olhos. A religião domindando o mundo, amedrontando o povo e enriquecendo os que são espertos...

Continua...

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A soma de todos os medos - II

A condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo ou pela esperança de uma recompensa depois da morte. (Albert Einstein) 

A frase do ilustre cientista aparece numa espécie de condicional. Analisando os fatos concretos que se apresentam no comportamento da maioria dos homens de fé, não há espaço para se relativizar. A maioria dos religiosos vive em situação lastimável, pois teme o castigo eterno e almeja a recompensa, que ela crê, será eterna. 

O horror do inferno é um dos medos elaborados e faz parte daquela famosa adição: "a soma de todos os medos". A ideia de inferno foi muito bem trabalhada na idade média, naquele período nebuloso das maldades em nome de Deus. Momento tenebroso da vida humana, que ainda estende seus tentáculos até o século XXI. A religião se faz, primeiramente, com o medo. Logo em seguida ela libera a esperança. Cria o inferno e vende o céu.

O medo de ir para um lugar de dor eterna é, sem qualquer dúvida, um dos sustentáculos da fé. Ele tem papel preponderante na somatória de todos os medos... 

Continua...

Enéias Teles Borges

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A soma de todos os medos - I

Eu nasci no milênio passado, no ano de 1962. Por mais que eu me esforce não consigo me lembrar de qualquer evento que tenha acontecido antes daquele ano. A razão é simples: como eu poderia me lembrar se eu não estive presente? Sei que de 1962 para trás o que existe é a eternidade passada. Certamente de nada me lembrarei depois da minha morte. Será a eternidade futura. Nada eu sofri na eternidade passada, nada sofrerei na eternidade futura. Alegrias e dores só são experimentadas no presente de quem vive.

Tal reflexão poderá fazer muitos dizerem: "palavras de um ateu". Não! Eu não sou ateu. Sigo sendo agnóstico teísta. Acredito na existência de um ser superior. O que tenho repensado é algo muito sério: a religião. Não é por menos que estou sempre a dizer: a crença não faz mal, pode até fazer bem. Mas a religião, proselitista como a conhecemos, é deletéria. Não há como produzir bons frutos. É a crença, que insta em se imiscuir nos seios das culturas religiosas, que propicia o que há de bom nas vidas dos seres de fé.

O que viria, então a ser a religião como nós a conhecemos? De momento eu tenho uma resposta bem simples: a maneira como as pessoas são levadas a acreditar e a praticar decorre de um resultado. Tal resultado é a soma de todos os medos...

Continua...

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mais de 100 bilhões de mortos...

Nesta semana foi divulgada uma cifra enorme: a população da Terra chegou aos 7 bilhões de seres vivos. Número altíssimo, muito além da capacidade do Planeta em produzir e suportar os tratos humanos que incidem sobre a natureza. É certo dizer que a natureza geme, em razão dos atos humanos.

Outro número fabuloso: 100 bilhões de pessoas que já passaram pela Terra e hoje fazem parte do outro mundo - o mundo dos que existiram.

Analisando pela ótica religiosa é razoável supor que os "justos que ressurgirão entre os mortos" serão de pouco mais de 1% deste impensável número. No máximo 3%! Isso porque a Terra ficaria extremamente povoada, caso mais pessoas viessem de volta à vida. Afinal o mundo eterno de paz e glória pressupõe conforto e tal conforto seria impossível com gente demais no Planeta.

Assim vale a máxima: muitos serão chamados e poucos escolhidos. Muitos nascerão e morrerão, mas poucos, cerca de 1% de todos os que existiram e existem, viverão eternamente...

Enéias Teles Borges

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Medo, terror, fim do mundo, pragas...

Essa conversa de "fim do mundo maia" e outros tipos de "fim do mundo" são, em alguns casos, piadas de péssimo gosto. Num país como o nosso, no qual proliferam profetas de "meia-tigela", há quem acredite em tudo isso. Parece-nos que o ser humano precisa conviver com a perspectiva de catástrofe para ter sentido na vida. Como se não bastassem sete bilhões de seres humanos e seus diferentes bilhões de problemas e calamidades... 
Eu cresci ouvindo falar de perseguição nos últimos tempos, que deveríamos mudar para cidades pequenas ou para "perto do mato", que haveria decreto "X", que aumentaria a pressão e a perseguição. O povo remanescente seria ultrajado, humilhado e que deveria suportar tal tempo de angústia! Pragas viriam, calamidades sem fim. A religião do terror total me acompanhou na infância. Há quem goste de torrorismo. Eu não! Dê ao povo o medo e a esperança que ele se disporá a rezar, a chorar, a sorrir, a acreditar no inacreditável...
Nota: Parágrafos extraídos de meu mural no Facebook.
Enéias Teles Borges

Sobre o fim do mundo em 2012

O prognóstico maia do fim do mundo foi um erro histórico de interpretação, segundo revela o conteúdo da exposição "A Sociedade e o Tempo Maia" inaugurada recentemente no Museu do Ouro de Bogotá.

O arqueólogo do Inah (Instituto Nacional de Antropologia e História do México) e um dos curadores da mostra, Orlando Casares, explicou à Agência Efe que a base da medição do tempo desta antiga cultura era a observação dos astros.

Eles se inspiravam, por exemplo, nos movimentos cíclicos do Sol, da Lua e de Vênus, e assim mediam suas eras, que tinham um princípio e um final.

"Para os maias não existia a concepção do fim do mundo, por sua visão cíclica", explicou Casares, que esclareceu: "A era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes; só os fatos cotidianos, que podem ser bons ou maus, voltam a se repetir."

Para não deixar dúvidas, a exposição do Museu do Ouro explica o elaborado sistema de medição temporal desta civilização.

"Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado 'Haab' que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o 'Tzolkin', de 260 dias, que regia a vida ritualística", acrescentou Casares.

A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Desta forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, "não podiam separar o religioso do cotidiano".

Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia.
Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o "baktun" (período de 144 mil dias); na maioria das cidades, 13 "baktunes" constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente.

Com esta explicação querem demonstrar que o rebuliço espalhado pelo mundo sobre a previsão dos maias não está baseado em descobertas arqueológicas, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação dos objetos achados desta civilização.

De fato, uma das peças-chave da mostra é o hieróglifo 6 de Tortuguero, que faz referência ao fim da quinta era, a atual, neste dezembro, a qual se refere à vinda de Bolon Yocte (deidade maia), mas a imagem está deteriorada e não se sabe com que intenção.

A mostra exibida em Bogotá apresenta 96 peças vindas do Museu Regional Palácio Cantão de Mérida (México), onde se pode ver, além de calendários, vestimentas cerimoniais, animais do zodíaco e explicações sobre a escritura.
Para a diretora do Museu do Ouro de Bogotá, Maria Alicia Uribe, a exibição sobre a civilização maia serve para comparar e aprender sobre a vida pré-colombiana no continente.

"Interessa-nos de alguma maneira comparar nosso passado com o de outras regiões do mundo", ressaltou Maria sobre esta importante coleção de arte e documentário.

A exposição estará aberta ao público até 12 de fevereiro de 2012, para depois deve ser transferida para a cidade de Medellín.

(Jornalisticamente Falando) 

Nota: Essa conversa de fim do mundo maia e outros tipos de "fim do mundo" são, em alguns casos, piadas de péssimo gosto. Num país como o nosso, no qual proliferam profetas de "meia-tigela", há quem acredite em tudo isso. Parece-nos que o ser humano precisa conviver com a perspectiva de catástrofe para ter sentido na vida. Como se não bastassem sete bilhões de seres humanos e seus diferentes bilhões de problemas e calamidades... 

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Familiaridade e abuso

A Raposa e o Leão

Uma raposa muito jovem, que nunca tinha visto um leão, estava andando pela floresta e deu de cara com um.

Ela não precisou olhar muito para sair correndo desesperadamente na direção de um esconderijo. 

Quando viu o leão pela segunda vez, a raposa ficou atrás de uma árvore a fim de poder olhar antes de fugir. 

Mas na terceira vez a raposa foi direto até o leão e começou a dar tapinhas nas costas dele, dizendo:
 
- Oi, gatão! Tudo bom?

Moral da história:
  da familiaridade nasce o abuso.
 
(Esopo)

Minha leitura atual: sobre o Nazismo

“Se o autor tivesse apresentado esta história como ficção, seria acusado de ter ido longe demais. No entanto, os fatos, meticulosamente pesquisados, falam por si próprios. As pilhagens nazistas não eram apenas um desejo de riqueza. Hitler buscou criar nada menos que um Reich Sagrado.”– Digby Diehl, ex-editor da Los Angeles Times Book Review 

Na Alemanha devastada pela Segunda Guerra Mundial, um grande mistério envolve as obras de arte e as antiguidades roubadas pelos nazistas. Este livro conta a história real do tenente e historiador da arte Walter Horn, que sai à procura de tesouros valiosos para o povo alemão que haviam desaparecido. Nessa jornada, Horn desvenda as origens místicas do nazismo e um plano para a criação do Quarto Reich.

Pouco antes da invasão da Alemanha pelas forças aliadas, um bunker secreto foi cavado sob o Castelo de Nuremberg. Dentro dele, uma câmara especial continha os tesouros saqueados que Hitler mais valorizava: as Joias da Coroa do Sacro Império Romano e a Lança Sagrada, que teria dilacerado o flanco de Cristo na cruz.

Mas quando o Exército americano se preparava para invadir Nuremberg, cinco das preciosas relíquias desapareceram. Quem as teria levado da câmara subterrânea? Por quê? Após o fim da guerra, o mistério ficou sem solução até que o general Eisenhower, comandante dos Aliados, ordenou que o tenente Horn, professor licenciado da Universidade de Berkeley, procurasse os tesouros desaparecidos.

Para realizar sua missão, Horn mergulhou nas antigas lendas e no misticismo que cercavam as antiguidades saqueadas por Hitler em sua busca do domínio mundial. O que ele descobriu em sua odisseia é tão explosivo que seu relatório final permaneceu secreto por décadas.

Baseando-se em informes do serviço de inteligência, bem como em cartas e entrevistas, Sidney Kirkpatrick revela como Hitler, em sua mania de grandeza e obcecado por ocultismo, quase conseguiu criar um Reich Sagrado fundamentado numa reinvenção distorcida da história medieval e da Igreja.

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Muitos já sabem que Hitler era um homem obcecado pela ideia grandiosa de dominar o mundo, mas poucos conhecem as motivações místicas que levaram o estudante de artes fracassado a criar teorias racistas e de exaltação do nacionalismo germânico.

Em seu desejo de subjugar a Europa durante a Segunda Guerra Mundial, ele ordenou que inúmeras obras de arte fossem tomadas de seus proprietários legítimos. Além de aumentar o patrimônio do Partido Nazista, também pretendia reunir o máximo de itens valiosos para sua opulenta coleção.

As Joias da Coroa do Sacro Império Romano foram os primeiros artefatos a serem pilhados, logo após a anexação da Áustria, em 1938. Esse tesouro era composto pela coroa, pelo cetro, o orbe e as espadas usados pelos imperadores em suas cerimônias de coroação – objetos venerados pelos povos germânicos e que Hitler desejava possuir a fim de legitimar seu regime bárbaro.

Essas relíquias, junto com a Lança de Longino – que muitos acreditam ter dilacerado Cristo na cruz –, foram removidas para Nuremberg. No entanto, em 1945, diante do colapso do poderio alemão e prevendo a invasão iminente dos Aliados, Heinrich Himmler, o poderoso comandante da SS, ordenou que fossem escondidas em um bunker secreto sob o Castelo de Nuremberg.

Após a invasão e o fim da guerra, porém, os soldados americanos que chegaram ao local não encontraram os artefatos. Os generais Dwight D. Eisenhower e George Patton compreenderam que as relíquias poderiam ser usadas como propaganda nazista para a criação do Quarto Reich.

Então convocaram o tenente Walter Horn, doutor em história da arte, para procurar os objetos e restituí-los a seus verdadeiros proprietários. Horn interrogou operários do bunker, ex-vereadores de Nuremberg e militares do exército aliado. Procurou pistas nos vestígios carboniza- dos da fortaleza particular de Himmler e pesquisou a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos neonazistas, que supostamente guardava uma vasta fortuna em ouro e outros tesouros.

Mais do que investigar o desaparecimento das cinco relíquias sagradas, Horn desvendava uma trama nazista para impedir que os símbolos da monarquia mundial caíssem nas mãos dos Aliados.

Com base nos informes do serviço de inteligência, em correspondências pessoais de Walter Horn e em uma série de entrevistas, Sidney Kirkpatrick narra, com riqueza de detalhes, os roubos, as manipulações, as trapaças e os truques de espionagem que cercaram esta história de detetives, real e quase desconhecida. 

(Editora Sextante)

sábado, 29 de outubro de 2011

Por falar em hipocrisia...

Qual o dia em que o ser humano costuma ser mais hipócrita? Depende da religião. Para os que vão à igreja no domingo, este é o "dia-rei" da hipocrisia. Para os sabatistas, sem dúvida é o sábado. Parece inconcebível, mas somente longe da igreja as pessoas mostram o que de fato são...
Quando uma pessoa diz que vai orar pela outra, sugerindo que a outra tem ódio ou algo assim, é muito feio. Isso é julgar as pessoas. Quando digo que estou preocupado com a vida espiritual de alguém eu estou, implicitamente, dizendo que a minha vida espiritual é melhor que a dela. Isso é muito feio, não se pode fazer. Se vai orar por mim, por essa motivação, peço-lhe que não ore por mim. Caso ainda assim queira orar em meu favor, ore primeiro por você mesmo. Quem sabe além dos olhos abertos você verá que todos nós (eu e você) somos frágeis, carentes e não temos condições de ser modelos, guias espirituais, gurus de quem quer que seja...
Muitos se irritam quando afirmamos que há hipocrisia em larga escala nos centros de difusão de fé. Há que se ponderar e entender que sendo desagradável de ler e de ouvir, a verdade é irrefutável. Para muitas pessoas sinceras e honestas a igreja é justamente isso: igreja. para muitos, muitos mesmo, a igreja não passa de um confortável esconderijo. Durante a semana, deita-se e se rola, nos finais de semana as vestes: banho, boa roupa, bom perfume e, para completar, a hipocrisia...
Nota: Textos que postei em meu mural no Facebook, no dia 29/10/2011, em reflexão sincera e que não agradaram a alguns que veem nas manifestações de terceiros algo dirigido a si ou ao seu contexto, numa clara demonstração de egocentrismo...
Enéias Teles Borges

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Homens e livros

Nos idos anos de chumbo, eu ainda criança, ouvia no rádio uma frase que jamais esqueci: "um país se faz com homens e livros". Eu achava aquilo muito bonito, mas não via como isso praticar. Os livros à disposição eram aqueles permitidos pela censura. Que país, então, estava sendo construído?

Hoje tudo aquilo passou, podemos ler tudo o que existe para ser lido. Noto porém, sem ouvir no rádio, que nosso país tem homens e livros e aí faço a seguinde indagação: que país estamos construindo?

Enéias Teles Borges

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Bíblia e o Manual do Escoteiro Mirim

Quando eu era bem garoto, leitor assíduo dos gibis Walt Disney, eu era encantando com o Manual do Escoteiro Mirim. Huguinho, Zezinho e Luizinho conseguiam resposta para tudo. Absolutamente tudo! O manual ensinava, inclusive, que os escoteiros deveriam ser solidários e éticos. Eu tinha uma grande vontade de ter um manual assim.

O tempo passou e notei que existem outras pessoas que se comportam como os escoteiros mirins. Falam de solidariedade e de ética. Detalhe: os escoteiros eram crianças, estes de agora são adultos. Em vez do Manual do Escoteiro Mirim eles possuem a Bíblia. Nela conseguem resposta para tudo. Absolutamente tudo.

Uma diferença que destaco entre o Manual do Escoteiro Mirim e a Bíblia: em qualquer lugar do mundo os escoteiros interpretavam de igual forma as informações "pueris" do dito manual. No caso da Bíblia, não! As soluções "para tudo" de alguns, não coadunam com as soluções "para tudo" de outros.

Estaria o problema na Bíblia ou nos intérpretes?


Enéias Teles Borges

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Fatores que destroem o homem

Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos. Ele respondeu: "A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os Negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade."

Cuidando da vida alheia...

Cuidando da vida alheia: ei você que gosta de vigiar e cuidar da vida que não é sua! Adote um gato. Ele tem sete vidas. Quem sabe cuidando das vidas dele e também da sua, você não se esquece da minha?
Enéias Teles Borges

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sobre a União Homossexual

A União Civil entre pessoas do mesmo sexo é uma realidade no Brasil. Impossível mudar o rumo tomado, inclusive sob o ponto de vista jurídico. Não me insurjo contra isso. Vivemos numa República Democrática de Direito. Não posso, todavia, deixar de externar minha insatisfação contra o uso da expressão "casamento entre pessoas do mesmo sexo". O termo "casamento", ao meu ver, refere-se à união entre pessoas de sexos opostos.
Alguns me perguntam se eu, como advogado e teólogo, alinho-me contra as pretensões dos homossexuais, no que tange ao avanço do direitos que eles pleiteiam. Não, nada tenho contra! Creio que qualquer tipo de orientação sexual, que não invada direito alheio, não deve ser questionada. Apenas tenho fixado posição no que diz respeito ao uso da palavra "casamento", que na minha maneira de entender deve ser utilizada apenas para a união entre pessoas de sexos opostos.
Enéias Teles Borges

Fim do mundo é hoje!

O radialista evangélico norte-americano Harold Camping, de 89 anos, tem prometido desde o começo do ano que o mundo acabaria. Ele já preveu a data do Juízo Final algumas vezes, e atribuiu a culpa a uma "falha de cálculo". Mas o fim do mundo tem nova data, determinada por ele mesmo: a próxima sexta-feira, 21 de outubro. Em vez de um grande terremoto cataclísmico, como Camping tinha previsto para 21 de maio, a aposta da vez é que a profecia esteja se realizando "espiritualmente" e que o apocalipse concreto vai ocorrer na sexta-feira. Na época do anúncio original, seguidores da seita que ele dirige, a Family Network, chegaram a gastar as economias de suas vidas inteiras na expectativa de serem arrebatadas para o céu. A Family Network tem 66 estações de rádio nos EUA, por meio das quais Camping faz seus anúncios proféticos.


Nota: Você que possuiu uma igreja ou que pretenda fundar uma, seja inteligente e jamais fixe data para o fim do mundo, volta de Jesus e afins. Você certamente errará e verá seu negócio ir para o brejo.

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Kadafi: morte anunciada

Não importam as versões. Ele não sairia dessa com vida. Dizem que foi morte "acidental", outros falam de assassinato. Não faz muita diferença para Kadafi agora. Ele morreu. Era uma morte anunciada.

Falemos de política, poder econômico e afins. Kadafi não morreu sozinho. Muita coisa morreu com ele, boas e ruins. Kadafi ficou décados no poder e morreu como costuma acontecer naquela região, não apenas hoje: morte violenta.

Assim segue caminhando a humanidade. Acreditando que existem deuses e ignorando que existem poderes humanos que invariavelmente prevalecem. 

Rei morto! Logo mais haverá um rei posto!

Vida que segue...

Enéias Teles Borges

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um casal exemplar

Um casal do estado americano do Iowa que ficou casado durante 72 anos morreu de mãos dadas no hospital na semana passada, segundo a família. Gordon e Norma Yeager morreram com uma diferença de uma hora um do outro. A história deles começou na escola secundária. No dia da formatura, Norma Stock aceitou a proposta de casamento de Gordon. Eles se casaram em 26 de maio de 1939. Tiveram uma vida realizada e quatro filhos.

"Ficar juntos por 72 anos é bom, eu diria que é excepcional", disse a filha Donna Sheets à TV local KCCI. 

Acidente 

Outro filho, Dennis Yeager, disse que o casal saiu de casa na quarta-feira passada, de carro, para ir ao centro da cidade de Marshalltown. Mas, em uma esquina, o carro deles se chocou com outro que vinha em sentido contrário. Eles foram hospitalizados na unidade de tratamento intensivo do hospital Marshalltown, no mesmo quarto, lado a lado, e ficaram de mãos dadas.

Gordon morreu às 15h38, de mãos dadas com Norma. Ela ficou segurando a mão dele até também morrer, uma hora depois. Eles estavam cercados pela família.

"Nenhum deles gostaria de ter sobrevivido ao outro", disse a filha Donna. "Eu não conseguia imaginar como isso ia ser. Nós fomos muito abençoados, honestamente, por eles terem morrido assim." "Eles amavam estar juntos", completou Dennis.

No velório, nesta terça-feira (18), Norma e Gordon continuavam de mãos dadas no caixão. Eles seriam cremados e teriam suas cinzas misturadas, segundo a família.

(G1)

Nota: Podem acreditar. É raro, mas ainda acontece assim.

Enéias Teles Borges

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tu não serás atingido...

"Mil cairão ao teu lado, e dez mil, à tua direita, mas tu não serás atingido" (Livro dos Salmos: capítulo 91, verso 7).

Sempre considerei a interpretação deste verso, dada pela maioria das pessoas que conheço, meio equivocada. O que significa não ser atingido? A maioria entende, por exemplo, que não ser atingido é (a) escapar milagrosamente de algum tipo de acidente. A minoria entende que não ser atingido é (b) não ser envolvido no acidente.

Eu vejo a hipótese "b", da minoria, mais próxima do que se entende por proteção à luz do verso bíblico. E você, como interpreta?


Enéias Teles Borges

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A família, sempre ela...

Se você passar por uma guerra no trabalho, mas tiver paz quando chegar em casa, será um ser humano feliz. Mas, se você tiver alegria fora de casa e viver uma guerra na sua família, a infelicidade será sua amiga (Augusto Cury)

domingo, 16 de outubro de 2011

Medo da chuva...

Eu perdi o meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando prá terra traz coisas do ar.
Apendi o segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar...

(Raul Seixas)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sobre a maldade humana...

Terminei de ver os quatro DVDs que tratam do Nazismo. Seu nascimento e sua morte. Sua difusão do ódio. A pergunta que não cala: seria possível acontecer de novo?

Eu creio que se houver condição, para algo parecido, o ser humano haverá de trazer à baila toda a maldade, preconceito e o exclusivismo, daquele poder absurdo que assolou o mundo.

Por que creio assim? Quero dar dois exemplos de como o homem, quando tem chance, faz renascer em si o irracional (?) maléfico.

Eu recebi dois comentários em postagens neste blogue que mostram como a intolerância existe e segue violenta. Basta que sejam postadas mensagens que contrariem o pensamento dos fanáticos.

Exemplos:

"Sorte de vocês que não sou Deus. Se eu fosse mataria todos!"

"Odeio este blog. Trabalho no Blogger Brasil e farei de tudo para tirar esta página da rede mundial de computadores."

Sabem por quê? Porque reproduzi pensamentos de ateus. Alguns "religiosos" não aceitam isso. Tem que ser do jeito deles. Deus de qualquer jeito, à força se necessário...

A maldade humana está aí. Intolerância sem fim. No Brasil a "esmagadora" maioria é composta por criacionistas, entre os quais me alinho como "agnóstico teísta", e sinto vergonha de dizer que a intolerância advém do fanatismo religioso. Pessoas que dizem defender o livre arbítrio, mas que querem impor sua maneira religiosa de pensar na marra!

O ser humano é mal. Hitler, o criacionista, não foi obra do acaso...

Enéias Teles Borges

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sobre a discrição e a fofoca...

DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
 
Mário Quintana

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia das crianças em 2011

Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono. (Millôr Fernandes)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Deus no coração?

Há momentos em que perguntamos: os ateus, que não têm Deus no coração, são mais altruístas que aqueles que dizem ter Deus no centro de suas vidas?

Veja a imagem acima (tecle nela para ampliar) e responda para a sua consciência...

Enéias Teles Borges

Tempo chuvoso, imagem nublada

Não gosto de dias chuvosos. Sei que eles são necessários, ainda mais em São Paulo, cidade poluída por natureza. O ar para se respirar melhora, dá-se uma boa lavada nas ruas, some-se com a poeira. Ainda assim não gosto. A chuva parece nos aprisionar dentro de casa ou no ambiente de trabalho. O tempo chuvoso deixa-nos uma imagem nublada. Aí vem uma, outra e mais outra reflexão. Dias de chuva parecem dias tristes. É como se a natureza chorasse por algo ou por alguém. Até as produções de cinema exploram a chuva. Na maioria dos funerais que são apresentados em filmes, sempre há chuva no fundo.

Não apenas por isso, mas confesso: não gosto de dias chuvosos.

Enéias Teles Borges

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dica: "Triunfo da Vontade"


Assisti, ontem, ao vídeo “Triunfo da Vontade”, feito por ordem de Adolf Hitler, no ano de 1934. Algo impressionante! Especialmente quando consideramos que a tecnologia voltada para filmes era rudimentar. Um vídeo muito adiante do seu tempo.

Causa-nos forte impressão ver o efeito que Adolf Hitler conseguiu no povo alemão. Alguém conseguiria resistir às imposições daquele contexto? Já imaginaram como seria o mundo, caso o Nazismo tivesse prevalecido?

Creio que não podemos deixar de continuar vendo filmes assim. Não há como ignorar o passado. É um meio seguro de evitar repetições.

Eis minha dica de hoje.

Enéias Teles Borges

domingo, 9 de outubro de 2011

Fingimento sem igual...

Os membros das igrejas modernas precisam entender algo que é irrefutável: enquanto os membros querem a igreja como um porto seguro para as ovelhas, os líderes veem tudo isso como um grande e lucrativo negócio. O que os membros não perecebem é que os centros de fé apregoam aquilo que a membresia quer ouvir e não o que necessita ouvir. Paira no ar, portanto, um fingimento sem igual. Os membros fingem que são evangelizados, enquanto os líderes fingem que evangelizam...
Enéias Teles Borges

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quando Deus quer é assim!

A frase "Quando Deus quer é assim!" está na parte trazeira de um veículo de dedetização, que vi hoje, quando subia pela Avenida Rebouças, em São Paulo. Em destaque num veículo que transporta instrumentos e veneno para destruição de seres vivos. Seres vivos ou pragas? Seres vivos, sim, ainda que não sejam simpáticos. Não se diz que tudo que existe foi criado por Deus? Não se diz, também, que muitos dos seres vivos estão degenerados em razão do pecado trazido à Terra pelos humanos? Não importa muito isso agora: são seres vivos e ponto final!

Qual seria, então, o sentido da frase "Quando Deus quer é assim!", levando em conta o contexto? Querem saber? Não sei. Não sei mesmo!

Está cada vez mais difícil entender o que os partidários da fé cega, faca amolada (FCFA) querem dizer com seus testemunhos sem pé e sem cabeça...


Enéias Teles Borges

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs: uma rápida reflexão

A morte do gênio trouxe tristeza ao mundo, especialmente ao mundo digital. Conhecido como um gênio "genioso" em razão da capacidade para criar e também da dificuldade que tinha para se relacionar com seus pares, Steve Jobs deixou saudades. Lutava contra um câncer diagnosticado em 2003 e anaunciado ao mundo em 2004. Morreu com apenas 56 anos. Um gênio e com vida tão curta!

Às vezes não temos como evitar uma reflexão. A vida humana é frágil. Um gênio que incrementou, como poucos, a tecnologia mundial teve a vida ceifada numa luta praticamente invencível. fica claro que dinheiro, fama e genialidade pouco representam na luta contra a morte. Ela, medonha morte, virá cedo ou tarde, para gênios e para simples mortais.

Uma pena que seja assim...

Enéias Teles Borges

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